Confesso que li: Vingança da Maré [Resenha]

Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574043
Páginas: 288
Título Original: Revenge of the Tide
Nota:
 4 Estrelas

Sinopse: Depois de trabalhar arduamente por muito tempo alternando um emprego como executiva de vendas durante o dia com o de dançarina de pole dance à noite, Genevieve finalmente conseguiu juntar dinheiro para realizar seu sonho: comprar e reformar um barco e mudar-se para Kent, bem longe da estressante vida em Londres que tanto a aborrece. Tudo parece enfim perfeito. Até que, na festa de inauguração do barco, enquanto amigos de sua velha vida parecem zombar do que agora lhe é tão caro, um corpo aparece boiando próximo ao ancoradouro, e Genevieve reconhece a vítima. Ao perceber seu santuário flutuante maculado, e convencida de que sua vida também está em risco, Genevieve se vê novamente envolvida com o perigoso submundo de corrupção, crimes e traição do qual pensava ter finalmente escapado. E está prestes a descobrir os problemas de misturar negócios e prazer.

Lembro que me deparei com a resenha do livro “No Escuro” em algum blog, e a sinopse e a capa foram o bastante para me deixar mais do que interessada na leitura. Procurei o nome da autora no Skoob e acabei me deparando com outros dois livros, “Restos Humanos” e “Vingança da Maré”. Muito tempo se passou, minha linda memória nunca me deixava lembrar de comprar um destes livros quando acessava o Submarino, e a coisa foi ficando. Ano passado, durante a Bienal, encontrei o livro por R$ 5,00 no estande da Intrínseca e não pensei duas vezes antes de comprar.

O livro conta a história de Genevieve, que, depois de conseguir guardar uma considerável quantia de dinheiro, comprou um barco e decidiu passar um ano morando nele, enquanto o reformava. Ela saiu do agito e da correria de Londres e se estabeleceu em Kent, onde passou a viver na pequena e familiar comunidade da marina. Depois de cinco meses trabalhando em seu barco, mesmo com algumas alterações ainda pendentes, ela decidiu que estava na hora de dar uma festa de inauguração do seu novo “lar”, convidando os novos amigos da marina e os antigos amigos de Londres. Apesar da zombaria de seus antigos amigos, Genevieve estava satisfeita com seu novo estilo de vida e com o que havia conquistado ali, orgulhosa de seu trabalho e decidida a esquecer o passado. Mas seus planos foram por água a baixo quando, na mesma noite da festa, ela se deparou com um corpo boiando na água, e percebeu que era alguém que fazia parte desse seu passado. Enquanto a polícia passa a investigar esse misterioso caso, Genevieve deve lidar com os fantasmas de seu passado, que parecem mais do que dispostos a invadir o seu presente.

“Vigança da Maré” foi um livro que, a seu modo, me surpreendeu. Não sabia muito bem o que esperar da autora, ou se iria ou não gostar do livro, então foi com uma grande satisfação que terminei a leitura com aquela sensação de “realmente valeu a pena”. Apesar de ter sentido durante boa parte da leitura que algo estava faltando, quase como se esperasse a todo momento uma grande revelação ou acontecimento que me deixasse de queixo caído, toda a narrativa do livro foi muito concisa e envolvente, resultando em um material que me agradou em todos os momentos.

A escrita da Elizabeth é bem construída e elaborada, mas fluida e sem exageros ao mesmo tempo. Fiquei um pouco confusa e perdida quando ela apresentava termos próprios da vida na marina, principalmente quando descrevia partes do barco, mas de maneira nenhuma senti que isso atrapalhou a compreensão da história. A narrativa é dividida entre o presente, enquanto acompanhamos a investigação que tem início quando o corpo é encontrado ao lado do barco de Genevieve e todos os seus desdobramentos, e o passado, quando descobrimos mais sobre a vida da protagonista, principalmente no último ano, e como isso está atrelado às descobertas e consequências do presente.

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Achei os personagens bem construídos e originais, sem cair em clichês ou em algum “lugar comum”. A protagonista, apesar de seus momentos de dúvida e incerteza, é forte e decidida, o que foi um bom atrativo. Quanto mais descobria sobre seu passado, mais eu conseguia me relacionar com ela – mais “verdadeira” ela se tornava. Os personagens secundários também conquistaram seu espaço, principalmente os moradores da marina, apesar de eu viver confundindo e esquecendo quem era quem.

Se não fosse aquela sensação de que algo estava faltando algo, a espera por uma revelação de cair o queixo que nunca veio – não que o mistério não foi bem construído, mas fiquei esperando algo a mais -, facilmente teria dado cinco estrelas. Para o primeiro livro da autora que li, fiquei satisfeita com o resultado e mais do que interessada em ler as outras obras.

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Confesso que li: Os Três [Resenha]

Autora: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580412697
Páginas: 400
Título Original: The Three
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: “Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele… Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Antes de mais nada, quero agradecer à Gabi Cadamuro, do blog Cranela, por me apresentar a este livro na Bienal e me deixar morrendo de vontade de lê-lo. Não fosse por ela, provavelmente nem saberia que este livro existe, o que seria uma pena – mesmo com aquele fim meio duvidoso. Mas ok, vamos por partes.

12 de janeiro de 2012, o dia que abalou o mundo. Quatro acidentes aéreos ocorrem em cantos diferentes do mundo, praticamente ao mesmo tempo, matando quase todos os passageiros. Quase. Bobby Small, Jessica Craddock e Hiro Yanagida são, sem contestação, milagres. Nenhum dos especialistas parece entender ou conseguir explicar como essas três crianças sobreviveram aos acidentes e, ainda por cima, totalmente incólumes. Enquanto centenas de pessoas tiveram suas vidas ceifadas pelos supostos acidentes, as três crianças foram encontradas, resgatadas e levadas de volta às suas família, para descrença de todo o mundo, que não entendia como elas teriam sobrevivido às quedas. Mas alguma coisa mudou após o acidente, algo não está muito certo. Os responsáveis pelas crianças começam a notar pequenas alterações no padrão de comportamento e na personalidade, mas tentam se convencer que trata-se apenas de estresse pós-traumático. Só pode ser isso, não há outra explicação racional, há? Enquanto diversas teorias de conspiração começam a pipocar pelo mundo, tentando justificar por que as crianças viveram, as famílias tentam retomar a rotina, evitando o assédio da impressa e dos malucos. Mas no acidente da Sun Air, no Japão, houve outra sobrevivente, que resistiu aos ferimentos apenas tempo o bastante para deixar uma mensagem bem perturbadora em seu celular: Pamela May Donald, a única americana a bordo. A mensagem que ela deixou trará consequências devastadoras não só para as crianças, mas para todo o mundo.

Esse foi o tipo de livro que já me fisgou de primeira. Literalmente. Li os dois primeiros parágrafos e já não queria mais largar o livro – ponto para Sarah, que tem uma narrativa realmente fascinante. Uma coisa que eu simplesmente amei no livro foi a forma que ele foi construído: ele é, na verdade, um livro dentro do livro. Temos um primeiro capítulo, intitulado “Como Começa”, que retrata, sobre o ponto de vista da Pamela, como foi o acidente da Sun Air. Depois disso, temos o início do livro “Quinta-Feira Negra: da Queda à Conspiração“, ‘escrito’ por Elspeth Martins. O livro (dentro do livro) é um dossiê, onde a autora foi reunindo entrevistas, reportagens, artigos, e-mails, conversas de chat, entre outros, para remontar a história da Quinta-Feira Negra – e tudo que se seguiu. Desde o começo já sabemos que algo aconteceu, algo de muito errado, mas é apenas aos poucos, conforme vamos avançando na história, que vamos desvendando (?) o que aconteceu. O livro é dividido em partes, sendo a primeira “A Queda”, entre as partes dois e nove o livro alterna entre “Sobreviventes” e “Conspiração”, e a décima parte é “Fim do Jogo”. A investigação cobre os acontecimentos entre janeiro e julho daquele ano, sendo que cada parte cobre um período da história, em ordem cronológica. Nas partes de “Sobreviventes”, lemos todas as entrevistas e relatos diretamente relacionados aos três sobreviventes e às pessoas que conviviam com eles, e as partes de “Conspiração” cobrem o desenvolvimento das principais teorias de conspiração em volta dos acidentes, em especial a de religiosos fanáticos, pertencentes ao culto do Fim dos Tempos, que acreditam que todos os acontecimentos são uma prova de que o fim do mundo está próximo.

Os personagens “principais” (tomo aqui como base aqueles que aparecem com maior recorrência, como Paul Craddock, Lillian Small, Len Vorhees, Reba Louise Nelson, Chiyoko Kamamoto, etc) são bem desenvolvidos e completamente humanos. Ninguém é completamente “bom” ou “mau”, mas fica evidente que todos têm um pouco de cada, assim como é na vida real. Quanto aos Três, realmente surge essa curiosidade sobre eles: são apenas crianças normais, sofrendo de estresse pós-traumático? São algo a mais? O quê? Preciso confessar que meus trechos preferidos eram do Paul Craddock, pois ver a transformação dele pouco a pouco, além dos comentários sobre a Jess, trouxe para mim alguns dos melhores momentos da leitura. Mas como temos uma rotação muito grande de personagens, e a maioria só aparece uma vez, não é o tipo de livro que você consegue verdadeiramente se apegar a todos os personagens. Gostei de dois ou três, sim, mas a multidão de personagens impedia uma ligação mais profunda.

Agora, meu grande problema com o livro: o fim. Infelizmente houve muita especulação para pouca (ou nenhuma) conclusão. Por muito tempo, enquanto lia o livro, minha principal dúvida era justamente como ela iria encerrar a história. Afinal, os lunáticos dos ovni’s estariam certos? Ou seriam os fanáticos do Fim dos Tempos? Ou nada disso, e a autora apresentaria algo completamente novo? Passei o livro inteiro curiosa, pensando, antecipando, tentando resolver o mistério dos Três – principalmente impulsionada pelo comportamento da Jess, porque sim. Então cheguei ao fim do livro e a autora não apresentou a conclusão dos mistérios apresentados. Sim, alguma coisa ou outra ela amarrou, mas a maioria da história ficou com pontas soltas, no estilo “o leitor tira suas próprias conclusões”. Isso pode funcionar em alguns livros, mas acho que para esse foi um grande (gigantesco!) ponto negativo. Não acho que coube nesse livro esse tipo de encerramento, e acabou desmerecendo toda a experiência da leitura. O livro foi bom, a conclusão deixou a desejar – e muito. Por mais que o trecho final do livro, “Como Termina”, tenha apresentado uma linha de raciocínio, ainda ficou muito vago e ambíguo, do tipo que te faz pensar “mas é sério que acabou assim?”. Então não sei, fico em dúvida. Adorei toda a leitura, achei a composição do livro fantástica, a Sarah tem uma narrativa muito gostosa de acompanhar, que realmente te prende à história, mas o fim foi realmente fraco. É um bom livro, mas poderia ter sido fantástico.

Aproveito também para falar da edição, que aí sim é uma coisa fantástica. A capa tem verniz localizado (eu tenho um sério problema com capas texturizadas ou diferenciadas, me julguem) e toda a lateral do livro é preta. Sim, isso mesmo que você ouviu, é toda preta. Apenas a borda da página é tingida, mantendo a parte interna da folha amarelada, mas já serve para dar um efeito incrível, o que ajuda ainda mais no “clima” do livro. Apesar de ser um livro sem orelhas, a edição é realmente muito bonita.

Confesso que li: A Cura Mortal [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576833888
Páginas: 368
Título Original: The Scorch Trials (Maze Runner #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Por trás de uma possibilidade de cura para o Fulgor, Thomas irá descobrir um plano maior, elaborado pelo CRUEL, que poderá trazer consequências desastrosas para a humanidade. Ele decide, então, entregar-se ao Experimento final. A organização garante que não há mais nada para esconder. Mas será possível acreditar no CRUEL? Talvez a verdade seja ainda mais terrível… uma solução mortal, sem retorno.

Pode conter spoilers dos livros anteriores. Confira as resenhas aqui e aqui

Ainda não consigo definir minha relação com o último livro da trilogia “Maze Runner”. Em alguns momentos, gosto. Em outros, acho que ficou abaixo da expectativa. Pensei muito essa semana, pesando os prós e contras na balança, e acho que cheguei a um meio termo.

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Depois de passarem por todos os tormentos do Deserto, os sobreviventes do Grupo A e do Grupo B são levados à sede do CRUEL, com a promessa de que todos os testes e Variáveis finalmente chegaram a um fim. Mas Thomas é separado desse grupo ainda no BERG que os resgata do Deserto, e levado a uma cela isolada, onde passa incontáveis dias, lutando para se manter são. A raiva borbulha dentro dele, onde tudo o que ele mais quer é destruir o CRUEL e todos que tiveram alguma coisa a ver com a instituição. Depois de muitos dias, Thomas é reunido aos demais sobreviventes dos Labirintos, que acreditavam que ele estava morto, e todos recebem uma visita do Homem Rato, com a grande revelação: os dois grupos realmente estão infectados pelo Fulgor, mas a maior parte deles é Imune ao vírus. Imune ao que está destruindo todo o mundo. E aí que está a esperança da Cura pela parte do CRUEL. A organização oferece a eles a oportunidade de recuperarem suas memórias, com a parte final dos esforços necessários para obter o Esboço da Cura. Mas nem todos estão satisfeitos com isso, e as suspeitas não param se surgir. Será o caminho certo a seguir?

Como nos dois volumes anteriores, a escrita do James Dashner continua muito envolvente e com um ritmo rápido, fazendo com que o leitor praticamente devore os capítulos. O autor tem um jeito fantástico de narrar os acontecimentos e elaborar a trama do livro, de um jeito que mergulhei completamente na história e não conseguia me desligar por tempo o bastante para deixar o livro de lado. Enquanto Minho, Newt, Thomas e os outros sobreviventes do Labirinto resolvem seus dilemas com o CRUEL e avançam na jornada do que acham ser o certo a fazer, o leitor se prende aos acontecimentos e perde o fôlego, esperando para descobrir qual será o desfecho de toda  trilogia. James sabe como criar um bom suspense, o momento certo para soltar revelações ou virar a trama de ponta cabeça, como trabalhar o drama ou dar um fôlego. É isso que torna a leitura tão fluída e gostosa.

Mas, apesar de tudo isso, o livro não foi tão bom quanto poderia ser – pelo menos na minha opinião. “Por quê?”, você pode estar se perguntando. Porque acho que algumas coisas ficaram mal explicadas ou sem explicação. As pontas soltas da história me impediram de apreciar totalmente a conclusão da trilogia, e em outros casos a conclusão apresentada simplesmente não parecia ser tão boa assim. Como no caso do bilhete do Newt, que eu passei boa parte do livro me perguntando o que diabos ele teria escrito ali, pensando que seria uma coisa de enorme importância, uma grande revelação, fiquei ansiando o momento da leitura por boa parte do livro e, quando chegou, achei completamente desnecessário. A impressão que me deixou, não só pelo bilhete, mas por vários outros encerramentos, é que o autor criou os mistérios para deixar a trilogia envolvente, mas depois não soube como resolver os próprios mistérios que criou. Alguns desfechos foram simplesmente fantásticos, outros, decepcionantes.

No geral, foi um livro bom, mas poderia ter sido ótimo. A conclusão foi satisfatória, foi para um rumo que eu achei convincente, apesar de não ser a melhor alternativa, e deu um fecho condizente com o restante da história. A escrita manteve o mesmo padrão desde o começo do primeiro livro, em um dos ritmos mais alucinantes e envolventes que li recentemente, e cumpriu com excelência a incumbência de me deixar presa do começo ao fim. Acho que faltou apenas explorar um pouco mais as possibilidades, não ficar com o mais seguro, para o livro passar de bom para fantástico.

Confesso que li: Prova de Fogo [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576832997
Páginas: 400
Título Original: The Scorch Trials (Maze Runner #2)
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: O Labirinto foi só o começo… o pior está por vir. Depois de superarem os perigos mortais do Labirinto, Thomas e seus amigos acreditam que estão a salvo em uma nova realidade. Mas a aparente tranquilidade é interrompida quando são acordados no meio da noite por gritos lancinantes de criaturas disformes – os Cranks – que ameaçam devorá-los vivos. Atordoados, os Clareanos descobrem que a salvação aparente na verdade pode ser outra armadilha, ainda pior que a Clareira e o Labirinto. E que as coisas não são o que aparentam. Para sobreviver nesse mundo hostil, eles terão de fazer uma travessia repleta de provas cruéis em um meio ambiente devastado, sem água, comida ou abrigo. Calor causticante durante o dia, rajadas de vento gélido à noite, desolação e um ar irrespirável – no Deserto do novo mundo até mesmo a chuva é a promessa de uma morte agonizante. Eles, porém, não estão sozinhos – cada passo é espreitado por criaturas famintas e violentas, que atacam sem avisar.Manipulação, mentiras e traições cercam o caminho dos Clareanos, mas para Thomas a pior prova será ter de escolher em quem acreditar.

Contém spoilers de “Correr ou Morrer”. Confira a resenha do primeiro livro aqui

Depois de praticamente devorar “Correr ou Morrer”, não tive outra alternativa que não fosse emendar “Prova de Fogo” logo na sequência. O epílogo do primeiro livro me deixou de queixo caído, coração na mão e extremamente curiosa. No último trecho do livro, descobrimos que os resgatadores dos Clareanos não são nada mais que parte do CRUEL, agindo daquela forma para lhes passarem uma sensação de falsa segurança, de esperança, antes de entregá-los a uma nova leva de testes e experimentos. É nesse sentimento de traição e pena do Clareanos que começamos a leitura do segundo volume, quando tudo já dá errado desde o princípio.

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Após serem levados a um abrigo por seus resgatadores, os Clareanos acreditam que finalmente estão livres das garras dos Criadores, os responsáveis pelo Labirinto, e anseiam por uma vida normal. A noite do resgate parecia prometer que tudo ficaria bem, mas os Clareanos acordam logo pela manhã jogados em um mundo caótico. As janelas do dormitório em que se encontram foram tomadas por Cranks, pessoas infectadas pelo vírus Fulgor e que já começaram a perder qualquer traço de humanidade. Mesmo com as grades da janela separando os Cranks deles, os Clareanos decidem sair do dormitório e encontrar seus libertadores, apenas para descobri-los mortos, pendurados nas vigas do telhado no refeitório, o que indica um perigo ainda maior que os Cranks. Mas Thomas tenta relevar tudo isso, pois está preocupado com outra coisa: Teresa. Desde aquela manhã, Thomas não conseguiu entrar em contato com ela. A ligação que sentia sumiu, a voz em sua mente se calou. Ao partir para o dormitório em que a garota ficou, depara-se com o problema: Teresa sumiu, sem deixar nenhum vestígio para trás, e um garoto, Aris, ocupa seu lugar. Mais perturbador ainda é a placa que estava na porta do dormitório de Teresa, intitulando-a como “A Traidora”. O que significaria tudo aquilo? Sem alternativas que não esperar, os Clareanos são confrontados dias depois pelo Homem Rato, que apresenta o novo teste: todos eles precisam atravessar o Deserto e chegar ao Refúgio Seguro, dentro do prazo estipulado. O preço por não cumprir? Suas vidas…

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Ao terminar “Correr ou Morrer”, fiquei com a mesma sensação que tive ao terminar “Jogos Vorazes” – “ok, o que vai acontecer agora?”. Assim como a Arena, o primeiro livro ficou todo centrado na Clareira e no Labirinto, e não sabia ao certo qual rumo a história tomaria agora que os Clareanos haviam escapado das dependências do CRUEL. O epílogo já serviu para direcionar um pouco meus pensamentos, já que deixou claro que as provações continuariam, mesmo que em um ambiente diferenciado. Não sabia ao certo o que esperar do livro ou qual seria o novo teste do CRUEL, mas, pelo que conheci do James Dashner no livro anterior, imaginava que fosse gostar. E gostei. O livro continua na mesma “pegada” forte e enérgica do volume anterior, em que você não consegue parar um minuto. As provações e infortúnios dos Clareanos parecem não ter fim, quando eles se veem passando por prova, depois de prova, depois de prova, lutando para continuarem vivos. Mas, ao mesmo tempo que acompanhamos sua jornada pelo Deserto e pela cidade infestada pelos Cranks, começamos a descobrir um pouco mais sobre o mundo em que eles vivem e o que aconteceu para que ele chegasse àquele ponto. As explosões solares são explicadas um pouco mais a fundo e começamos a descobrir a real intenção do CRUEL – e o que tudo isso tem a ver com o Fulgor, uma doença degenerativa que está destruindo pouco a pouco a humanidade. Apesar de não termos as respostas para todas as perguntas, começamos a receber algumas das respostas, e a fazer outras perguntas. É um ciclo vicioso, na verdade: quanto mais respostas recebemos, mais perguntas surgem. Isso ajuda a manter o ritmo frenético da história, já que não nos resta outra alternativa a não ser continuar lendo, na esperança de finalmente descobrirmos o que diabos está se passando. E o autor consegue trabalhar a história de um jeito que você passa a questionar tudo e a todos, vendo inimigos potenciais e traição a qualquer momento. A vida dos Clareanos está em risco e você só pode segurar o fôlego enquanto torce pelo melhor.

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Além de conhecer novos personagens, passamos a conhecer um pouco mais dos antigos. Brenda, Jorge e Aris são acrescentados ao grupo central da trama, e Newt e Minho ganham ainda mais destaque. Podemos conhecer um pouco mais a personalidade destes dois últimos, ver como se tornam ainda mais ligados ao Thomas, e como os três passam a assumir e revezar a liderança dos Clareanos. Também vemos a aproximação de Brenda e Thomas, e é nos diálogos dos dois que recebemos as maiores revelações sobre o mundo em que vivem. Apesar de soar forçada e artificial no começo (não pelo autor, mas pela própria Brenda), gostei da relação que se formou entre os dois, apesar de ainda parecer um pouco desnecessária. Em termos geral, vemos um amadurecimento forçados de alguns personagens, após serem levados à situações extremas que a Prova de Fogo impõe. E vemos também um Thomas aflito e preocupado, dividido entre a vontade de desistir e a necessidade de seguir em frente. Apesar de ele ter me parecido muito chato no começo, acabei gostando ainda mais dele nesse segundo livro, de ver como ele precisou se fortalecer para reagir a tudo que o Universo jogava em seu caminho. E como, vez ou outra, ele conseguiu sair um pouco da ladainha de sempre e se mostrar divertido, ou sarcástico, e principalmente determinado.

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Não sei dizer se gostei mais deste livro ou do primeiro, mas sei que “Prova de Fogo” foi uma ótima continuação para “Correr ou Morrer”. Fora do Labirinto, o autor conseguiu conduzir a história de um jeito que me deixou ainda mais curiosa para o desfecho, apresentando um mundo caótico e lançando a pergunta: o que o CRUEL planeja fazer para remendar este mundo, e qual o papel dos Clareanos (e principalmente de Thomas) em todo esse processo? Enquanto no primeiro livro eles tinham apenas as perguntas, sem saber o que ou por que faziam o que faziam, neste segundo volume os Clareanos já sabem um pouco melhor o que está se passando, ou pelo menos o que estão enfrentando, e é interessante ver como isso muda ligeiramente o padrão de ação. Mais do que reagir, agora é a hora de agir. E James Dashner trouxe isso de forma bem impactante e envolvente nesse segundo volume da trilogia. A única espera é para que “A Cura Mortal” traga  resposta a todos esses questionamentos que foram levantados. Afinal, existe uma cura para o Fulgor?

Confesso que li: Correr ou Morrer [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576832478
Páginas: 426
Título Original: The Maze Runner (Maze Runner #1)
Nota: 4,5 Estrelas

Sinopse: Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho. Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar – chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo. Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito.

Ontem tivemos a estreia de “The Maze Runner”, a adaptação cinematográfica do primeiro livro da série de James Dashner. Fui apresentada à série por uma amiga, que irei visitar semana que vem, e por isso combinamos de assistir ao filme juntas. Já que ainda não posso ir ao cinema, para assistir ao filme, fico com a resenha do livro.

O livro conta a história de um grupo de adolescentes que estão confinados em um espaço que chamam de “Clareira”, e que se organizaram em uma espécie de sociedade para conseguirem sobreviver no dia a dia. A história começa quando Thomas chega à Clareira, em uma estranha caixa de metal (como um elevador) que fica no meio da Clareira, confuso e sem memórias. Ele sabe o nome das coisas, como funcionam e para que servem, todo o seu conhecimento de mundo permanece intacto, mas ele não tem nenhuma lembrança do seu passado, quem são seus pais, como foi sua infância, como foi parar na Clareira ou onde estava antes disso. A única coisa que lembra é seu nome, nem seu sobrenome ou idade lhe pertencem mais. Essa Clareira é cercada por um Labirinto, e diariamente os Corredores o percorrem, tentando encontrar uma saída daquele lugar. Toda noite, os muros de pedra se fecham e selam os Clareanos dentro dos seus limites, isolando-os do que está do lado de fora, e voltam abrir pela manhã. A vida é sempre a mesma, e a ordem é sempre mantida. Uma vez por mês, um Calouro chega. A Caixa também disponibiliza suprimentos e alimentos. Eles cuidam de tudo o que precisam dentro da Clareira, e se organizam da melhor forma possível. Mas ainda existem perigos que eles precisam evitar, como os estranhos Verdugos, criaturas que vivem do lado de fora da Clareira, no Labirinto. E seu mundo parece ser virado de ponta cabeça quando algo novo acontece: no dia seguinte à chegada de Thomas, a Caixa volta a se mover, desta vez trazendo um estranho passageiro – uma garota. Nenhuma garota jamais fora levada à Clareira antes, o que por si só já seria alarmante, mas tudo vira um caos quando ela anuncia que tudo iria mudar, antes de desmaiar e entrar em coma.

Como eu sabia que o filme chegaria aos cinemas agora em setembro, adiei um pouco a leitura de “Correr ou Morrer“, pois tenho uma péssima memória e queria estar com os detalhes mais frescos na mente. Neste primeiro livro de uma distopia inebriante (yaay, distopias ♥), James Dashner nos apresenta aos Clareanos, um grupo de adolescentes sem nenhuma ligação aparente, além da sua perda de memória e do fato de terem sido enviados para viver naquela Clareira. Apesar de a maioria sofrer – e muito – em suas primeiras semanas naquela nova vida, rapidamente eles são inseridos na comunidade e começam a ajudar para manter a rotina, que os mantêm vivos. É a ordem, acima de tudo, que impera no lugar. Sem a ordem, nada funciona, ninguém sobrevive – e sobrevivência é a única coisa que interessa para esses garotos. Enquanto buscam fazer o melhor com o que têm, os Clareanos buscam uma saída para a situação que enfrentam. Os Corredores, a “elite” dos Clareanos, percorrem o Labirinto diariamente, tentando solucioná-lo e tirá-los dali. É neste cenário que Thomas chega, se sentindo tão perdido quanto qualquer outro novato, mas, ao mesmo tempo, com a sensação de que já conhecia tudo aquilo. Apesar de o livro já ter um ritmo rápido desde o começo, demorei um pouco até conseguir entrar na leitura de fato. Muito disso se deve às inúmeras perguntas que não paravam de pular na minha cabeça, eu me sentia perdida e completamente confusa, como se nada fizesse sentido, mesmo com parte do vocabulário usado pelos Clareanos. Mas, quando percebi que era exatamente a mesma maneira que o Thomas provavelmente estava se sentindo, fiquei boquiaberta – o autor conseguiu compartilhar a confusão e a desorientação do protagonista com os leitores. Estamos perdidos porque Thomas está perdido; estamos confusos porque ele está confuso. E que jeito melhor de mergulhar na história do que esse? É só conforme Thomas vai aprendendo mais sobre a Clareira e a vida naquele lugar que vamos nos situando na história, entendendo seu ritmo. E que ritmo, por sinal. Assim como em “O Jogo Infinito”, James Dashner concedeu um ritmo enérgico e envolvente para “Correr ou Morrer”, em uma sucessão de acontecimentos de tirar o fôlego.

Enquanto lia, era impossível não formular milhares de teorias fantásticas, tentando descobrir, junto com os Clareanos, o que é o Labirinto e a Clareira, como foram parar ali e o que os Criadores querem com eles. Ainda assim, foi impossível chegar a uma resposta. O autor amarrou a trama de um jeito que só ele sabe para onde está nos levando, enquanto só nos resta sentar e aproveitar a viagem. É possível deduzir algumas coisas, sim, mas impossível acertar de cara o que está se passando. E cada vez que você pensa que descobriu algo, ou entendeu alguma coisa, o autor o surpreende e te tira daquela trilha, te deixando mais uma vez no escuro e ainda mais ansioso para desvendar os mistérios. E eu sou muito, muito curiosa.

Apesar da história me prender, não consegui me apegar muito aos personagens – pelo menos não nesse primeiro volume. Com exceção do Newt e do Minho (aaah, Minho *-*), acabei não me importando muito com os outros personagens, nem mesmo com o Thomas. Tentei, de verdade, mas não consegui me conectar a eles, ou mesmo me afeiçoar. Respeito o Newt, adoro o Minho e até entendo o Thomas, mas não poderia me importar menos com o Alby e a Teresa. Apesar de o Chuck ter aquele ar de “irmãozinho caçula”, risonho e alegre, também não criei laços muito profundos com ele. Era como se eu observasse tudo através de um painel de vidro, e não como se realmente os conhecesse. Acho que o ritmo do livro acabou sendo tão rápido e enérgico que tivemos pouco tempo para conhecer e realmente gostar dos personagens – pelo menos foi o que aconteceu comigo. Acho que o autor poderia ter gastado um pouco mais de tempo (e páginas) para fazer com que pudéssemos conhecer melhor os Clareanos, dando mais profundidade e autenticidade para os mesmos. Nada que prejudique o nível da história, mas realmente contaria como ponto positivo. E também não consegui me conectar muito com a ligação do Thomas e da Teresa, acho que tudo ficou um pouco fraco e perdido, fora do perfil da história.. Sou uma romântica inveterada, adoro romances, mas 1) não senti essa ligação mística do Thomas e da Teresa e 2) não acho que ao menos fosse necessário um romance na história, ficou desnecessário e vazio…

com 4

No geral, “Correr ou Morrer” foi uma grande surpresa para mim. Fiquei nervosa, angustiada, curiosa e apreensiva. Ri com o Minho e me quase arranquei os cabelos com o Alby. Do momento em que peguei o ritmo da leitura, quase não consegui largar mais o livro, de tão envolvida que estava. Esperava uma boa leitura, sim, ainda mais depois de ler O Jogo Infinito, mas não esperava que fosse gostar tanto. Não entrou na minha lista de favoritos, mas este primeiro livro de Maze Runner realmente me conquistou, cumpriu sua função de me entreter e me deixar louca pela continuação. A história em si já foi fantástica, mas quase morri com o epílogo. Minha vontade era de sair gritando e correndo pela casa, mas provavelmente me achariam maluca. Em pouco mais de uma página, James conseguiu me surpreender mais do que havia surpreendido em qualquer outra parte do livro, quando uma revelação abala tudo o que eu estava esperando depois daquelas páginas finais. Daria cinco estrelas, mas realmente pesou a questão do romance e da falta de ligação com os personagens. Ainda assim, só o bastante para tirar meio ponto, pois o resto da história compensou.

Confesso que li: O Jogo Infinito [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576836896
Páginas: 300
Título Original: The Eye of Minds (The Mortality Doctrine #1)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: Michael é um gamer. E como a maioria dos jogadores, ele passa quase mais tempo no VirtNet do que no mundo real. O VirtNet oferece total imersão do corpo e da mente, e é viciante. Graças à tecnologia, qualquer pessoa com dinheiro suficiente pode experimentar mundos de fantasia, arriscar sua vida sem a chance de morte, ou apenas ficar com os virt-amigos. E quanto mais habilidades de hacker você tem, mais divertido. Por que se preocupar seguindo as regras quando a maioria delas são idiotas, afinal? Mas algumas regras foram feitas por uma razão. É muito perigoso brincar com algumas tecnologias. E relatórios recentes afirmam que um jogador vai para além do que qualquer jogador fez antes: ele está segurando jogadores reféns dentro do VirtNet. Os efeitos são terríveis, os reféns foram todos declarados com morte cerebral. No entanto, os motivos do gamer são um mistério. O governo sabe que para pegar um hacker, você precisa de um hacker. E eles foram assistir Michael. Eles querem ele em sua equipe. Mas o risco é enorme. Se ele aceitar o seu desafio, Michael terá que ir fora da grade VirtNet. Há becos e esquinas no sistema que olhos humanos nunca viram e predadores que ele não pode nem mesmo imaginar – e há a possibilidade de que a linha entre jogo e realidade será borrada para sempre.

É incrível o quanto você pode adiar a leitura de um livro, pensando que não irá gostar tanto assim, só para depois se encontrar louca para que a continuação saia logo. Essa foi minha experiência com o livro “O Jogo Infinito“, do James Dashner, publicado no Brasil pela V&R Editoras. Ganhei o livro em um encontro para blogueiros parceiros da editora, com a presença do autor (comentei sobre o evento nesse post aqui), mas só mês passado tirei-o da estante para ler. O resultado foi uma agradável surpresa, amei a história e a escrita, e fiquei tão, mas tão curiosa para a continuação, que cheguei a enviar um e-mail para a editora, perguntando se havia previsão de lançamento da continuação aqui no Brasil (o segundo volume em inglês foi lançado no fim do mês passado). Sem mais delongas, vamos à história.

“O Jogo Infinito” conta a história de uma sociedade futurista, em que a realidade virtual é uma constante na vida da sociedade – ao menos daqueles que podem pagar por isso. Tudo corre bem na VirtNet, até que alguns jogadores começam a ser sequestrados e presos dentro do jogo, e seus corpos na Vigília (como é chamado o mundo “real”) ficam vulneráveis, entrando em coma ou estado vegetativo, e muitas vezes chegando a óbito. O SSV, o serviço de segurança da VirtNet, tentou abafar o caso por muito tempo, mas a coisa começou a sair do controle e eles passaram a recrutar jogadores com habilidades especiais de hackear o código da VirtNet para ajudá-los na caça a Kaine, a ameaça responsável por esse cyberterrorismo. Uma dessas pessoas abordadas é Michael, o protagonista da história, que, junto com Sarah e Bryson (seus dois melhores amigos dentro do jogo), parte na busca por Kaine, impulsionado pela promessa de uma recompensa pelo SSV.

Nota mental: da próxima vez, leve um post-it.

Antes de mais nada, preciso ressaltar aqui: este livro não é sobre uma distopia. A história se passa no futuro, mas não em um futuro distópico. Apenas uma sociedade com tecnologia avançada e provavelmente muito tempo livre (brincadeirinha). No bate-papo com o autor, ele disse ter sido influenciado por filmes como “Matrix” e “A Origem”, além do amor seu amor por videogames quando era mais novo. Tudo isso se misturou para criar um livro enérgico e envolvente, que te prende do começo ao fim e você simplesmente não consegue parar de ler. A escrita é muito boa e te prende nos menores detalhes, sem ser cansativa ou desnecessária. O ritmo do livro é uma coisa à parte – se eu comentei que achei a trilogia “Destino” parada, essa promete ser justamente o oposto, pois todo o livro tem um ritmo muito dinâmico, sem deixar cair a peteca nenhuma vez. Neste thriller psicológico, não tem nenhuma parte que você quer pular, ou que acha que o livro ficou cansativo ou chato, é a mesma vibração de ação e aventura do começo ao fim. Você se vê tão envolvido no universo que o autor criou que, quando se dá conta, lá se foram as 300 páginas e você ainda quer mais. E o fim, o que foi aquele fim?! Eu passei boa parte do livro me perguntando qual seria o desfecho, imaginando aqui e deduzindo ali, criando teorias de onde o autor queria me levar. Então, depois da metade do livro, o autor deu uma guinada na história que me fez pensar “aah, ok, agora eu sei o que ele quer”, e, conforme a história avançava, eu ia criando minhas teorias em cima disso. Me achei super ninja, pensando que havia desvendado a história, tudo parecia se encaixar e… ELE FOI LÁ E PUXOU MEU TAPETE! Sério, mesmo! Terminei o livro de queixo caído, pasma e com aquela sensação de “onde foi parar meu chão?“. Não era surpreendida assim há muito tempo, o que eu achei simplesmente fantástico. E o que também ajudou a me deixar mega ansiosa para o próximo livro, pois agora eu preciso saber a continuação da história do Michael.

Os personagens também merecem seu destaque. O trio principal tem uma dinâmica muito legal e gostosa de acompanhar, parecem realmente três melhores amigos, para o que der e vier. O Michael e o Bryson são divertidíssimos, sempre fazendo piadinhas e dando respostas ácidas, o que dá um toque de humor para a narrativa que torna a leitura ainda mais agradável. Eu comentei com alguns amigos, e mesmo aqui no blog, que eles me lembravam super-heróis como o Super Choque, que sempre fazem uma piadinha enquanto enfrentam seus inimigos (tenho problemas, eu sei).  E adorei toda a questão de “amizade virtual”, de eles nunca terem se conhecido e, mesmo assim, serem melhores amigos. Sei que muitas pessoas acham balela, mas conheci duas das minhas melhores amigas desse jeito, e outras tantas pessoas que adoro de paixão, e só conheço através de uma tela. Então ponto positivo para o James por criar uma amizade tão legal e diferente.

Falando em criar, também preciso comentar todo o universo criado por ele. Realidade virtual e tecnologia de imersão não são exatamente novas, mas o jeito que ele trabalhou deixou tudo MUITO perfeito. É o tipo de universo em que eu amaria viver e sei, como um fato, que eu passaria muito tempo conectada à VirtNet, explorando todos os seus jogos e ambientes. Claro, em um ambiente livre das ameaças e perigos que rondam “O Jogo Infinito”, porque a coisa não seria fácil não. Deixando os aspectos negativos de lado, seria um sonho fazer parte de tudo aquilo e seria difícil eu me desconectar. Mas valeria a pena, se fosse parar ler a continuação dessa trilogia. Só espero que saia logo aqui no Brasil, antes que minha curiosidade me consuma 😛

Confesso que li: O Poderoso Chefão [Resenha]

Autor: Mario Puzo
Editora: Record
ISBN: 9788501025432
Páginas: 462
Título Original: The Godfather
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: O Poderoso Chefão é um romance de ficção escrito por Mario Puzo, originalmente publicado em 1969, sobre uma família de mafiosos de origem siciliana que imigra para os Estados Unidos da América.
Mario Puzzo tornou-se um escritor conhecido mundialmente com este livro, seu terceiro romance. Ele faz uma biografia imaginária de um cappo da máfia nova-iorquina, desvendando o submundo do crime organizado.

Esse é o tipo de livro que eu nem ao menos sei como começar uma resenha. Sinto que qualquer coisa que eu escrever aqui não fará mérito à obra de Puzo. E não é exagero, não é desfiar seda ou nada do tipo, é realmente como eu me sinto no momento. Conhecia a fama de “O Poderoso Chefão”, mas ainda não tivera a oportunidade de ler ou mesmo assistir os filmes, era uma completa novata. Era aquele tipo de coisa que eu sabia que precisaria fazer algum dia na minha vida, mas nunca surgia a oportunidade. Nisso, quando vi o box (edição econômica, mas como dizem as boas línguas, “quem vê folha branca não vê conteúdo”) em promoção, joguei meu controle de gastos para o alto e comprei, junto com todas as outras compras que já estava fazendo. Não comecei a leitura imediatamente, mas, quando comecei, não podia parar.

Dizer que Mario Puzo é genial seria redundante, mas eu preciso dizer: ele é genial. Na obra que o consagrou, Puzo apresenta da vida de Don Corleone, um imigrante italiano, vindo da Sicília, que se estabeleceu nos Estados Unidos e lá se tornou chefe de uma das mais influentes Famílias da máfia italiana no país. A história começa com o império do Don já consagrado e seu lugar no coração de seus amigos, ou “afilhados”, garantido. Ele é o Padrinho, aqueles que todos buscam em momentos de sufoco ou perigo, de desespero ou abandono, aquele que nunca nega um pedido daqueles que o chamam de amigo. Amado por muitos e respeitado por todos, mesmo por seus rivais. Mas como nem tudo são flores, o padrinho sofre um atentado que o afasta dos negócios da Família, e é aí que o futuro da Família Corleone muda drasticamente e uma guerra entre as Cinco Famílias de Nova York parece cada vez mais inevitável.

Toda a construção da obra de Puzo é feita de um jeito que te envolve cada vez mais e mais, e você não consegue largar o livro. Contado pelo ponto de vista de diversos personagens, o autor vai montando o quadro da vida dos mafiosos italianos na década de 40 e 50 de um jeito que me fez ter vontade de poder ver tudo aquilo em primeira mão. Parece estranho, sim, quem iria querer viver no meio da máfia?, mas é a verdade. Fiquei tão envolvida e fascinada pela história que só ler não foi o bastante. Algumas histórias estão diretamente relacionadas à trama principal, como a do caçula dos Corleone, Michael, e outras ficam em segundo plano, como a história de Johnny Fontane ou mesmo da Lucy Mancini. Uma das coisas que me fascinou foi a profundidade dos personagens, mesmo dos secundários, conforme Puzo ia nos revelando camada após camada após camada. Ninguém era o que era apenas por ser, ou apenas o que revelava ser, havia muito mais a descobrir (ok, talvez não para todos, mas para muitos deles). Eu gostava tanto das passagens do Johnny quanto do Michael ou do próprio Vito Corleone, não havia nenhum personagem que eu achasse entediante ou que não valesse a pena.

A escrita é outra a ser destacada. Me perdoe quem não gostou, mas eu adorei. É o tipo de narrativa que te prende e, mesmo nos momentos mais “paradinhos”, ainda te faz querer seguir em frente e descobrir mais. É uma leitura fácil e envolvente – não que seja simples ou mal trabalhada, mas é o tipo de leitura que flui, que você começa a ler e, quando se dá conta, lá se foram páginas infinitas. Devo confessar que alguns trechos eu achei “what?” ou um pouco desnecessários, como um certo procedimento cirúrgico a que um dos personagens se submete. Todo o procedimento é descrito em detalhes e eu tenho uma PÉSSIMA visão espacial, então ficava completamente perdida em tudo o que estava acontecendo e não sei, de fato, qual a importância de uma descrição tão detalhada para a história. E me recordo de outro momento como esse, em que me peguei pensando que talvez não fosse necessário tanto tempo descrevendo uma coisa que poderia ser retratada de um jeito mais simples e breve, mas não acho que isso tenha prejudicado minha experiência geral com a leitura, em absoluto. E o autor não se prende apenas ao presente, ele também te leva ao passado para revelar porque determinado personagem age como age, qual a história por trás da história, dando ainda mais profundidade e uma dinâmica maior ao seu relato.

Eu disse isso mais de uma vez em outras resenhas, mas preciso dizer: o fim me surpreendeu, mesmo. Não havia assistido ao filme ainda (aleluia, assim pude apreciar o livro em toda sua glória õ/), por isso estava completamente no escuro com relação aos acontecimentos. Toda a trama é construída por um longo tempo, até que nas últimas 50 páginas (mais ou menos, sou péssima com cálculos e minha memória não está ajudando agora) todo o planejamento do Don Corleone e de Michael se desenrolam. Fiquei com o coração na boca, ansiosa para saber qual era o grande trunfo da família Corleone e se daria certo ou não, e praticamente devorei as páginas que finalmente colocaram o plano em prática. A preparação final e o desenrolar dos fatos passaram voando diante dos meus olhos, pois não conseguia parar enquanto não chegasse ao fim. O resultado é que eu fiquei de queixo caído ao ver como tudo ocorreu, qual era o plano (que foi mantido em segredo todo tempo) e quais foram as consequências. Quando comecei a ler não esperava gostar tanto, e acabei simplesmente apaixonada pela história. Tanto, mas tanto, que agora devo admitir que estou com receio de começar os próximos livros e eles não se igualarem ao primeiro. Mas é a vida, só saberei quando ler. E podem ter certeza que compartilharei a experiência por aqui também 🙂