Confesso que li: Gone [Resenha]

gone

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576794073
Páginas: 205
Título Original: Gone
Série: Trilogia Wake #3 (Dream Catcher #3)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: No início Janie acreditava que já sabia o que o futuro lhe reservava e pensou que estava em paz com isto. Mas, o que Janie não suportou, foi ver Cabel afundando com ela. Janie só vê uma maneira de dar a Cabel a vida que ele merece – ela precisa desaparecer. Mas isto pode destruir os dois. Então, um estranho entra em sua vida – e tudo se desfaz. Seu futuro, antes previsto, sofre uma reviravolta trágica e suas escolhas se tornam mais terríveis do que Janie jamais imaginou. Ela só precisa escolher o menor dos dois males. E o tempo está se esgotando…

Ainda no estilo “não consigo desistir de uma leitura”, fui em frente e li o último livro da trilogia Wake, “Gone”. Depois de me animar um pouquinho mais com “Fade”, esperava que o terceiro livro seguisse a melhoria e trouxesse um desfecho que compensasse a história, mas até hoje não sei ao certo o que acho de “Gone”.

O livro começa pouco depois da conclusão de “Fade”, quando Janie está enfrentando as consequências do caso anterior. Sendo a principal testemunha (e quase vítima) do caso de abuso sexual por parte de três professores da Fieldridge High, Janie passa a enfrentar o inferno em sua cidade, onde todos sabem quem ela é e se acham no direito de comentar como se ela nem estivesse ali. Sufocada nesse mar de atenção, Janie tenta se manter à tona e manter sua sanidade, mas as descobertas sobre qual será o seu futuro não a deixa muito otimista quanto a isso. Cega e aleijada. É isso que o seu “dom” reserva para ela no futuro, quando as crises que seguem os mergulhos nos sonhos tirarem de vez sua visão e o controle sobre suas mãos. E o pior é sentir que não só o futuro dela está condenado, mas que ela acabará condenando todos aqueles que estão ao seu redor – principalmente Cabel. Cabe agora a ela decidir o que fazer. Viver em meio a sociedade, sabendo o que a aguarda, ou se isolar completamente do mundo, pensando ser a solução? O destino de um suposto estranho pode ser a chave para ajudá-la a se decidir…

Ok, preciso admitir: resumindo os acontecimentos da história para escrever a descrição ali em cima, até que parece uma história muito boa, não? Janie confirma aquilo que sempre suspeitou, que seu dom é, na verdade, uma maldição, e que seu destino está fadado ao fracasso enquanto permanecer nesse caminho. Com os diários da senhora Sturbin, assim como seus encontros com ela, Janie descobriu que o preço que o seu dom cobra é realmente alto demais: com o passar dos anos, e pouquíssimos anos, ela ficará cega e perderá todo o controle sobre suas mãos. Precisará de ajuda para as coisas mais simples, e prenderá as pessoas que a amam a uma vida de cuidadores. Janie, que sempre prezou tanto  por sua independência, não pode e não consegue aceitar um futuro que a tornará tão dependente, que fará com que ela transforme-se em um fardo para os outros. Mas também não sabe como escapar.

Conforme a história vai se desenvolvendo, uma alternativa se apresenta à Janie, e ela parece cada vez mais tentada a aceitá-lo. Mas esta alternativa vem com um mistério, que ela pensa ter resolvido, o que facilita a decisão que ela quer tomar. Apesar de não ter me envolvido muito com o primeiro livro, e um pouco mais com o segundo, acredito que este último livro traz uma trama interessante à história, complementando o que já havíamos descoberto em “Fade”. Não, isso não deixa o livro (ou a trilogia) fantástico, mas foi interessante ver como foi trabalhada essa questão da consequência ao dom, do passado de pessoas que sofreram o mesmo destino e como Janie tenta lidar com isso com as poucas informações que dispõe. A trama não é perfeita, não é daquelas que te faz virar página atrás de páginas, mas serve para mantê-lo entretido e envolvido em certo nível.

E então por que, apesar disso, não sei ao certo o que pensar do livro? Porque a Janie esteve mais insuportável do que nunca. Eu entendo a questão do medo de não saber o que vem pela frente, o peso da decisão que está na balança, a indecisão e confusão, mas achei particularmente difícil me importar com a Janie depois de todo o drama que ela fez dentro da cabeça dela. Como gostar de um livro quando você fica revirando os olhos a cada decisão da protagonista? Tudo bem que é mais fácil para o leitor pular para algumas conclusões e que é comum o personagem levar mais tempo, mas eu realmente peguei uma antipatia profunda pela Janie, o que me deixou dividida quanto ao livro. A ideia da trama central da trilogia, que é apresentada e finalizada nesse livro, é interessante, dá para compensar um pouco o fiasco do primeiro volume, mas acho que a execução, como nos outros volumes, deixou a desejar.

Confesso que li: Fade [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793816
Páginas: 240
Título Original: Fade
Série: Trilogia Wake #2 (Wake Trilogy #2)
Nota:
 2,5 Estrelas

Sinopse: Para Janie e Cabel a vida real está se tornando mais difícil do que os sonhos. Eles estão tentando (em segredo) passar um tempo juntos, mas ainda não tiveram esta sorte. Coisas perturbadoras estão acontecendo em Fieldridge High, mas ninguém quer falar a respeito. Quando Janie penetra os pesadelos violentos de um colega de classe, o caso finalmente se torna claro, mas nada sai como planejado.
A cabeça confusa de Janie e o comportamento chocante de Cabe têm graves consequências para ambos. Pior ainda. Janie Descobre a verdade sobre si mesma e sua habilidade. E é desolador. Realmente desolador. Não só o seu destino está selado, como o que está por vir é muito mais sombrio do que seu pior pesadelo…

Eu não sou o tipo de pessoa que costuma desistir de uma leitura, tipo, mesmo. Por essas e outras, mesmo não gostando muito de Wake, resolvi ler Fade para completar a trilogia. Bom, achei que pior que Wake não dava para ficar e, felizmente, estava ligeiramente certa. Nesse segundo volume, vemos Janie se juntando à equipe da Narcóticos chefiada pela Capitã, trabalhando lado a lado com Cabel, depois de sua ajuda no caso anterior. Janie e Cabel continuam seu relacionamento, mas, como o caso anterior ainda não foi encerrado, os dois não podem deixar ninguém saber que estão juntos, devendo se encontrar sempre em segredo. O primeiro caso que Janie pega é uma investigação sobre um suposto predador sexual que ronda as paredes de sua escola, provavelmente um dos professores, e a investigação a leva a muitas situações de perigo, o que deixa Cabel louco. A tensão do trabalho, do relacionamento secreto com Cabel e mesmo das descobertas que Janie faz sobre sua própria condição, sobre quem ela é e o que o futuro reserva para ela, podem ser mais do que ela pode aguentar, ameaçando levá-la ao seu limite…

Ok, acho que ficou bem evidente o quanto desgostei do primeiro livro e o quanto fiquei decepcionada com a leitura, já que era algo que eu estava esperando há mais de um ano, por isso já comecei a leitura do segundo livro sem expectativa alguma. Não vou dizer que foi uma surpresa, ou que a autora conseguiu reverter o quadro e criar um livro incrível, mas posso dizer que a “decepção” já foi bem menor do que com o primeiro. Eu comecei o livro já revirando os olhos, pensando “serão mais 200 páginas perdidas”, e até fiquei um pouco confusa com a questão do trabalho da Janie, já que não fazia tanto sentido e parecia uma coisa um pouco forçada. Não conseguia entender como um caso de um predador sexual poderia ser investigado pelo departamento de Narcóticos, já que são assuntos distintos e provavelmente haveria uma equipe específica para esse tipo de investigação, mas depois de um tempo eu tentei relevar essa questão que me parecia pouco plausível e “comprar” a história.

Sobre livros com dedicatória ♥

Mesmo não sendo possível resgatar ou recuperar a catástrofe que eu achei que foi “Wake” (e me perdoe quem gostou, mas realmente achei que foi uma catástrofe), a autora conseguiu criar uma trama um pouco mais envolvente e atraente nesse segundo volume. Sim, a história ainda conta com alguns furos, não vou negar, mas esse livro me prendeu um pouquinho mais que o volume anterior, mesmo porque a narrativa da Lisa já mudou um pouco. As frases curtas, de duas ou três palavras cada e divididas em alguns parágrafos, que me causaram tanto estranhamento no volume anterior, desaparecem um pouco, apesar de não sumirem por completo. O leitor consegue encontrar uma história um pouco mais amarrada e com uma fluidez maior, e confesso que realmente fiquei envolvida quando tudo começou a caminhar para o desfecho, fiquei imaginando possibilidades e tentando descobrir quem seria inocente ou culpado – e como seria o envolvimento de Janie e Cabel em toda aquela questão.

Por mais que a trama tenha me prendido um pouco mais, os personagens continuam com o mesmo aspecto unilateral do livro anterior, não dando aquela impressão de que eu estava lendo sobre pessoas reais, que eles realmente poderiam existir, e isso sempre faz um livro perder alguns pontos comigo, pois não consigo me importar muito com os personagens e me relacionar com eles. Apesar de ter encontrado um ou outro erro de revisão, o livro me pareceu mais bem estruturado que o volume anterior, com menos deslizes e absurdos, o que também me ajudou a ter uma impressão melhor desse volume.

Apesar de não estar nem perto da minha lista de preferidos, ou das melhores leituras do ano, ou de qualquer lista positiva que algum dia eu possa fazer sobre livros, “Fade” já mostrou uma melhora em relação ao livro anterior, sendo uma boa continuação quando se leva em conta o nível de “Wake”. Ainda não é o bastante para me fazer recomendar a leitura, ou dizer “uau, você precisa ler esse livro!”, mas, se você já começou a leitura de “Wake”, considero válido ler o segundo volume.

Confesso que li: Wake [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793403
Páginas: 205
Título Original: Wake
Série: Trilogia Wake (Wake Trilogy)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal.
Janie não pode contar a ninguém sobre o que acontece com ela – eles nunca acreditariam, ou pior, achariam que é uma aberração. Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar.
Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante…

“Wake” é aquele tipo de livro que tinha de tudo para ser um sucesso no seu gênero. Lembro de me deparar com o livro no Submarino, ficar interessada pela capa, ler a sinopse no Skoob e ficar PIRADA pelo livro. Já marquei a trilogia na minha lista de desejados e vez ou outra ficava relendo a sinopse do primeiro livro, pensando em quando finalmente poderia ler. No meu último aniversário, ganhei a trilogia de presente de uma amiga minha (oi, Via! ❤ ) e comecei a ler alguns dias depois. Foi quando todo o meu ânimo foi por água abaixo.

O livro conta a história de Janie, uma garota que, desde sua infância, é sugada para o sonho das pessoas e se torna uma observadora passiva até que algo faça com que a pessoa acorde. O livro é narrado em terceira (e algumas vezes primeira) pessoa e no tempo presente, o que fez com que eu demorasse um pouquinho até pegar o ritmo de leitura, já que não estou tão acostumada a este tipo de narrativa. Apesar de ter uma premissa fantástica, achei todo o desenvolvimento da história muito fraco – o que é uma pena. Eu esperava que a situação dos sonhos fosse mais explorada, ou talvez explorada de uma forma diferenciada, mas achei que tudo ficou um pouco confuso ou mal explicado. Tinha uma imagem na minha mente e ela passou longe do que a autora trabalhou em seu livro, mas bem, bem longe. Isso acontece muitas vezes e geralmente não ligo, mas, pelo menos neste caso, achei que a história que tinha imaginado na minha cabeça era bem mais legal do que a que eu encontrei nas páginas.

Uma das coisas que me fez desanimar muito durante a leitura foi a (falta de) construção dos personagens. Ok, não esperava nada tão complexo ou fantástico quanto o Mr. Darcy (ah, Darcy ❤ ), mas as crias de McMann deixaram a desejar, pelo menos para mim. Não que os personagens seguissem a linha dos clichês ou esteriótipos (pelo menos não os dois principais, pois outros personagens foram bem clichês sim), felizmente, mas achei tudo muito… superficial, por assim dizer. Não havia um desenvolvimento maior ou camadas, algo a ser descoberto com o tempo. A impressão que eu tinha era que estava lendo sobre criaturas unilaterais, mesmo com a tentativa da autora de criar um histórico sombrio e misterioso para um ou outro personagem. Também não conseguia entender as súbitas mudanças de humor da protagonista, que parecia ir da água para o vinho sem motivo algum. Em um segundo ela estava bem, em outro estava gritando com sua melhor amiga como se tivesse sido atacada primeiro, e eu só conseguia me perguntar se tinha faltado algum trecho da história no meu livro.

A interação de Janie e Cabel também é algo que nunca conseguirei entender direito. Lembro de uma situação específica em uma viagem escolar, em que algo “ai meu Deus” aconteceu (não vou dar spoiler, hehe), e a reação dele foi tão exagerada e tão extrema que eu realmente não consegui acreditar. Não faria sentido algum ele reagir daquele jeito ou chegar àquela conclusão com as pouquíssimas informações que possuía, e me parecia que a autora queria aquela situação, mesmo que não fizesse sentido algum na história ou no momento, e isso para mim não tem desculpa.

Mas infelizmente não foi apenas a pobreza dos personagens que me desanimou, já que a escrita também não me conquistou nem um pouco. Sei que nem todo mundo precisa ser um Tolkien da vida e passar uma página descrevendo o tom de verde da grama de uma campina por onde tal personagem iria passar (não, não li Tolkien, mas está na lista), mas a Lisa não nos dá quase nenhuma descrição e isso é um pouco frustrante. O livro é composto por frases curtas e diretas, muitas vezes diretas até demais. E há um trabalho de dividir alguns trechos em parágrafos, para querer dar um impacto maior àquelas poucas palavras envolvidas, que eu achei que na maioria dos casos simplesmente não funcionou muito bem.

Para acabar (juro que já estou acabando), o outro problema que tive com o livro foram os muitos erros de tradução e revisão – tipo, muitos mesmo. Não li muitos livros da editora, para saber se é um problema geral ou pontual, mas fiquei realmente desorientada com alguns erros que encontrei. Com os erros de tradução, em alguns casos eu conseguia imaginar qual tinha sido a expressão utilizada pela autora e qual seria a tradução correta, e ficava incomodada por saber que tinham colocado uma tradução completamente aleatória. Como quando colocaram “Ele põe a mão nas pequenas costas dela […]”, e em inglês a autora colocou “He slips his hand onto the small of her back” (sim, fui procurar como estava no original, para não acabar falando besteira), o que seria traduzido para algo como “na base das costas”, não “nas pequenas costas”. Em outros erros de tradução, eu simplesmente ficava boiando e só sabia que alguma coisa estava errada porque a frase não fazia muito sentido do jeito que estava. Também me deparei com muitos erros de digitação e revisão, como “algúem” e “denovo”, que foram os casos que lembrei de registrar com a câmera do celular. Pode-se somar a isso uma mudança constante no foco do narrador (apesar de ser narrado em terceira pessoa, não são poucos os casos em que você pode se deparar com uma mudança para primeira pessoa, sem justificativa alguma, no meio de um parágrafo que, até então, narrava na terceira pessoa) e uma confusão na indicação de falas, pensamentos e narrativa, o que te faz ter que reler um trecho ou outro, para descobrir qual era o intuito ali. A bagunça era tanta que eu já não sabia mais dizer o que era falha da autora ou da editora.

Em síntese, foi uma leitura muito infeliz e eu, honestamente, não recomendaria este livro a ninguém. Continuei lendo a trilogia, porque não consigo abandonar uma leitura, e posso dizer que o terceiro livro fica um pouquinho melhor, mas não o bastante para valer a leitura da trilogia completa.

Confesso que li: As Crônicas de Bane [Resenha]

Autora: Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403964
Páginas: 392
Título Original: The Bane Chronicles
Nota: 4,5 Estrelas

Sinopse: Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamada séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

Eu sei, eu sei, já estava devendo essa resenha há alguns dias (oi, Paula ❤ ), mas os últimos dias foram corridos e acabei me enrolando toda. Agora estou de volta e espero conseguir deixar o blog e as visitas em dia, yaay.

“As Crônicas de Bane” é outro livro adicional do universo dos Caçadores de Sombras, que surgiu da coletânea de nove contos revelando o passado do fabuloso feiticeiro Magnus Bane. Os contos foram publicados originalmente em formato digital e, quando todos foram lançados, surgiu esse lindo livro físico, para os amantes de papel, como eu ❤ Os contos abordam diversos momentos do passado de Magnus, desde os mais distantes – como seu testemunho em primeira mão da Revolução Francesa – até o mais recente – seu envolvimento com Alec Lightwood, um Caçador de Sombras do Instituto de Nova York.

Comecei a leitura EMPOLGADÍSSIMA porque, bom, porque sou apaixonada pelo universo dos Caçadores de Sombras e o Magnus é um dos meus personagens preferidos. Mas, logo no primeiro conto: booom! – decepção. Até ri com as primeiras páginas de “O que realmente aconteceu no Peru”, mas fui ficando cada vez mais frustrada conforme avançava na leitura. O que no começo parecia um humor bem dosado acabou virando algo escrachado, quase caricato. Em um ponto passou a me lembrar aquele tipo de comédia pastelão, em que as supostas situações cômicas são levadas ao extremo, e tão forçadas que você passa a se perguntar o que diabos está acontecendo ali. O Magnus mais estava me parecendo o Capitão Jack Sparrow (veja bem, eu adoro o personagem do Johnny Depp, mas ele não tem nada a ver com o Magnus que conhecemos e amamos), o que me fazia olhar toda vez para o nome da Cassandra na autoria do capítulo, em parceria com a Sarah, e me perguntar como ela havia permitido que transformassem o Magnus naquilo. Por um momento realmente fiquei com receio de que o livro todo fosse ser naquele estilo, o que já estava me desanimando da leitura, mas a graça do Anjo não permitiu que fosse assim.

Do segundo conto em diante, felizmente, já passamos a encontrar o mesmo Magnus de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais, assim como o mesmo padrão de escrita dos demais livros da série. Passado o trauma do primeiro conto, podemos realmente apreciar o desenvolvimento da história do feiticeiro, que presenciou não apenas fatos importantes da história mundana, mas também do Submundo e do mundo dos Caçadores de Sombras – como a assinatura dos Acordos e a Ascensão do Ciclo de Valentim Morgenstern, que quase pôs em risco toda a diplomacia entre membros do Submundo e Nephilins.

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É delicioso poder aproveitar ao máximo a personalidade fantástica do Magnus, tendo a história inteira focada nele. Nos outros contos o humor também se faz presente, mas de forma harmoniosa e natural, e não forçado como no primeiro. Também vemos o passado de alguns personagens conhecidos quando estes cruzaram com Magnus, como a vampira Camille Belcourt, o vampiro Rafael Santiago e até Edmundo Herondale, o Caçador de Sombras inglês que abandonou o preto para se casar com uma mundana, criando o lar onde Will e Cecily Herondale nasceram. Também temos a alegria de reencontrar, mesmo que por breves momentos, Will, Tessa e James, alguns dos amados personagens de As Peças Infernais (mesmo com uma pequena participação, meu coração já pulou de alegria por poder ‘vê-los’ mais uma vez *-*). E, como não poderia deixar de ser, temos as passagens fantásticas com Alec Lightwood, que nem vou começar a comentar ou ficarei aqui para sempre ❤

Assim como no Códex dos Caçadores de Sombras, o livro “As Crônicas de Bane” apresenta algumas ilustrações, mas aqui são focadas no começo dos contos. Na página que sucede o título de cada conto, vemos uma ilustração com alguma passagem do mesmo. Eu adorava ficar indo e voltando entre a história e o conto, para poder ver em texto o que já havia visto na gravura. E confesso que estou completamente apaixonada pelas ilustrações deste livro e do Códex, amei a forma com que os personagens foram retratados.

Para um livro da Galera Record, até que não encontrei tantos erros de revisão. Ok, basicamente os únicos livros da Galera que li até então foram do universo dos Caçadores de Sombras, mas infelizmente os erros não eram raros. Talvez seja um problema com a série, não sei. Mas lembro de ter me deparado apenas com dois ou três erros, bem discretos, então relevei. E minha edição do livro é com a fantástica capa holográfica (por um mundo em que eu consiga a capa holográfica para todos os livros da série D:), que combina perfeitamente com o “brilho” do Magnus. No geral, daria facilmente 5 estrelas para o livro, mas não consigo me conformar com aquele primeiro conto, então baixo o mínimo possível. E que venha “The Dark Artificies” *-*

Confesso que li: O Códex dos Caçadores de Sombras [Resenha]

Autora: Cassandra Clare e Joshua Lewis
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403957
Páginas: 288
Título Original: The Shadowhunter’s Codex
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Anjos, demônios, fadas, vampiros, lobisomens, feiticeiros – todos eles existem e precisam ser administrados e mantidos em paz. ‘O Códex dos Caçadores de Sombras’ abrange tudo – a história e as leis do mundo dos Caçadores de Sombras; como identificar, interagir e, se necessário, matar os diferentes tipos de habitantes do Submundo; qual lado da estela você deve usar para escrever. Com estudos sobre geografia, história, magia e zoologia, todos condensados em um só volume, o Códex está aqui para ajudar novos Caçadores de Sombras a navegar pelo lindo, porém muitas vezes brutal mundo que habitamos.

“O Códex dos Caçadores de Sombras” é um livro adicional da série Os Instrumentos Mortais / As Peças Infernais, escrito pela Cassandra Clare em parceria com seu marido, Joshua Lewis. O Códex é um livro que faz parte da história da série, sendo uma espécie de “manual” para os jovens Nephilins, onde eles aprenderão tudo sobre o mundo dos Caçadores de Sombras e do Submundo. O “nosso” exemplar do Códex foi formulado como se fosse uma edição para mundanos que buscam Ascender, ou seja, beber do Cálice Mortal e, com sorte, sobreviver ao processo e se tornar Nephilim. Em uma determinada página do livro (logo no começo, se não me engano), os “autores” do Códex até informam que o livro foi formulado para se parecer com uma publicação mundana, assim o aspirante a Caçador de Sombras poderia andar com seu Códex normalmente entre os mundanos, sem despertar suspeitas (ah, Códex <3).

Escrito no formato de um livro-texto, O Códex apresenta ao leitor assuntos como o surgimento e a história dos Caçadores de Sombras, seu treinamento de combate e armas utilizadas, um bestiário sobre demônios e integrantes do Submundo, informações sobre o Pacto e a Lei, a georgrafia de Idris, entre outros. E o destaque do livro fica para os comentários de alguns dos nossos personagens preferidos – Clary, Simon e Jace -, que fazem anotações por todo o Códex, dando um ar mais “intimista” à leitura. Dessa forma é como se estivéssemos com o exemplar do Códex da Clary em mãos, acompanhando seu aprendizado do universo dos Caçadores de Sombras.

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E, sendo o exemplar do Códex da Clary, outra coisa que não poderia faltar: desenhos. Sejam os desenhos “oficiais”, como as ilustrações ao começo de cada capítulo ou do Bestiário, ou os doodles (rabiscos) nos espaços “livres” das páginas, o Códex é cheio de gravuras. Em algumas você percebe que a ilustração faz parte do Códex, e em outras a ideia é que foram desenhados pela Clary. Ao fim do Códex, inclusive, encontramos desenhos de diversos personagens da série, como Jace, Alec e Magnus, entre alguns outros.

A linguagem, tanto do Códex quanto dos “comentários”, é bem divertida de acompanhar, é o tipo de leitura que flui facilmente. Achei incrível o tanto de informação que a Cassandra e o Joshua conseguiram desenvolver para este manual de Caçadores de Sombras, me deu a impressão de que realmente era um livro real, e não algo escrito às pressas, só para ocupar espaço na estante de alguém. É aquele tipo de leitura que te deixa (ou me deixa, pelo menos) com ainda mais vontade de participar do mundo dos Nephilins, mesmo o Códex mostrando os seus erros no passado – e que não foram poucos.

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A construção do Códex está incrível e eu realmente me apaixonei pelos comentários nas páginas. Eles combinaram perfeitamente com a personalidade dos personagens envolvidos, de forma que fica ainda mais crível a ideia de que é, de fato, o Códex da Clary – ok, Liah, você está sendo repetitiva, todo mundo já entendeu isso. Mas é verdade, os comentários são divertidíssimos, me tiraram boas risadas no ônibus.

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A edição está simplesmente perfeita. As páginas são amareladas e porosas, a fonte segue o mesmo estilo dos demais livros da série e as ilustrações no meio das páginas deixam tudo ainda mais perfeito. A fonte escolhida para a Clary, Simon e Jace é diferenciada, seguindo a linha de que foram escritas com a “caligrafia” de cada um deles, e rapidamente você já assimila qual é a letra de quem e acompanha os comentários. Para quem é fã do universo dos Caçadores de Sombras, é uma aquisição que vale – e MUITO – a pena ❤

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Confesso que li: Princesa Mecânica [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092700
Páginas: 430
Título Original: Clockwork Princess (The Infernal Devices #3)
Série: As Peças Infernais (#3)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: O mistério que liga Tessa Gray ao Magistrado continua indecifrável. Por que Mortmain precisa tanto de Tessa para fechar o quebra-cabeça das Peças Infernais? Além de tudo, enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, ela acaba se envolvendo cada vez mais no mundo dos Caçadores de Sombras e num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para todos que ela ama.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂
Pode conter spoilers dos livros anteriores. Confira as resenhas aqui e aqui

É chegado o casamento de Tessa e Jem, e os noivos se preparam para a cerimônia. Mas, como nem tudo pode ser perfeito, a vida dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres parece cada vez mais complicada. Após a traição de Jessamine Lovelace, Charlotte se sente ainda mais pressionada a demonstrar controle sobre a situação com o Magistrado, já que sua autoridade está sendo questionada. Will tem que lidar com a presença de Cecile, sua irmã, no Instituto – um fantasma do passado que julgara ter deixado para trás, mas que voltou para assombrá-lo. E Tessa lida com a incerteza sobre sua própria natureza e a dúvida sobre a quem pertence seu coração. Mas o Magistrado ainda precisa dela para seus planos e, comprovando que está sempre um passo a frente, consegue colocar Tessa em uma situação onde parece não haver saída. Será ela capaz de condenar sua própria vida para salvar a de outros? E até onde irão Will e Jem para protegê-la?

Depois de devorar o segundo livro de As Peças Infernais, cheguei em “Princesa Mecânica” com o coração praticamente na boca. Apesar de eu realmente achar o vilão um pouco mais “fraco” que os de Os Instrumentos Mortais (não que a trama com o Mortmain seja vazia, mas acho o Valentim e seu sucessor – optei por não falar o nome, vai que alguém ainda não sabe que o fulano é vilão, não vou dar spoiler xD – mais fantásticos), estava completamente fisgada e ansiosa para o desfecho dessa trilogia. Apesar de não querer que o livro terminasse nunca, por estar completamente apaixonada pela história e pelos personagens, não consegui me impedir de voar pelas páginas, aguardando a revelação do mistério envolvendo Tessa e Mortmain, e todo o desenrolar da história. E, mais uma vez, a Cassandra não me decepcionou.

O livro retoma poucas semanas depois da última página de “Príncipe Mecânico”, e apresenta um ritmo envolvente já desde os primeiros capítulos, mas que ganha um passo ainda mais acelerado conforme o fim vai se aproximando. Assim como nos livros anteriores, a Cassandra soube brincar muito bem com as emoções e conflitos dos personagens, criando uma montanha-russa de emoções para o próprio leitor. É difícil não se deixar levar por todos os infortúnios dos Caçadores de Sombras, assim como não se alegrar com a felicidade deles – tanto os altos quanto os baixos foram trabalhados muito bem. E existe um certo momento nesse livro em que é absolutamente IMPOSSÍVEL não se desesperar, chorar, gritar e querer rasgar o livro de tanta frustração – ok, talvez não rasgar o livro, mas a Cassandra realmente te leva até o limite. E isso porque eu já comecei a trilogia sabendo o spoiler envolvendo justamente essa passagem, e ainda assim me desfiz em lágrimas no meio do ônibus, sem nem ao menos me importar com quem estava olhando, porque realmente fiquei com o coração em frangalhos ao ler aquele trecho. Ah, Cassandra, por que brinca assim com meu coração?!

Amei ver o desenvolvimento dos personagens, não só nesse livro, mas em toda a série. Foi fantástico vê-los amadurecendo, ganhando confiança, segurança, aprendendo mais sobre si mesmos e o mundo que os cerca. E não falo apenas sobre os protagonistas, mas praticamente todos os personagens que conhecemos. Comentei na resenha de “Príncipe Mecânico” o quanto eu gostava e me importava com os personagens secundários, e esse sentimento apenas se intensificou no último volume. Torcia a todo momento por Charlotte, Henry, Sophie, Gideon, e mesmo o ranzinza Gabriel e a recém chegada Cecily Herondale. Realmente me afeiçoei a todos estes personagens e muitos outros, e gostava de ler as tramas paralelas tanto quanto a principal, salvas as devidas proporções.

E disse e continuo dizendo: esse é o MELHOR triângulo amoroso que já vi na minha vida! Não tem um que possa se amar mais ou menos, mas os três estão tão intrinsecamente conectados que se tornaram basicamente um. E, tirar qualquer um dessa equação, seria o mesmo que tirar um pedaço do coração daqueles que ficaram. Porque, e cabe aqui lembrar, Will e Jem são parabatais e também são unidos por um elo especial. Eu confesso que já estou farta de triângulos amorosos, da fórmula básica e genérica, dos dramas da mocinha que fica cheia de dedos, sem saber qual dos dois escolher – já deu, né? E justamente por isso eu amo o triângulo presente em As Peças Infernais, pois ele escapa de todas essas chatices presentes em triângulos amorosos e cria uma fórmula que, acredito, não funcionará em nenhum outro lugar.

três

E, depois nos levar por um tsunami de emoções, ação e suspense, a Cassandra nos entrega um fim absolutamente fantástico, capaz de agradar o mais amargo dos corações. Dentre os elementos apresentados, o fim foi simplesmente perfeito, não poderia pedir por nada mais ou nada menos. Ela acertou e muito a mão, consagrando As Peças Infernais como uma das minhas trilogias preferidas.

Quanto à edição, continuo amando a capa e encontrei pouquíssimos erros de revisão, que eram mais constantes em Os Instrumentos Mortais, mas admito que acho que a Galera deslizou um pouquinho em alguns elementos da tradução. Lembro de dois casos específicos: o do gato Coroinha e dos livros de magia. Nos dois primeiros livros desta trilogia, somos apresentados a um gato ranzinza que foi resgatado pro Jem, e que só suportava o rapaz e mais ninguém. Mas é só quando chegamos ao terceiro livro, e quando a Galera Record resolve mudar a tradução do nome, que descobrimos que o assim chamado Coroinha é, na verdade, Church, o gato ranzinza que mora no Instituto de Nova York em TMI. Assim como os livros Gray e White, que são traduzidos como “Livro Cinza” e “Livro Branco”. Ok, sei que pode parecer besteira, mas, se tratando de uma série (não só as séries isoladas, mas a série de Caçadores de Sombras como um todo), acho importante manter certo padrão na tradução, para que aqueles que acompanham possam fazer a ligação entre os elementos.

E por último, mas não menos importante, uma dica que dou a vocês que ainda não leram este último livro: no começo de “Princesa Mecânica”, antes de mais nada, há uma árvore genealógica das famílias Herondale, Carstairse Lightwood. NÃO OLHE a árvore genealógica antes de terminar o livro. Acho que esse foi outro grande erro da editora, pois o leitor já se depara com um MEGA spoiler antes mesmo de começar a leitura. Então não vá todo alegre e inocente ver o que é aquela página, assim como eu, pois você pode bater o olho justamente na informação errada, assim como eu. Mas ainda assim vale a pena a leitura ❤ ❤

Confesso que li: Príncipe Mecânico [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092694
Páginas: 406
Título Original: Clockwork Prince (The Infernal Devices #2)
Série: As Peças Infernais (#2)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂
Pode conter spoilers do livro anterior. Confira a resenha de “Anjo Mecânico” aqui

 

O mundo de Tessa está de ponta cabeça. Nate, seu irmão, traiu sua confiança e de todos os Caçadores de Sombras, revelando-se um aliado de Mortmain em sua luta contra os Nephilim. Sem saber quem é ou qual seu lugar no mundo, Tessa sente-se completamente perdida, e seu último encontro com Mortmain a deixou ainda mais confusa. A pressão para que os Caçadores de Sombras encontrem e detenham o Magistrado fica ainda mais intensa quando um suposto aliado decide se posicionar contra Charlotte. Benedict Lightwood, membro do Conclave de Londres, está determinado a comprovar que Charlotte não está apta a exercer o cargo de líder do Instituto, e espera que consiga essa posição para si. Em uma medida provisória, o Cônsul Wayland decide que os membros do Instituto de Londres deverão encontrar e capturar Mortmain por conta própria, sem a ajuda direta dos demais membros da Clave, para comprovarem que estão no controle da situação – e, pior, eles só terão duas semanas para fazer isso.

Com o tempo correndo e os inimigos se aproximando, os moradores do Instituto começam a buscar em todas as fontes e vasculhar todas as informações possível, tentando encontrar qualquer dica que os leve ao paradeiro do Magistrado, enquanto lutam com seus próprios demônios interiores. Tessa, Will e James vão ao distante condado de Yorkshire, em busca do passado de Mortmain, mas acabam se deparando com uma parte do passado de Will que ele julgava ter deixado para trás. E, ao mesmo tempo em que o rapaz tenta derrubar as amarras que o prendem, Tessa vai se afeiçoando cada vez mais e mais ao gentil Jem, que tem se mostrado digno de seu afeto e respeito. Em meio a traições, tristezas e lutas, será que Tessa será capaz de se encontrar, ou irá apenas se perder de vez?

Li o primeiro livro da trilogia e gostei, mas não sabia se seria o bastante para já me fazer gostar mais da trilogia que da série. Foi quando comecei o segundo livro que fui arrebatada de vez, meu coração foi completamente conquistado. Nem havia chegado ao fim do livro e já considerava uma das minhas leituras preferidas em todo o ano, e já cogitava considerá-lo entre meus livros preferidos de todos os tempos. A escrita da Cassandra continua fenomenal enquanto ela tece uma rede de conspirações, traições, amores e dissabores. Me encontrei devorando as páginas enquanto tentava descobrir mais sobre o passado de Will, a natureza de Tessa e a história de Jem.

A trama dos personagens secundários também me deixou completamente fisgada. Neste livros temos uma exploração ainda maior dos outros moradores do Instituto, assim como dos filhos de Benedict Lightwood, Gideon e Gabriel. E esse é outro ponto que me conquistou no livro: me importava tanto com os personagens principais quanto com os secundários, queria acompanhar suas tramas paralelas à história do trio principal. Fui me afeiçoando cada vez mais à Charlotte e ao Henry, à Sophie e ao Gideon, mesmo sendo um novato na história, e até a Jessamine tocou uma partezinha do meu coração. Apesar de não me importar nem um pouco com o Magistrado (neste caso o Valentim é um vilão muito melhor), queria saber mais sobre seu plano de destruição dos Nephilim.

Mas, mais do que tudo, eu queria saber sobre Will, Tessa e Jem. A Cassandra aprendeu como realmente construir um triângulo amoroso, oferecendo algo mais concreto e apaixonante que o falho “Jace, Clary e Simon”, de Os Instrumentos Mortais, já que era possível saber desde o começo quem ela escolheria. Com o romance de As Peças Infernais, você fica a todo momento se perguntando o que acontecerá no fim. Pois, conforme ela vai conhecendo os dois, e se afeiçoando aos dois, você não consegue imaginar como aquilo poderia acabar sem um (ou mais) coração completamente destruído, e a mera ideia já te parte o coração. Eu particularmente AMEI este livro, pois encontrei algumas das melhores passagens com o James em toda a trilogia. E que os fãs do Will me perdoem, mas o James é infinitamente perfeito. Por mais que a história seja absolutamente fantástica, repleta de reviravoltas de tirar o ar e revelações de deixar o cabelo em pé, foi o romance o que mais me conquistou ❤

E uma coisa que esqueci de comentar na resenha anterior é a construção dos capítulos. A cada novo capítulo é apresentado um trecho de um poema ou livro, de autores que seriam conhecidos por Tessa na época da história. Achei fantástico como os trechos conseguiam traduzir ou sintetizar praticamente todas as emoções e sensações que ocorriam na história, e aplaudo o trabalho de pesquisa da autora.

Terminei o segundo livro e já emendei o terceiro logo em seguida, pois não conseguia aguentar a curiosidade para saber como a história terminaria, mesmo não querendo que ela terminasse nunca, de tanto que gostei. Sei que posso soar repetitiva, mas a Cassandra Clare fez um trabalho excelente com esta trilogia ❤

Confesso que li: Anjo Mecânico [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092687
Páginas: 392
Título Original: Clockwork Angel (The Infernal Devices #1)
Série: As Peças Infernais (#1)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂

Tessa Gray era uma garota comum, de 16 anos, que vivia em Nova York com sua tia Harriet, que criara a menina e seu irmão, Nate, depois da morte de seus pais. Mas, depois de ser acometida de uma súbita doença, a tia Harriet morre, deixando Tessa sozinha no mundo. O irmão, que havia se mudado para a Inglaterra um mês antes, a convida para ir morar com ele, e logo Tessa se vê abandonando toda a vida que conhecia e embarcando em um transatlântico.Ao chegar no Velho Mundo, a garota é recebida pelas Irmãs Sombrias, que dizem estar ali a pedido de seu irmão. Ingênua e sem desconfiar de nada, Tessa entra na carruagem das Irmãs, sem saber que estava rumando para seu próprio cativeiro.

A verdade é que Tessa não é uma garota tão comum assim, e ao longo das semanas seguintes as Irmãs Sombrias a ajudam a descobrir e dominar o seu dom: Tessa consegue se Transformar em outras pessoas, bastando segurar um item que pertence ou pertenceu a ela, e que ainda tenha sua essência dentro. Com a Transformação, Tessa também acessa as memórias e pensamentos da pessoa, e não só sua aparência física. Depois de uma Transformação particularmente complexa, as Irmãs finalmente revelam seu objetivo: Tessa está sendo treinada para que seja entregue ao Magistrado, um homem poderoso e misterioso, e que seria seu futuro esposo.

Tessa, que já queria fugir há um bom tempo (e só não o fazia porque as Irmãs diziam que Nate era seu prisineiro), não aguenta mais e tenta escapar da casa em que está sendo mantida prisioneira, mas é capturada novamente e amarrada em sua cama. Ela descobre que o Magistrado iria para a Casa Sombria naquela mesma noite, para se casar com ela, e que o trabalho das Irmãs finalmente estava finalizado. Quando está tentando escapar, Tessa é encontrada por William Herondale, um jovem Nephilim que vinha investigando, junto aos demais membros do Instituto de Londres, as atividades do Clube Pandemônio, do qual as Irmãs Sombrias faziam parte.

Will consegue resgatar Tessa e a leva ao Instituto, onde ela conhece seus diretores, Charlotte e Henry Branwell, além de James Carstairs e Jessamine Lovelace, outros Caçadores de Sombras que vivem lá, e Thomas, Sophia e Agatha, mundanos com a Visão, que trabalham no Instituto. E é lá, no coração do Enclave, que Tessa aprenderá mais sobre o universo dos Caçadores de Sombras e membros do Submundo, começará a buscar a verdade sobre sua própria condição e tentará, com a ajuda dos Nephilim, encontrar seu irmão e impedir os planos do Magistrado.

Antes de mais nada, preciso dizer: Cassandra Clare não para de me surpreender. Eu sou apaixonada por Os Instrumentos Mortais, e já há algum tempo queria ler As Peças Infernais. Já tinha visto algumas pessoas comentando que a trilogia conseguia ser ainda melhor que a série original, mas ficava com um pé atrás, já que não imaginava como uma história do mesmo universo poderia superar a outra. Comecei a ler “Anjo Mecânico” deixando essa questão de “melhor x pior” de lado, focando apenas na história, e me surpreendi. O universo dos Caçadores de Sombra, que já tinha sido tão ricamente explorado em Os Instrumentos Mortais, ganha novos ares nesse relato que se passa na Londres Vitoriana. Muitas coisas que conhecemos ou estamos acostumados em TMI (“The Mortal Instruments”) ainda não estão presentes no universo destes Caçadores, que lidam de forma mais direta com os problemas da Caça às sombras. As relações com os membros do Submundo também são bem mais complicadas e não tão amistosas – a primeira versão dos Acordos foi assinada apenas alguns anos antes, e os ânimos ainda estão um pouco exaltados e o preconceito se faz muito presente.

Mas o diferencial do livro não está apenas nos novos (ou ainda inexistentes?) elementos, mas na própria escrita da Cassandra. Sim, eu sei que não acreditei quando me disseram isso, mas a escrita dela realmente já está melhor em As Peças Infernais. A construção dos acontecimentos, das frases, dos diálogos e até mesmo da história como um todo já está em um nível mais elevado. A história parece estar mais “amarrada” e mais bem trabalhada, pelo menos para um primeiro volume.

Outro ponto a ser destacado são os personagens. A Cassandra tem uma habilidade incrível de desenvolver personagens profundos, complexos e cativantes. Digam o que disserem sobre “repetição de histórias e personagens”, eu achei os personagens de As Peças Infernais bem originais e diferentes dos presentes em Os Instrumentos Mortais. A protagonista, Tessa, é forte e decidida, não aceitando um não como resposta, e não aceitando que tentem dizer o que ela deve ou precisa fazer (até então, até que é parecida com a Clary). Mas, diferentemente da ruivinha, Tessa tem uma dificuldade inicial em entender e aceitar o mundo das Sombras, principalmente em aceitar que faz parte dele.

Os outros personagens também são incríveis e rapidamente me vi apegada a praticamente todos eles. Até à mesquinha e rabugenta Jessamine Lovelace, que quer tudo, menos ser uma Nephilim. No começo foi difícil gostar de Will, mas quando começamos a descobrir que há uma motivação por trás de suas ações e relações com as outras pessoas, fica difícil julgar e fácil especular o que se passa por trás dos muros. E o James, aaah, James ❤ Como pode existir um personagem tão PERFEITO?! Ele é paciente, amoroso, não guarda rancor, é um perfeito cavalheiro e o único que sabe como lidar com seu parabatai, Will. Ele é perfeito de um jeito que me faltam palavras para explicar – simplesmente é. E todo o conjunto dos habitantes do Instituto funciona como uma máquina estranha, mas que vai fazendo mais sentido conforme você vai descobrindo mais sobre eles.

Em resumo, é fácil devorar o livro. A escrita envolvente, os personagens cativantes e o mistério do Magistrado, que te deixa cada vez mais intrigado, faz com que o livro se torne um vício. É impossível largar ou interromper a leitura, ainda mais para aqueles que já são fãs do universo da Cassandra Clare. Mas mesmo para aqueles que ainda não leram Os Instrumentos Mortais, é possível ler e se apaixonar perdidamente por Anjo Mecânico. Ah, que livro lindo ❤

E, falando em lindo, cabe mencionar a capa. Sou apaixonada pelas capas dos livros da Cassandra, mas as de As Peças Infernais são absolutamente sensacionais. Perdi as contas de quantas vezes interrompia a leitura para ficar admirando a capa. Somando o conteúdo do livro, só tenho uma palavra para definir: perfeição.