[Review] A Série Divergente: Insurgente

Olá, pessoas da Terra!

Apesar de nunca ter mencionado aqui no blog (pelo menos acho que não), eu sou uma mega fã da trilogia Divergente. Mesmo com o fim de Convergente, que não foi bem o que eu esperava, simplesmente não consigo não amar essa trilogia, fui conquistada por toda a história, personagens e escrita. Sendo assim, eu não poderia deixar de assistir aos filmes, mesmo sabendo que muito provavelmente iria me decepcionar com cada um deles. Não tive tempo para escrever a review de Divergente quando o filme saiu no cinema, mas aproveito agora para deixar minhas impressões de Insurgente.

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Sinopse: Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) agora são fugitivos e procurados por Jeanine Matthews (Kate Winslet), líder da Erudição. Em busca de respostas e assombrados por prévias escolhas, o casal enfrentará inimagináveis desafios enquanto tentam descobrir a verdade sobre o mundo em que vivem.

O filme retoma a história logo do fim de Divergente, quando Tris, Quatro, Caleb, Marcus e Peter buscam abrigo na sede da Amizade, depois de fugir do ataque à Abnegação. Apesar de não estarem tão satisfeitos com a situação, Tris e Quatro decidem continuar por lá até se reorganizarem e descobrirem onde estão os demais membros da Audácia, para então irem à procura deles. Mas tudo isso muda quando soldados da Audácia, aliados à Jeanine Matthews, chegam nas terras da Amizade em busca de Divergentes, e Tris, Tobias (Quatro) e Caleb precisam fugir para não serem capturados. A busca de Jeanine por Divergentes continua, pois, após encontrar uma caixa misteriosa em uma das casas da Abnegação, supostamente pertencente aos fundadores da cidade, ela sabe que apenas um Divergente poderá abri-la e revelar a sua mensagem.

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Já há algum tempo eu aprendi uma valiosa lição: não devo esperar que as adaptações cinematográficas sejam 100% fiéis aos livros, isso é impossível, e é mais fácil encarar os dois como coisas completamente diferentes e não relacionadas, assim não acabo me decepcionando. Tendo isso em mente, fui ao cinema preparada para deixar minhas impressões do livro de lado e tentar aproveitar o filme. Não digo que fui completamente eficaz nessa tarefa, pois durante a maior parte do filme eu ficava pensando “tá errado, tá tudo errado“, mas tentei focar o filme e avaliar como ele, por conta própria, se saiu. Apesar de não achar que foi um filme ótimo, perfeito, incrível, merecedor do Oscar, do troféu Joinha e de todas as estatuetas possíveis e imagináveis, arrisco dizer que foi um bom filme, que dá para se divertir assistindo.

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Com o desenrolar da história e dos acontecimentos, Insurgente já conta com uma trama mais elaborada e envolvente que seu antecessor, e o ritmo do filme já é mais frenético e agitado. O cenário de “guerra civil” que foi se armando em Divergente atingiu novas proporções com a lei marcial instaurada pelo Conselho, a pedido da Jeanine, e a “descoberta” do exército dos sem-facção, e o expectador só consegue antecipar o momento em que a bomba vai explodir – pelo menos foi assim que meu amigo, que ainda não leu o livro, ficou ao meu lado. Também é visível que o investimento financeiro nessa sequência foi bem maior, como podemos perceber pelo nível de elementos como efeitos especiais, figurino e locações, que já estão bem melhores que no filme anterior.

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Levando em consideração os acontecimentos descritos no livro, achei que o desenvolvimento dos personagens nesse filme deixou a desejar, e muito. No livro, vemos Tris lutando seriamente contra seus demônios internos, estando completamente traumatizada após os acontecimentos em Divergente, e vemos como tudo isso vai destruindo-a pouco a pouco, levando a tomar decisões com consequências perigosas para ela e aqueles que ama. No filme, apesar de tentarem retratar tudo isso, acho que ficou muito superficial e comedido, não chegando nem perto do estado em que a personagem deveria estar. Também não houve nenhum desenvolvimento do Tobias, foi muito pouco explorado o seu relacionamento com seu pai e sua mãe, e como isso o fez tomar decisões e mesmo se afastar de Tris em alguns momentos. Diversos outros personagens secundários também tiveram suas ações, motivações e dramas pessoais negligenciados, deixando a história superficial e unilateral. Nesse aspecto, acho que o filme ficou bem longe do que seria aceitável, o que é uma pena.

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Mas, mesmo com a minha promessa de não julgar só de acordo com o livro, não posso deixar a obra em que o filme se baseou completamente de lado. Apesar de ser um bom filme, Insurgente deixa a desejar em alguns aspectos de fidelidade do livro. Não vou ser do tipo de pessoa que reclama da cor do olho do personagem, ou do corte de cabelo, pois acho que isso é o de menos na história, mas fiquei incomodada com alguns elementos do livro que ficaram faltando no filme, ou algumas coisas que foram criadas para o filme que não faziam sentido algum de acordo com o cenário proposto no livro. Um exemplo é o aparelho criado pela Erudição, que faz uma leitura da pessoa (?) e consegue determinar a qual facção ela pertence, ou se ela é Divergente. Em um cenário pós-apocalíptico, onde os recursos devem ser poupados e priorizados para a reconstrução da cidade, que ainda está em andamento, como é que eles teriam recursos ou meios para a criação em massa de um aparelho como esses? Assim como toda a história da caixa, que contém uma mensagem dos fundadores e só pode ser aberta por um Divergente muito, muito especial. A resposta para esse problema, também, não fez sentido algum, levando em consideração a própria história criada para o filme anterior – é entrar em contradição com o que eles próprios disseram… E uma mudança em específico, bem no fim do filme, me deixou bem confusa sobre como conduzirão o filme seguinte, o que não achei uma boa ideia. Acho que ficou muito aberto, não mostraram um elemento muito importante na caracterização do cenário social para a última parte da história, e não sei como os roteiristas farão para corrigir isso no próximo filme – é esperar para ver.

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Uriah, finalmente *——*

No fim das contas, posso concluir que achei que Insurgente foi um bom filme, apesar de não ser uma adaptação tão boa. Para quem ainda não leu os livros e não tem uma expectativa alta, é mais do que possível se envolver e adorar a história, e talvez, até, se interessar o bastante para ir atrás dos livros – o que, de um jeito ou de outro, acaba sendo um ótimo resultado. Para quem leu e adorou os livros, é mais uma oportunidade para ir ao cinema e ficar reclamando a todo instante que está tudo errado, e acusar os roteiristas de não terem lido o livro e terem destruído a história… Mas, ainda assim, é parada obrigatória para todo fã, que sabe como, apesar de reclamarmos, amamos ir ao cinema para ver a adaptação dos nossos filmes preferidos ❤

Título Original: Divergent Series: Insurgent
Direção: Robert Schwentke
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Miles Teller, Ansel Elgort, Kate Winslet, Jai Courtney, Zoë Kravitz, Octavia Spencer
Duração: 119 minutos
Ano de lançamento: 2015

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Confesso que li: O Poder dos Seis [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580571219
Páginas: 320
Título Original: The Power of Six (Lorien Legacies #2)
Série: Os Legados de Lorien (#2)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais. O Número Um foi morto na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Tentaram pegar o Número Quatro, John Smith, em Ohio, e falharam.
Em “O poder dos Seis”, John e a Número Seis se recuperam da grande batalha contra os mogadorianos, de quem ainda fogem para salvar a própria vida. Enquanto isso, a Número Sete está escondida em um convento na Espanha, acompanhando pela Internet notícias sobre John. Ela se pergunta onde estão Cinco e Seis, imaginando se um deles é a garota de cabelo preto e olhos cinzentos de seus sonhos, cujos poderes vão além de tudo o que ela já imaginou, aquela que tem a força necessária para reunir os seis sobreviventes. (Skoob)

Comentei na resenha de “Eu sou o Número Quatro” que havia estranhado um pouco a releitura do livro. Por pouco mais de um ano, eu tive a série “Os Legados de Lorien” entre as minhas favoritas, porém, ao reler o primeiro volume, não foi exatamente como eu me lembrava e isso acabou me deixando com dúvida sobre os outros livros. Mas, agora que acabei de reler “O Poder dos Seis”, posso reafirmar o quanto eu amo essa série e o quanto a recomendo.

O liro começa em um ritmo mais tranquilo que o fim do livro anterior, mas não tão parado quando o começo de “Eu sou o Número Quatro”. Logo no primeiro capítulo somos apresentados a uma nova personagem, Marina, a Número Sete, que possui seu próprio POV (ponto de vista). A narrativa passa a ser dividida entre ela e John, que está em fuga pelos EUA com Sam e Seis, depois de ter explodido sua escola em Paradise, Ohio, e ser considerado um terrorista. Essa mudança na narrativa já deixa “O Poder dos Seis” bem mais dinâmico que seu antecessor, já que, mesmo com a necessidade de alguns capítulos mais explicativos da Marina, para que pudêssemos conhecer seu passado e sua situação, temos os capítulos que desenvolvem a história de John, Sam e Seis, que já estava em andamento desde o livro anterior e por isso flui melhor.

Quanto aos personagens, a Seis e a Marina são um bom alívio para os personagens mais clichês do livro anterior. As duas são reais, cheias de dúvidas e incertezas, forças e fraquezas, e passam longe de qualquer lugar comum. Até mesmo o John, que eu acho um  porre quando está com a Sarah, se revela bem mais natural e menos insuportável quando está na companhia de Seis e Sam. Apesar de ainda estarem presos às descrições do livro anterior, John e Sam começam a se expandir um pouco mais, a fugir da mesmice do “super herói” e do “super nerd”. Após a morte de Henri, John precisa amadurecer, e mesmo isso ainda trazendo certos clichês, já oferece uma profundidade ligeiramente maior ao personagem. Mas a rainha do livro é, sem sombra de dúvidas, Seis, que rouba todas as cenas em que toma parte.

Em síntese, apesar de ter ficado um pouco desgostosa com a releitura de “Eu sou o Número Quatro”, a releitura de “O Poder dos Seis” veio para me confirmar porque amo tanto essa série. A escrita já fica mais fluida e envolvente, os personagens ficam mais interessantes e a trama começa a tomar um rumo mais sedutor, respondendo algumas perguntas do livro anterior e propondo novos questionamentos ao mesmo tempo. Depois de ler esse livro, é impossível não querer continuar a série.

Confesso que li: Eu sou o Número Quatro [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Páginas: 352
Título Original: I am Number Four (Lorien Legacies #1)
Série: Os Legados de Lorien (#1)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: “Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais. Nosso plano era crescer, treinar, nos tornar mais poderosos e nos unir, para então enfrentá-los. Porém, eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, estamos fugindo.
O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro.
Eu sou o próximo.”

Até onde vai a sede de morte e destruição? Os mogadorianos destruíram todos os recursos de seu planeta e se voltaram para o planeta habitado mais próximo: Lorien. Em um ataque que pegou a todos de surpresa, os assassinos frios de Mogadore destruíram Lorien e dizimaram sua população. Mas, enquanto a batalha ocorria, uma nave – a única que ainda estava inteira – conseguiu escapar de Lorien com 19 passageiros a bordo. Nove crianças, membros da Garde – a força de defesa de Lorien, com poderes e habilidades especiais – seus Cêpans – os mentores das crianças, responsáveis por ajudarem em seu treinamento e desenvolvimento – e o piloto. Depois de uma longa viagem os lorienos chegaram ao planeta Terra, onde se espalharam pelos quatro cantos do globo, aguardando o dia em que seus poderes estariam desenvolvidos, seu treinamento estaria completo e eles estariam prontos para trazer a justiça aos mogadorianos e repovoar Lorien.

Mas os mogadorianos seguiram os lorienos até o planeta Terra e começaram a caçá-los um a um. Um feitiço realizado por um Ancião de Lorien antes de as crianças embarcarem na nave provou-se a única forma de garantir que elas não seriam mortas imediatamente: a cada criança foi dado um número, e elas só poderiam ser mortas naquela ordem. Caso uma criança fosse atacada “fora da ordem”, o dano seria revertido para a pessoa que a atacou. E a única forma desse feitiço ser quebrado seria se os membros da Garde se uniram.

Dez anos se passaram desde que a nave loriena chegou em nosso planeta e os lorienos passaram a se esconder entre os humanos. Enquanto tentava aproveitar um dos raros momento de descontração em seu último endereço (já havia perdido as contas de quantas vezes se mudara nos últimos anos), o Número Quatro sente uma queimação em sua perna e uma cicatriz, sua terceira, surge em seguida. Ele sabe o que isso significa, sabe o que aconteceu e quais serão as consequências. O Número Três está morto. Os mogadorianos virão atrás dele agora. Estará ele pronto? Quando finalmente irá parar de fugir e se esconder?

Li quatro livros desta série no ano passado e fiquei tão fascinada e encantada que a coloquei na minha lista de séries preferidas de todos os tempos. Cada vez que alguém me pedia uma recomendação de série, automaticamente soltava Os Legados de Lorien. O quinto livro foi lançado este mês e, como tenho uma memória realmente muito fraca, resolvi reler a série desde o começo. E, enquanto lia “Eu sou o Número Quatro” só conseguia pensar: foi esse livro mesmo que eu li e me apaixonei?

Veja bem, tão logo comecei a leitura, fui ler algumas críticas e resenhas no Goodreads e acho que isso me fez perceber algumas coisas que não tinham me incomodado tanto em minha primeira leitura. Essa releitura realmente me fez perceber algumas coisas que eu não tinha percebido na primeira vez, ou simplesmente não tinham me chamado tanto a atenção. E, infelizmente, este primeiro volume de Os Legados de Lorien não é tão bom quanto eu me lembrava – pelo menos não completamente.

O início da história tem um ritmo bem lento e tranquilo, a sensação de que temos é que nada acontece. Depois de receber sua terceira cicatriz – parte do encantamento lórico, que indica que um dos lorienos morreu -, Quatro e seu Cêpan Henri preparam-se para mudar de casa mais uma vez. Abandonam o calor da Flórida para se mudarem para Paradise, Ohio, onde Quatro adota seu novo nome, John, que o acompanha por toda a duração da série. Neste início do livro temos toda a apresentação do universo de Os Legados de Lorien, quem são os lorienos, os mogadorianos e como seus caminhos se cruzaram. Descobrimos sobre a missão dos lorienos na Terra, de se fortalecerem e desenvolverem seus Legados – como são chamados os poderes e habilidades que cada um dos membros da Garde desenvolverá – até estarem prontos para derrotar os mogadorianos e trazer a vida de volta a Lorien. E também descobrimos que os mogadorianos não estão na Terra apenas para caçar os sobreviventes, mas também para dominar o planeta. Não destruindo tudo, como fizeram em Lorien, mas possivelmente dizimar a raça humana e estabelecer a Terra como sua nova morada (e não, isso não é spoiler).

Ao mesmo tempo em que é bom descobrir todos esses (e outros elementos), nessa releitura eu realmente senti um pouco mais forte essa sensação de “nada acontece” no começo do livro. John e Henri se mudaram para a pacata cidade de Paradise, e a impressão que me deu é que o início da história acabou assumindo o mesmo tom pacato. Não é do tipo que te faz largar o livro e nunca mais querer pegar na mão, mas ficar ansiando por alguma ação ou emoção, já que a premissa da história parece prometer isso a torto e a direito.

Lá pela metade do livro, por volta do capítulo 18, temos o primeiro boom de adrenalina real (não que nada ocorra antes disso, mas é o primeiro momento em que o livro realmente fica acelerado) e aí vemos onde a série se destaca, e muito: nas cenas de ação. Mesmo nessa segunda leitura, enquanto me encontrava ligeiramente desanimada por me deparar com algo diferente do que eu me recordava, e mesmo sabendo tudo o que aconteceria, não deixei de me contagiar pelos acontecimentos descritos na noite de Ação de Graças. E não se trata apenas do confronto em si, mas de toda a construção e expectativa.

Neste ponto os autores (James Frey e Jobie Hughes, sob o pseudônimo de Pittacus Lore) trabalham muito bem, desenvolvendo cenários que fazem os leitores, ou pelo menos eu, devorar as páginas. O mesmo se repete nas cem últimas páginas da história, quando você não consegue desgrudar os olhos das páginas por um minuto que seja. Por mais que o livro tenha um começo um pouco lento, do começo ao fim você simplesmente não consegue parar de ler. A narrativa é em primeira pessoa e no tempo presente, o que é até fácil de acostumar, principalmente para quem já leu Jogos Vorazes, que também apresenta este formato de narrativa.

Outro ponto que me incomodou foi o desenvolvimento dos personagens – pelo menos alguns deles. Os principais personagens (John, Sarah, Sam, Mark) ficaram um pouco clichês demais, aquela fórmula pronta do herói, garota perfeita, nerd e valentão (na respectiva ordem dos personagens citados acima). Apesar de eu ainda adorar o livro (estava decepcionada no começo, mas cheguei ao fim lembrando porque amo a série), acho que faltou trabalhar um pouco mais os personagens, e não cair no esteriótipo, na solução pronta. Apesar de pequenas mudanças em cada um deles ao longo da história, o que nós encontramos é a definição quase literal do papel que cada um deles assume, sem permitir que suas personalidades sejam mais exploradas.

E outra coisa que não gostei, e isso eu sei que não gostei na primeira vez em que li também, foi o romance entre John e Sarah. Ah, por Lorien, que casal mais chatinho! Sarah é o cúmulo da perfeição, a garota que desistiu de ser líder de torcida e resolveu ser boa e gentil com todo mundo. Ela tira fotos, assa cupcakes e constrói abrigos para animais em seu tempo livre. E tudo isso com uma aparência impecável, aposto que nem o cabelo saí do lugar. E todo o romance desenvolvido com John é daqueles “amor à primeira vista”, com longas trocas de olhares cheios de significado e perfeição a cada segundo. Desculpe, mas eu não compro isso. Gosto de romances, sou uma romântica incurável, mas o romance desenvolvido é tão doce que chega a me dar dor de dente. Acho que não casou com a história e, diferentemente da parte de ação, os autores erraram a mão – e feio – ao desenvolver essa história de amor. Sei que boa parte da trama se deve ao romance dos dois, mas simplesmente ficou superficial, artificial e “perfeitinho” demais. Nenhum relacionamento é perfeito, e o deles só me deixa irritada.

Também me deparei com algumas coisas na história que parecem não fazer muito sentido, mas acredito que durante o desenvolvimentos dos outros livros (bom, do quinto em diante, pelo menos) elas devem ser solucionadas. E, apesar da crítica ainda parecer completamente negativa, continuo gostando do livro. Queria que a personalidade de alguns personagens fossem mais trabalhadas? Sim. John e Sarah juntos me irritam? Demais! Mas ainda lembro da história dos outros livros, dos personagens e acontecimentos que estão por vir, e não posso deixar de gostar da série. Talvez possa me conformar com “um começo não tão bom para uma série envolvente”.

Cupidity by Cornetto

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Olá, pessoas bonitas!

Tentei me convencer a mudar de ideia, tentei mudar o assunto, mas não consegui. Passei o dia inteiro cantando a música “Valentine Song“, da cantora Lotte Mulan, e isso me convenceu a criar esse post. E não, não tem a ver com livros. Peço que desconsiderem a breve mudança de assunto, mas acredito que valerá a pena.

Quem me conhece sabe que sou uma romântica incurável. Há pouco mais de um ano, fuçando pela internet, descobri o projeto “Cupidity” da Cornetto, que é uma série de vídeos/curtas no Youtube, e fiquei COMPLETAMENTE apaixonada. Os vídeos são narrados por dezenas de “cupidos”, que, de uma maneira singela e discreta, unem diversos casais. Sim, descrevendo assim pode parecer meio bobo e sem graça, mas quando assisti ao primeiro vídeo – e meu preferido até hoje -, Kismet Diner, me acabei em lágrimas, de tão lindo que foi. Os vídeos originais são em inglês e acho que parte da magia se perde na tradução, então postarei alguns dos vídeos que já foram legendados pelo canal Legendadus.

Esse é absolutamente meigo, principalmente para os casais que sabem como é sofrer com a distância.

Esse também é incrivelmente fofo, mas, para mim, nenhum deles bate esse:

Me emociono toda vez que assisto ao “Kismet Diner”, e sou completamente apaixonada pela música. Tanto que passo dias inteiros cantando a música para mim mesma, e acabo me convencendo a fazer posts totalmente fora do assunto em um blog sobre livros. Mas como não compartilhar uma perfeição dessas? *-*

Todos querem ser amados. Todos querem estar apaixonados. Mas eles acreditam que encontrarão o amor?

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Confesso que li: Conquista [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581051840
Páginas: 360
Título Original: Reached (Matched #3)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Em uma Sociedade que não permite escolhas nem imperfeições, um pequeno erro pode ser o elemento que faltava para iniciar uma revolução. ‘Conquista’ é a continuação de Destino e Travessia. No livro, a autora retoma a história de Cassia Reyes, jovem que pertence a uma sociedade controlada por um Estado totalitário ainda que nele não haja pobreza e a população tenha acesso a direitos básicos, como alimentação, moradia e emprego. O futuro de Cassia não poderia ser mais incerto agora que ela resolveu seguir para as sombrias Províncias Exteriores, campo de extermínio dos cidadãos banidos pela Sociedade. Ela está à procura de Ky Markham, com quem desenvolveu uma relação proibida, e que havia sido aprisionado, com um destino que se encaminhava para a morte certa.

Este é o terceiro livro da trilogia “Destino”, e a resenha pode conter spoilers dos livros anteriores.  Para conferir a resenha do primeiro, clique aqui, e para o segundo livro, clique aqui.  

E finalmente chegamos ao fim da trilogia “Destino”, da Ally Condie, com o livro Conquista. Apesar de ficar bem abaixo das minhas expectativas (a trilogia toda, na verdade), esse último livro deu um fechamento condizente para a história apresentada, sem sair muito da proposta inicial. E esse post era para ter saído ontem, na verdade, mas acabei me atrapalhando e quase não consigo publicar hoje. Mas vamos lá 😀

Depois de se unir à Insurreição, Cassia se vê mais uma vez separada de Ky. Enquanto ele é enviado à Província de Camas, para começar seu treinamento como piloto, Cassia é enviada novamente à Sociedade, onde a Insurreição acredita que ajudará mais no processo da revolução. Mas ela mal pode esperar para que tudo seja resolvido de uma vez e ela termine seu papel dentro da Sociedade, pois a última coisa que queria era ser enviada de volta para lá. E Ky, após a conclusão de seu treinamento, conta os segundos para que seja enviado em missão para a Capital, para que também possa se reencontrar com Cassia. Os planos de rebelião da Insurreição chegam cada vez mais perto de se concretizarem quando uma estranha doença começa a se espalhar pela nação, mas terão eles os meios necessários para controlá-la?

Retomando a história pouco depois do fim de “Travessia”, o último volume da trilogia trás todo o desenrolar dos planos da Insurreição, assim como conclui toda a jornada que os personagens atravessaram desde o começo da história. Assim como no volume anterior, em que foi adicionado o ponto de vista do Ky, em “Conquista” nós também passamos a observar a história através dos olhos de Xander – o que já foi um bom adicional (fazer o quê? Eu gosto do Xander). Este é o único livro em que temos uma divisão por partes, sendo “Piloto”, “Poeta”, “Curador”, “Praga” e “O Dilema do Prisioneiro”. As partes intercalam capítulos de Xander, Cassia e Ky, sempre em sequência (não lembro se a ordem exata é essa, mas tem uma ordem que é mantida), o que, depois que você pega o ritmo, te ajuda a não se perder na história. É mais fácil saber com que está acontecendo o quê, já que no livro anterior eu senti que às vezes ficava um pouco confuso.

No encerramento da história, era de se esperar que Ally nos desse mais algumas informações sobre a parte “distópica” desse romance. Bom, se a sua expectativa era essa, sinto muito informar que não foi bem assim. Apesar de ter a Praga em um forte plano, o que felizmente já tirou um pouco do foco do drama “Ky – Cassia – Xander”, as questões sobre a Sociedade, a Insurreição e o Inimigo não foram exploradas como eu esperava. Simplesmente existe tanto material de pano de fundo que nem é trabalhado! A impressão que me deixa é que foram apenas alguns elementos aleatórios jogados no meio da história, para dar algum ar de mistério ou profundidade, mas que depois a autora não soube como amarrar ou trabalhar. Ainda vi algumas tentativas de diálogo sobre a Sociedade e até sobre a Insurreição, mas o Inimigo parece ser algo tirado completamente do nada, sem trazer nenhum adicional ao livro. O que é uma pena, pois aumenta ainda mais aquela impressão de que algo está faltando, de que a história não está completa.

Para um livro que é o encerramento de uma trilogia, também achei “Conquista” um pouco lento. Ok, talvez simplesmente não seja o meu ritmo. Talvez eu esteja acostumada com um pouco mais de adrenalina e “AI MEU DEUS!”, e por isso senti falta dessa coisa mais frenética na história. Gostei do elemento que a Praga trouxe ao livro, do planejamento que envolvia os planos da Insurreição, assim como toda a busca por uma solução depois, mas acabei me arrastando por muitos trechos do livro. E me desculpem, sei que ela é a personagem “principal”, mas os capítulos da Cassia eram os mais lentos para mim. E reclamei muito nas duas últimas resenhas sobre a ausência do Xander na história, então preciso ressaltar o alívio que senti ao ver que o Xander também tinha capítulos nesse volume. Apesar de achar que foi tarde para reverter o quadro (como um dos elementos de um suposto triângulo amoroso pode ser tão negligenciado assim?), achei digno para o encerramento da história. Pontos importantes da trama não seriam revelados sem a presença dele no livro, observar as coisas pelo ponto de vista dele foi crucial para a história. Eu honestamente acho que a qualidade do livro seriam bem menor sem a presença dele, e “Conquista” sem os POVs do Xander teria sido uma tortura sem fim para mim.

Enfim, foi um encerramento mediano para uma trilogia mediana. Nada de surpreendente, cativante ou mesmo instigante. Não achei que houve uma grande trama unindo os três livros, uma linha de pensamento que te prende do primeiro ao último livro. Ficou tudo muito solto e sem explicação, o que acabou por ser bem frustrante. Tudo bem que a história teve seus momentos, mas não sei se foram o bastante para salvar a experiência. E é uma pena, pois eu realmente estava apaixonada pelas capas…

Confesso que li: Travessia [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581050744
Páginas: 280
Título Original: Crossed (Matched #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Em busca de um futuro que pode não existir e tendo que decidir com quem compartilhá-lo, a jornada de Cassia às Províncias Exteriores em busca de Ky – levado pela Sociedade para uma morte certa –, mas descobre que ele escapou, deixando uma série de pistas pelo caminho. A busca de Cassia a leva a questionar o que é mais importante para ela, mesmo quando vislumbra um diferente tipo de vida além das fronteiras. Mas, à medida que Cassia tem certeza sobre o seu futuro com Ky, um convite para uma rebelião, uma inesperada traição e uma visita surpresa de Xander – que pode ter a chave para revolta e, ainda, para o coração de Cassia – mudam o jogo mais uma vez. Nada é como o esperado em relação à Sociedade, onde ilusão e traição fazem um caminho ainda mais confuso.

Este é o segundo livro da trilogia “Destino”, e a resenha pode conter spoilers do primeiro livro.  Para conferir a resenha do primeiro, clique aqui

Como disse na primeira resenha, a história acabou não sendo bem o que eu estava esperando ou desejando. Não que tenha sido ruim, veja bem, eu gostei. O problema é que eu estava esperando amar a história, e não aconteceu exatamente assim. Não foi uma leitura desperdiçada, mas não acho que leria novamente tão cedo.

Cassia tem apenas uma certeza na vida: Ky foi levado, e ela vai encontrá-lo. Depois dos acontecimentos em “Destino“, quando Ky é levado pelos Oficiais para um destino que ninguém sabe o que o aguarda, Cassia decide não se conformar e ir atrás dele, custe o que custar. Ela consegue, com a ajuda de seus pais, ser enviada para uma missão de trabalho, onde passaria três meses trocando de trabalho e função, indo para onde fosse necessária. Sua ideia com isso era chegar mais perto de Ky, perto das Províncias Exteriores, e então ir ao encontro dele. Quando seu prazo estava quase se esgotando, Cassia consegue se infiltrar em uma aeronave que ela acredita estar levando garotas para as Províncias Exteriores, sem ter ideia do que lhe aguarda, mas sabendo que daria um jeito de se reunir com Ky. Neste meio tempo, Ky está nas aldeias perto do limite do território com o Inimigo, acompanhado de Vick e Eli, que compartilham do mesmo destino que ele. Mas ele sabe que precisa sair dali para encontrar Cassia, então parte para a Escultura, onde pretende sumir do radar do Inimigo, até conseguir bolar um plano para ir ao encontro de sua amada. E nessa busca de um pelo outro, será que acabarão encontrando a eles mesmos?

Nesse segundo volume já vemos uma pequena mudança em relação ao primeiro: a história, que antes era contada em primeira pessoa pelo ponto de vista da Cassia, agora também começa a apresentar alguns capítulos na perspectiva do Ky, também em primeira pessoa. Isso acabou dando certo movimento e diferencial para a história, quando você consegue acompanhar a jornada de cada um em primeira mão, e se dividir entre os encontros e desencontros. Somos apresentadas a novos personagens, que também dão um novo ar ao relato, como Indie, Vick, Eli e Hunter. Entre esses personagens, preciso destacar a Indie. Ela é uma garota forte e decidida, que sabe o que quer e fará o que for preciso para alcançar o objetivo, e que esconde alguma coisa de tudo e de todos. Seu passado é obscuro, assim como o de Ky, e acho que esse livro teria sido bem mais monótono sem a presença dela. Ok que a história não fica tão centralizada nela, ela apenas acompanha Cassia em sua Travessia pela Escultura, mas ela sempre me deixou curiosa sobre seu passado e seus planos, então acho que foi um ponto positivo da história.

Este livro me deixou completamente confusa, pelo menos em relação aos meus sentimentos por ele. O ritmo já é bem diferente que o apresentado em “Destino“, diria ainda mais calmo e introspectivo. Nós vemos uma mudança muito grande nos personagens nesse volume, principalmente na Cassia, conforme eles avançam pela Escultura. É como se, ao superar os obstáculos físicos da Escultura, em busca de seus objetivos, eles aprendessem a superar suas próprias falhas e defeitos, medos e anseios, inseguranças e desconfianças. Apesar de ser retratada uma jornada física, eu interpretei Travessia como também sendo a jornada emocional e psicológica a que os personagens se submetem, para conseguirem alcançar os objetivos que estabelecem. Para mim, a Travessia realizada pela escultura poderia muito bem ser uma metáfora para a transição que acontece dentro do Ky, Cassia e até mesmo Xander (nos poucos momentos em que ele aparece), levando-os de quem eram no primeiro livro a quem passam a ser no terceiro. É justamente um livro de transição, de adaptação, de mudança. Não digo que isso é de fato o que a autora propôs, mas foi como eu interpretei, e pode ser que eu tenha viajado um pouco, hehe.

Mas veja bem, isso não quer dizer que o livro é sensacional. Como disse na resenha sobre Destino, acho o ritmo da história um pouco paradinho e sem grandes acontecimentos que te deixam naquela ansiedade para continuar. Apesar de toda essa jornada de “descobrimento”, os personagens continuam com algumas atitudes bem infantis e irritantes, e vez ou outra eu sentia vontade de estapear os personagens, principalmente o Ky. Ainda sinto falta de uma presença mais marcante do Xander para que a proposta de um “triângulo amoroso” pudesse ao menos fazer sentido, já que o coitado mal aparece e já é logo jogado de lado. E também acho que a autora deixou algumas pontas bem soltas. Passamos o livro inteiro sem saber as respostas para muitos problemas apresentados, como questões sobre o Inimigo ou a Insurreição. Também não consegui entender o desejo súbito da Cassia de encontrar a Insurreição, aquilo pareceu ter vindo do nada e se transformado em uma “convicção” rápido demais.

Apesar de ter uma mensagem mais “profunda” que o primeiro livro, e de ter a Indie (aah, Indie ), acho que o primeiro livro ainda foi um pouco melhor que esse segundo. No primeiro ainda havia a ideia de que alguma coisa estava acontecendo, e não que estávamos simplesmente aguardando ou andando sem rumo em meio a um cânion. A escrita da Ally ainda é agradável, mas a construção foi novamente monótona. É como dizer “gosto das palavras, não tanto da história”. O que é uma pena, já que eu estava com uma expectativa tão grande para essa trilogia…

Confesso que li: Destino [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788560280810
Páginas: 240
Título Original: Matched
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família. Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander – bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade. Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo.

Comentei no post “Novos na Família #3” que havia comprado o box da trilogia Destino, e que já estava apaixonada pelas capas há quase um ano. Lembro de ter encontrado o primeiro livro por um mero acaso no Submarino, naquelas “recomendações” que aparecem enquanto você está olhando outro produto, e a capa me chamou muito a atenção. Abri o link do produto, fui fuçar e depois resolvi procurar mais no Skoob. Aí me apaixonei, tanto pela sinopse quanto pela capa, mas nunca consegui comprar. Sempre ficava ali, no canto da mente, naquela de “preciso ler um dia”, mas nunca comprava de fato. O problema nisso foi que, quando finalmente comprei, acabou não sendo tudo o que estava esperando.

O livro conta a história da Cassia Reyes, uma garota de 17 anos que não poderia estar mais feliz com a vida na Sociedade. Toda sua vida, todo seu futuro é estabelecido pelo que a Sociedade julga melhor, e para ela não há nada de mal nisso. Ela confia na Sociedade, confia na sua organização e em seus dados, sabe que não tem como a Sociedade se enganar em algo. Na verdade, ela nunca sequer questionou isso, jamais. Nunca se tratou de uma decisão, mas simplesmente como as coisas eram. E as coisas não poderiam ser melhores: finalmente havia chegado o dia do seu Banquete do Par, algo com o qual vinha sonhando há anos, quando finalmente descobriria quem seria seu Par, quem seria a pessoa que passaria o resto da vida ao seu lado. E qual não foi sua surpresa ao descobrir que dentre todos os garotos de todas as Províncias, entre todos os dados e combinações, o seu Par perfeito seria justamente Xander, seu melhor amigo desde sempre? Parecia um sonho se tornando realidade, bom demais para ser verdade. Tudo seguia o rumo perfeito, como tudo mais na Sociedade, até que um erro de cálculo, um imprevisto, tirou a vida de Cassia dos trilhos. Ao abrir o microcartão de seu Par, aquele que lhe daria as informações que a Sociedade julgara necessário para ela saber (não como se ela já não soubesse, já que conhecia Xander como a palma de sua mão), outro rosto surgiu. Piscou na tela, coisa de poucos segundos, mas que foi o bastante para deixá-la confusa. Como aquela imagem poderia ter aparecido ali? A Sociedade não errava, simplesmente não cometia erros, então como haviam errado justamente na questão mais importante de sua estrutura, a seleção de Pares? E o pior: o rosto também era de um conhecido. Pela primeira vez em toda sua vida, Cassia se viu pensando fora do que a Sociedade planejara para ela, do que os dados e números lhe indicavam como o futuro certo, com o que era seguro. Seria possível, de fato, escolher seu próprio destino?

Toda a premissa parecia muito envolvente e instigante, mas, e me dói dizer isso, não gostei tanto do desenvolvimento. Dói dizer porque sonhei tanto, esperei tanto, gamei tanto na aparência, e me decepcionei ao ver que o conteúdo não era o que eu esperava. Não que seja ruim, mas não foi tudo o que eu estava esperando. Nesse primeiro livro conhecemos um pouco da rotina e funcionamento da Sociedade, mas não é explicado ao certo como ou porque ela surgiu. Sabemos como ela se estruturou, como ela curou os males que afligiam a humanidade (doenças foram praticamente erradicas, as pessoas nas Províncias centrais vivem bem e com saúde até os 80 anos, quando então tomam parte em seu Banquete Final e, bom, morrem) e um pouco sobre como ela opera e os artifícios que usa, mas a autora não se aprofundou muito nessa questão mais política. Quando comentei sobre o livro no grupo do Confissões no facebook, conforme lia, disse que era um romance distópico, mais puxado para o romance que para a distopia. O foco deste primeiro livro foi claramente o romance, a descoberta do primeiro amor, dos momentos preciosos e roubados de uma Sociedade que controla a tudo e a todos. É a descoberta de Cassia do seu desejo de livre-arbítrio, de poder decidir o que quer para a própria vida, mas sentindo-se ainda um pouco culpada por pensar assim, já que a Sociedade sempre fora boa para ela e sua família, e ela não deixava de pensar nisso como uma forma de rebeldia. Foi a luta entre o coração e a razão, entre o que ela queria e o que achava que devia, entre o calor e imprevisibilidade da poesia e a frieza e segurança dos números, das estatísticas.

Vemos a batalha interna da protagonista, entre aceitar o que a Sociedade escolheu para ela, ficando Xander, o confiante, familiar e seguro Xander, ou seguir o que seu coração parece pedir cada vez mais, trocando o certo pelo incerto, escolhendo a liberdade e vulnerabilidade que sente ao lado de Ky. Aqui temos mais um triângulo amoroso, mas que achei bem pouco explorado. Da forma que foi trabalhado o primeiro livro, acabamos conhecendo bem mais o Ky que o Xander, que acaba ficando mais em um segundo plano. É bom ver a história de Ky se desenvolvendo conforme ele vai revelando seu passado a Cassia, mas senti falta de um destaque maior para o segundo personagem, que às vezes parece nem existir. E, por mais que a autora tenha optado por revelar aos poucos a história de Ky, como se fosse um grande segredo, não me senti assim tão instigada a descobrir, não do tipo “AI MEU DEUS PRECISO DESCOBRIR O QUE ACONTECEU!“. Eu sou muito curiosa, mas muito curiosa mesmo, e, apesar de querer descobrir o que havia acontecido com ele e o que o levara a ser como era, não foi nada que realmente me parecesse um grande segredo.

Por mais que a história não tenha sido tudo o que eu esperava, não tenho o que reclamar da escrita nesse primeiro volume da trilogia. A Ally sabe como narrar bem os acontecimentos e sua linguagem é simples, mas sem ser pobre; bonita, sem ser desnecessária. Há certa “poesia” em suas palavras, além de sua história, já que muitos acontecimentos e decisões são baseados em dois poemas que o avô de Cassia lhe dá como presente. Alguns autores se perdem em meio a descrições, mas Ally soube muito bem como apresentar todo o cenário e acontecimentos, sendo sucinta quando era preciso e gastando mais tempo onde era necessário. E por isso fico tão confusa sobre minha impressão do livro. Eu gostei, mas esperava mais da história. A escrita vale a pena, mas os acontecimentos deixaram a desejar. Achei a história um pouco linear, sem altos e baixos, sem aquela emoção que faz seu coração pular uma batida ou sua mente acelerar com a ansiedade pela revelação. É um pouco parado, calmo e tranquilo, senti a falta de um grande clímax. Mesmo o fim, apesar de ser do tipo que te faz querer ler a continuação, não conseguiu me atingir como um grande acontecimento, algo marcante. Em síntese: foi bom, mas poderia ter sido ótimo.

Por ser o primeiro livro, resolvi dar uma folga e aceitá-lo como tal: o começo da história, quando ainda tem muita água para rolar. A esperança é de que os outros dois livros consigam me explicar o que ficou em aberto nesse (principalmente sobre a Sociedade, já que não sabemos praticamente nada sobre ela) e consigam aumentar o ritmo da história. Semana que vem posto aqui sobre “A Travessia”, o segundo livro da trilogia.

Confesso que li: Princesa Adormecida [Resenha]

Autor: Paula Pimenta
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501034205
Páginas: 192
Nota: 2.5 Estrelas

Sinopse: Era uma vez uma princesa… Você já deve ter ouvido essa introdução algumas vezes, nas histórias que amava quando criança. Mas essa princesa sou eu. Quer dizer, é assim que eu fiquei conhecida. Só que minha vida não é nada romântica como são os contos de fada. Muito pelo contrário. Reinos distantes? Linhagem real? Sequestro? Uma bruxa vingativa? Para mim isso tudo só existia nos livros. Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida. Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. Eu não conheço a sua história, mas a minha é mais ou menos assim…

Semana retrasada eu fui trollada lindamente pelo Cinemark e, ao ir ao shopping assistir Malévola com alguns amigos, descobri que todas as sessões estavam esgotadas – isso porque eu havia chegado três horas mais cedo, justamente para conseguir comprar os ingressos. Nenhum dos meus amigos tinha chegado ainda, já que, por morar perto, essa responsabilidade sobrou para mim, e nisso me encontrei sozinha no shopping tendo horas de espera até alguém chegar e nada para fazer. O que eu fiz? Fui para a Saraiva, claro! O shopping em que estava conta como uma maravilhosa Saraiva MegaStore e não há lugar melhor no mundo para matar o tempo do que lá. Entrei, achei um pufe perto da área juvenil para sentar e, depois de avaliar os livros, me deparei com um que achei que poderia terminar em algumas horas. O livro escolhido foi “Princesa Adormecida”, da Paula Pimenta, que estava bem próximo de onde eu estava sentada (realmente estava com preguiça de levantar) e me chamou atenção pela capa “fofinha”. Sempre ouvi falar muito bem de Paula Pimenta e confesso que fiquei super curiosa para ler algo da autora, nisso resolvi arriscar. A verdade? Acabei me decepcionando um pouco…

O livro conta a história de Áurea, princesa de Liechtenstein, parte de uma ramificação da família real, mas longe da linha de sucessão. Filha de uma brasileira com o príncipe de Liechtenstein, Áurea tinha tudo para ter uma fabulosa vida na Europa, não fosse pela vilã da história. Marie Malleville, que era apaixonada pelo pai de Áurea, tentou sequestrar a menina quando ela era pequena e, depois de uma tentativa mal sucedida, jurou que a família não teria paz até Áurea completar a maioridade, e que acabaria com a felicidade da família nesse meio tempo. A solução encontrada pela família da pequena Áurea? Forjar sua morte e enviá-la para o Brasil, onde seria criada pelos seus tios Fausto, Florindo e Petrônio. Foi então que a menina assumiu a identidade de Anna Rosa, órfã criada pelos tios amorosos, mas superprotetores. A história do sequestro em sua infância tornou-se uma historinha para dormir na cabeça da menina, algo que ela acreditava que seus tios haviam inventado, como as histórias das princesas em seus livros. Para que a menina não ficasse muito sozinha, foi enviada para um colégio interno só para garotas, com a instrução expressa de que jamais, em hipótese alguma, revelasse informações sobre seu passado. Os anos passaram e Anna cresceu, e as brincadeiras de meninas já não eram mais o bastante para suas colegas de classe, que achavam que ela não estava vivendo de verdade. No aniversário de 16 anos de Anna, convenceram-na a ir a uma baladinha, onde pode escolher uma música e dançar ao lado da famosa DJ Cinderela. No dia seguinte a menina recebe uma mensagem de um desconhecido em seu celular, um garoto misterioso que ela simplesmente não consegue ignorar, e é aí que toda sua história muda.

Achei a premissa bem interessante e, como era uma leitura apenas para matar o tempo mesmo, decidi arriscar. Novamente, estava mega curiosa para saber mais sobre os livros de Paula Pimenta, que tanto ouvia falar. A Bela Adormecida nunca foi minha princesa preferida (olá, Cinderela ), mas achei interessante a ideia de ler a história clássica nos tempos modernos. Então juntou literatura infanto-juvenil com história de princesa e livro fininho, e eu estava esperando um livro leve e divertido de ler, daqueles que você devora entre leituras mais pesadas, quase como uma “folga”. E foi assim, mas não exatamente como eu estava esperando. Fãs de Paula Pimenta me perdoem, mas eu esperava um pouco mais. Achei a escrita um pouco simples demais, um pouco direta e “crua”. A proposta foi interessante, mas não gostei tanto do desenvolvimento. Ao longo do livro eu tentei levar em consideração que é um livro infanto-juvenil e que a “eu” de 14 anos provavelmente teria amado, usando isso para diminuir meu desconforto com a escrita, mas não consegui. Senti que falou um pouco de cuidado e esmero em desenvolver a história, me passou uma ideia muito superficial e, bom, simples. Houve momentos em que realmente me diverti com o livro e um momento em que quase chorei (sou chorona, admito), mas acho que a experiência teria sido completamente diferente e teria gostado muito mais com uma narrativa mais cuidadosa. Não digo elaborada, com descrições desnecessárias ou cheia de firulas, mas com algum aprofundamento. Não sei se esse é o estilo da escritora ou se foi um acaso infeliz com esse livro específico, mas pelo que ouvia e lia sobre a Pimenta, minhas expectativas eram um pouco mais altas.

Mas focando um pouco na história, não apenas na forma com que foi contada, achei interessante. Um pouco clichê – ok, muito clichê -, mas realmente é o tipo de livro que a eu de 14 anos teria amado. Fofo na medida certa, e com um pé no chão e outro nas nuvens. Que adolescente nunca sonhou com um romance como esse, que realmente parece saído da página dos livros ou telas dos cinemas? O misterioso Phil é um doce, tanto que eu suspeitei dele a maior parte do livro. Pensava “um cara fofo desses, que aparece do nada na vida dela, alguma coisa aí tem”. Bolei teorias mirabolantes, cada uma mais maluca que a outra, e fiquei feliz ao ver que uma delas estava (parcialmente) certa. Mas mesmo assim, simplesmente não consegui comprar algumas partes da história e da construção de personagens. Existem algumas falhas gritantes na trama, que simplesmente não fazem sentido quando se olha o quadro todo. São contradições ou furos que me fizeram ficar com o pé ainda mais atrás, me perguntando novamente se foi um caso pontual, dessa obra em específico, ou se os demais trabalhos da autora também seriam assim. Quanto aos personagens, senti a mesma superficialidade e simplicidade na construção. A Anna me pareceu uma fórmula pronta da menina perfeita, que é ótima nos estudos, sabe cantar, dançar, é um doce de menina, todo mundo ama e é simplesmente perfeita. Desculpa, mas não consigo. Ela parece não ter falha alguma, tirando uma insegurança também pouco explorada. Que garota com 16 anos é tão “perfeita” assim? Não esperava uma delinquente juvenil, mas acho arriscado passar para o público – principalmente para as meninas no começo da adolescência, que me parece ser o público alvo da obra – essa imagem da perfeição, que fará algumas garotas questionarem suas próprias habilidades e conquistas.

E, apesar de tudo isso, eu gostei. E não gostei. Gostei, mas não gostei ao mesmo tempo. Não sei, não consigo decidir. Quando vejo como uma obra de literatura infanto-juvenil e tento pensar na eu de 14 anos, acho que é um livro mais que satisfatório e SEI que eu teria adorado. Mas não tenho mais 14 anos e tenho um senso um pouco mais crítico agora, e nisso deixo de gostar ao mesmo tempo. A ideia foi legal, gostei do romance desenvolvido por mensagens de celular, mas acho que a construção pecou um pouco. É o tipo de livro que te deixa de coração leve quando a história acaba, mas que minha cabeça insiste em puxar o coração para o chão novamente e debater com ele as pedrinhas encontradas no caminho. Estou completamente dividida. Ainda não sei se foi uma boa leitura ou não, mas consigo afirmar que não esteve entre as minhas melhores comprar ou leituras dos últimos tempos…

Confesso que li: Como dizer adeus em robô [Resenha]

Autora: Natalie Standiford
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501091024
Páginas: 344
Título Original: How to say goodbye in robot
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: Bea não tem coração. Ela é feita de lata. Pelo menos é o que sua mãe pensa. Na verdade, ela é muito, muito sensível. Uma Garota Robô que protege um coração de ouro. Prestes a ser flechada por Cupido. Mas esqueça as asinhas e o arco e flecha. Nada de anjinhos rechonchudos… para Bea, o Cupido é o alfabeto. É ele que conspira para sentá-la ao lado de Jonah, também conhecido como Garoto Fantasma. Observador silencioso, ele não faz um amigo novo desde a terceira série. Não é um grande fã das pessoas em geral… Mas está disposto a abrir uma exceção para Bea. Talvez. Aos poucos, eles criam uma ligação singular. Nada de amizade comum para esses dois, em que tudo se baseia em fofocas e festas e o que todos acham. Não. Bea e Jonah não são como os outros… muito animados, muito simpáticos. Muito medíocres. Em vez disso, sua amizade vem de conversas comprometidas com a verdade, segredos partilhados, jogadas ousadas e telefonemas furtivos para o mesmo programa noturno de rário, fértil em teorias de conspiração. Eles ajudam um ao outro. E magoam um ao outro. Se rejeitam e se aproximam. Não é romance, exatamente – mas é definitivamente amor. E significa mais para eles do que qualquer um dos dois consegue compreender.

Para mim o livro deveria se chamar “Como destruir meu coração em 339 páginas e me deixar querendo mais”, porque esse foi o resultado do livro. Estou devastada porque acabou, queria poder passar mais tempo com esse livro tão cativante em mão. Precisei colocar a sinopse completa aqui no blog, da forma que aparece na orelha do livro, por um simples motivo: me apaixonei por ela! A compra desse livro, como eu disse no post Novos na Família #1, foi completamente aleatória e baseada apenas no título interessante, na capa atraente e no valor sedutor. Achei que não poderia me encantar mais pelo livro do que já estava encantada, mas estava errada. O livro fez parte de uma mega compra maluca de descontrole, mas, quando o peguei em minhas mãos, só tinha olhos para ele. Mal pude me controlar para terminar o livro que já estava lendo antes de começá-lo. E a espera valeu a pena.

Como dito na sinopse, o livro conta a história de Bea, uma garota de lata com sentimentos bem humanos. Após mudar de colégio mais uma vez, por causa do trabalho de seu pai, Bea se vê sozinha em uma nova escola no último ano escolar, e logo em uma escola particular onde todo mundo parece conhecer todo mundo desde a maternidade. Ela já está acostumada com o procedimento e já não liga mais tanto assim para as transferências, só quer chegar logo ao fim do ano letivo para se livrar de tudo aquilo. E poderia muito bem ser uma simples passagem por outra escola qualquer, não fosse o rapaz de pele pálida, cabelos e olhos claros que se senta ao seu lado em toda assembléia escolar: Jonah Tate, o Garoto Fantasma. Sua atenção é levada a ele apenas por sua outra acompanhante de assembléia, a animada Anne Sweeney, que transforma em sua missão pessoal apresentar Bea à comunidade escolar e inseri-la no grupo. Mas Bea não se importa tanto com as conversas superficiais ou com as festas do grupinho de Anne, e acaba envolvendo-se na mais improvável das amizades, logo com aquele que, sengundo os demais, já “morreu” há muito tempo.

O livro é simplesmente apaixonante. A história é construída de um jeito que você não consegue evitar o envolvimento e se vê cada vez mais e mais mergulhado na narrativa da Natalie, cercada pelo mundinho que ela construiu. Nada de pecados pelo excesso ou pela falta, a descrição dela é justamente na medida para fazer você saborear os acontecimentos sem se tornar enfadonha. É uma leitura bem leve, perfeita para aqueles momentos de descontração ou para se recuperar de uma leitura beeem pesada ou uma semana estressante, serve para recarregar as energias e arrebatar seu coração. Os personagens são cativantes e você não consegue deixar de se preocupar com eles, mesmo com alguns dos personagens secundários. O Walt é um amor e quero um desses na minha vida. E toda a trupe do programa de rádio é fenomenal, fiquei morrendo de vontade de encontrar um programa como o descrito no livro e fazer parte de sua comunidade “secreta”. São pequenos detalhes, mas que acabam te conquistando ainda mais.

O livro pode parecer um romance água com açúcar, mas é bem mais do que isso – pelo menos para mim. É uma história de uma amizade improvável, entre duas pessoas que provavelmente já haviam desistido de qualquer contato social mais profundo. E que começa e se desenvolve de um jeito nada convencional, nada típico, mas que evolui para uma coisa muito profunda, tão complexa e especial que nem os dois arriscam traduzir em palavras. Você passa o tempo todo torcendo e ansiando, querendo saber no que aquilo vai dar ou qual dos dois será o primeiro a dar o braço a torcer – e se isso sequer vai acontecer. Em alguns momentos você simplesmente tem certeza de tudo, simplesmente para na página seguinte essa certeza ser jogada no lixo e você se encontrar procurando seu rumo novamente.

O fim não foi nada, nada, NADA do que eu esperava. Devo confessar que me surpreendi bastante! Ao ler a sinopse e conforme avançava pela história, apesar de não conseguir apontar ou deduzir onde achava que a história chegaria, tinha uma vaga impressão de qual seria o “clima” do fim da história, e estava completamente enganada! Nunca em meus sonhos mais loucos imaginaria o fim que a autora reservou para nós. Eu amei, mas odiei. Vibrei e fiquei deprimida ao mesmo tempo. Passei quase uma hora andando de um lado para o outro da casa, contando para meus pais e minhas irmãs como a história acabava, dizendo que estava inconsolada por ter acabado e que queria mais. Essa foi a sensação que me dominou: o querer mais. Trezentas e trinta e nove páginas foi pouco para o meu pobre coraçãozinho, que ficou completamente apaixonado por tudo nesse livro.

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A capa é uma lindeza, me apaixonei pela lombada (é, pois é, ela fica linda na minha estante!) e toda a parte interna também é perfeita. Mesmo tendo páginas brancas, toda a construção é charmosa e impecável e eu fiquei completamente gamada nas páginas que indicam a troca de meses (eu sou COMPLETAMENTE perdida na vida e sempre fico boiando nessa passagem de tempo nos livros, então adorei o fato do próprio livro te mostrar a passagem), são muito amor. E foi bem assim, me apaixonei pela aparência, amei o conteúdo. Uma das melhores leituras do ano, entrou fácil na lista dos preferidos.

Confesso que li: A Estrela mais Brilhante do Céu [Resenha]

a estrela mais brilhanteAutor: Marian Keyes
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528615395
Páginas: 602
Título Original: The Brightest Star in the Sky
Nota: 5 estrelas

Sinopse: Existe um misterioso espírito que paira sobre o edifício número 66 da Star Street, em Dublin, Irlanda. Ele está em uma missão para mudar a vida de alguém. Em A Estrela Mais Brilhante do Céu, Marian Keyes demonstra mais uma vez sua técnica como uma dos grandes contadores de histórias da atualidade e sua vontade de ultrapassar limites na literatura. Os inquilinos do prédio 66 formam certamente um grupo excêntrico. Na cobertura mora Katie, uma mulher de 39 anos que trabalha como relações públicas de cantores e que só se preocupa com o tamanho de suas coxas e se seu namorado irá propor casamento. No apartamento abaixo, dividem o espaço dois poloneses mais a engraçada Lydia. No primeiro andar está Jéssica, a octogenária que vive com seu malvado cachorro e o filho adotivo. Já no térreo estão os recém-casados Maeve e Matt, que por mais que tentem esquecer o passado, não conseguirão.

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Preciso admitir uma coisa: esse livro ficou parado na minha estante por quase um ano, pois eu simplesmente achava que não valeria tanto a pena. Comprei em uma das promoções malucas do Submarino, só porque estava R$ 10,00, mas quando chegou acabei não ligando muito. Isso continuou por um longo tempo, até que resolvi tomar vergonha na cara e começar logo o livro. E simplesmente me apaixonei!
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O livro conta a história dos residentes do edifício 66 da Star Street (dãrh, Liah, já está falando isso na sinopse), pelo ponto de vista do tal do “misterioso espírito”, que chega no edifício com uma missão e passa a observar a vida de seus moradores. Sempre pelo ponto de vista desse narrador misterioso, vamos descobrindo aos poucos os detalhes das vidas de Katie; Lydia, Jan e Andrei; Fionn e Jemima e Matt e Maeve, e percebemos que muitas vezes as aparências enganam.
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Com a dose certa de comédia e mistério, Marian vai desenrolando a história de um jeito que você já está completamente fisgado nas primeiras páginas. É o tipo de livro que você começa a ler e simplesmente não consegue mais parar – pelo menos foi assim comigo. Os capítulos iniciam com uma contagem regressiva dos dias e, conforme ela vai diminuindo, você fica mais e mais intrigado para saber o que irá acontecer quando a contagem chegar ao zero. Qual é o grande acontecimento que mudará para sempre a vida dos moradores da Star Street?
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O que também me agradou muito foi a profundidade dos personagens – principalmente do casal Matt e Maeve. Nas primeiras páginas a autora faz uma apresentação breve dos moradores do prédio, pela percepção do “visitante” bisbilhoteiro, mas conforme a história vai evoluindo, nós vamos passando pelas camadas mais superficiais das personalidades e descobrindo quem eles realmente são e como realmente pensam. Muitas vezes nos surpreendemos com o que descobrimos, com os segredos escondidos no passado ou mesmo no presente (como no caso da Lydia). Eu sou muito curiosa e a autora conseguiu me deixar roendo as unhas (não literalmente) de ansiedade, querendo chegar logo às respostas dos “mistérios” apresentados.
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Devorei o livro em poucos dias, ri com ele, me acabei de chorar e quase tive um ataque do coração em uma das passagens. Adorei o fim, de coração, e gostaria que tivesse mais algumas páginas, para que a história não acabasse (e isso porque já não é um livro tão pequeno). A escrita é leve e envolvente, do tipo que você devora as páginas sem nem perceber. Nada de linguagem rebuscada ou descrições desnecessárias: tudo é muito contemporâneo e está lá por algum motivo. Simplesmente me apaixonei pelo estilo de Marian e pela obra que ela criou, não poderia desejar uma leitura melhor que essa. E o livro foi tão bom, mas TÃO BOM, que preciso admitir que agora estou com medo de pegar outro livro da autora e me decepcionar. Meus sentimentos pelo livro podem ser definidos em uma única palavra: amei.