Confesso que li: O Códex dos Caçadores de Sombras [Resenha]

Autora: Cassandra Clare e Joshua Lewis
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403957
Páginas: 288
Título Original: The Shadowhunter’s Codex
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Anjos, demônios, fadas, vampiros, lobisomens, feiticeiros – todos eles existem e precisam ser administrados e mantidos em paz. ‘O Códex dos Caçadores de Sombras’ abrange tudo – a história e as leis do mundo dos Caçadores de Sombras; como identificar, interagir e, se necessário, matar os diferentes tipos de habitantes do Submundo; qual lado da estela você deve usar para escrever. Com estudos sobre geografia, história, magia e zoologia, todos condensados em um só volume, o Códex está aqui para ajudar novos Caçadores de Sombras a navegar pelo lindo, porém muitas vezes brutal mundo que habitamos.

“O Códex dos Caçadores de Sombras” é um livro adicional da série Os Instrumentos Mortais / As Peças Infernais, escrito pela Cassandra Clare em parceria com seu marido, Joshua Lewis. O Códex é um livro que faz parte da história da série, sendo uma espécie de “manual” para os jovens Nephilins, onde eles aprenderão tudo sobre o mundo dos Caçadores de Sombras e do Submundo. O “nosso” exemplar do Códex foi formulado como se fosse uma edição para mundanos que buscam Ascender, ou seja, beber do Cálice Mortal e, com sorte, sobreviver ao processo e se tornar Nephilim. Em uma determinada página do livro (logo no começo, se não me engano), os “autores” do Códex até informam que o livro foi formulado para se parecer com uma publicação mundana, assim o aspirante a Caçador de Sombras poderia andar com seu Códex normalmente entre os mundanos, sem despertar suspeitas (ah, Códex <3).

Escrito no formato de um livro-texto, O Códex apresenta ao leitor assuntos como o surgimento e a história dos Caçadores de Sombras, seu treinamento de combate e armas utilizadas, um bestiário sobre demônios e integrantes do Submundo, informações sobre o Pacto e a Lei, a georgrafia de Idris, entre outros. E o destaque do livro fica para os comentários de alguns dos nossos personagens preferidos – Clary, Simon e Jace -, que fazem anotações por todo o Códex, dando um ar mais “intimista” à leitura. Dessa forma é como se estivéssemos com o exemplar do Códex da Clary em mãos, acompanhando seu aprendizado do universo dos Caçadores de Sombras.

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E, sendo o exemplar do Códex da Clary, outra coisa que não poderia faltar: desenhos. Sejam os desenhos “oficiais”, como as ilustrações ao começo de cada capítulo ou do Bestiário, ou os doodles (rabiscos) nos espaços “livres” das páginas, o Códex é cheio de gravuras. Em algumas você percebe que a ilustração faz parte do Códex, e em outras a ideia é que foram desenhados pela Clary. Ao fim do Códex, inclusive, encontramos desenhos de diversos personagens da série, como Jace, Alec e Magnus, entre alguns outros.

A linguagem, tanto do Códex quanto dos “comentários”, é bem divertida de acompanhar, é o tipo de leitura que flui facilmente. Achei incrível o tanto de informação que a Cassandra e o Joshua conseguiram desenvolver para este manual de Caçadores de Sombras, me deu a impressão de que realmente era um livro real, e não algo escrito às pressas, só para ocupar espaço na estante de alguém. É aquele tipo de leitura que te deixa (ou me deixa, pelo menos) com ainda mais vontade de participar do mundo dos Nephilins, mesmo o Códex mostrando os seus erros no passado – e que não foram poucos.

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A construção do Códex está incrível e eu realmente me apaixonei pelos comentários nas páginas. Eles combinaram perfeitamente com a personalidade dos personagens envolvidos, de forma que fica ainda mais crível a ideia de que é, de fato, o Códex da Clary – ok, Liah, você está sendo repetitiva, todo mundo já entendeu isso. Mas é verdade, os comentários são divertidíssimos, me tiraram boas risadas no ônibus.

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A edição está simplesmente perfeita. As páginas são amareladas e porosas, a fonte segue o mesmo estilo dos demais livros da série e as ilustrações no meio das páginas deixam tudo ainda mais perfeito. A fonte escolhida para a Clary, Simon e Jace é diferenciada, seguindo a linha de que foram escritas com a “caligrafia” de cada um deles, e rapidamente você já assimila qual é a letra de quem e acompanha os comentários. Para quem é fã do universo dos Caçadores de Sombras, é uma aquisição que vale – e MUITO – a pena ❤

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Confesso que li: Princesa Mecânica [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092700
Páginas: 430
Título Original: Clockwork Princess (The Infernal Devices #3)
Série: As Peças Infernais (#3)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: O mistério que liga Tessa Gray ao Magistrado continua indecifrável. Por que Mortmain precisa tanto de Tessa para fechar o quebra-cabeça das Peças Infernais? Além de tudo, enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, ela acaba se envolvendo cada vez mais no mundo dos Caçadores de Sombras e num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para todos que ela ama.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂
Pode conter spoilers dos livros anteriores. Confira as resenhas aqui e aqui

É chegado o casamento de Tessa e Jem, e os noivos se preparam para a cerimônia. Mas, como nem tudo pode ser perfeito, a vida dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres parece cada vez mais complicada. Após a traição de Jessamine Lovelace, Charlotte se sente ainda mais pressionada a demonstrar controle sobre a situação com o Magistrado, já que sua autoridade está sendo questionada. Will tem que lidar com a presença de Cecile, sua irmã, no Instituto – um fantasma do passado que julgara ter deixado para trás, mas que voltou para assombrá-lo. E Tessa lida com a incerteza sobre sua própria natureza e a dúvida sobre a quem pertence seu coração. Mas o Magistrado ainda precisa dela para seus planos e, comprovando que está sempre um passo a frente, consegue colocar Tessa em uma situação onde parece não haver saída. Será ela capaz de condenar sua própria vida para salvar a de outros? E até onde irão Will e Jem para protegê-la?

Depois de devorar o segundo livro de As Peças Infernais, cheguei em “Princesa Mecânica” com o coração praticamente na boca. Apesar de eu realmente achar o vilão um pouco mais “fraco” que os de Os Instrumentos Mortais (não que a trama com o Mortmain seja vazia, mas acho o Valentim e seu sucessor – optei por não falar o nome, vai que alguém ainda não sabe que o fulano é vilão, não vou dar spoiler xD – mais fantásticos), estava completamente fisgada e ansiosa para o desfecho dessa trilogia. Apesar de não querer que o livro terminasse nunca, por estar completamente apaixonada pela história e pelos personagens, não consegui me impedir de voar pelas páginas, aguardando a revelação do mistério envolvendo Tessa e Mortmain, e todo o desenrolar da história. E, mais uma vez, a Cassandra não me decepcionou.

O livro retoma poucas semanas depois da última página de “Príncipe Mecânico”, e apresenta um ritmo envolvente já desde os primeiros capítulos, mas que ganha um passo ainda mais acelerado conforme o fim vai se aproximando. Assim como nos livros anteriores, a Cassandra soube brincar muito bem com as emoções e conflitos dos personagens, criando uma montanha-russa de emoções para o próprio leitor. É difícil não se deixar levar por todos os infortúnios dos Caçadores de Sombras, assim como não se alegrar com a felicidade deles – tanto os altos quanto os baixos foram trabalhados muito bem. E existe um certo momento nesse livro em que é absolutamente IMPOSSÍVEL não se desesperar, chorar, gritar e querer rasgar o livro de tanta frustração – ok, talvez não rasgar o livro, mas a Cassandra realmente te leva até o limite. E isso porque eu já comecei a trilogia sabendo o spoiler envolvendo justamente essa passagem, e ainda assim me desfiz em lágrimas no meio do ônibus, sem nem ao menos me importar com quem estava olhando, porque realmente fiquei com o coração em frangalhos ao ler aquele trecho. Ah, Cassandra, por que brinca assim com meu coração?!

Amei ver o desenvolvimento dos personagens, não só nesse livro, mas em toda a série. Foi fantástico vê-los amadurecendo, ganhando confiança, segurança, aprendendo mais sobre si mesmos e o mundo que os cerca. E não falo apenas sobre os protagonistas, mas praticamente todos os personagens que conhecemos. Comentei na resenha de “Príncipe Mecânico” o quanto eu gostava e me importava com os personagens secundários, e esse sentimento apenas se intensificou no último volume. Torcia a todo momento por Charlotte, Henry, Sophie, Gideon, e mesmo o ranzinza Gabriel e a recém chegada Cecily Herondale. Realmente me afeiçoei a todos estes personagens e muitos outros, e gostava de ler as tramas paralelas tanto quanto a principal, salvas as devidas proporções.

E disse e continuo dizendo: esse é o MELHOR triângulo amoroso que já vi na minha vida! Não tem um que possa se amar mais ou menos, mas os três estão tão intrinsecamente conectados que se tornaram basicamente um. E, tirar qualquer um dessa equação, seria o mesmo que tirar um pedaço do coração daqueles que ficaram. Porque, e cabe aqui lembrar, Will e Jem são parabatais e também são unidos por um elo especial. Eu confesso que já estou farta de triângulos amorosos, da fórmula básica e genérica, dos dramas da mocinha que fica cheia de dedos, sem saber qual dos dois escolher – já deu, né? E justamente por isso eu amo o triângulo presente em As Peças Infernais, pois ele escapa de todas essas chatices presentes em triângulos amorosos e cria uma fórmula que, acredito, não funcionará em nenhum outro lugar.

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E, depois nos levar por um tsunami de emoções, ação e suspense, a Cassandra nos entrega um fim absolutamente fantástico, capaz de agradar o mais amargo dos corações. Dentre os elementos apresentados, o fim foi simplesmente perfeito, não poderia pedir por nada mais ou nada menos. Ela acertou e muito a mão, consagrando As Peças Infernais como uma das minhas trilogias preferidas.

Quanto à edição, continuo amando a capa e encontrei pouquíssimos erros de revisão, que eram mais constantes em Os Instrumentos Mortais, mas admito que acho que a Galera deslizou um pouquinho em alguns elementos da tradução. Lembro de dois casos específicos: o do gato Coroinha e dos livros de magia. Nos dois primeiros livros desta trilogia, somos apresentados a um gato ranzinza que foi resgatado pro Jem, e que só suportava o rapaz e mais ninguém. Mas é só quando chegamos ao terceiro livro, e quando a Galera Record resolve mudar a tradução do nome, que descobrimos que o assim chamado Coroinha é, na verdade, Church, o gato ranzinza que mora no Instituto de Nova York em TMI. Assim como os livros Gray e White, que são traduzidos como “Livro Cinza” e “Livro Branco”. Ok, sei que pode parecer besteira, mas, se tratando de uma série (não só as séries isoladas, mas a série de Caçadores de Sombras como um todo), acho importante manter certo padrão na tradução, para que aqueles que acompanham possam fazer a ligação entre os elementos.

E por último, mas não menos importante, uma dica que dou a vocês que ainda não leram este último livro: no começo de “Princesa Mecânica”, antes de mais nada, há uma árvore genealógica das famílias Herondale, Carstairse Lightwood. NÃO OLHE a árvore genealógica antes de terminar o livro. Acho que esse foi outro grande erro da editora, pois o leitor já se depara com um MEGA spoiler antes mesmo de começar a leitura. Então não vá todo alegre e inocente ver o que é aquela página, assim como eu, pois você pode bater o olho justamente na informação errada, assim como eu. Mas ainda assim vale a pena a leitura ❤ ❤

Confesso que li: Príncipe Mecânico [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092694
Páginas: 406
Título Original: Clockwork Prince (The Infernal Devices #2)
Série: As Peças Infernais (#2)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂
Pode conter spoilers do livro anterior. Confira a resenha de “Anjo Mecânico” aqui

 

O mundo de Tessa está de ponta cabeça. Nate, seu irmão, traiu sua confiança e de todos os Caçadores de Sombras, revelando-se um aliado de Mortmain em sua luta contra os Nephilim. Sem saber quem é ou qual seu lugar no mundo, Tessa sente-se completamente perdida, e seu último encontro com Mortmain a deixou ainda mais confusa. A pressão para que os Caçadores de Sombras encontrem e detenham o Magistrado fica ainda mais intensa quando um suposto aliado decide se posicionar contra Charlotte. Benedict Lightwood, membro do Conclave de Londres, está determinado a comprovar que Charlotte não está apta a exercer o cargo de líder do Instituto, e espera que consiga essa posição para si. Em uma medida provisória, o Cônsul Wayland decide que os membros do Instituto de Londres deverão encontrar e capturar Mortmain por conta própria, sem a ajuda direta dos demais membros da Clave, para comprovarem que estão no controle da situação – e, pior, eles só terão duas semanas para fazer isso.

Com o tempo correndo e os inimigos se aproximando, os moradores do Instituto começam a buscar em todas as fontes e vasculhar todas as informações possível, tentando encontrar qualquer dica que os leve ao paradeiro do Magistrado, enquanto lutam com seus próprios demônios interiores. Tessa, Will e James vão ao distante condado de Yorkshire, em busca do passado de Mortmain, mas acabam se deparando com uma parte do passado de Will que ele julgava ter deixado para trás. E, ao mesmo tempo em que o rapaz tenta derrubar as amarras que o prendem, Tessa vai se afeiçoando cada vez mais e mais ao gentil Jem, que tem se mostrado digno de seu afeto e respeito. Em meio a traições, tristezas e lutas, será que Tessa será capaz de se encontrar, ou irá apenas se perder de vez?

Li o primeiro livro da trilogia e gostei, mas não sabia se seria o bastante para já me fazer gostar mais da trilogia que da série. Foi quando comecei o segundo livro que fui arrebatada de vez, meu coração foi completamente conquistado. Nem havia chegado ao fim do livro e já considerava uma das minhas leituras preferidas em todo o ano, e já cogitava considerá-lo entre meus livros preferidos de todos os tempos. A escrita da Cassandra continua fenomenal enquanto ela tece uma rede de conspirações, traições, amores e dissabores. Me encontrei devorando as páginas enquanto tentava descobrir mais sobre o passado de Will, a natureza de Tessa e a história de Jem.

A trama dos personagens secundários também me deixou completamente fisgada. Neste livros temos uma exploração ainda maior dos outros moradores do Instituto, assim como dos filhos de Benedict Lightwood, Gideon e Gabriel. E esse é outro ponto que me conquistou no livro: me importava tanto com os personagens principais quanto com os secundários, queria acompanhar suas tramas paralelas à história do trio principal. Fui me afeiçoando cada vez mais à Charlotte e ao Henry, à Sophie e ao Gideon, mesmo sendo um novato na história, e até a Jessamine tocou uma partezinha do meu coração. Apesar de não me importar nem um pouco com o Magistrado (neste caso o Valentim é um vilão muito melhor), queria saber mais sobre seu plano de destruição dos Nephilim.

Mas, mais do que tudo, eu queria saber sobre Will, Tessa e Jem. A Cassandra aprendeu como realmente construir um triângulo amoroso, oferecendo algo mais concreto e apaixonante que o falho “Jace, Clary e Simon”, de Os Instrumentos Mortais, já que era possível saber desde o começo quem ela escolheria. Com o romance de As Peças Infernais, você fica a todo momento se perguntando o que acontecerá no fim. Pois, conforme ela vai conhecendo os dois, e se afeiçoando aos dois, você não consegue imaginar como aquilo poderia acabar sem um (ou mais) coração completamente destruído, e a mera ideia já te parte o coração. Eu particularmente AMEI este livro, pois encontrei algumas das melhores passagens com o James em toda a trilogia. E que os fãs do Will me perdoem, mas o James é infinitamente perfeito. Por mais que a história seja absolutamente fantástica, repleta de reviravoltas de tirar o ar e revelações de deixar o cabelo em pé, foi o romance o que mais me conquistou ❤

E uma coisa que esqueci de comentar na resenha anterior é a construção dos capítulos. A cada novo capítulo é apresentado um trecho de um poema ou livro, de autores que seriam conhecidos por Tessa na época da história. Achei fantástico como os trechos conseguiam traduzir ou sintetizar praticamente todas as emoções e sensações que ocorriam na história, e aplaudo o trabalho de pesquisa da autora.

Terminei o segundo livro e já emendei o terceiro logo em seguida, pois não conseguia aguentar a curiosidade para saber como a história terminaria, mesmo não querendo que ela terminasse nunca, de tanto que gostei. Sei que posso soar repetitiva, mas a Cassandra Clare fez um trabalho excelente com esta trilogia ❤

Confesso que li: Anjo Mecânico [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092687
Páginas: 392
Título Original: Clockwork Angel (The Infernal Devices #1)
Série: As Peças Infernais (#1)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂

Tessa Gray era uma garota comum, de 16 anos, que vivia em Nova York com sua tia Harriet, que criara a menina e seu irmão, Nate, depois da morte de seus pais. Mas, depois de ser acometida de uma súbita doença, a tia Harriet morre, deixando Tessa sozinha no mundo. O irmão, que havia se mudado para a Inglaterra um mês antes, a convida para ir morar com ele, e logo Tessa se vê abandonando toda a vida que conhecia e embarcando em um transatlântico.Ao chegar no Velho Mundo, a garota é recebida pelas Irmãs Sombrias, que dizem estar ali a pedido de seu irmão. Ingênua e sem desconfiar de nada, Tessa entra na carruagem das Irmãs, sem saber que estava rumando para seu próprio cativeiro.

A verdade é que Tessa não é uma garota tão comum assim, e ao longo das semanas seguintes as Irmãs Sombrias a ajudam a descobrir e dominar o seu dom: Tessa consegue se Transformar em outras pessoas, bastando segurar um item que pertence ou pertenceu a ela, e que ainda tenha sua essência dentro. Com a Transformação, Tessa também acessa as memórias e pensamentos da pessoa, e não só sua aparência física. Depois de uma Transformação particularmente complexa, as Irmãs finalmente revelam seu objetivo: Tessa está sendo treinada para que seja entregue ao Magistrado, um homem poderoso e misterioso, e que seria seu futuro esposo.

Tessa, que já queria fugir há um bom tempo (e só não o fazia porque as Irmãs diziam que Nate era seu prisineiro), não aguenta mais e tenta escapar da casa em que está sendo mantida prisioneira, mas é capturada novamente e amarrada em sua cama. Ela descobre que o Magistrado iria para a Casa Sombria naquela mesma noite, para se casar com ela, e que o trabalho das Irmãs finalmente estava finalizado. Quando está tentando escapar, Tessa é encontrada por William Herondale, um jovem Nephilim que vinha investigando, junto aos demais membros do Instituto de Londres, as atividades do Clube Pandemônio, do qual as Irmãs Sombrias faziam parte.

Will consegue resgatar Tessa e a leva ao Instituto, onde ela conhece seus diretores, Charlotte e Henry Branwell, além de James Carstairs e Jessamine Lovelace, outros Caçadores de Sombras que vivem lá, e Thomas, Sophia e Agatha, mundanos com a Visão, que trabalham no Instituto. E é lá, no coração do Enclave, que Tessa aprenderá mais sobre o universo dos Caçadores de Sombras e membros do Submundo, começará a buscar a verdade sobre sua própria condição e tentará, com a ajuda dos Nephilim, encontrar seu irmão e impedir os planos do Magistrado.

Antes de mais nada, preciso dizer: Cassandra Clare não para de me surpreender. Eu sou apaixonada por Os Instrumentos Mortais, e já há algum tempo queria ler As Peças Infernais. Já tinha visto algumas pessoas comentando que a trilogia conseguia ser ainda melhor que a série original, mas ficava com um pé atrás, já que não imaginava como uma história do mesmo universo poderia superar a outra. Comecei a ler “Anjo Mecânico” deixando essa questão de “melhor x pior” de lado, focando apenas na história, e me surpreendi. O universo dos Caçadores de Sombra, que já tinha sido tão ricamente explorado em Os Instrumentos Mortais, ganha novos ares nesse relato que se passa na Londres Vitoriana. Muitas coisas que conhecemos ou estamos acostumados em TMI (“The Mortal Instruments”) ainda não estão presentes no universo destes Caçadores, que lidam de forma mais direta com os problemas da Caça às sombras. As relações com os membros do Submundo também são bem mais complicadas e não tão amistosas – a primeira versão dos Acordos foi assinada apenas alguns anos antes, e os ânimos ainda estão um pouco exaltados e o preconceito se faz muito presente.

Mas o diferencial do livro não está apenas nos novos (ou ainda inexistentes?) elementos, mas na própria escrita da Cassandra. Sim, eu sei que não acreditei quando me disseram isso, mas a escrita dela realmente já está melhor em As Peças Infernais. A construção dos acontecimentos, das frases, dos diálogos e até mesmo da história como um todo já está em um nível mais elevado. A história parece estar mais “amarrada” e mais bem trabalhada, pelo menos para um primeiro volume.

Outro ponto a ser destacado são os personagens. A Cassandra tem uma habilidade incrível de desenvolver personagens profundos, complexos e cativantes. Digam o que disserem sobre “repetição de histórias e personagens”, eu achei os personagens de As Peças Infernais bem originais e diferentes dos presentes em Os Instrumentos Mortais. A protagonista, Tessa, é forte e decidida, não aceitando um não como resposta, e não aceitando que tentem dizer o que ela deve ou precisa fazer (até então, até que é parecida com a Clary). Mas, diferentemente da ruivinha, Tessa tem uma dificuldade inicial em entender e aceitar o mundo das Sombras, principalmente em aceitar que faz parte dele.

Os outros personagens também são incríveis e rapidamente me vi apegada a praticamente todos eles. Até à mesquinha e rabugenta Jessamine Lovelace, que quer tudo, menos ser uma Nephilim. No começo foi difícil gostar de Will, mas quando começamos a descobrir que há uma motivação por trás de suas ações e relações com as outras pessoas, fica difícil julgar e fácil especular o que se passa por trás dos muros. E o James, aaah, James ❤ Como pode existir um personagem tão PERFEITO?! Ele é paciente, amoroso, não guarda rancor, é um perfeito cavalheiro e o único que sabe como lidar com seu parabatai, Will. Ele é perfeito de um jeito que me faltam palavras para explicar – simplesmente é. E todo o conjunto dos habitantes do Instituto funciona como uma máquina estranha, mas que vai fazendo mais sentido conforme você vai descobrindo mais sobre eles.

Em resumo, é fácil devorar o livro. A escrita envolvente, os personagens cativantes e o mistério do Magistrado, que te deixa cada vez mais intrigado, faz com que o livro se torne um vício. É impossível largar ou interromper a leitura, ainda mais para aqueles que já são fãs do universo da Cassandra Clare. Mas mesmo para aqueles que ainda não leram Os Instrumentos Mortais, é possível ler e se apaixonar perdidamente por Anjo Mecânico. Ah, que livro lindo ❤

E, falando em lindo, cabe mencionar a capa. Sou apaixonada pelas capas dos livros da Cassandra, mas as de As Peças Infernais são absolutamente sensacionais. Perdi as contas de quantas vezes interrompia a leitura para ficar admirando a capa. Somando o conteúdo do livro, só tenho uma palavra para definir: perfeição.