Numbers #1 – Tempo de Fuga [Resenha]

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Autora: Rachel Ward
Editora: Editora iD
ISBN: 9788516065294
Páginas: 350
Título Original: Numbers
Série: Trilogia Numbers #1 (Numbers #1)
Nota:
1 Estrela

Sinopse: Sempre que Jem conhece alguém novo, não importa quem, logo que ela olha em seus olhos, um número aparece em sua cabeça. Esse número é uma data: a data em que essa pessoa vai morrer. Sobrecarregada com tal consciência terrível, Jem evita relacionamentos. Até que ela conhece Spider, outro estranho, e ganha uma chance. Mas, enquanto eles estão esperando para embarcar no Eye Ferris Wheel, uma roda gigante, Jem percebe que todas as pessoas da fila possuem o mesmo número. A data de hoje. Terroristas vão atacar Londres. O mundo de Jem está prestes a explodir!

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Jem não é uma garota normal. Desde que era pequena, a garota possuía uma estranha habilidade, a de ver uma “sequência” de números toda vez que olhava nos olhos de alguém. O real significado dos números veio no dia em que a mãe da menina teve uma overdose e morreu, fazendo com que o seu número sumisse. Aqueles números, que até então eram apenas uma brincadeira para a menina, significavam a data da morte daquela pessoa. Não mais uma brincadeira, a habilidade passou a parecer uma maldição.

Anos se passam e Jem passa de lar adotivo a lar adotivo, nunca ficando tempo demais em um mesmo lugar. Convencida de que os números são uma maldição, a garota se fecha para o mundo, preferindo passar a vida sozinha a ter que se envolver com pessoas que ela sabe que a abandonarão. Mas isso muda quando ela conhece Spider, um garoto alto e magrelo, que tem muito o que melhorar em termos de higiene pessoal, mas que parece determinado a se tornar seu amigo. Um dia, quando os dois estão cabulando aula e visitando o centro de Londres, Jem se assusta ao ver que várias pessoas ao seu redor têm a mesma data – a data de hoje. Apavorada, ela convence Spider a sair correndo com ela dali, poucos minutos antes de uma explosão detonar uma parte da London Eye e matar todos os que estavam presentes. E é aí que a vida de Jem muda completamente, lançando-a em uma fuga frenética da polícia londrina, que parece acreditar que ela e Spider têm alguma coisa a ver com o atentado.

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Lembro a primeira vez em que vi esse livro, a ideia me fascinou e me deixou louca para saber mais sobre a história. A premissa parece fantástica e a sinopse prometia uma história de tirar o fôlego. Infelizmente, não foi nada disso que a autora entregou. Com uma narrativa cansativa e um pouco forçada em alguns aspectos, “Numbers” parece aquele livro que tenta decolar, mas que nunca consegue sair do chão. A autora abusa de palavrões, nojeiras e “rebeldia” (“nossa, eu fumo e não estou nem aí pra ninguém, como sou rebelde!”), talvez na tentativa de retratar uma “realidade”, mas só serviu para me deixar ainda mais desanimada com a leitura. Nada flui, tudo é truncado, desanimador.

A protagonista, que tinha tanto potencial para ser explorado, acabou sendo um clichê de adolescente marginalizada e excluída da sociedade. Não tinha profundidade, mesmo o drama de se saber a data da morte de todos ao seu redor é reduzido a um mimimi sem fim, e mesmo a habilidade é deixada de lado. Longe da proposta inicial, o livro retrata basicamente uma garota sem graça e sem sal, com seus “dramas” praticamente inexplorados, que sai em uma fuga impossível pelo país com seu amigo – também muito mal explorado.

Geralmente tento ver o lado positivo de todos os livros, achar alguma coisa que o salve, mas nesse caso ficou praticamente impossível. Tentei dar uma chance ao segundo livro, e também deixou a desejar, então duvido que vá ler o terceiro.

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Confesso que li: Vingança da Maré [Resenha]

Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574043
Páginas: 288
Título Original: Revenge of the Tide
Nota:
 4 Estrelas

Sinopse: Depois de trabalhar arduamente por muito tempo alternando um emprego como executiva de vendas durante o dia com o de dançarina de pole dance à noite, Genevieve finalmente conseguiu juntar dinheiro para realizar seu sonho: comprar e reformar um barco e mudar-se para Kent, bem longe da estressante vida em Londres que tanto a aborrece. Tudo parece enfim perfeito. Até que, na festa de inauguração do barco, enquanto amigos de sua velha vida parecem zombar do que agora lhe é tão caro, um corpo aparece boiando próximo ao ancoradouro, e Genevieve reconhece a vítima. Ao perceber seu santuário flutuante maculado, e convencida de que sua vida também está em risco, Genevieve se vê novamente envolvida com o perigoso submundo de corrupção, crimes e traição do qual pensava ter finalmente escapado. E está prestes a descobrir os problemas de misturar negócios e prazer.

Lembro que me deparei com a resenha do livro “No Escuro” em algum blog, e a sinopse e a capa foram o bastante para me deixar mais do que interessada na leitura. Procurei o nome da autora no Skoob e acabei me deparando com outros dois livros, “Restos Humanos” e “Vingança da Maré”. Muito tempo se passou, minha linda memória nunca me deixava lembrar de comprar um destes livros quando acessava o Submarino, e a coisa foi ficando. Ano passado, durante a Bienal, encontrei o livro por R$ 5,00 no estande da Intrínseca e não pensei duas vezes antes de comprar.

O livro conta a história de Genevieve, que, depois de conseguir guardar uma considerável quantia de dinheiro, comprou um barco e decidiu passar um ano morando nele, enquanto o reformava. Ela saiu do agito e da correria de Londres e se estabeleceu em Kent, onde passou a viver na pequena e familiar comunidade da marina. Depois de cinco meses trabalhando em seu barco, mesmo com algumas alterações ainda pendentes, ela decidiu que estava na hora de dar uma festa de inauguração do seu novo “lar”, convidando os novos amigos da marina e os antigos amigos de Londres. Apesar da zombaria de seus antigos amigos, Genevieve estava satisfeita com seu novo estilo de vida e com o que havia conquistado ali, orgulhosa de seu trabalho e decidida a esquecer o passado. Mas seus planos foram por água a baixo quando, na mesma noite da festa, ela se deparou com um corpo boiando na água, e percebeu que era alguém que fazia parte desse seu passado. Enquanto a polícia passa a investigar esse misterioso caso, Genevieve deve lidar com os fantasmas de seu passado, que parecem mais do que dispostos a invadir o seu presente.

“Vigança da Maré” foi um livro que, a seu modo, me surpreendeu. Não sabia muito bem o que esperar da autora, ou se iria ou não gostar do livro, então foi com uma grande satisfação que terminei a leitura com aquela sensação de “realmente valeu a pena”. Apesar de ter sentido durante boa parte da leitura que algo estava faltando, quase como se esperasse a todo momento uma grande revelação ou acontecimento que me deixasse de queixo caído, toda a narrativa do livro foi muito concisa e envolvente, resultando em um material que me agradou em todos os momentos.

A escrita da Elizabeth é bem construída e elaborada, mas fluida e sem exageros ao mesmo tempo. Fiquei um pouco confusa e perdida quando ela apresentava termos próprios da vida na marina, principalmente quando descrevia partes do barco, mas de maneira nenhuma senti que isso atrapalhou a compreensão da história. A narrativa é dividida entre o presente, enquanto acompanhamos a investigação que tem início quando o corpo é encontrado ao lado do barco de Genevieve e todos os seus desdobramentos, e o passado, quando descobrimos mais sobre a vida da protagonista, principalmente no último ano, e como isso está atrelado às descobertas e consequências do presente.

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Achei os personagens bem construídos e originais, sem cair em clichês ou em algum “lugar comum”. A protagonista, apesar de seus momentos de dúvida e incerteza, é forte e decidida, o que foi um bom atrativo. Quanto mais descobria sobre seu passado, mais eu conseguia me relacionar com ela – mais “verdadeira” ela se tornava. Os personagens secundários também conquistaram seu espaço, principalmente os moradores da marina, apesar de eu viver confundindo e esquecendo quem era quem.

Se não fosse aquela sensação de que algo estava faltando algo, a espera por uma revelação de cair o queixo que nunca veio – não que o mistério não foi bem construído, mas fiquei esperando algo a mais -, facilmente teria dado cinco estrelas. Para o primeiro livro da autora que li, fiquei satisfeita com o resultado e mais do que interessada em ler as outras obras.

Confesso que li: Gone [Resenha]

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Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576794073
Páginas: 205
Título Original: Gone
Série: Trilogia Wake #3 (Dream Catcher #3)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: No início Janie acreditava que já sabia o que o futuro lhe reservava e pensou que estava em paz com isto. Mas, o que Janie não suportou, foi ver Cabel afundando com ela. Janie só vê uma maneira de dar a Cabel a vida que ele merece – ela precisa desaparecer. Mas isto pode destruir os dois. Então, um estranho entra em sua vida – e tudo se desfaz. Seu futuro, antes previsto, sofre uma reviravolta trágica e suas escolhas se tornam mais terríveis do que Janie jamais imaginou. Ela só precisa escolher o menor dos dois males. E o tempo está se esgotando…

Ainda no estilo “não consigo desistir de uma leitura”, fui em frente e li o último livro da trilogia Wake, “Gone”. Depois de me animar um pouquinho mais com “Fade”, esperava que o terceiro livro seguisse a melhoria e trouxesse um desfecho que compensasse a história, mas até hoje não sei ao certo o que acho de “Gone”.

O livro começa pouco depois da conclusão de “Fade”, quando Janie está enfrentando as consequências do caso anterior. Sendo a principal testemunha (e quase vítima) do caso de abuso sexual por parte de três professores da Fieldridge High, Janie passa a enfrentar o inferno em sua cidade, onde todos sabem quem ela é e se acham no direito de comentar como se ela nem estivesse ali. Sufocada nesse mar de atenção, Janie tenta se manter à tona e manter sua sanidade, mas as descobertas sobre qual será o seu futuro não a deixa muito otimista quanto a isso. Cega e aleijada. É isso que o seu “dom” reserva para ela no futuro, quando as crises que seguem os mergulhos nos sonhos tirarem de vez sua visão e o controle sobre suas mãos. E o pior é sentir que não só o futuro dela está condenado, mas que ela acabará condenando todos aqueles que estão ao seu redor – principalmente Cabel. Cabe agora a ela decidir o que fazer. Viver em meio a sociedade, sabendo o que a aguarda, ou se isolar completamente do mundo, pensando ser a solução? O destino de um suposto estranho pode ser a chave para ajudá-la a se decidir…

Ok, preciso admitir: resumindo os acontecimentos da história para escrever a descrição ali em cima, até que parece uma história muito boa, não? Janie confirma aquilo que sempre suspeitou, que seu dom é, na verdade, uma maldição, e que seu destino está fadado ao fracasso enquanto permanecer nesse caminho. Com os diários da senhora Sturbin, assim como seus encontros com ela, Janie descobriu que o preço que o seu dom cobra é realmente alto demais: com o passar dos anos, e pouquíssimos anos, ela ficará cega e perderá todo o controle sobre suas mãos. Precisará de ajuda para as coisas mais simples, e prenderá as pessoas que a amam a uma vida de cuidadores. Janie, que sempre prezou tanto  por sua independência, não pode e não consegue aceitar um futuro que a tornará tão dependente, que fará com que ela transforme-se em um fardo para os outros. Mas também não sabe como escapar.

Conforme a história vai se desenvolvendo, uma alternativa se apresenta à Janie, e ela parece cada vez mais tentada a aceitá-lo. Mas esta alternativa vem com um mistério, que ela pensa ter resolvido, o que facilita a decisão que ela quer tomar. Apesar de não ter me envolvido muito com o primeiro livro, e um pouco mais com o segundo, acredito que este último livro traz uma trama interessante à história, complementando o que já havíamos descoberto em “Fade”. Não, isso não deixa o livro (ou a trilogia) fantástico, mas foi interessante ver como foi trabalhada essa questão da consequência ao dom, do passado de pessoas que sofreram o mesmo destino e como Janie tenta lidar com isso com as poucas informações que dispõe. A trama não é perfeita, não é daquelas que te faz virar página atrás de páginas, mas serve para mantê-lo entretido e envolvido em certo nível.

E então por que, apesar disso, não sei ao certo o que pensar do livro? Porque a Janie esteve mais insuportável do que nunca. Eu entendo a questão do medo de não saber o que vem pela frente, o peso da decisão que está na balança, a indecisão e confusão, mas achei particularmente difícil me importar com a Janie depois de todo o drama que ela fez dentro da cabeça dela. Como gostar de um livro quando você fica revirando os olhos a cada decisão da protagonista? Tudo bem que é mais fácil para o leitor pular para algumas conclusões e que é comum o personagem levar mais tempo, mas eu realmente peguei uma antipatia profunda pela Janie, o que me deixou dividida quanto ao livro. A ideia da trama central da trilogia, que é apresentada e finalizada nesse livro, é interessante, dá para compensar um pouco o fiasco do primeiro volume, mas acho que a execução, como nos outros volumes, deixou a desejar.

Confesso que li: Fade [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793816
Páginas: 240
Título Original: Fade
Série: Trilogia Wake #2 (Wake Trilogy #2)
Nota:
 2,5 Estrelas

Sinopse: Para Janie e Cabel a vida real está se tornando mais difícil do que os sonhos. Eles estão tentando (em segredo) passar um tempo juntos, mas ainda não tiveram esta sorte. Coisas perturbadoras estão acontecendo em Fieldridge High, mas ninguém quer falar a respeito. Quando Janie penetra os pesadelos violentos de um colega de classe, o caso finalmente se torna claro, mas nada sai como planejado.
A cabeça confusa de Janie e o comportamento chocante de Cabe têm graves consequências para ambos. Pior ainda. Janie Descobre a verdade sobre si mesma e sua habilidade. E é desolador. Realmente desolador. Não só o seu destino está selado, como o que está por vir é muito mais sombrio do que seu pior pesadelo…

Eu não sou o tipo de pessoa que costuma desistir de uma leitura, tipo, mesmo. Por essas e outras, mesmo não gostando muito de Wake, resolvi ler Fade para completar a trilogia. Bom, achei que pior que Wake não dava para ficar e, felizmente, estava ligeiramente certa. Nesse segundo volume, vemos Janie se juntando à equipe da Narcóticos chefiada pela Capitã, trabalhando lado a lado com Cabel, depois de sua ajuda no caso anterior. Janie e Cabel continuam seu relacionamento, mas, como o caso anterior ainda não foi encerrado, os dois não podem deixar ninguém saber que estão juntos, devendo se encontrar sempre em segredo. O primeiro caso que Janie pega é uma investigação sobre um suposto predador sexual que ronda as paredes de sua escola, provavelmente um dos professores, e a investigação a leva a muitas situações de perigo, o que deixa Cabel louco. A tensão do trabalho, do relacionamento secreto com Cabel e mesmo das descobertas que Janie faz sobre sua própria condição, sobre quem ela é e o que o futuro reserva para ela, podem ser mais do que ela pode aguentar, ameaçando levá-la ao seu limite…

Ok, acho que ficou bem evidente o quanto desgostei do primeiro livro e o quanto fiquei decepcionada com a leitura, já que era algo que eu estava esperando há mais de um ano, por isso já comecei a leitura do segundo livro sem expectativa alguma. Não vou dizer que foi uma surpresa, ou que a autora conseguiu reverter o quadro e criar um livro incrível, mas posso dizer que a “decepção” já foi bem menor do que com o primeiro. Eu comecei o livro já revirando os olhos, pensando “serão mais 200 páginas perdidas”, e até fiquei um pouco confusa com a questão do trabalho da Janie, já que não fazia tanto sentido e parecia uma coisa um pouco forçada. Não conseguia entender como um caso de um predador sexual poderia ser investigado pelo departamento de Narcóticos, já que são assuntos distintos e provavelmente haveria uma equipe específica para esse tipo de investigação, mas depois de um tempo eu tentei relevar essa questão que me parecia pouco plausível e “comprar” a história.

Sobre livros com dedicatória ♥

Mesmo não sendo possível resgatar ou recuperar a catástrofe que eu achei que foi “Wake” (e me perdoe quem gostou, mas realmente achei que foi uma catástrofe), a autora conseguiu criar uma trama um pouco mais envolvente e atraente nesse segundo volume. Sim, a história ainda conta com alguns furos, não vou negar, mas esse livro me prendeu um pouquinho mais que o volume anterior, mesmo porque a narrativa da Lisa já mudou um pouco. As frases curtas, de duas ou três palavras cada e divididas em alguns parágrafos, que me causaram tanto estranhamento no volume anterior, desaparecem um pouco, apesar de não sumirem por completo. O leitor consegue encontrar uma história um pouco mais amarrada e com uma fluidez maior, e confesso que realmente fiquei envolvida quando tudo começou a caminhar para o desfecho, fiquei imaginando possibilidades e tentando descobrir quem seria inocente ou culpado – e como seria o envolvimento de Janie e Cabel em toda aquela questão.

Por mais que a trama tenha me prendido um pouco mais, os personagens continuam com o mesmo aspecto unilateral do livro anterior, não dando aquela impressão de que eu estava lendo sobre pessoas reais, que eles realmente poderiam existir, e isso sempre faz um livro perder alguns pontos comigo, pois não consigo me importar muito com os personagens e me relacionar com eles. Apesar de ter encontrado um ou outro erro de revisão, o livro me pareceu mais bem estruturado que o volume anterior, com menos deslizes e absurdos, o que também me ajudou a ter uma impressão melhor desse volume.

Apesar de não estar nem perto da minha lista de preferidos, ou das melhores leituras do ano, ou de qualquer lista positiva que algum dia eu possa fazer sobre livros, “Fade” já mostrou uma melhora em relação ao livro anterior, sendo uma boa continuação quando se leva em conta o nível de “Wake”. Ainda não é o bastante para me fazer recomendar a leitura, ou dizer “uau, você precisa ler esse livro!”, mas, se você já começou a leitura de “Wake”, considero válido ler o segundo volume.

Confesso que li: Wake [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793403
Páginas: 205
Título Original: Wake
Série: Trilogia Wake (Wake Trilogy)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal.
Janie não pode contar a ninguém sobre o que acontece com ela – eles nunca acreditariam, ou pior, achariam que é uma aberração. Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar.
Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante…

“Wake” é aquele tipo de livro que tinha de tudo para ser um sucesso no seu gênero. Lembro de me deparar com o livro no Submarino, ficar interessada pela capa, ler a sinopse no Skoob e ficar PIRADA pelo livro. Já marquei a trilogia na minha lista de desejados e vez ou outra ficava relendo a sinopse do primeiro livro, pensando em quando finalmente poderia ler. No meu último aniversário, ganhei a trilogia de presente de uma amiga minha (oi, Via! ❤ ) e comecei a ler alguns dias depois. Foi quando todo o meu ânimo foi por água abaixo.

O livro conta a história de Janie, uma garota que, desde sua infância, é sugada para o sonho das pessoas e se torna uma observadora passiva até que algo faça com que a pessoa acorde. O livro é narrado em terceira (e algumas vezes primeira) pessoa e no tempo presente, o que fez com que eu demorasse um pouquinho até pegar o ritmo de leitura, já que não estou tão acostumada a este tipo de narrativa. Apesar de ter uma premissa fantástica, achei todo o desenvolvimento da história muito fraco – o que é uma pena. Eu esperava que a situação dos sonhos fosse mais explorada, ou talvez explorada de uma forma diferenciada, mas achei que tudo ficou um pouco confuso ou mal explicado. Tinha uma imagem na minha mente e ela passou longe do que a autora trabalhou em seu livro, mas bem, bem longe. Isso acontece muitas vezes e geralmente não ligo, mas, pelo menos neste caso, achei que a história que tinha imaginado na minha cabeça era bem mais legal do que a que eu encontrei nas páginas.

Uma das coisas que me fez desanimar muito durante a leitura foi a (falta de) construção dos personagens. Ok, não esperava nada tão complexo ou fantástico quanto o Mr. Darcy (ah, Darcy ❤ ), mas as crias de McMann deixaram a desejar, pelo menos para mim. Não que os personagens seguissem a linha dos clichês ou esteriótipos (pelo menos não os dois principais, pois outros personagens foram bem clichês sim), felizmente, mas achei tudo muito… superficial, por assim dizer. Não havia um desenvolvimento maior ou camadas, algo a ser descoberto com o tempo. A impressão que eu tinha era que estava lendo sobre criaturas unilaterais, mesmo com a tentativa da autora de criar um histórico sombrio e misterioso para um ou outro personagem. Também não conseguia entender as súbitas mudanças de humor da protagonista, que parecia ir da água para o vinho sem motivo algum. Em um segundo ela estava bem, em outro estava gritando com sua melhor amiga como se tivesse sido atacada primeiro, e eu só conseguia me perguntar se tinha faltado algum trecho da história no meu livro.

A interação de Janie e Cabel também é algo que nunca conseguirei entender direito. Lembro de uma situação específica em uma viagem escolar, em que algo “ai meu Deus” aconteceu (não vou dar spoiler, hehe), e a reação dele foi tão exagerada e tão extrema que eu realmente não consegui acreditar. Não faria sentido algum ele reagir daquele jeito ou chegar àquela conclusão com as pouquíssimas informações que possuía, e me parecia que a autora queria aquela situação, mesmo que não fizesse sentido algum na história ou no momento, e isso para mim não tem desculpa.

Mas infelizmente não foi apenas a pobreza dos personagens que me desanimou, já que a escrita também não me conquistou nem um pouco. Sei que nem todo mundo precisa ser um Tolkien da vida e passar uma página descrevendo o tom de verde da grama de uma campina por onde tal personagem iria passar (não, não li Tolkien, mas está na lista), mas a Lisa não nos dá quase nenhuma descrição e isso é um pouco frustrante. O livro é composto por frases curtas e diretas, muitas vezes diretas até demais. E há um trabalho de dividir alguns trechos em parágrafos, para querer dar um impacto maior àquelas poucas palavras envolvidas, que eu achei que na maioria dos casos simplesmente não funcionou muito bem.

Para acabar (juro que já estou acabando), o outro problema que tive com o livro foram os muitos erros de tradução e revisão – tipo, muitos mesmo. Não li muitos livros da editora, para saber se é um problema geral ou pontual, mas fiquei realmente desorientada com alguns erros que encontrei. Com os erros de tradução, em alguns casos eu conseguia imaginar qual tinha sido a expressão utilizada pela autora e qual seria a tradução correta, e ficava incomodada por saber que tinham colocado uma tradução completamente aleatória. Como quando colocaram “Ele põe a mão nas pequenas costas dela […]”, e em inglês a autora colocou “He slips his hand onto the small of her back” (sim, fui procurar como estava no original, para não acabar falando besteira), o que seria traduzido para algo como “na base das costas”, não “nas pequenas costas”. Em outros erros de tradução, eu simplesmente ficava boiando e só sabia que alguma coisa estava errada porque a frase não fazia muito sentido do jeito que estava. Também me deparei com muitos erros de digitação e revisão, como “algúem” e “denovo”, que foram os casos que lembrei de registrar com a câmera do celular. Pode-se somar a isso uma mudança constante no foco do narrador (apesar de ser narrado em terceira pessoa, não são poucos os casos em que você pode se deparar com uma mudança para primeira pessoa, sem justificativa alguma, no meio de um parágrafo que, até então, narrava na terceira pessoa) e uma confusão na indicação de falas, pensamentos e narrativa, o que te faz ter que reler um trecho ou outro, para descobrir qual era o intuito ali. A bagunça era tanta que eu já não sabia mais dizer o que era falha da autora ou da editora.

Em síntese, foi uma leitura muito infeliz e eu, honestamente, não recomendaria este livro a ninguém. Continuei lendo a trilogia, porque não consigo abandonar uma leitura, e posso dizer que o terceiro livro fica um pouquinho melhor, mas não o bastante para valer a leitura da trilogia completa.

Confesso que li: 3096 Dias [Resenha]

Autor: Natascha Kampusch
Editora: Verus
ISBN: 9788576861072
Páginas: 225
Título Original: 3096 Tage
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador – o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero. Natascha Kampusch fala abertamente sobre o sequestro, o período no cativeiro, seu relacionamento com o sequestrador e, sobretudo, como conseguiu escapar do inferno, permitindo ao leitor compreender os processos de transformação psicológica pelos quais passa uma pessoa mantida em cativeiro, sofrendo todo tipo de agressão física e mental imaginável.

Talvez essa tenha sido uma das resenhas mais difíceis que tentei escrever até hoje, simplesmente porque não é fácil escrever uma resenha sobre uma história tão sofrida e difícil quanto a da Natascha. Estou acostumada a ler ficção, histórias de “faz-de-conta”, em que você sabe que o vilão é de mentirinha e tudo fica para trás quando você fecha o livro, então foi extremamente difícil ser confrontada por essa realidade. O relato começa na primeira infância de Natascha, quando ela apresenta o mundo que conhecia como criança, sua relação com seus pais e sua família, e como isso foi mudando aos poucos conforme ela crescia. De princesa da família, a adorável caçula, ela passou a uma criança tímida e introvertida, acima do peso e com problemas de autoestima. Os problemas e desafetos em casa desenvolveram nela um desejo por independência e liberdade, idealizando seus 18 anos como a idade em que sua vida mudaria, pois já seria uma adulta. Mas um dia, na primeira vez em que estava indo sozinha de casa para a escola, todos os seus sonhos e planos foram interrompidos por Wolfgaang Priklopil, que a sequestrou e a levou para um cativeiro – seu lar pelos próximos oito anos.

O livro foi escrito alguns anos após a fuga de Natascha e morte de seu sequestrador – que se suicidou no mesmo dia, provavelmente para não ser capturado pelas autoridades locais -, e mostra não apenas suas memórias, mas a análise que ela própria faz de tudo aquilo que viveu e experimentou nos longos anos de cativeiro. O tipo de análise que ela apresenta sobre suas ações e reações (como sua mente acabou regredindo nos primeiros dias de cativeiro, voltando a ter a percepção de mundo de uma criança de 4, 5, anos, e como isso permitiu que ela sobrevivesse às primeiras semanas, etc), além de diversos comentários que ela apresenta durante o livro, evidencia a busca pelo conhecimento teórico daquilo que ela vivenciou na prática, talvez como uma tentativa de compreender tudo o que lhe ocorreu durante aqueles anos. Ela discorre sobre tortura psicológica e física, apresentando as causas e consequências do que vivenciou no cativeiro, como determinada ação do sequestrador tinha um efeito específico sobre seu corpo e sua mente. Podemos ver a transformação que ela sofreu ao longo dos anos, como foi privada de sua liberdade e autoconfiança, como foi “trabalhada” pelo sequestrador até que ela se aproximasse daquilo que ele considerava ideal e, como mesmo assim, não era o bastante para ele.

Apesar de ser uma leitura um pouco mais pesada, me vi envolvida pela história de Natascha desde o momento em que ela relata o sequestro, não conseguindo deixar o livro de lado até terminar a última página. Em alguns momentos, principalmente quando ela começa a relatar os abusos físicos que sofria, com repetidas surras e maus tratos, me dava uma vontade de deixar o livro de lado por alguns momentos, nem que fosse para ler algumas páginas de alguma coisa mais “leve” e conseguir respirar um pouco, mas estava ansiosa para chegar ao ponto em que as coisas mudariam, em que todo aquele sofrimento seria deixado para trás, e era basicamente isso que me impulsionava – a certeza de que o caos na vida de Natascha chegaria ao fim e o desejo de chegar logo a essa parte.

Não foi uma das melhores leituras do meu ano, nem uma das mais prazerosas, mas “3096 Dias” realmente traz uma análise diferenciada sobre o comportamento humano, não apenas sobre a transformação de Natascha, mas de sua própria análise de Wolfgaang. A escrita parece ser, ao mesmo tempo, o relato da pequena Kampusch, descrevendo todo seu tormento, e a análise clínica de um observador externo, o que em alguns momentos me deixava um pouco desconcertada. No geral, foi uma boa leitura, e agradeço à Manu por me proporcionar esta experiência.

Confesso que li: Preciso Rodar o Mundo [Resenha]

Autora: Michelli Provensi
Editora: Da Boa Prosa
ISBN: 9788564684447
Páginas: 240
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Ser modelo de sucesso é um sonho de muitos jovens em todo o país. A moda atrai a atenção com os investimentos e todo o espaço que ocupa na mídia. O Brasil alcançou uma posição de destaque nesse universo; nossas modelos atingiram o topo dos rankings e da fama, ganhando milhões por ano e alimentando ainda mais esse sonho. Nem todas as 1 MILHÃO de jovens que se inscrevem nos principais concursos de beleza vão chegar lá, mas o livro de Michelli Provensi é um aliado daquelas que têm persistência e querem aprender sobre os bastidores e a realidade nem sempre glamourosa dos desfiles e ensaios. Modelos quase sempre estão no lugar certo, o problema é que, também, quase sempre com a roupa errada. Fotografam biquíni em pleno inverno, muitas vezes na neve. Fotografam aqueles casacos que quase nunca são usados, debaixo de 40 graus; isso sem contar as horas e horas para um click ou um desfile. A vida delas não é nada fácil, é bem mais complicada do que o belíssimo resultado impresso numa revista. Michelli Provensi demonstra que não é apenas um corpo a serviço de uma marca, ela interrompeu os estudos, mas é muito inteligente e conectada, tem atitude, canta, interpreta, dança e pode ser a guia ideal para esse mundo que desperta muita curiosidade. Um livro para modelos, pretendentes e curiosos sobre o universo da moda. Ah, um aliado indispensável para toda mãe de modelo.

All the models in the house, all the models in the house representing ♪” (~lecantando~). Já devo ter mencionado por aqui, mais de uma vez, que não sou muito fã de livros de não ficção. Leio livros de fantasia, drama, romance, mistério, suspense, ficção científica, enfim, praticamente tudo que seja ficção, mas nunca tive muita conexão com livros que não fossem de ficção. Mas, como nem só de ficção se faz a vida de um leitor, me deparei com a leitura de “Preciso Rodar o Mundo”, da modelo (e agora escritora) Michelli Provensi, livro publicado pelo selo Da Boa Prosa da editora Livros de Safra. O livro conta os bastidores do tão badalado mundo da moda, o lado da vida das modelos que ninguém conta (ou não contava). Nunca fui ligada em moda, para mim é um assunto de outro planeta, mas, conforme lia, me vi completamente fascinada pela história da Michelli. Não só pela história em si, mas pelo jeito leve, descontraído e verdadeiro que ela utilizou para contar sua jornada pelo mundo da moda.

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O livro é dividido em pequenos capítulos que apresentam os diversos aspectos da vida da modelo até então, desde sua infância como a “garota esquisita” até seu retorno para casa, passando pelos pontos altos – e baixos – de sua carreira. Apesar de não seguir uma ordem cronológica, o livro apresenta diversos momentos da carreira de Michelli, e aos poucos vamos montando uma colcha de retalhos com a história dela. O que mais me fascinou em toda a leitura foi a escrita de Provensi, que é completamente envolvente. A leitura da história te dá a impressão de que ela está te contando tudo aquilo, como se estivesse ali contigo e falando sobre suas aventuras e desaventuras, da mesma forma como contamos a um amigo o que aconteceu conosco em determinada situação. A linguagem, a construção, a descontração, tudo faz com que você se sinta conectado à história que ela te conta, como se fosse um conhecido te contando uma história que aconteceu com ele.

O humor é outro elemento muito presente no livro. Tanto na construção dos títulos dos capítulos (ri sozinha enquanto lia o índice, já me perguntando qual seria a história apresentada no capítulo que tinha um título como aquele) quanto na forma de contar a história, o humor e a personalidade da autora se faziam muito presentes, deixando a história ainda mais gostosa de se ler. Seja ao narrar a história do modelo que não sabia qual o lado certo para vestir o famigerado “tapa-sexo”, ou a história de como perdeu um casting de um estilista famoso por não reconhecer quem era e preferir assistir a um jogo do Brasil na Copa, que ocorria ao mesmo tempo, entre tantas outras histórias, Michelli consegue fazer o leitor mergulhar no lado desconhecido da profissão, mostrando que a vida de modelo não é tão fácil ou tão inatingível quanto alguns pensam. Como fã de futebol, ela chega inclusive a fazer comparações entre a vida dos modelos e jogadores de futebol, mostrando como alguns elementos se fazem presentes nas duas carreiras.

A autora nos dá uma lição de como devemos ir atrás de nossos sonhos, mesmo quando não sentimos que somos capazes para isso. Como não podemos abandonar aquilo que queremos e como temos que confiar em nosso potencial. Também ensina que a jornada não será fácil, mas que isso não é motivo para desistirmos. Ao apresentar suas próprias memórias, ela nos faz pensar em tudo aquilo que queremos para nós e se estamos fazendo o possível para chegar lá (pelo menos foi essa a relação que tive com o livro). De uma garota “franzina” e desengonçada a modelo internacional, de beleza “exótica”, Michelli provou que é possível conquistar o mundo, desde que se decida dar o primeiro passo.

Confesso que li: Perdão, Leonard Peacock [Resenha]

Autora: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580573954
Páginas: 224
Título Original: Forgive me, Leonard Peacock
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

As pessoas costumam planejar muitas coisas para seus aniversários: festas, reuniões com amigos e familiares, jantares. Elas costumam esperar as felicitações dos amigos e os eventuais presentes – mesmo que a mera lembrança da data. Mas não Leonard. É seu aniversário de dezoito anos e ele tem um plano completamente diferente para o dia: vai matar seu ex-melhor amigo, com a arma alemã que pertencera ao avô, e então se matar. Mas, antes de levar a cabo seu plano, encontrará quatro pessoas, aquelas que considera as mais importantes de sua vida, e entregar um presente a cada uma delas. Uma última despedida, um último adeus, para que elas saibam que não foi culpa delas. Enquanto o relógio avança e o fim do dia vai chegando, vemos o desenrolar do plano de Leonard em ação.

Preciso confessar que não sabia ao certo o que esperar do livro quando li sua sinopse pela primeira vez, em uma livraria perto de casa. Não sabia o que esperar quando comprei o livro alguns meses depois, e continuava sem saber quando comecei a lê-lo. Apesar da premissa prometer um homicídio/suicídio, acho que estava esperando algo mais leve, superficial, “água com açúcar”. Ok, não sei como poderia esperar algo leve de um livro que aborda assassinato, mas, por ser Young Adult, acho que estava esperando o famoso mais do mesmo, a fórmula simplista que muitos autores estão tentando empurrar garganta abaixo nos jovens leitores. Eu não poderia estar mais enganada.

O livro conta a história de Leonard pela perspectiva do próprio personagem, com foco no dia do seu aniversário. Logo de cara ficamos sabendo de seu plano e sabemos que algo não está certo – apesar de não sabermos exatamente o quê. Descobrimos que alguma ação de Asher, o ex-melhor amigo de Leonard, desencadeou aquele seu comportamento destrutivo, e todo o desenvolvimento da leitura se baseia nisso: a vontade de descobrir o que ocorreu no passado dos dois personagens que os lançaram em destinos tão distintos.

O que mais me conquistou durante a leitura foi a personalidade do Leonard. Não são raros os livros que eu vejo com personagens superficiais, pouco aprofundados ou mal explorados – e, nesse sentido, o Matthew Quick deu um show com a construção do Leonard. A melhor maneira que tenho para defini-lo é que ele é real. Não é o bom moço, o exemplo da perfeição, o jovem dentro de uma redoma de virtude e justiça, mas também não é o vilão, inconsequente e culpado de todos os problemas ao seu redor, o diabo em forma de gente. Ele apresenta perfeitamente a dualidade da condição humana, que não é totalmente boa nem totalmente má, apenas é.

Conforme vamos conhecendo o personagem, vamos descobrindo como ele realmente é: um jovem genial, que não se conforma com as coisas como elas se apresentam, que questiona o mundo e a si mesmo. Ele gosta de pensar, analisar, e não de ter as respostas jogadas em seu colo. Tem um humor ácido é uma visão extremamente pessimista do mundo, é complexo. E é, acima de tudo, um jovem sem esperanças, que sente que não se encaixa em seu presente e não anseia pelo futuro, que parece reservar apenas mais descontentamento. É impossível não se conectar a ele, não desejar compartilhar de seu sofrimento, aliviar seu fardo, deixá-lo saber que ele não está sozinho.

Apesar de não ter um ritmo tão acelerado (pelo menos não do jeito em que estou acostumada, como nos livros de ação/aventura), a leitura é envolvente e te impulsiona à frente. A narrativa alterna entre o presente, os acontecimentos centrados no aniversário de Leonard, o passado, com flashbacks mostrando como ele conheceu alguns dos outros personagens ou como era sua amizade com Asher, e o “futuro”, através de séries de cartas que ele recebe dessas supostas pessoas de seu futuro. Admito que fiquei um pouco confusa e perdida quando me deparei com a primeira carta do futuro, mas logo me vi ansiando por elas, pois as passagens eram sempre incríveis.

Em um momento em que vemos cada vez mais jovens deprimidos, pessoas lutando para se adequar ou para enterrar seus traumas e anseios, Matthew Quick traz uma análise intrigante sobre como os jovens são afetados por inúmeros fatores ao seu redor, e como às vezes o menor dos gestos poderia ser o bastante para salvar uma vida que se julga perdida – ou pelo menos iniciar o processo para colocá-la de volta aos trilhos, e isso sem partir para o lado mais “didático” da questão. Ele levanta os questionamentos ao apresentar a história de um jovem que se encontra em situação tão extrema, mas deixa as conclusões por parte do leitor – o que você tira da leitura é seu e só seu.

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Ao final da leitura, eu só podia ficar de queixo caído e absorver tudo aquilo que havia lido. Talvez por não esperar tanto – ou nada – quando comecei a leitura, foi completamente surpreendida, arrebatada pela narrativa de “Perdão, Leonard Peacock”. E agora tenho certeza de que posso recomendar a todos, pois é aquele tipo de livro que você acha que todos deveriam ler.

Confesso que li: As Crônicas de Bane [Resenha]

Autora: Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403964
Páginas: 392
Título Original: The Bane Chronicles
Nota: 4,5 Estrelas

Sinopse: Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamada séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

Eu sei, eu sei, já estava devendo essa resenha há alguns dias (oi, Paula ❤ ), mas os últimos dias foram corridos e acabei me enrolando toda. Agora estou de volta e espero conseguir deixar o blog e as visitas em dia, yaay.

“As Crônicas de Bane” é outro livro adicional do universo dos Caçadores de Sombras, que surgiu da coletânea de nove contos revelando o passado do fabuloso feiticeiro Magnus Bane. Os contos foram publicados originalmente em formato digital e, quando todos foram lançados, surgiu esse lindo livro físico, para os amantes de papel, como eu ❤ Os contos abordam diversos momentos do passado de Magnus, desde os mais distantes – como seu testemunho em primeira mão da Revolução Francesa – até o mais recente – seu envolvimento com Alec Lightwood, um Caçador de Sombras do Instituto de Nova York.

Comecei a leitura EMPOLGADÍSSIMA porque, bom, porque sou apaixonada pelo universo dos Caçadores de Sombras e o Magnus é um dos meus personagens preferidos. Mas, logo no primeiro conto: booom! – decepção. Até ri com as primeiras páginas de “O que realmente aconteceu no Peru”, mas fui ficando cada vez mais frustrada conforme avançava na leitura. O que no começo parecia um humor bem dosado acabou virando algo escrachado, quase caricato. Em um ponto passou a me lembrar aquele tipo de comédia pastelão, em que as supostas situações cômicas são levadas ao extremo, e tão forçadas que você passa a se perguntar o que diabos está acontecendo ali. O Magnus mais estava me parecendo o Capitão Jack Sparrow (veja bem, eu adoro o personagem do Johnny Depp, mas ele não tem nada a ver com o Magnus que conhecemos e amamos), o que me fazia olhar toda vez para o nome da Cassandra na autoria do capítulo, em parceria com a Sarah, e me perguntar como ela havia permitido que transformassem o Magnus naquilo. Por um momento realmente fiquei com receio de que o livro todo fosse ser naquele estilo, o que já estava me desanimando da leitura, mas a graça do Anjo não permitiu que fosse assim.

Do segundo conto em diante, felizmente, já passamos a encontrar o mesmo Magnus de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais, assim como o mesmo padrão de escrita dos demais livros da série. Passado o trauma do primeiro conto, podemos realmente apreciar o desenvolvimento da história do feiticeiro, que presenciou não apenas fatos importantes da história mundana, mas também do Submundo e do mundo dos Caçadores de Sombras – como a assinatura dos Acordos e a Ascensão do Ciclo de Valentim Morgenstern, que quase pôs em risco toda a diplomacia entre membros do Submundo e Nephilins.

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É delicioso poder aproveitar ao máximo a personalidade fantástica do Magnus, tendo a história inteira focada nele. Nos outros contos o humor também se faz presente, mas de forma harmoniosa e natural, e não forçado como no primeiro. Também vemos o passado de alguns personagens conhecidos quando estes cruzaram com Magnus, como a vampira Camille Belcourt, o vampiro Rafael Santiago e até Edmundo Herondale, o Caçador de Sombras inglês que abandonou o preto para se casar com uma mundana, criando o lar onde Will e Cecily Herondale nasceram. Também temos a alegria de reencontrar, mesmo que por breves momentos, Will, Tessa e James, alguns dos amados personagens de As Peças Infernais (mesmo com uma pequena participação, meu coração já pulou de alegria por poder ‘vê-los’ mais uma vez *-*). E, como não poderia deixar de ser, temos as passagens fantásticas com Alec Lightwood, que nem vou começar a comentar ou ficarei aqui para sempre ❤

Assim como no Códex dos Caçadores de Sombras, o livro “As Crônicas de Bane” apresenta algumas ilustrações, mas aqui são focadas no começo dos contos. Na página que sucede o título de cada conto, vemos uma ilustração com alguma passagem do mesmo. Eu adorava ficar indo e voltando entre a história e o conto, para poder ver em texto o que já havia visto na gravura. E confesso que estou completamente apaixonada pelas ilustrações deste livro e do Códex, amei a forma com que os personagens foram retratados.

Para um livro da Galera Record, até que não encontrei tantos erros de revisão. Ok, basicamente os únicos livros da Galera que li até então foram do universo dos Caçadores de Sombras, mas infelizmente os erros não eram raros. Talvez seja um problema com a série, não sei. Mas lembro de ter me deparado apenas com dois ou três erros, bem discretos, então relevei. E minha edição do livro é com a fantástica capa holográfica (por um mundo em que eu consiga a capa holográfica para todos os livros da série D:), que combina perfeitamente com o “brilho” do Magnus. No geral, daria facilmente 5 estrelas para o livro, mas não consigo me conformar com aquele primeiro conto, então baixo o mínimo possível. E que venha “The Dark Artificies” *-*

Confesso que li: O Códex dos Caçadores de Sombras [Resenha]

Autora: Cassandra Clare e Joshua Lewis
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403957
Páginas: 288
Título Original: The Shadowhunter’s Codex
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Anjos, demônios, fadas, vampiros, lobisomens, feiticeiros – todos eles existem e precisam ser administrados e mantidos em paz. ‘O Códex dos Caçadores de Sombras’ abrange tudo – a história e as leis do mundo dos Caçadores de Sombras; como identificar, interagir e, se necessário, matar os diferentes tipos de habitantes do Submundo; qual lado da estela você deve usar para escrever. Com estudos sobre geografia, história, magia e zoologia, todos condensados em um só volume, o Códex está aqui para ajudar novos Caçadores de Sombras a navegar pelo lindo, porém muitas vezes brutal mundo que habitamos.

“O Códex dos Caçadores de Sombras” é um livro adicional da série Os Instrumentos Mortais / As Peças Infernais, escrito pela Cassandra Clare em parceria com seu marido, Joshua Lewis. O Códex é um livro que faz parte da história da série, sendo uma espécie de “manual” para os jovens Nephilins, onde eles aprenderão tudo sobre o mundo dos Caçadores de Sombras e do Submundo. O “nosso” exemplar do Códex foi formulado como se fosse uma edição para mundanos que buscam Ascender, ou seja, beber do Cálice Mortal e, com sorte, sobreviver ao processo e se tornar Nephilim. Em uma determinada página do livro (logo no começo, se não me engano), os “autores” do Códex até informam que o livro foi formulado para se parecer com uma publicação mundana, assim o aspirante a Caçador de Sombras poderia andar com seu Códex normalmente entre os mundanos, sem despertar suspeitas (ah, Códex <3).

Escrito no formato de um livro-texto, O Códex apresenta ao leitor assuntos como o surgimento e a história dos Caçadores de Sombras, seu treinamento de combate e armas utilizadas, um bestiário sobre demônios e integrantes do Submundo, informações sobre o Pacto e a Lei, a georgrafia de Idris, entre outros. E o destaque do livro fica para os comentários de alguns dos nossos personagens preferidos – Clary, Simon e Jace -, que fazem anotações por todo o Códex, dando um ar mais “intimista” à leitura. Dessa forma é como se estivéssemos com o exemplar do Códex da Clary em mãos, acompanhando seu aprendizado do universo dos Caçadores de Sombras.

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E, sendo o exemplar do Códex da Clary, outra coisa que não poderia faltar: desenhos. Sejam os desenhos “oficiais”, como as ilustrações ao começo de cada capítulo ou do Bestiário, ou os doodles (rabiscos) nos espaços “livres” das páginas, o Códex é cheio de gravuras. Em algumas você percebe que a ilustração faz parte do Códex, e em outras a ideia é que foram desenhados pela Clary. Ao fim do Códex, inclusive, encontramos desenhos de diversos personagens da série, como Jace, Alec e Magnus, entre alguns outros.

A linguagem, tanto do Códex quanto dos “comentários”, é bem divertida de acompanhar, é o tipo de leitura que flui facilmente. Achei incrível o tanto de informação que a Cassandra e o Joshua conseguiram desenvolver para este manual de Caçadores de Sombras, me deu a impressão de que realmente era um livro real, e não algo escrito às pressas, só para ocupar espaço na estante de alguém. É aquele tipo de leitura que te deixa (ou me deixa, pelo menos) com ainda mais vontade de participar do mundo dos Nephilins, mesmo o Códex mostrando os seus erros no passado – e que não foram poucos.

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A construção do Códex está incrível e eu realmente me apaixonei pelos comentários nas páginas. Eles combinaram perfeitamente com a personalidade dos personagens envolvidos, de forma que fica ainda mais crível a ideia de que é, de fato, o Códex da Clary – ok, Liah, você está sendo repetitiva, todo mundo já entendeu isso. Mas é verdade, os comentários são divertidíssimos, me tiraram boas risadas no ônibus.

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A edição está simplesmente perfeita. As páginas são amareladas e porosas, a fonte segue o mesmo estilo dos demais livros da série e as ilustrações no meio das páginas deixam tudo ainda mais perfeito. A fonte escolhida para a Clary, Simon e Jace é diferenciada, seguindo a linha de que foram escritas com a “caligrafia” de cada um deles, e rapidamente você já assimila qual é a letra de quem e acompanha os comentários. Para quem é fã do universo dos Caçadores de Sombras, é uma aquisição que vale – e MUITO – a pena ❤

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