Confesso que li: Vingança da Maré [Resenha]

Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574043
Páginas: 288
Título Original: Revenge of the Tide
Nota:
 4 Estrelas

Sinopse: Depois de trabalhar arduamente por muito tempo alternando um emprego como executiva de vendas durante o dia com o de dançarina de pole dance à noite, Genevieve finalmente conseguiu juntar dinheiro para realizar seu sonho: comprar e reformar um barco e mudar-se para Kent, bem longe da estressante vida em Londres que tanto a aborrece. Tudo parece enfim perfeito. Até que, na festa de inauguração do barco, enquanto amigos de sua velha vida parecem zombar do que agora lhe é tão caro, um corpo aparece boiando próximo ao ancoradouro, e Genevieve reconhece a vítima. Ao perceber seu santuário flutuante maculado, e convencida de que sua vida também está em risco, Genevieve se vê novamente envolvida com o perigoso submundo de corrupção, crimes e traição do qual pensava ter finalmente escapado. E está prestes a descobrir os problemas de misturar negócios e prazer.

Lembro que me deparei com a resenha do livro “No Escuro” em algum blog, e a sinopse e a capa foram o bastante para me deixar mais do que interessada na leitura. Procurei o nome da autora no Skoob e acabei me deparando com outros dois livros, “Restos Humanos” e “Vingança da Maré”. Muito tempo se passou, minha linda memória nunca me deixava lembrar de comprar um destes livros quando acessava o Submarino, e a coisa foi ficando. Ano passado, durante a Bienal, encontrei o livro por R$ 5,00 no estande da Intrínseca e não pensei duas vezes antes de comprar.

O livro conta a história de Genevieve, que, depois de conseguir guardar uma considerável quantia de dinheiro, comprou um barco e decidiu passar um ano morando nele, enquanto o reformava. Ela saiu do agito e da correria de Londres e se estabeleceu em Kent, onde passou a viver na pequena e familiar comunidade da marina. Depois de cinco meses trabalhando em seu barco, mesmo com algumas alterações ainda pendentes, ela decidiu que estava na hora de dar uma festa de inauguração do seu novo “lar”, convidando os novos amigos da marina e os antigos amigos de Londres. Apesar da zombaria de seus antigos amigos, Genevieve estava satisfeita com seu novo estilo de vida e com o que havia conquistado ali, orgulhosa de seu trabalho e decidida a esquecer o passado. Mas seus planos foram por água a baixo quando, na mesma noite da festa, ela se deparou com um corpo boiando na água, e percebeu que era alguém que fazia parte desse seu passado. Enquanto a polícia passa a investigar esse misterioso caso, Genevieve deve lidar com os fantasmas de seu passado, que parecem mais do que dispostos a invadir o seu presente.

“Vigança da Maré” foi um livro que, a seu modo, me surpreendeu. Não sabia muito bem o que esperar da autora, ou se iria ou não gostar do livro, então foi com uma grande satisfação que terminei a leitura com aquela sensação de “realmente valeu a pena”. Apesar de ter sentido durante boa parte da leitura que algo estava faltando, quase como se esperasse a todo momento uma grande revelação ou acontecimento que me deixasse de queixo caído, toda a narrativa do livro foi muito concisa e envolvente, resultando em um material que me agradou em todos os momentos.

A escrita da Elizabeth é bem construída e elaborada, mas fluida e sem exageros ao mesmo tempo. Fiquei um pouco confusa e perdida quando ela apresentava termos próprios da vida na marina, principalmente quando descrevia partes do barco, mas de maneira nenhuma senti que isso atrapalhou a compreensão da história. A narrativa é dividida entre o presente, enquanto acompanhamos a investigação que tem início quando o corpo é encontrado ao lado do barco de Genevieve e todos os seus desdobramentos, e o passado, quando descobrimos mais sobre a vida da protagonista, principalmente no último ano, e como isso está atrelado às descobertas e consequências do presente.

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Achei os personagens bem construídos e originais, sem cair em clichês ou em algum “lugar comum”. A protagonista, apesar de seus momentos de dúvida e incerteza, é forte e decidida, o que foi um bom atrativo. Quanto mais descobria sobre seu passado, mais eu conseguia me relacionar com ela – mais “verdadeira” ela se tornava. Os personagens secundários também conquistaram seu espaço, principalmente os moradores da marina, apesar de eu viver confundindo e esquecendo quem era quem.

Se não fosse aquela sensação de que algo estava faltando algo, a espera por uma revelação de cair o queixo que nunca veio – não que o mistério não foi bem construído, mas fiquei esperando algo a mais -, facilmente teria dado cinco estrelas. Para o primeiro livro da autora que li, fiquei satisfeita com o resultado e mais do que interessada em ler as outras obras.

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Confesso que li: Os Três [Resenha]

Autora: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580412697
Páginas: 400
Título Original: The Three
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: “Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele… Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Antes de mais nada, quero agradecer à Gabi Cadamuro, do blog Cranela, por me apresentar a este livro na Bienal e me deixar morrendo de vontade de lê-lo. Não fosse por ela, provavelmente nem saberia que este livro existe, o que seria uma pena – mesmo com aquele fim meio duvidoso. Mas ok, vamos por partes.

12 de janeiro de 2012, o dia que abalou o mundo. Quatro acidentes aéreos ocorrem em cantos diferentes do mundo, praticamente ao mesmo tempo, matando quase todos os passageiros. Quase. Bobby Small, Jessica Craddock e Hiro Yanagida são, sem contestação, milagres. Nenhum dos especialistas parece entender ou conseguir explicar como essas três crianças sobreviveram aos acidentes e, ainda por cima, totalmente incólumes. Enquanto centenas de pessoas tiveram suas vidas ceifadas pelos supostos acidentes, as três crianças foram encontradas, resgatadas e levadas de volta às suas família, para descrença de todo o mundo, que não entendia como elas teriam sobrevivido às quedas. Mas alguma coisa mudou após o acidente, algo não está muito certo. Os responsáveis pelas crianças começam a notar pequenas alterações no padrão de comportamento e na personalidade, mas tentam se convencer que trata-se apenas de estresse pós-traumático. Só pode ser isso, não há outra explicação racional, há? Enquanto diversas teorias de conspiração começam a pipocar pelo mundo, tentando justificar por que as crianças viveram, as famílias tentam retomar a rotina, evitando o assédio da impressa e dos malucos. Mas no acidente da Sun Air, no Japão, houve outra sobrevivente, que resistiu aos ferimentos apenas tempo o bastante para deixar uma mensagem bem perturbadora em seu celular: Pamela May Donald, a única americana a bordo. A mensagem que ela deixou trará consequências devastadoras não só para as crianças, mas para todo o mundo.

Esse foi o tipo de livro que já me fisgou de primeira. Literalmente. Li os dois primeiros parágrafos e já não queria mais largar o livro – ponto para Sarah, que tem uma narrativa realmente fascinante. Uma coisa que eu simplesmente amei no livro foi a forma que ele foi construído: ele é, na verdade, um livro dentro do livro. Temos um primeiro capítulo, intitulado “Como Começa”, que retrata, sobre o ponto de vista da Pamela, como foi o acidente da Sun Air. Depois disso, temos o início do livro “Quinta-Feira Negra: da Queda à Conspiração“, ‘escrito’ por Elspeth Martins. O livro (dentro do livro) é um dossiê, onde a autora foi reunindo entrevistas, reportagens, artigos, e-mails, conversas de chat, entre outros, para remontar a história da Quinta-Feira Negra – e tudo que se seguiu. Desde o começo já sabemos que algo aconteceu, algo de muito errado, mas é apenas aos poucos, conforme vamos avançando na história, que vamos desvendando (?) o que aconteceu. O livro é dividido em partes, sendo a primeira “A Queda”, entre as partes dois e nove o livro alterna entre “Sobreviventes” e “Conspiração”, e a décima parte é “Fim do Jogo”. A investigação cobre os acontecimentos entre janeiro e julho daquele ano, sendo que cada parte cobre um período da história, em ordem cronológica. Nas partes de “Sobreviventes”, lemos todas as entrevistas e relatos diretamente relacionados aos três sobreviventes e às pessoas que conviviam com eles, e as partes de “Conspiração” cobrem o desenvolvimento das principais teorias de conspiração em volta dos acidentes, em especial a de religiosos fanáticos, pertencentes ao culto do Fim dos Tempos, que acreditam que todos os acontecimentos são uma prova de que o fim do mundo está próximo.

Os personagens “principais” (tomo aqui como base aqueles que aparecem com maior recorrência, como Paul Craddock, Lillian Small, Len Vorhees, Reba Louise Nelson, Chiyoko Kamamoto, etc) são bem desenvolvidos e completamente humanos. Ninguém é completamente “bom” ou “mau”, mas fica evidente que todos têm um pouco de cada, assim como é na vida real. Quanto aos Três, realmente surge essa curiosidade sobre eles: são apenas crianças normais, sofrendo de estresse pós-traumático? São algo a mais? O quê? Preciso confessar que meus trechos preferidos eram do Paul Craddock, pois ver a transformação dele pouco a pouco, além dos comentários sobre a Jess, trouxe para mim alguns dos melhores momentos da leitura. Mas como temos uma rotação muito grande de personagens, e a maioria só aparece uma vez, não é o tipo de livro que você consegue verdadeiramente se apegar a todos os personagens. Gostei de dois ou três, sim, mas a multidão de personagens impedia uma ligação mais profunda.

Agora, meu grande problema com o livro: o fim. Infelizmente houve muita especulação para pouca (ou nenhuma) conclusão. Por muito tempo, enquanto lia o livro, minha principal dúvida era justamente como ela iria encerrar a história. Afinal, os lunáticos dos ovni’s estariam certos? Ou seriam os fanáticos do Fim dos Tempos? Ou nada disso, e a autora apresentaria algo completamente novo? Passei o livro inteiro curiosa, pensando, antecipando, tentando resolver o mistério dos Três – principalmente impulsionada pelo comportamento da Jess, porque sim. Então cheguei ao fim do livro e a autora não apresentou a conclusão dos mistérios apresentados. Sim, alguma coisa ou outra ela amarrou, mas a maioria da história ficou com pontas soltas, no estilo “o leitor tira suas próprias conclusões”. Isso pode funcionar em alguns livros, mas acho que para esse foi um grande (gigantesco!) ponto negativo. Não acho que coube nesse livro esse tipo de encerramento, e acabou desmerecendo toda a experiência da leitura. O livro foi bom, a conclusão deixou a desejar – e muito. Por mais que o trecho final do livro, “Como Termina”, tenha apresentado uma linha de raciocínio, ainda ficou muito vago e ambíguo, do tipo que te faz pensar “mas é sério que acabou assim?”. Então não sei, fico em dúvida. Adorei toda a leitura, achei a composição do livro fantástica, a Sarah tem uma narrativa muito gostosa de acompanhar, que realmente te prende à história, mas o fim foi realmente fraco. É um bom livro, mas poderia ter sido fantástico.

Aproveito também para falar da edição, que aí sim é uma coisa fantástica. A capa tem verniz localizado (eu tenho um sério problema com capas texturizadas ou diferenciadas, me julguem) e toda a lateral do livro é preta. Sim, isso mesmo que você ouviu, é toda preta. Apenas a borda da página é tingida, mantendo a parte interna da folha amarelada, mas já serve para dar um efeito incrível, o que ajuda ainda mais no “clima” do livro. Apesar de ser um livro sem orelhas, a edição é realmente muito bonita.