Confesso que li: O Poder dos Seis [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580571219
Páginas: 320
Título Original: The Power of Six (Lorien Legacies #2)
Série: Os Legados de Lorien (#2)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais. O Número Um foi morto na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Tentaram pegar o Número Quatro, John Smith, em Ohio, e falharam.
Em “O poder dos Seis”, John e a Número Seis se recuperam da grande batalha contra os mogadorianos, de quem ainda fogem para salvar a própria vida. Enquanto isso, a Número Sete está escondida em um convento na Espanha, acompanhando pela Internet notícias sobre John. Ela se pergunta onde estão Cinco e Seis, imaginando se um deles é a garota de cabelo preto e olhos cinzentos de seus sonhos, cujos poderes vão além de tudo o que ela já imaginou, aquela que tem a força necessária para reunir os seis sobreviventes. (Skoob)

Comentei na resenha de “Eu sou o Número Quatro” que havia estranhado um pouco a releitura do livro. Por pouco mais de um ano, eu tive a série “Os Legados de Lorien” entre as minhas favoritas, porém, ao reler o primeiro volume, não foi exatamente como eu me lembrava e isso acabou me deixando com dúvida sobre os outros livros. Mas, agora que acabei de reler “O Poder dos Seis”, posso reafirmar o quanto eu amo essa série e o quanto a recomendo.

O liro começa em um ritmo mais tranquilo que o fim do livro anterior, mas não tão parado quando o começo de “Eu sou o Número Quatro”. Logo no primeiro capítulo somos apresentados a uma nova personagem, Marina, a Número Sete, que possui seu próprio POV (ponto de vista). A narrativa passa a ser dividida entre ela e John, que está em fuga pelos EUA com Sam e Seis, depois de ter explodido sua escola em Paradise, Ohio, e ser considerado um terrorista. Essa mudança na narrativa já deixa “O Poder dos Seis” bem mais dinâmico que seu antecessor, já que, mesmo com a necessidade de alguns capítulos mais explicativos da Marina, para que pudêssemos conhecer seu passado e sua situação, temos os capítulos que desenvolvem a história de John, Sam e Seis, que já estava em andamento desde o livro anterior e por isso flui melhor.

Quanto aos personagens, a Seis e a Marina são um bom alívio para os personagens mais clichês do livro anterior. As duas são reais, cheias de dúvidas e incertezas, forças e fraquezas, e passam longe de qualquer lugar comum. Até mesmo o John, que eu acho um  porre quando está com a Sarah, se revela bem mais natural e menos insuportável quando está na companhia de Seis e Sam. Apesar de ainda estarem presos às descrições do livro anterior, John e Sam começam a se expandir um pouco mais, a fugir da mesmice do “super herói” e do “super nerd”. Após a morte de Henri, John precisa amadurecer, e mesmo isso ainda trazendo certos clichês, já oferece uma profundidade ligeiramente maior ao personagem. Mas a rainha do livro é, sem sombra de dúvidas, Seis, que rouba todas as cenas em que toma parte.

Em síntese, apesar de ter ficado um pouco desgostosa com a releitura de “Eu sou o Número Quatro”, a releitura de “O Poder dos Seis” veio para me confirmar porque amo tanto essa série. A escrita já fica mais fluida e envolvente, os personagens ficam mais interessantes e a trama começa a tomar um rumo mais sedutor, respondendo algumas perguntas do livro anterior e propondo novos questionamentos ao mesmo tempo. Depois de ler esse livro, é impossível não querer continuar a série.

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Confesso que li: Eu sou o Número Quatro [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Páginas: 352
Título Original: I am Number Four (Lorien Legacies #1)
Série: Os Legados de Lorien (#1)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: “Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais. Nosso plano era crescer, treinar, nos tornar mais poderosos e nos unir, para então enfrentá-los. Porém, eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, estamos fugindo.
O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro.
Eu sou o próximo.”

Até onde vai a sede de morte e destruição? Os mogadorianos destruíram todos os recursos de seu planeta e se voltaram para o planeta habitado mais próximo: Lorien. Em um ataque que pegou a todos de surpresa, os assassinos frios de Mogadore destruíram Lorien e dizimaram sua população. Mas, enquanto a batalha ocorria, uma nave – a única que ainda estava inteira – conseguiu escapar de Lorien com 19 passageiros a bordo. Nove crianças, membros da Garde – a força de defesa de Lorien, com poderes e habilidades especiais – seus Cêpans – os mentores das crianças, responsáveis por ajudarem em seu treinamento e desenvolvimento – e o piloto. Depois de uma longa viagem os lorienos chegaram ao planeta Terra, onde se espalharam pelos quatro cantos do globo, aguardando o dia em que seus poderes estariam desenvolvidos, seu treinamento estaria completo e eles estariam prontos para trazer a justiça aos mogadorianos e repovoar Lorien.

Mas os mogadorianos seguiram os lorienos até o planeta Terra e começaram a caçá-los um a um. Um feitiço realizado por um Ancião de Lorien antes de as crianças embarcarem na nave provou-se a única forma de garantir que elas não seriam mortas imediatamente: a cada criança foi dado um número, e elas só poderiam ser mortas naquela ordem. Caso uma criança fosse atacada “fora da ordem”, o dano seria revertido para a pessoa que a atacou. E a única forma desse feitiço ser quebrado seria se os membros da Garde se uniram.

Dez anos se passaram desde que a nave loriena chegou em nosso planeta e os lorienos passaram a se esconder entre os humanos. Enquanto tentava aproveitar um dos raros momento de descontração em seu último endereço (já havia perdido as contas de quantas vezes se mudara nos últimos anos), o Número Quatro sente uma queimação em sua perna e uma cicatriz, sua terceira, surge em seguida. Ele sabe o que isso significa, sabe o que aconteceu e quais serão as consequências. O Número Três está morto. Os mogadorianos virão atrás dele agora. Estará ele pronto? Quando finalmente irá parar de fugir e se esconder?

Li quatro livros desta série no ano passado e fiquei tão fascinada e encantada que a coloquei na minha lista de séries preferidas de todos os tempos. Cada vez que alguém me pedia uma recomendação de série, automaticamente soltava Os Legados de Lorien. O quinto livro foi lançado este mês e, como tenho uma memória realmente muito fraca, resolvi reler a série desde o começo. E, enquanto lia “Eu sou o Número Quatro” só conseguia pensar: foi esse livro mesmo que eu li e me apaixonei?

Veja bem, tão logo comecei a leitura, fui ler algumas críticas e resenhas no Goodreads e acho que isso me fez perceber algumas coisas que não tinham me incomodado tanto em minha primeira leitura. Essa releitura realmente me fez perceber algumas coisas que eu não tinha percebido na primeira vez, ou simplesmente não tinham me chamado tanto a atenção. E, infelizmente, este primeiro volume de Os Legados de Lorien não é tão bom quanto eu me lembrava – pelo menos não completamente.

O início da história tem um ritmo bem lento e tranquilo, a sensação de que temos é que nada acontece. Depois de receber sua terceira cicatriz – parte do encantamento lórico, que indica que um dos lorienos morreu -, Quatro e seu Cêpan Henri preparam-se para mudar de casa mais uma vez. Abandonam o calor da Flórida para se mudarem para Paradise, Ohio, onde Quatro adota seu novo nome, John, que o acompanha por toda a duração da série. Neste início do livro temos toda a apresentação do universo de Os Legados de Lorien, quem são os lorienos, os mogadorianos e como seus caminhos se cruzaram. Descobrimos sobre a missão dos lorienos na Terra, de se fortalecerem e desenvolverem seus Legados – como são chamados os poderes e habilidades que cada um dos membros da Garde desenvolverá – até estarem prontos para derrotar os mogadorianos e trazer a vida de volta a Lorien. E também descobrimos que os mogadorianos não estão na Terra apenas para caçar os sobreviventes, mas também para dominar o planeta. Não destruindo tudo, como fizeram em Lorien, mas possivelmente dizimar a raça humana e estabelecer a Terra como sua nova morada (e não, isso não é spoiler).

Ao mesmo tempo em que é bom descobrir todos esses (e outros elementos), nessa releitura eu realmente senti um pouco mais forte essa sensação de “nada acontece” no começo do livro. John e Henri se mudaram para a pacata cidade de Paradise, e a impressão que me deu é que o início da história acabou assumindo o mesmo tom pacato. Não é do tipo que te faz largar o livro e nunca mais querer pegar na mão, mas ficar ansiando por alguma ação ou emoção, já que a premissa da história parece prometer isso a torto e a direito.

Lá pela metade do livro, por volta do capítulo 18, temos o primeiro boom de adrenalina real (não que nada ocorra antes disso, mas é o primeiro momento em que o livro realmente fica acelerado) e aí vemos onde a série se destaca, e muito: nas cenas de ação. Mesmo nessa segunda leitura, enquanto me encontrava ligeiramente desanimada por me deparar com algo diferente do que eu me recordava, e mesmo sabendo tudo o que aconteceria, não deixei de me contagiar pelos acontecimentos descritos na noite de Ação de Graças. E não se trata apenas do confronto em si, mas de toda a construção e expectativa.

Neste ponto os autores (James Frey e Jobie Hughes, sob o pseudônimo de Pittacus Lore) trabalham muito bem, desenvolvendo cenários que fazem os leitores, ou pelo menos eu, devorar as páginas. O mesmo se repete nas cem últimas páginas da história, quando você não consegue desgrudar os olhos das páginas por um minuto que seja. Por mais que o livro tenha um começo um pouco lento, do começo ao fim você simplesmente não consegue parar de ler. A narrativa é em primeira pessoa e no tempo presente, o que é até fácil de acostumar, principalmente para quem já leu Jogos Vorazes, que também apresenta este formato de narrativa.

Outro ponto que me incomodou foi o desenvolvimento dos personagens – pelo menos alguns deles. Os principais personagens (John, Sarah, Sam, Mark) ficaram um pouco clichês demais, aquela fórmula pronta do herói, garota perfeita, nerd e valentão (na respectiva ordem dos personagens citados acima). Apesar de eu ainda adorar o livro (estava decepcionada no começo, mas cheguei ao fim lembrando porque amo a série), acho que faltou trabalhar um pouco mais os personagens, e não cair no esteriótipo, na solução pronta. Apesar de pequenas mudanças em cada um deles ao longo da história, o que nós encontramos é a definição quase literal do papel que cada um deles assume, sem permitir que suas personalidades sejam mais exploradas.

E outra coisa que não gostei, e isso eu sei que não gostei na primeira vez em que li também, foi o romance entre John e Sarah. Ah, por Lorien, que casal mais chatinho! Sarah é o cúmulo da perfeição, a garota que desistiu de ser líder de torcida e resolveu ser boa e gentil com todo mundo. Ela tira fotos, assa cupcakes e constrói abrigos para animais em seu tempo livre. E tudo isso com uma aparência impecável, aposto que nem o cabelo saí do lugar. E todo o romance desenvolvido com John é daqueles “amor à primeira vista”, com longas trocas de olhares cheios de significado e perfeição a cada segundo. Desculpe, mas eu não compro isso. Gosto de romances, sou uma romântica incurável, mas o romance desenvolvido é tão doce que chega a me dar dor de dente. Acho que não casou com a história e, diferentemente da parte de ação, os autores erraram a mão – e feio – ao desenvolver essa história de amor. Sei que boa parte da trama se deve ao romance dos dois, mas simplesmente ficou superficial, artificial e “perfeitinho” demais. Nenhum relacionamento é perfeito, e o deles só me deixa irritada.

Também me deparei com algumas coisas na história que parecem não fazer muito sentido, mas acredito que durante o desenvolvimentos dos outros livros (bom, do quinto em diante, pelo menos) elas devem ser solucionadas. E, apesar da crítica ainda parecer completamente negativa, continuo gostando do livro. Queria que a personalidade de alguns personagens fossem mais trabalhadas? Sim. John e Sarah juntos me irritam? Demais! Mas ainda lembro da história dos outros livros, dos personagens e acontecimentos que estão por vir, e não posso deixar de gostar da série. Talvez possa me conformar com “um começo não tão bom para uma série envolvente”.

Confesso que li: As Crônicas de Bane [Resenha]

Autora: Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403964
Páginas: 392
Título Original: The Bane Chronicles
Nota: 4,5 Estrelas

Sinopse: Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamada séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

Eu sei, eu sei, já estava devendo essa resenha há alguns dias (oi, Paula ❤ ), mas os últimos dias foram corridos e acabei me enrolando toda. Agora estou de volta e espero conseguir deixar o blog e as visitas em dia, yaay.

“As Crônicas de Bane” é outro livro adicional do universo dos Caçadores de Sombras, que surgiu da coletânea de nove contos revelando o passado do fabuloso feiticeiro Magnus Bane. Os contos foram publicados originalmente em formato digital e, quando todos foram lançados, surgiu esse lindo livro físico, para os amantes de papel, como eu ❤ Os contos abordam diversos momentos do passado de Magnus, desde os mais distantes – como seu testemunho em primeira mão da Revolução Francesa – até o mais recente – seu envolvimento com Alec Lightwood, um Caçador de Sombras do Instituto de Nova York.

Comecei a leitura EMPOLGADÍSSIMA porque, bom, porque sou apaixonada pelo universo dos Caçadores de Sombras e o Magnus é um dos meus personagens preferidos. Mas, logo no primeiro conto: booom! – decepção. Até ri com as primeiras páginas de “O que realmente aconteceu no Peru”, mas fui ficando cada vez mais frustrada conforme avançava na leitura. O que no começo parecia um humor bem dosado acabou virando algo escrachado, quase caricato. Em um ponto passou a me lembrar aquele tipo de comédia pastelão, em que as supostas situações cômicas são levadas ao extremo, e tão forçadas que você passa a se perguntar o que diabos está acontecendo ali. O Magnus mais estava me parecendo o Capitão Jack Sparrow (veja bem, eu adoro o personagem do Johnny Depp, mas ele não tem nada a ver com o Magnus que conhecemos e amamos), o que me fazia olhar toda vez para o nome da Cassandra na autoria do capítulo, em parceria com a Sarah, e me perguntar como ela havia permitido que transformassem o Magnus naquilo. Por um momento realmente fiquei com receio de que o livro todo fosse ser naquele estilo, o que já estava me desanimando da leitura, mas a graça do Anjo não permitiu que fosse assim.

Do segundo conto em diante, felizmente, já passamos a encontrar o mesmo Magnus de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais, assim como o mesmo padrão de escrita dos demais livros da série. Passado o trauma do primeiro conto, podemos realmente apreciar o desenvolvimento da história do feiticeiro, que presenciou não apenas fatos importantes da história mundana, mas também do Submundo e do mundo dos Caçadores de Sombras – como a assinatura dos Acordos e a Ascensão do Ciclo de Valentim Morgenstern, que quase pôs em risco toda a diplomacia entre membros do Submundo e Nephilins.

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É delicioso poder aproveitar ao máximo a personalidade fantástica do Magnus, tendo a história inteira focada nele. Nos outros contos o humor também se faz presente, mas de forma harmoniosa e natural, e não forçado como no primeiro. Também vemos o passado de alguns personagens conhecidos quando estes cruzaram com Magnus, como a vampira Camille Belcourt, o vampiro Rafael Santiago e até Edmundo Herondale, o Caçador de Sombras inglês que abandonou o preto para se casar com uma mundana, criando o lar onde Will e Cecily Herondale nasceram. Também temos a alegria de reencontrar, mesmo que por breves momentos, Will, Tessa e James, alguns dos amados personagens de As Peças Infernais (mesmo com uma pequena participação, meu coração já pulou de alegria por poder ‘vê-los’ mais uma vez *-*). E, como não poderia deixar de ser, temos as passagens fantásticas com Alec Lightwood, que nem vou começar a comentar ou ficarei aqui para sempre ❤

Assim como no Códex dos Caçadores de Sombras, o livro “As Crônicas de Bane” apresenta algumas ilustrações, mas aqui são focadas no começo dos contos. Na página que sucede o título de cada conto, vemos uma ilustração com alguma passagem do mesmo. Eu adorava ficar indo e voltando entre a história e o conto, para poder ver em texto o que já havia visto na gravura. E confesso que estou completamente apaixonada pelas ilustrações deste livro e do Códex, amei a forma com que os personagens foram retratados.

Para um livro da Galera Record, até que não encontrei tantos erros de revisão. Ok, basicamente os únicos livros da Galera que li até então foram do universo dos Caçadores de Sombras, mas infelizmente os erros não eram raros. Talvez seja um problema com a série, não sei. Mas lembro de ter me deparado apenas com dois ou três erros, bem discretos, então relevei. E minha edição do livro é com a fantástica capa holográfica (por um mundo em que eu consiga a capa holográfica para todos os livros da série D:), que combina perfeitamente com o “brilho” do Magnus. No geral, daria facilmente 5 estrelas para o livro, mas não consigo me conformar com aquele primeiro conto, então baixo o mínimo possível. E que venha “The Dark Artificies” *-*

Confesso que li: O Códex dos Caçadores de Sombras [Resenha]

Autora: Cassandra Clare e Joshua Lewis
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403957
Páginas: 288
Título Original: The Shadowhunter’s Codex
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Anjos, demônios, fadas, vampiros, lobisomens, feiticeiros – todos eles existem e precisam ser administrados e mantidos em paz. ‘O Códex dos Caçadores de Sombras’ abrange tudo – a história e as leis do mundo dos Caçadores de Sombras; como identificar, interagir e, se necessário, matar os diferentes tipos de habitantes do Submundo; qual lado da estela você deve usar para escrever. Com estudos sobre geografia, história, magia e zoologia, todos condensados em um só volume, o Códex está aqui para ajudar novos Caçadores de Sombras a navegar pelo lindo, porém muitas vezes brutal mundo que habitamos.

“O Códex dos Caçadores de Sombras” é um livro adicional da série Os Instrumentos Mortais / As Peças Infernais, escrito pela Cassandra Clare em parceria com seu marido, Joshua Lewis. O Códex é um livro que faz parte da história da série, sendo uma espécie de “manual” para os jovens Nephilins, onde eles aprenderão tudo sobre o mundo dos Caçadores de Sombras e do Submundo. O “nosso” exemplar do Códex foi formulado como se fosse uma edição para mundanos que buscam Ascender, ou seja, beber do Cálice Mortal e, com sorte, sobreviver ao processo e se tornar Nephilim. Em uma determinada página do livro (logo no começo, se não me engano), os “autores” do Códex até informam que o livro foi formulado para se parecer com uma publicação mundana, assim o aspirante a Caçador de Sombras poderia andar com seu Códex normalmente entre os mundanos, sem despertar suspeitas (ah, Códex <3).

Escrito no formato de um livro-texto, O Códex apresenta ao leitor assuntos como o surgimento e a história dos Caçadores de Sombras, seu treinamento de combate e armas utilizadas, um bestiário sobre demônios e integrantes do Submundo, informações sobre o Pacto e a Lei, a georgrafia de Idris, entre outros. E o destaque do livro fica para os comentários de alguns dos nossos personagens preferidos – Clary, Simon e Jace -, que fazem anotações por todo o Códex, dando um ar mais “intimista” à leitura. Dessa forma é como se estivéssemos com o exemplar do Códex da Clary em mãos, acompanhando seu aprendizado do universo dos Caçadores de Sombras.

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E, sendo o exemplar do Códex da Clary, outra coisa que não poderia faltar: desenhos. Sejam os desenhos “oficiais”, como as ilustrações ao começo de cada capítulo ou do Bestiário, ou os doodles (rabiscos) nos espaços “livres” das páginas, o Códex é cheio de gravuras. Em algumas você percebe que a ilustração faz parte do Códex, e em outras a ideia é que foram desenhados pela Clary. Ao fim do Códex, inclusive, encontramos desenhos de diversos personagens da série, como Jace, Alec e Magnus, entre alguns outros.

A linguagem, tanto do Códex quanto dos “comentários”, é bem divertida de acompanhar, é o tipo de leitura que flui facilmente. Achei incrível o tanto de informação que a Cassandra e o Joshua conseguiram desenvolver para este manual de Caçadores de Sombras, me deu a impressão de que realmente era um livro real, e não algo escrito às pressas, só para ocupar espaço na estante de alguém. É aquele tipo de leitura que te deixa (ou me deixa, pelo menos) com ainda mais vontade de participar do mundo dos Nephilins, mesmo o Códex mostrando os seus erros no passado – e que não foram poucos.

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A construção do Códex está incrível e eu realmente me apaixonei pelos comentários nas páginas. Eles combinaram perfeitamente com a personalidade dos personagens envolvidos, de forma que fica ainda mais crível a ideia de que é, de fato, o Códex da Clary – ok, Liah, você está sendo repetitiva, todo mundo já entendeu isso. Mas é verdade, os comentários são divertidíssimos, me tiraram boas risadas no ônibus.

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A edição está simplesmente perfeita. As páginas são amareladas e porosas, a fonte segue o mesmo estilo dos demais livros da série e as ilustrações no meio das páginas deixam tudo ainda mais perfeito. A fonte escolhida para a Clary, Simon e Jace é diferenciada, seguindo a linha de que foram escritas com a “caligrafia” de cada um deles, e rapidamente você já assimila qual é a letra de quem e acompanha os comentários. Para quem é fã do universo dos Caçadores de Sombras, é uma aquisição que vale – e MUITO – a pena ❤

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Confesso que li: Princesa Mecânica [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092700
Páginas: 430
Título Original: Clockwork Princess (The Infernal Devices #3)
Série: As Peças Infernais (#3)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: O mistério que liga Tessa Gray ao Magistrado continua indecifrável. Por que Mortmain precisa tanto de Tessa para fechar o quebra-cabeça das Peças Infernais? Além de tudo, enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, ela acaba se envolvendo cada vez mais no mundo dos Caçadores de Sombras e num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para todos que ela ama.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂
Pode conter spoilers dos livros anteriores. Confira as resenhas aqui e aqui

É chegado o casamento de Tessa e Jem, e os noivos se preparam para a cerimônia. Mas, como nem tudo pode ser perfeito, a vida dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres parece cada vez mais complicada. Após a traição de Jessamine Lovelace, Charlotte se sente ainda mais pressionada a demonstrar controle sobre a situação com o Magistrado, já que sua autoridade está sendo questionada. Will tem que lidar com a presença de Cecile, sua irmã, no Instituto – um fantasma do passado que julgara ter deixado para trás, mas que voltou para assombrá-lo. E Tessa lida com a incerteza sobre sua própria natureza e a dúvida sobre a quem pertence seu coração. Mas o Magistrado ainda precisa dela para seus planos e, comprovando que está sempre um passo a frente, consegue colocar Tessa em uma situação onde parece não haver saída. Será ela capaz de condenar sua própria vida para salvar a de outros? E até onde irão Will e Jem para protegê-la?

Depois de devorar o segundo livro de As Peças Infernais, cheguei em “Princesa Mecânica” com o coração praticamente na boca. Apesar de eu realmente achar o vilão um pouco mais “fraco” que os de Os Instrumentos Mortais (não que a trama com o Mortmain seja vazia, mas acho o Valentim e seu sucessor – optei por não falar o nome, vai que alguém ainda não sabe que o fulano é vilão, não vou dar spoiler xD – mais fantásticos), estava completamente fisgada e ansiosa para o desfecho dessa trilogia. Apesar de não querer que o livro terminasse nunca, por estar completamente apaixonada pela história e pelos personagens, não consegui me impedir de voar pelas páginas, aguardando a revelação do mistério envolvendo Tessa e Mortmain, e todo o desenrolar da história. E, mais uma vez, a Cassandra não me decepcionou.

O livro retoma poucas semanas depois da última página de “Príncipe Mecânico”, e apresenta um ritmo envolvente já desde os primeiros capítulos, mas que ganha um passo ainda mais acelerado conforme o fim vai se aproximando. Assim como nos livros anteriores, a Cassandra soube brincar muito bem com as emoções e conflitos dos personagens, criando uma montanha-russa de emoções para o próprio leitor. É difícil não se deixar levar por todos os infortúnios dos Caçadores de Sombras, assim como não se alegrar com a felicidade deles – tanto os altos quanto os baixos foram trabalhados muito bem. E existe um certo momento nesse livro em que é absolutamente IMPOSSÍVEL não se desesperar, chorar, gritar e querer rasgar o livro de tanta frustração – ok, talvez não rasgar o livro, mas a Cassandra realmente te leva até o limite. E isso porque eu já comecei a trilogia sabendo o spoiler envolvendo justamente essa passagem, e ainda assim me desfiz em lágrimas no meio do ônibus, sem nem ao menos me importar com quem estava olhando, porque realmente fiquei com o coração em frangalhos ao ler aquele trecho. Ah, Cassandra, por que brinca assim com meu coração?!

Amei ver o desenvolvimento dos personagens, não só nesse livro, mas em toda a série. Foi fantástico vê-los amadurecendo, ganhando confiança, segurança, aprendendo mais sobre si mesmos e o mundo que os cerca. E não falo apenas sobre os protagonistas, mas praticamente todos os personagens que conhecemos. Comentei na resenha de “Príncipe Mecânico” o quanto eu gostava e me importava com os personagens secundários, e esse sentimento apenas se intensificou no último volume. Torcia a todo momento por Charlotte, Henry, Sophie, Gideon, e mesmo o ranzinza Gabriel e a recém chegada Cecily Herondale. Realmente me afeiçoei a todos estes personagens e muitos outros, e gostava de ler as tramas paralelas tanto quanto a principal, salvas as devidas proporções.

E disse e continuo dizendo: esse é o MELHOR triângulo amoroso que já vi na minha vida! Não tem um que possa se amar mais ou menos, mas os três estão tão intrinsecamente conectados que se tornaram basicamente um. E, tirar qualquer um dessa equação, seria o mesmo que tirar um pedaço do coração daqueles que ficaram. Porque, e cabe aqui lembrar, Will e Jem são parabatais e também são unidos por um elo especial. Eu confesso que já estou farta de triângulos amorosos, da fórmula básica e genérica, dos dramas da mocinha que fica cheia de dedos, sem saber qual dos dois escolher – já deu, né? E justamente por isso eu amo o triângulo presente em As Peças Infernais, pois ele escapa de todas essas chatices presentes em triângulos amorosos e cria uma fórmula que, acredito, não funcionará em nenhum outro lugar.

três

E, depois nos levar por um tsunami de emoções, ação e suspense, a Cassandra nos entrega um fim absolutamente fantástico, capaz de agradar o mais amargo dos corações. Dentre os elementos apresentados, o fim foi simplesmente perfeito, não poderia pedir por nada mais ou nada menos. Ela acertou e muito a mão, consagrando As Peças Infernais como uma das minhas trilogias preferidas.

Quanto à edição, continuo amando a capa e encontrei pouquíssimos erros de revisão, que eram mais constantes em Os Instrumentos Mortais, mas admito que acho que a Galera deslizou um pouquinho em alguns elementos da tradução. Lembro de dois casos específicos: o do gato Coroinha e dos livros de magia. Nos dois primeiros livros desta trilogia, somos apresentados a um gato ranzinza que foi resgatado pro Jem, e que só suportava o rapaz e mais ninguém. Mas é só quando chegamos ao terceiro livro, e quando a Galera Record resolve mudar a tradução do nome, que descobrimos que o assim chamado Coroinha é, na verdade, Church, o gato ranzinza que mora no Instituto de Nova York em TMI. Assim como os livros Gray e White, que são traduzidos como “Livro Cinza” e “Livro Branco”. Ok, sei que pode parecer besteira, mas, se tratando de uma série (não só as séries isoladas, mas a série de Caçadores de Sombras como um todo), acho importante manter certo padrão na tradução, para que aqueles que acompanham possam fazer a ligação entre os elementos.

E por último, mas não menos importante, uma dica que dou a vocês que ainda não leram este último livro: no começo de “Princesa Mecânica”, antes de mais nada, há uma árvore genealógica das famílias Herondale, Carstairse Lightwood. NÃO OLHE a árvore genealógica antes de terminar o livro. Acho que esse foi outro grande erro da editora, pois o leitor já se depara com um MEGA spoiler antes mesmo de começar a leitura. Então não vá todo alegre e inocente ver o que é aquela página, assim como eu, pois você pode bater o olho justamente na informação errada, assim como eu. Mas ainda assim vale a pena a leitura ❤ ❤

Confesso que li: Príncipe Mecânico [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092694
Páginas: 406
Título Original: Clockwork Prince (The Infernal Devices #2)
Série: As Peças Infernais (#2)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂
Pode conter spoilers do livro anterior. Confira a resenha de “Anjo Mecânico” aqui

 

O mundo de Tessa está de ponta cabeça. Nate, seu irmão, traiu sua confiança e de todos os Caçadores de Sombras, revelando-se um aliado de Mortmain em sua luta contra os Nephilim. Sem saber quem é ou qual seu lugar no mundo, Tessa sente-se completamente perdida, e seu último encontro com Mortmain a deixou ainda mais confusa. A pressão para que os Caçadores de Sombras encontrem e detenham o Magistrado fica ainda mais intensa quando um suposto aliado decide se posicionar contra Charlotte. Benedict Lightwood, membro do Conclave de Londres, está determinado a comprovar que Charlotte não está apta a exercer o cargo de líder do Instituto, e espera que consiga essa posição para si. Em uma medida provisória, o Cônsul Wayland decide que os membros do Instituto de Londres deverão encontrar e capturar Mortmain por conta própria, sem a ajuda direta dos demais membros da Clave, para comprovarem que estão no controle da situação – e, pior, eles só terão duas semanas para fazer isso.

Com o tempo correndo e os inimigos se aproximando, os moradores do Instituto começam a buscar em todas as fontes e vasculhar todas as informações possível, tentando encontrar qualquer dica que os leve ao paradeiro do Magistrado, enquanto lutam com seus próprios demônios interiores. Tessa, Will e James vão ao distante condado de Yorkshire, em busca do passado de Mortmain, mas acabam se deparando com uma parte do passado de Will que ele julgava ter deixado para trás. E, ao mesmo tempo em que o rapaz tenta derrubar as amarras que o prendem, Tessa vai se afeiçoando cada vez mais e mais ao gentil Jem, que tem se mostrado digno de seu afeto e respeito. Em meio a traições, tristezas e lutas, será que Tessa será capaz de se encontrar, ou irá apenas se perder de vez?

Li o primeiro livro da trilogia e gostei, mas não sabia se seria o bastante para já me fazer gostar mais da trilogia que da série. Foi quando comecei o segundo livro que fui arrebatada de vez, meu coração foi completamente conquistado. Nem havia chegado ao fim do livro e já considerava uma das minhas leituras preferidas em todo o ano, e já cogitava considerá-lo entre meus livros preferidos de todos os tempos. A escrita da Cassandra continua fenomenal enquanto ela tece uma rede de conspirações, traições, amores e dissabores. Me encontrei devorando as páginas enquanto tentava descobrir mais sobre o passado de Will, a natureza de Tessa e a história de Jem.

A trama dos personagens secundários também me deixou completamente fisgada. Neste livros temos uma exploração ainda maior dos outros moradores do Instituto, assim como dos filhos de Benedict Lightwood, Gideon e Gabriel. E esse é outro ponto que me conquistou no livro: me importava tanto com os personagens principais quanto com os secundários, queria acompanhar suas tramas paralelas à história do trio principal. Fui me afeiçoando cada vez mais à Charlotte e ao Henry, à Sophie e ao Gideon, mesmo sendo um novato na história, e até a Jessamine tocou uma partezinha do meu coração. Apesar de não me importar nem um pouco com o Magistrado (neste caso o Valentim é um vilão muito melhor), queria saber mais sobre seu plano de destruição dos Nephilim.

Mas, mais do que tudo, eu queria saber sobre Will, Tessa e Jem. A Cassandra aprendeu como realmente construir um triângulo amoroso, oferecendo algo mais concreto e apaixonante que o falho “Jace, Clary e Simon”, de Os Instrumentos Mortais, já que era possível saber desde o começo quem ela escolheria. Com o romance de As Peças Infernais, você fica a todo momento se perguntando o que acontecerá no fim. Pois, conforme ela vai conhecendo os dois, e se afeiçoando aos dois, você não consegue imaginar como aquilo poderia acabar sem um (ou mais) coração completamente destruído, e a mera ideia já te parte o coração. Eu particularmente AMEI este livro, pois encontrei algumas das melhores passagens com o James em toda a trilogia. E que os fãs do Will me perdoem, mas o James é infinitamente perfeito. Por mais que a história seja absolutamente fantástica, repleta de reviravoltas de tirar o ar e revelações de deixar o cabelo em pé, foi o romance o que mais me conquistou ❤

E uma coisa que esqueci de comentar na resenha anterior é a construção dos capítulos. A cada novo capítulo é apresentado um trecho de um poema ou livro, de autores que seriam conhecidos por Tessa na época da história. Achei fantástico como os trechos conseguiam traduzir ou sintetizar praticamente todas as emoções e sensações que ocorriam na história, e aplaudo o trabalho de pesquisa da autora.

Terminei o segundo livro e já emendei o terceiro logo em seguida, pois não conseguia aguentar a curiosidade para saber como a história terminaria, mesmo não querendo que ela terminasse nunca, de tanto que gostei. Sei que posso soar repetitiva, mas a Cassandra Clare fez um trabalho excelente com esta trilogia ❤

Confesso que li: Anjo Mecânico [Resenha]

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501092687
Páginas: 392
Título Original: Clockwork Angel (The Infernal Devices #1)
Série: As Peças Infernais (#1)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.

Dica: Leia a trilogia completa antes de ler “Cidade do Fogo Celestial”, pois as histórias se cruzam e você vai encontrar alguns spoilers da trilogia no último volume da série 🙂

Tessa Gray era uma garota comum, de 16 anos, que vivia em Nova York com sua tia Harriet, que criara a menina e seu irmão, Nate, depois da morte de seus pais. Mas, depois de ser acometida de uma súbita doença, a tia Harriet morre, deixando Tessa sozinha no mundo. O irmão, que havia se mudado para a Inglaterra um mês antes, a convida para ir morar com ele, e logo Tessa se vê abandonando toda a vida que conhecia e embarcando em um transatlântico.Ao chegar no Velho Mundo, a garota é recebida pelas Irmãs Sombrias, que dizem estar ali a pedido de seu irmão. Ingênua e sem desconfiar de nada, Tessa entra na carruagem das Irmãs, sem saber que estava rumando para seu próprio cativeiro.

A verdade é que Tessa não é uma garota tão comum assim, e ao longo das semanas seguintes as Irmãs Sombrias a ajudam a descobrir e dominar o seu dom: Tessa consegue se Transformar em outras pessoas, bastando segurar um item que pertence ou pertenceu a ela, e que ainda tenha sua essência dentro. Com a Transformação, Tessa também acessa as memórias e pensamentos da pessoa, e não só sua aparência física. Depois de uma Transformação particularmente complexa, as Irmãs finalmente revelam seu objetivo: Tessa está sendo treinada para que seja entregue ao Magistrado, um homem poderoso e misterioso, e que seria seu futuro esposo.

Tessa, que já queria fugir há um bom tempo (e só não o fazia porque as Irmãs diziam que Nate era seu prisineiro), não aguenta mais e tenta escapar da casa em que está sendo mantida prisioneira, mas é capturada novamente e amarrada em sua cama. Ela descobre que o Magistrado iria para a Casa Sombria naquela mesma noite, para se casar com ela, e que o trabalho das Irmãs finalmente estava finalizado. Quando está tentando escapar, Tessa é encontrada por William Herondale, um jovem Nephilim que vinha investigando, junto aos demais membros do Instituto de Londres, as atividades do Clube Pandemônio, do qual as Irmãs Sombrias faziam parte.

Will consegue resgatar Tessa e a leva ao Instituto, onde ela conhece seus diretores, Charlotte e Henry Branwell, além de James Carstairs e Jessamine Lovelace, outros Caçadores de Sombras que vivem lá, e Thomas, Sophia e Agatha, mundanos com a Visão, que trabalham no Instituto. E é lá, no coração do Enclave, que Tessa aprenderá mais sobre o universo dos Caçadores de Sombras e membros do Submundo, começará a buscar a verdade sobre sua própria condição e tentará, com a ajuda dos Nephilim, encontrar seu irmão e impedir os planos do Magistrado.

Antes de mais nada, preciso dizer: Cassandra Clare não para de me surpreender. Eu sou apaixonada por Os Instrumentos Mortais, e já há algum tempo queria ler As Peças Infernais. Já tinha visto algumas pessoas comentando que a trilogia conseguia ser ainda melhor que a série original, mas ficava com um pé atrás, já que não imaginava como uma história do mesmo universo poderia superar a outra. Comecei a ler “Anjo Mecânico” deixando essa questão de “melhor x pior” de lado, focando apenas na história, e me surpreendi. O universo dos Caçadores de Sombra, que já tinha sido tão ricamente explorado em Os Instrumentos Mortais, ganha novos ares nesse relato que se passa na Londres Vitoriana. Muitas coisas que conhecemos ou estamos acostumados em TMI (“The Mortal Instruments”) ainda não estão presentes no universo destes Caçadores, que lidam de forma mais direta com os problemas da Caça às sombras. As relações com os membros do Submundo também são bem mais complicadas e não tão amistosas – a primeira versão dos Acordos foi assinada apenas alguns anos antes, e os ânimos ainda estão um pouco exaltados e o preconceito se faz muito presente.

Mas o diferencial do livro não está apenas nos novos (ou ainda inexistentes?) elementos, mas na própria escrita da Cassandra. Sim, eu sei que não acreditei quando me disseram isso, mas a escrita dela realmente já está melhor em As Peças Infernais. A construção dos acontecimentos, das frases, dos diálogos e até mesmo da história como um todo já está em um nível mais elevado. A história parece estar mais “amarrada” e mais bem trabalhada, pelo menos para um primeiro volume.

Outro ponto a ser destacado são os personagens. A Cassandra tem uma habilidade incrível de desenvolver personagens profundos, complexos e cativantes. Digam o que disserem sobre “repetição de histórias e personagens”, eu achei os personagens de As Peças Infernais bem originais e diferentes dos presentes em Os Instrumentos Mortais. A protagonista, Tessa, é forte e decidida, não aceitando um não como resposta, e não aceitando que tentem dizer o que ela deve ou precisa fazer (até então, até que é parecida com a Clary). Mas, diferentemente da ruivinha, Tessa tem uma dificuldade inicial em entender e aceitar o mundo das Sombras, principalmente em aceitar que faz parte dele.

Os outros personagens também são incríveis e rapidamente me vi apegada a praticamente todos eles. Até à mesquinha e rabugenta Jessamine Lovelace, que quer tudo, menos ser uma Nephilim. No começo foi difícil gostar de Will, mas quando começamos a descobrir que há uma motivação por trás de suas ações e relações com as outras pessoas, fica difícil julgar e fácil especular o que se passa por trás dos muros. E o James, aaah, James ❤ Como pode existir um personagem tão PERFEITO?! Ele é paciente, amoroso, não guarda rancor, é um perfeito cavalheiro e o único que sabe como lidar com seu parabatai, Will. Ele é perfeito de um jeito que me faltam palavras para explicar – simplesmente é. E todo o conjunto dos habitantes do Instituto funciona como uma máquina estranha, mas que vai fazendo mais sentido conforme você vai descobrindo mais sobre eles.

Em resumo, é fácil devorar o livro. A escrita envolvente, os personagens cativantes e o mistério do Magistrado, que te deixa cada vez mais intrigado, faz com que o livro se torne um vício. É impossível largar ou interromper a leitura, ainda mais para aqueles que já são fãs do universo da Cassandra Clare. Mas mesmo para aqueles que ainda não leram Os Instrumentos Mortais, é possível ler e se apaixonar perdidamente por Anjo Mecânico. Ah, que livro lindo ❤

E, falando em lindo, cabe mencionar a capa. Sou apaixonada pelas capas dos livros da Cassandra, mas as de As Peças Infernais são absolutamente sensacionais. Perdi as contas de quantas vezes interrompia a leitura para ficar admirando a capa. Somando o conteúdo do livro, só tenho uma palavra para definir: perfeição.

Confesso que li: Wild Cards – Ases nas Alturas [Resenha]

Autor: Vários autores. Editado por George R. R. Martin
Editora: LeYa
ISBN: 9788580448764
Páginas: 400
Título Original: Ases High (Wild Cards #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Depois do vírus alienígena, um ataque vindo do espaço. Estamos no início dos anos 1980, há mais de trinta anos a humanidade convive com os atingidos pelo xenovírus Takis-A, mas a integração ainda caminha a passos lentos. Os abençoados pelo vírus, os ases, combatem os perigos da Nova York que nunca dorme. Os amaldiçoados, com suas deformidades causadas pelo vírus, lutam pela sobrevivência no Bairro dos Curingas. E, no céu, uma ameaça espreita a humanidade, aguardando a oportunidade certa para lançar seu ataque. Um ser extraterreno chamado o Enxame ruma para a Terra, ao mesmo tempo em que alguns ases planejam uma conspiração para controlar o mundo. Entre jogos de aparências, teletransportes e irmandades envoltas em mistério, forças de ases e “limpos”, seres humanos não infectados pelo vírus, se unem para combater o monstro alienígena e a terrível Ordem que se esconde no Mosteiro de Nova York. Este segundo volume da série Wild Cards conta com a participação de novos gênios da fantasia e do próprio organizador, George R. R. Martin, autor do best-seller Crônicas de Gelo e Fogo. As cartas da humanidade estão na mesa!

Algumas semanas atrás postei aqui no blog a resenha sobre Wild Cards – O Começo de Tudo, livro editado pelo genial George R. R. Martin. Admiti que o nome gigantesco do autor foi um dos motivos que me fez comprar o livro, mas que o cenário também me interessou muito: nosso universo, vírus alienígena, pessoas com poderes especiais ou deformidades físicas. Como não se apaixonar? (rs). E nisso aproveitei e já comprei, de uma patada só, os dois primeiros livros – estavam em promoção e eu quis aproveitar. Li o primeiro e realmente gostei, mas esperava um pouco mais e algumas pequenas falhas me deixaram um pouco desanimada. Com isso acabei dando um intervalo entre o primeiro e o segundo, lendo outros livros mais levinhos no meio tempo, até que resolvi parar de adiar o inevitável e me entreguei às linhas de “Ases nas Alturas”, o segundo volume da série.

Diferentemente do primeiro livro, que tinha um certo ar de “colcha de retalhos”, “Ases nas Alturas” tem uma história bem mais coesa e linear, o que dá a alguns a impressão de que é o começo da série de fato. Enquanto o primeiro livro se ocupou (de forma muito agradável, diga-se de passagem) de apresentar o universo construído, pintando em seus retalhos a transformação da Terra após a queda do xenovírus Takis-A, a continuação nos dá o primeiro gostinho de “história” com base nesse cenário apresentado em “O Começo de Tudo”. O livro retoma a história na década de 80, e aqui já há uma boa diferença: há uma trama única que permeia todas as histórias e acontecimentos, que leva o livro em um mesmo rumo e um mesmo sentido. Esse elo de ligação, que parecia ausente no primeiro livro, diminuiu um pouco aquela sensação de histórias “soltas” e “independentes”, e serviu para dar certo aspecto de “unidade” para os capítulos. A incógnita do TIAMAT, apresentado por Fortunato no livro anterior, volta para permear as 400 páginas deste volume com um mistério que te deixa do começo ao fim mordendo as unhas de ansiedade para chegar ao bendito desfecho.

O número de personagens diminui um pouco, assim como o enfoque neles. A história, que no volume anterior era contada principalmente a partir dos personagens, ases e coringas, e da sua visão do novo mundo, agora realmente fica focada nos acontecimentos que se conectam em todas as histórias. Uma grande ameaça alienígena, a Mãe do Enxame, focou sua atenção na Terra, e as expectativas dos que a conhecem são as piores possíveis: a Mãe é implacável e insaciável, não desistindo até dizimar completamente o planeta que escolhe como alvo. Mas a única ameaça não vem de fora e, ao mesmo tempo, uma sociedade secreta desenvolve seu plano de “domínio mundial”, se espalhando por todas as áreas da sociedade e estendendo seu poder até onde é possível. Parece um pouco clichê, sim, mas na prática funciona muito bem. Os “interlúdios” do livro anterior são substituídos por capítulos com o alienígena Jube, o Morsa, que faz a ligação entre períodos e acontecimentos distintos da história, conduzindo a trama e situando o leitor em tudo que acontece.

Senti uma pequena diferença do primeiro livro para o segundo. Não sei se pode ser chamado de “queda de qualidade”, mas estava esperando um pouco mais. O cenário criado e apresentado no primeiro livro era tão rico e promissor que fiquei um pouco decepcionada com o segundo volume, achei que em algumas vezes se tornou cansativo ou confuso. Não me entendam mal, a leitura realmente vale a pena, alguns dos escritores são fantásticos e criam capítulos que você deseja que não acabem nunca, mas esperava algo mais. Melhor. O começo é muito bom e o desfecho é digno, mas o livro acabou me perdendo algumas vezes no meio. Não adorei, mas também não me fez querer desistir da série, e espero para ver o que o terceiro livro nos trará 😀

Confesso que li: Wild Cards – O Começo de Tudo [Resenha]

Autor: Vários autores. Editado por George R. R. Martin
Editora: LeYa
ISBN: 9788580445107
Páginas: 480
Título Original: Wild Cards (Wild Cards #1)
Nota: 4 estrelas

Sinopse: Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Terra é salva por pouco de um meteoro alienígena. Porém, o vírus que a bomba espacial carrega cai em Nova York e, gradativamente, espalha-se pelo mundo, contaminando parte da população e dotando parte dos sobreviventes com poderes especiais. Alguns foram chamados de ases, pois receberam habilidades mentais e físicas, alguns foram amaldiçoados com alguma deficiência bizarra e, por isso, batizados de coringas. Parte desses seres, agora especiais, usava seus poderes a serviço da humanidade, enquanto outros despertaram o pior que havia dentro de si. Série criada pelo genial George R. R. Martin a partir do jogo de RPG GURPS Supers, que desenvolveu para se distrair com seus amigos. O primeiro volume conta a história dos principais personagens que povoarão as páginas desta série de 22 títulos (editada e também escrita pelo autor de As crônicas de Gelo e Fogo).

Se você foi atraído para esse livro pelo nome “GEORGE R R MARTIN” escrito em letras garrafais na capa – inclusive maior que o título do livro – não se deixe enganar. O renomado autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” faz sim parte da obra, mas não é o único autor presente. Mas, nem por isso, o livro deve ser descartado.

Preciso confessar que o nome gigantesco do tio Martin na capa foi o que me atraiu inicialmente ao livro, mas não foi o único motivo que me fez comprar. Li por cima a sinopse e fiquei bem instigada. A ideia de um vírus extraterrestre caindo na Terra (a NOSSA Terra, em um período mais próximo da nossa realidade do que as distopias que dominam minha estante) e alterando a história foi o bastante para me deixar curiosa. Tenho poucos livros que abordam essa temática “alienígena” e gostei do enfoque que deram para essa obra. Então aproveitei e comprei logo os dois primeiros livros de uma só vez. E, até então, não me arrependi.

A história é trabalhada em “contos”, no estilo de romance mosaico, e cada conto é de um autor diferente, abordando um ou outro personagem. No começo achei isso estranho, senti falta daquela “linearidade” da história, de acompanhar um mesmo personagem (ou um grupo de personagens, como no caso dos diversos “POVs” presentes em As Crônicas de Gelo e Fogo) por todo o livro, saber o que acontecia com eles ao longo do tempo, etc. Assim que eu começava a me empolgar com uma história e me importar com um personagem, o conto chegava ao fim e eu era apresentada a outro conto, onde todo o processo recomeçava. Estranho no começo, mas instigante quando peguei o ritmo. Pode ser diferente, sim, mas também acabou sendo interessante ver como cada personagem lidava com as mudanças e consequências causadas pela disseminação do vírus carta selvagem, ao longo dos anos.

O primeiro livro, “O começo de tudo”, trata dos primeiros quarenta anos desde o dia da “Carta Selvagem” e quais suas consequências e desdobramentos na história da humanidade. Algumas pessoas criticaram a falta de um ponto comum na história, como uma trama maior que envolve todos os contos, mas na minha visão, foi o melhor jeito de apresentar todo o mundo e nos situar no cenário. Todo um novo mundo é construído e preparado, e simplesmente lançar a ideia do vírus que deformou alguns e dotou outros de habilidades especiais, e então partir para “E mais uma vez o dia foi salvo graças às Meninas Superpoderosas” não faria sentido. Para que pudêssemos entender todo o contexto histórico e social que se desenrolou naquele universo, acredito que se fez necessário a construção da história da forma que ocorreu.

Infelizmente, por ser uma “colcha de retalhos” de diversos autores, achei que o livro não manteve o mesmo “padrão” de qualidade do começo ao fim. Alguns contos foram fenomenais e fizeram com que eu me apaixonasse pelos personagens e realmente me importasse com seus destinos. Já outros foram um pouco confusos ou desconexos, como se não casassem bem com o resto da história. Lembro um conto que tive que reler uma página inteira, pois o autor não deixou muito bem demarcada a troca de personagens (e a diagramação, que fez com que a única “separação” entre os dois fosse o fim da página mesmo, também não ajudou muito) e comecei a ler pensando que fosse o personagem da página anterior, só para depois de muita confusão descobrir que era outro. Alguns contos também eram muito emocionante e envolventes, apenas para te jogar em um conto mais lento e apático logo em seguida, o que lança o leitor em uma montanha-russa de emoções – e não do tipo que gostamos. São casos pontuais, mas que acabaram decaindo um pouco a experiência geral do livro. Só que, mesmo assim, alguns capítulos foram TÃO BONS e o jeito que a história foi construída me conquistou tanto, que se não fossem por esses pequenos deslizes, eu teria dado cinco estrelas fácil.

Demorei um pouco para conseguir avançar na história, mais por uma dificuldade em achar tempo do que por falta de interesse, e quando acabou eu só conseguia pensar que queria mais, queria saber o que mais estava programado para aquele universo que conseguiu me seduzir. Também fiquei feliz ao perceber que o fim do conto não necessariamente significava o fim do personagem, e que algumas figurinhas carimbadas continuariam a aparecer em contos futuros, mesmo que de outros autores (Croooooooooyd <3). No geral foi uma experiência muito boa, “danificada” apenas por alguns pequenos contratempos, mas que, por ser o primeiro livro do que promete ser uma loooonga série, teve seus descontos. Com certeza esperarei bem mais do segundo volume 😀