[Review] A Série Divergente: Insurgente

Olá, pessoas da Terra!

Apesar de nunca ter mencionado aqui no blog (pelo menos acho que não), eu sou uma mega fã da trilogia Divergente. Mesmo com o fim de Convergente, que não foi bem o que eu esperava, simplesmente não consigo não amar essa trilogia, fui conquistada por toda a história, personagens e escrita. Sendo assim, eu não poderia deixar de assistir aos filmes, mesmo sabendo que muito provavelmente iria me decepcionar com cada um deles. Não tive tempo para escrever a review de Divergente quando o filme saiu no cinema, mas aproveito agora para deixar minhas impressões de Insurgente.

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Sinopse: Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) agora são fugitivos e procurados por Jeanine Matthews (Kate Winslet), líder da Erudição. Em busca de respostas e assombrados por prévias escolhas, o casal enfrentará inimagináveis desafios enquanto tentam descobrir a verdade sobre o mundo em que vivem.

O filme retoma a história logo do fim de Divergente, quando Tris, Quatro, Caleb, Marcus e Peter buscam abrigo na sede da Amizade, depois de fugir do ataque à Abnegação. Apesar de não estarem tão satisfeitos com a situação, Tris e Quatro decidem continuar por lá até se reorganizarem e descobrirem onde estão os demais membros da Audácia, para então irem à procura deles. Mas tudo isso muda quando soldados da Audácia, aliados à Jeanine Matthews, chegam nas terras da Amizade em busca de Divergentes, e Tris, Tobias (Quatro) e Caleb precisam fugir para não serem capturados. A busca de Jeanine por Divergentes continua, pois, após encontrar uma caixa misteriosa em uma das casas da Abnegação, supostamente pertencente aos fundadores da cidade, ela sabe que apenas um Divergente poderá abri-la e revelar a sua mensagem.

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Já há algum tempo eu aprendi uma valiosa lição: não devo esperar que as adaptações cinematográficas sejam 100% fiéis aos livros, isso é impossível, e é mais fácil encarar os dois como coisas completamente diferentes e não relacionadas, assim não acabo me decepcionando. Tendo isso em mente, fui ao cinema preparada para deixar minhas impressões do livro de lado e tentar aproveitar o filme. Não digo que fui completamente eficaz nessa tarefa, pois durante a maior parte do filme eu ficava pensando “tá errado, tá tudo errado“, mas tentei focar o filme e avaliar como ele, por conta própria, se saiu. Apesar de não achar que foi um filme ótimo, perfeito, incrível, merecedor do Oscar, do troféu Joinha e de todas as estatuetas possíveis e imagináveis, arrisco dizer que foi um bom filme, que dá para se divertir assistindo.

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Com o desenrolar da história e dos acontecimentos, Insurgente já conta com uma trama mais elaborada e envolvente que seu antecessor, e o ritmo do filme já é mais frenético e agitado. O cenário de “guerra civil” que foi se armando em Divergente atingiu novas proporções com a lei marcial instaurada pelo Conselho, a pedido da Jeanine, e a “descoberta” do exército dos sem-facção, e o expectador só consegue antecipar o momento em que a bomba vai explodir – pelo menos foi assim que meu amigo, que ainda não leu o livro, ficou ao meu lado. Também é visível que o investimento financeiro nessa sequência foi bem maior, como podemos perceber pelo nível de elementos como efeitos especiais, figurino e locações, que já estão bem melhores que no filme anterior.

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Levando em consideração os acontecimentos descritos no livro, achei que o desenvolvimento dos personagens nesse filme deixou a desejar, e muito. No livro, vemos Tris lutando seriamente contra seus demônios internos, estando completamente traumatizada após os acontecimentos em Divergente, e vemos como tudo isso vai destruindo-a pouco a pouco, levando a tomar decisões com consequências perigosas para ela e aqueles que ama. No filme, apesar de tentarem retratar tudo isso, acho que ficou muito superficial e comedido, não chegando nem perto do estado em que a personagem deveria estar. Também não houve nenhum desenvolvimento do Tobias, foi muito pouco explorado o seu relacionamento com seu pai e sua mãe, e como isso o fez tomar decisões e mesmo se afastar de Tris em alguns momentos. Diversos outros personagens secundários também tiveram suas ações, motivações e dramas pessoais negligenciados, deixando a história superficial e unilateral. Nesse aspecto, acho que o filme ficou bem longe do que seria aceitável, o que é uma pena.

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Mas, mesmo com a minha promessa de não julgar só de acordo com o livro, não posso deixar a obra em que o filme se baseou completamente de lado. Apesar de ser um bom filme, Insurgente deixa a desejar em alguns aspectos de fidelidade do livro. Não vou ser do tipo de pessoa que reclama da cor do olho do personagem, ou do corte de cabelo, pois acho que isso é o de menos na história, mas fiquei incomodada com alguns elementos do livro que ficaram faltando no filme, ou algumas coisas que foram criadas para o filme que não faziam sentido algum de acordo com o cenário proposto no livro. Um exemplo é o aparelho criado pela Erudição, que faz uma leitura da pessoa (?) e consegue determinar a qual facção ela pertence, ou se ela é Divergente. Em um cenário pós-apocalíptico, onde os recursos devem ser poupados e priorizados para a reconstrução da cidade, que ainda está em andamento, como é que eles teriam recursos ou meios para a criação em massa de um aparelho como esses? Assim como toda a história da caixa, que contém uma mensagem dos fundadores e só pode ser aberta por um Divergente muito, muito especial. A resposta para esse problema, também, não fez sentido algum, levando em consideração a própria história criada para o filme anterior – é entrar em contradição com o que eles próprios disseram… E uma mudança em específico, bem no fim do filme, me deixou bem confusa sobre como conduzirão o filme seguinte, o que não achei uma boa ideia. Acho que ficou muito aberto, não mostraram um elemento muito importante na caracterização do cenário social para a última parte da história, e não sei como os roteiristas farão para corrigir isso no próximo filme – é esperar para ver.

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Uriah, finalmente *——*

No fim das contas, posso concluir que achei que Insurgente foi um bom filme, apesar de não ser uma adaptação tão boa. Para quem ainda não leu os livros e não tem uma expectativa alta, é mais do que possível se envolver e adorar a história, e talvez, até, se interessar o bastante para ir atrás dos livros – o que, de um jeito ou de outro, acaba sendo um ótimo resultado. Para quem leu e adorou os livros, é mais uma oportunidade para ir ao cinema e ficar reclamando a todo instante que está tudo errado, e acusar os roteiristas de não terem lido o livro e terem destruído a história… Mas, ainda assim, é parada obrigatória para todo fã, que sabe como, apesar de reclamarmos, amamos ir ao cinema para ver a adaptação dos nossos filmes preferidos ❤

Título Original: Divergent Series: Insurgent
Direção: Robert Schwentke
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Miles Teller, Ansel Elgort, Kate Winslet, Jai Courtney, Zoë Kravitz, Octavia Spencer
Duração: 119 minutos
Ano de lançamento: 2015

Confesso que li: A Cura Mortal [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576833888
Páginas: 368
Título Original: The Scorch Trials (Maze Runner #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Por trás de uma possibilidade de cura para o Fulgor, Thomas irá descobrir um plano maior, elaborado pelo CRUEL, que poderá trazer consequências desastrosas para a humanidade. Ele decide, então, entregar-se ao Experimento final. A organização garante que não há mais nada para esconder. Mas será possível acreditar no CRUEL? Talvez a verdade seja ainda mais terrível… uma solução mortal, sem retorno.

Pode conter spoilers dos livros anteriores. Confira as resenhas aqui e aqui

Ainda não consigo definir minha relação com o último livro da trilogia “Maze Runner”. Em alguns momentos, gosto. Em outros, acho que ficou abaixo da expectativa. Pensei muito essa semana, pesando os prós e contras na balança, e acho que cheguei a um meio termo.

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Depois de passarem por todos os tormentos do Deserto, os sobreviventes do Grupo A e do Grupo B são levados à sede do CRUEL, com a promessa de que todos os testes e Variáveis finalmente chegaram a um fim. Mas Thomas é separado desse grupo ainda no BERG que os resgata do Deserto, e levado a uma cela isolada, onde passa incontáveis dias, lutando para se manter são. A raiva borbulha dentro dele, onde tudo o que ele mais quer é destruir o CRUEL e todos que tiveram alguma coisa a ver com a instituição. Depois de muitos dias, Thomas é reunido aos demais sobreviventes dos Labirintos, que acreditavam que ele estava morto, e todos recebem uma visita do Homem Rato, com a grande revelação: os dois grupos realmente estão infectados pelo Fulgor, mas a maior parte deles é Imune ao vírus. Imune ao que está destruindo todo o mundo. E aí que está a esperança da Cura pela parte do CRUEL. A organização oferece a eles a oportunidade de recuperarem suas memórias, com a parte final dos esforços necessários para obter o Esboço da Cura. Mas nem todos estão satisfeitos com isso, e as suspeitas não param se surgir. Será o caminho certo a seguir?

Como nos dois volumes anteriores, a escrita do James Dashner continua muito envolvente e com um ritmo rápido, fazendo com que o leitor praticamente devore os capítulos. O autor tem um jeito fantástico de narrar os acontecimentos e elaborar a trama do livro, de um jeito que mergulhei completamente na história e não conseguia me desligar por tempo o bastante para deixar o livro de lado. Enquanto Minho, Newt, Thomas e os outros sobreviventes do Labirinto resolvem seus dilemas com o CRUEL e avançam na jornada do que acham ser o certo a fazer, o leitor se prende aos acontecimentos e perde o fôlego, esperando para descobrir qual será o desfecho de toda  trilogia. James sabe como criar um bom suspense, o momento certo para soltar revelações ou virar a trama de ponta cabeça, como trabalhar o drama ou dar um fôlego. É isso que torna a leitura tão fluída e gostosa.

Mas, apesar de tudo isso, o livro não foi tão bom quanto poderia ser – pelo menos na minha opinião. “Por quê?”, você pode estar se perguntando. Porque acho que algumas coisas ficaram mal explicadas ou sem explicação. As pontas soltas da história me impediram de apreciar totalmente a conclusão da trilogia, e em outros casos a conclusão apresentada simplesmente não parecia ser tão boa assim. Como no caso do bilhete do Newt, que eu passei boa parte do livro me perguntando o que diabos ele teria escrito ali, pensando que seria uma coisa de enorme importância, uma grande revelação, fiquei ansiando o momento da leitura por boa parte do livro e, quando chegou, achei completamente desnecessário. A impressão que me deixou, não só pelo bilhete, mas por vários outros encerramentos, é que o autor criou os mistérios para deixar a trilogia envolvente, mas depois não soube como resolver os próprios mistérios que criou. Alguns desfechos foram simplesmente fantásticos, outros, decepcionantes.

No geral, foi um livro bom, mas poderia ter sido ótimo. A conclusão foi satisfatória, foi para um rumo que eu achei convincente, apesar de não ser a melhor alternativa, e deu um fecho condizente com o restante da história. A escrita manteve o mesmo padrão desde o começo do primeiro livro, em um dos ritmos mais alucinantes e envolventes que li recentemente, e cumpriu com excelência a incumbência de me deixar presa do começo ao fim. Acho que faltou apenas explorar um pouco mais as possibilidades, não ficar com o mais seguro, para o livro passar de bom para fantástico.

Confesso que li: Prova de Fogo [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576832997
Páginas: 400
Título Original: The Scorch Trials (Maze Runner #2)
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: O Labirinto foi só o começo… o pior está por vir. Depois de superarem os perigos mortais do Labirinto, Thomas e seus amigos acreditam que estão a salvo em uma nova realidade. Mas a aparente tranquilidade é interrompida quando são acordados no meio da noite por gritos lancinantes de criaturas disformes – os Cranks – que ameaçam devorá-los vivos. Atordoados, os Clareanos descobrem que a salvação aparente na verdade pode ser outra armadilha, ainda pior que a Clareira e o Labirinto. E que as coisas não são o que aparentam. Para sobreviver nesse mundo hostil, eles terão de fazer uma travessia repleta de provas cruéis em um meio ambiente devastado, sem água, comida ou abrigo. Calor causticante durante o dia, rajadas de vento gélido à noite, desolação e um ar irrespirável – no Deserto do novo mundo até mesmo a chuva é a promessa de uma morte agonizante. Eles, porém, não estão sozinhos – cada passo é espreitado por criaturas famintas e violentas, que atacam sem avisar.Manipulação, mentiras e traições cercam o caminho dos Clareanos, mas para Thomas a pior prova será ter de escolher em quem acreditar.

Contém spoilers de “Correr ou Morrer”. Confira a resenha do primeiro livro aqui

Depois de praticamente devorar “Correr ou Morrer”, não tive outra alternativa que não fosse emendar “Prova de Fogo” logo na sequência. O epílogo do primeiro livro me deixou de queixo caído, coração na mão e extremamente curiosa. No último trecho do livro, descobrimos que os resgatadores dos Clareanos não são nada mais que parte do CRUEL, agindo daquela forma para lhes passarem uma sensação de falsa segurança, de esperança, antes de entregá-los a uma nova leva de testes e experimentos. É nesse sentimento de traição e pena do Clareanos que começamos a leitura do segundo volume, quando tudo já dá errado desde o princípio.

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Após serem levados a um abrigo por seus resgatadores, os Clareanos acreditam que finalmente estão livres das garras dos Criadores, os responsáveis pelo Labirinto, e anseiam por uma vida normal. A noite do resgate parecia prometer que tudo ficaria bem, mas os Clareanos acordam logo pela manhã jogados em um mundo caótico. As janelas do dormitório em que se encontram foram tomadas por Cranks, pessoas infectadas pelo vírus Fulgor e que já começaram a perder qualquer traço de humanidade. Mesmo com as grades da janela separando os Cranks deles, os Clareanos decidem sair do dormitório e encontrar seus libertadores, apenas para descobri-los mortos, pendurados nas vigas do telhado no refeitório, o que indica um perigo ainda maior que os Cranks. Mas Thomas tenta relevar tudo isso, pois está preocupado com outra coisa: Teresa. Desde aquela manhã, Thomas não conseguiu entrar em contato com ela. A ligação que sentia sumiu, a voz em sua mente se calou. Ao partir para o dormitório em que a garota ficou, depara-se com o problema: Teresa sumiu, sem deixar nenhum vestígio para trás, e um garoto, Aris, ocupa seu lugar. Mais perturbador ainda é a placa que estava na porta do dormitório de Teresa, intitulando-a como “A Traidora”. O que significaria tudo aquilo? Sem alternativas que não esperar, os Clareanos são confrontados dias depois pelo Homem Rato, que apresenta o novo teste: todos eles precisam atravessar o Deserto e chegar ao Refúgio Seguro, dentro do prazo estipulado. O preço por não cumprir? Suas vidas…

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Ao terminar “Correr ou Morrer”, fiquei com a mesma sensação que tive ao terminar “Jogos Vorazes” – “ok, o que vai acontecer agora?”. Assim como a Arena, o primeiro livro ficou todo centrado na Clareira e no Labirinto, e não sabia ao certo qual rumo a história tomaria agora que os Clareanos haviam escapado das dependências do CRUEL. O epílogo já serviu para direcionar um pouco meus pensamentos, já que deixou claro que as provações continuariam, mesmo que em um ambiente diferenciado. Não sabia ao certo o que esperar do livro ou qual seria o novo teste do CRUEL, mas, pelo que conheci do James Dashner no livro anterior, imaginava que fosse gostar. E gostei. O livro continua na mesma “pegada” forte e enérgica do volume anterior, em que você não consegue parar um minuto. As provações e infortúnios dos Clareanos parecem não ter fim, quando eles se veem passando por prova, depois de prova, depois de prova, lutando para continuarem vivos. Mas, ao mesmo tempo que acompanhamos sua jornada pelo Deserto e pela cidade infestada pelos Cranks, começamos a descobrir um pouco mais sobre o mundo em que eles vivem e o que aconteceu para que ele chegasse àquele ponto. As explosões solares são explicadas um pouco mais a fundo e começamos a descobrir a real intenção do CRUEL – e o que tudo isso tem a ver com o Fulgor, uma doença degenerativa que está destruindo pouco a pouco a humanidade. Apesar de não termos as respostas para todas as perguntas, começamos a receber algumas das respostas, e a fazer outras perguntas. É um ciclo vicioso, na verdade: quanto mais respostas recebemos, mais perguntas surgem. Isso ajuda a manter o ritmo frenético da história, já que não nos resta outra alternativa a não ser continuar lendo, na esperança de finalmente descobrirmos o que diabos está se passando. E o autor consegue trabalhar a história de um jeito que você passa a questionar tudo e a todos, vendo inimigos potenciais e traição a qualquer momento. A vida dos Clareanos está em risco e você só pode segurar o fôlego enquanto torce pelo melhor.

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Além de conhecer novos personagens, passamos a conhecer um pouco mais dos antigos. Brenda, Jorge e Aris são acrescentados ao grupo central da trama, e Newt e Minho ganham ainda mais destaque. Podemos conhecer um pouco mais a personalidade destes dois últimos, ver como se tornam ainda mais ligados ao Thomas, e como os três passam a assumir e revezar a liderança dos Clareanos. Também vemos a aproximação de Brenda e Thomas, e é nos diálogos dos dois que recebemos as maiores revelações sobre o mundo em que vivem. Apesar de soar forçada e artificial no começo (não pelo autor, mas pela própria Brenda), gostei da relação que se formou entre os dois, apesar de ainda parecer um pouco desnecessária. Em termos geral, vemos um amadurecimento forçados de alguns personagens, após serem levados à situações extremas que a Prova de Fogo impõe. E vemos também um Thomas aflito e preocupado, dividido entre a vontade de desistir e a necessidade de seguir em frente. Apesar de ele ter me parecido muito chato no começo, acabei gostando ainda mais dele nesse segundo livro, de ver como ele precisou se fortalecer para reagir a tudo que o Universo jogava em seu caminho. E como, vez ou outra, ele conseguiu sair um pouco da ladainha de sempre e se mostrar divertido, ou sarcástico, e principalmente determinado.

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Não sei dizer se gostei mais deste livro ou do primeiro, mas sei que “Prova de Fogo” foi uma ótima continuação para “Correr ou Morrer”. Fora do Labirinto, o autor conseguiu conduzir a história de um jeito que me deixou ainda mais curiosa para o desfecho, apresentando um mundo caótico e lançando a pergunta: o que o CRUEL planeja fazer para remendar este mundo, e qual o papel dos Clareanos (e principalmente de Thomas) em todo esse processo? Enquanto no primeiro livro eles tinham apenas as perguntas, sem saber o que ou por que faziam o que faziam, neste segundo volume os Clareanos já sabem um pouco melhor o que está se passando, ou pelo menos o que estão enfrentando, e é interessante ver como isso muda ligeiramente o padrão de ação. Mais do que reagir, agora é a hora de agir. E James Dashner trouxe isso de forma bem impactante e envolvente nesse segundo volume da trilogia. A única espera é para que “A Cura Mortal” traga  resposta a todos esses questionamentos que foram levantados. Afinal, existe uma cura para o Fulgor?

Confesso que li: Correr ou Morrer [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576832478
Páginas: 426
Título Original: The Maze Runner (Maze Runner #1)
Nota: 4,5 Estrelas

Sinopse: Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho. Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar – chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo. Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito.

Ontem tivemos a estreia de “The Maze Runner”, a adaptação cinematográfica do primeiro livro da série de James Dashner. Fui apresentada à série por uma amiga, que irei visitar semana que vem, e por isso combinamos de assistir ao filme juntas. Já que ainda não posso ir ao cinema, para assistir ao filme, fico com a resenha do livro.

O livro conta a história de um grupo de adolescentes que estão confinados em um espaço que chamam de “Clareira”, e que se organizaram em uma espécie de sociedade para conseguirem sobreviver no dia a dia. A história começa quando Thomas chega à Clareira, em uma estranha caixa de metal (como um elevador) que fica no meio da Clareira, confuso e sem memórias. Ele sabe o nome das coisas, como funcionam e para que servem, todo o seu conhecimento de mundo permanece intacto, mas ele não tem nenhuma lembrança do seu passado, quem são seus pais, como foi sua infância, como foi parar na Clareira ou onde estava antes disso. A única coisa que lembra é seu nome, nem seu sobrenome ou idade lhe pertencem mais. Essa Clareira é cercada por um Labirinto, e diariamente os Corredores o percorrem, tentando encontrar uma saída daquele lugar. Toda noite, os muros de pedra se fecham e selam os Clareanos dentro dos seus limites, isolando-os do que está do lado de fora, e voltam abrir pela manhã. A vida é sempre a mesma, e a ordem é sempre mantida. Uma vez por mês, um Calouro chega. A Caixa também disponibiliza suprimentos e alimentos. Eles cuidam de tudo o que precisam dentro da Clareira, e se organizam da melhor forma possível. Mas ainda existem perigos que eles precisam evitar, como os estranhos Verdugos, criaturas que vivem do lado de fora da Clareira, no Labirinto. E seu mundo parece ser virado de ponta cabeça quando algo novo acontece: no dia seguinte à chegada de Thomas, a Caixa volta a se mover, desta vez trazendo um estranho passageiro – uma garota. Nenhuma garota jamais fora levada à Clareira antes, o que por si só já seria alarmante, mas tudo vira um caos quando ela anuncia que tudo iria mudar, antes de desmaiar e entrar em coma.

Como eu sabia que o filme chegaria aos cinemas agora em setembro, adiei um pouco a leitura de “Correr ou Morrer“, pois tenho uma péssima memória e queria estar com os detalhes mais frescos na mente. Neste primeiro livro de uma distopia inebriante (yaay, distopias ♥), James Dashner nos apresenta aos Clareanos, um grupo de adolescentes sem nenhuma ligação aparente, além da sua perda de memória e do fato de terem sido enviados para viver naquela Clareira. Apesar de a maioria sofrer – e muito – em suas primeiras semanas naquela nova vida, rapidamente eles são inseridos na comunidade e começam a ajudar para manter a rotina, que os mantêm vivos. É a ordem, acima de tudo, que impera no lugar. Sem a ordem, nada funciona, ninguém sobrevive – e sobrevivência é a única coisa que interessa para esses garotos. Enquanto buscam fazer o melhor com o que têm, os Clareanos buscam uma saída para a situação que enfrentam. Os Corredores, a “elite” dos Clareanos, percorrem o Labirinto diariamente, tentando solucioná-lo e tirá-los dali. É neste cenário que Thomas chega, se sentindo tão perdido quanto qualquer outro novato, mas, ao mesmo tempo, com a sensação de que já conhecia tudo aquilo. Apesar de o livro já ter um ritmo rápido desde o começo, demorei um pouco até conseguir entrar na leitura de fato. Muito disso se deve às inúmeras perguntas que não paravam de pular na minha cabeça, eu me sentia perdida e completamente confusa, como se nada fizesse sentido, mesmo com parte do vocabulário usado pelos Clareanos. Mas, quando percebi que era exatamente a mesma maneira que o Thomas provavelmente estava se sentindo, fiquei boquiaberta – o autor conseguiu compartilhar a confusão e a desorientação do protagonista com os leitores. Estamos perdidos porque Thomas está perdido; estamos confusos porque ele está confuso. E que jeito melhor de mergulhar na história do que esse? É só conforme Thomas vai aprendendo mais sobre a Clareira e a vida naquele lugar que vamos nos situando na história, entendendo seu ritmo. E que ritmo, por sinal. Assim como em “O Jogo Infinito”, James Dashner concedeu um ritmo enérgico e envolvente para “Correr ou Morrer”, em uma sucessão de acontecimentos de tirar o fôlego.

Enquanto lia, era impossível não formular milhares de teorias fantásticas, tentando descobrir, junto com os Clareanos, o que é o Labirinto e a Clareira, como foram parar ali e o que os Criadores querem com eles. Ainda assim, foi impossível chegar a uma resposta. O autor amarrou a trama de um jeito que só ele sabe para onde está nos levando, enquanto só nos resta sentar e aproveitar a viagem. É possível deduzir algumas coisas, sim, mas impossível acertar de cara o que está se passando. E cada vez que você pensa que descobriu algo, ou entendeu alguma coisa, o autor o surpreende e te tira daquela trilha, te deixando mais uma vez no escuro e ainda mais ansioso para desvendar os mistérios. E eu sou muito, muito curiosa.

Apesar da história me prender, não consegui me apegar muito aos personagens – pelo menos não nesse primeiro volume. Com exceção do Newt e do Minho (aaah, Minho *-*), acabei não me importando muito com os outros personagens, nem mesmo com o Thomas. Tentei, de verdade, mas não consegui me conectar a eles, ou mesmo me afeiçoar. Respeito o Newt, adoro o Minho e até entendo o Thomas, mas não poderia me importar menos com o Alby e a Teresa. Apesar de o Chuck ter aquele ar de “irmãozinho caçula”, risonho e alegre, também não criei laços muito profundos com ele. Era como se eu observasse tudo através de um painel de vidro, e não como se realmente os conhecesse. Acho que o ritmo do livro acabou sendo tão rápido e enérgico que tivemos pouco tempo para conhecer e realmente gostar dos personagens – pelo menos foi o que aconteceu comigo. Acho que o autor poderia ter gastado um pouco mais de tempo (e páginas) para fazer com que pudéssemos conhecer melhor os Clareanos, dando mais profundidade e autenticidade para os mesmos. Nada que prejudique o nível da história, mas realmente contaria como ponto positivo. E também não consegui me conectar muito com a ligação do Thomas e da Teresa, acho que tudo ficou um pouco fraco e perdido, fora do perfil da história.. Sou uma romântica inveterada, adoro romances, mas 1) não senti essa ligação mística do Thomas e da Teresa e 2) não acho que ao menos fosse necessário um romance na história, ficou desnecessário e vazio…

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No geral, “Correr ou Morrer” foi uma grande surpresa para mim. Fiquei nervosa, angustiada, curiosa e apreensiva. Ri com o Minho e me quase arranquei os cabelos com o Alby. Do momento em que peguei o ritmo da leitura, quase não consegui largar mais o livro, de tão envolvida que estava. Esperava uma boa leitura, sim, ainda mais depois de ler O Jogo Infinito, mas não esperava que fosse gostar tanto. Não entrou na minha lista de favoritos, mas este primeiro livro de Maze Runner realmente me conquistou, cumpriu sua função de me entreter e me deixar louca pela continuação. A história em si já foi fantástica, mas quase morri com o epílogo. Minha vontade era de sair gritando e correndo pela casa, mas provavelmente me achariam maluca. Em pouco mais de uma página, James conseguiu me surpreender mais do que havia surpreendido em qualquer outra parte do livro, quando uma revelação abala tudo o que eu estava esperando depois daquelas páginas finais. Daria cinco estrelas, mas realmente pesou a questão do romance e da falta de ligação com os personagens. Ainda assim, só o bastante para tirar meio ponto, pois o resto da história compensou.

Confesso que li: Conquista [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581051840
Páginas: 360
Título Original: Reached (Matched #3)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Em uma Sociedade que não permite escolhas nem imperfeições, um pequeno erro pode ser o elemento que faltava para iniciar uma revolução. ‘Conquista’ é a continuação de Destino e Travessia. No livro, a autora retoma a história de Cassia Reyes, jovem que pertence a uma sociedade controlada por um Estado totalitário ainda que nele não haja pobreza e a população tenha acesso a direitos básicos, como alimentação, moradia e emprego. O futuro de Cassia não poderia ser mais incerto agora que ela resolveu seguir para as sombrias Províncias Exteriores, campo de extermínio dos cidadãos banidos pela Sociedade. Ela está à procura de Ky Markham, com quem desenvolveu uma relação proibida, e que havia sido aprisionado, com um destino que se encaminhava para a morte certa.

Este é o terceiro livro da trilogia “Destino”, e a resenha pode conter spoilers dos livros anteriores.  Para conferir a resenha do primeiro, clique aqui, e para o segundo livro, clique aqui.  

E finalmente chegamos ao fim da trilogia “Destino”, da Ally Condie, com o livro Conquista. Apesar de ficar bem abaixo das minhas expectativas (a trilogia toda, na verdade), esse último livro deu um fechamento condizente para a história apresentada, sem sair muito da proposta inicial. E esse post era para ter saído ontem, na verdade, mas acabei me atrapalhando e quase não consigo publicar hoje. Mas vamos lá 😀

Depois de se unir à Insurreição, Cassia se vê mais uma vez separada de Ky. Enquanto ele é enviado à Província de Camas, para começar seu treinamento como piloto, Cassia é enviada novamente à Sociedade, onde a Insurreição acredita que ajudará mais no processo da revolução. Mas ela mal pode esperar para que tudo seja resolvido de uma vez e ela termine seu papel dentro da Sociedade, pois a última coisa que queria era ser enviada de volta para lá. E Ky, após a conclusão de seu treinamento, conta os segundos para que seja enviado em missão para a Capital, para que também possa se reencontrar com Cassia. Os planos de rebelião da Insurreição chegam cada vez mais perto de se concretizarem quando uma estranha doença começa a se espalhar pela nação, mas terão eles os meios necessários para controlá-la?

Retomando a história pouco depois do fim de “Travessia”, o último volume da trilogia trás todo o desenrolar dos planos da Insurreição, assim como conclui toda a jornada que os personagens atravessaram desde o começo da história. Assim como no volume anterior, em que foi adicionado o ponto de vista do Ky, em “Conquista” nós também passamos a observar a história através dos olhos de Xander – o que já foi um bom adicional (fazer o quê? Eu gosto do Xander). Este é o único livro em que temos uma divisão por partes, sendo “Piloto”, “Poeta”, “Curador”, “Praga” e “O Dilema do Prisioneiro”. As partes intercalam capítulos de Xander, Cassia e Ky, sempre em sequência (não lembro se a ordem exata é essa, mas tem uma ordem que é mantida), o que, depois que você pega o ritmo, te ajuda a não se perder na história. É mais fácil saber com que está acontecendo o quê, já que no livro anterior eu senti que às vezes ficava um pouco confuso.

No encerramento da história, era de se esperar que Ally nos desse mais algumas informações sobre a parte “distópica” desse romance. Bom, se a sua expectativa era essa, sinto muito informar que não foi bem assim. Apesar de ter a Praga em um forte plano, o que felizmente já tirou um pouco do foco do drama “Ky – Cassia – Xander”, as questões sobre a Sociedade, a Insurreição e o Inimigo não foram exploradas como eu esperava. Simplesmente existe tanto material de pano de fundo que nem é trabalhado! A impressão que me deixa é que foram apenas alguns elementos aleatórios jogados no meio da história, para dar algum ar de mistério ou profundidade, mas que depois a autora não soube como amarrar ou trabalhar. Ainda vi algumas tentativas de diálogo sobre a Sociedade e até sobre a Insurreição, mas o Inimigo parece ser algo tirado completamente do nada, sem trazer nenhum adicional ao livro. O que é uma pena, pois aumenta ainda mais aquela impressão de que algo está faltando, de que a história não está completa.

Para um livro que é o encerramento de uma trilogia, também achei “Conquista” um pouco lento. Ok, talvez simplesmente não seja o meu ritmo. Talvez eu esteja acostumada com um pouco mais de adrenalina e “AI MEU DEUS!”, e por isso senti falta dessa coisa mais frenética na história. Gostei do elemento que a Praga trouxe ao livro, do planejamento que envolvia os planos da Insurreição, assim como toda a busca por uma solução depois, mas acabei me arrastando por muitos trechos do livro. E me desculpem, sei que ela é a personagem “principal”, mas os capítulos da Cassia eram os mais lentos para mim. E reclamei muito nas duas últimas resenhas sobre a ausência do Xander na história, então preciso ressaltar o alívio que senti ao ver que o Xander também tinha capítulos nesse volume. Apesar de achar que foi tarde para reverter o quadro (como um dos elementos de um suposto triângulo amoroso pode ser tão negligenciado assim?), achei digno para o encerramento da história. Pontos importantes da trama não seriam revelados sem a presença dele no livro, observar as coisas pelo ponto de vista dele foi crucial para a história. Eu honestamente acho que a qualidade do livro seriam bem menor sem a presença dele, e “Conquista” sem os POVs do Xander teria sido uma tortura sem fim para mim.

Enfim, foi um encerramento mediano para uma trilogia mediana. Nada de surpreendente, cativante ou mesmo instigante. Não achei que houve uma grande trama unindo os três livros, uma linha de pensamento que te prende do primeiro ao último livro. Ficou tudo muito solto e sem explicação, o que acabou por ser bem frustrante. Tudo bem que a história teve seus momentos, mas não sei se foram o bastante para salvar a experiência. E é uma pena, pois eu realmente estava apaixonada pelas capas…

Confesso que li: Travessia [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581050744
Páginas: 280
Título Original: Crossed (Matched #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Em busca de um futuro que pode não existir e tendo que decidir com quem compartilhá-lo, a jornada de Cassia às Províncias Exteriores em busca de Ky – levado pela Sociedade para uma morte certa –, mas descobre que ele escapou, deixando uma série de pistas pelo caminho. A busca de Cassia a leva a questionar o que é mais importante para ela, mesmo quando vislumbra um diferente tipo de vida além das fronteiras. Mas, à medida que Cassia tem certeza sobre o seu futuro com Ky, um convite para uma rebelião, uma inesperada traição e uma visita surpresa de Xander – que pode ter a chave para revolta e, ainda, para o coração de Cassia – mudam o jogo mais uma vez. Nada é como o esperado em relação à Sociedade, onde ilusão e traição fazem um caminho ainda mais confuso.

Este é o segundo livro da trilogia “Destino”, e a resenha pode conter spoilers do primeiro livro.  Para conferir a resenha do primeiro, clique aqui

Como disse na primeira resenha, a história acabou não sendo bem o que eu estava esperando ou desejando. Não que tenha sido ruim, veja bem, eu gostei. O problema é que eu estava esperando amar a história, e não aconteceu exatamente assim. Não foi uma leitura desperdiçada, mas não acho que leria novamente tão cedo.

Cassia tem apenas uma certeza na vida: Ky foi levado, e ela vai encontrá-lo. Depois dos acontecimentos em “Destino“, quando Ky é levado pelos Oficiais para um destino que ninguém sabe o que o aguarda, Cassia decide não se conformar e ir atrás dele, custe o que custar. Ela consegue, com a ajuda de seus pais, ser enviada para uma missão de trabalho, onde passaria três meses trocando de trabalho e função, indo para onde fosse necessária. Sua ideia com isso era chegar mais perto de Ky, perto das Províncias Exteriores, e então ir ao encontro dele. Quando seu prazo estava quase se esgotando, Cassia consegue se infiltrar em uma aeronave que ela acredita estar levando garotas para as Províncias Exteriores, sem ter ideia do que lhe aguarda, mas sabendo que daria um jeito de se reunir com Ky. Neste meio tempo, Ky está nas aldeias perto do limite do território com o Inimigo, acompanhado de Vick e Eli, que compartilham do mesmo destino que ele. Mas ele sabe que precisa sair dali para encontrar Cassia, então parte para a Escultura, onde pretende sumir do radar do Inimigo, até conseguir bolar um plano para ir ao encontro de sua amada. E nessa busca de um pelo outro, será que acabarão encontrando a eles mesmos?

Nesse segundo volume já vemos uma pequena mudança em relação ao primeiro: a história, que antes era contada em primeira pessoa pelo ponto de vista da Cassia, agora também começa a apresentar alguns capítulos na perspectiva do Ky, também em primeira pessoa. Isso acabou dando certo movimento e diferencial para a história, quando você consegue acompanhar a jornada de cada um em primeira mão, e se dividir entre os encontros e desencontros. Somos apresentadas a novos personagens, que também dão um novo ar ao relato, como Indie, Vick, Eli e Hunter. Entre esses personagens, preciso destacar a Indie. Ela é uma garota forte e decidida, que sabe o que quer e fará o que for preciso para alcançar o objetivo, e que esconde alguma coisa de tudo e de todos. Seu passado é obscuro, assim como o de Ky, e acho que esse livro teria sido bem mais monótono sem a presença dela. Ok que a história não fica tão centralizada nela, ela apenas acompanha Cassia em sua Travessia pela Escultura, mas ela sempre me deixou curiosa sobre seu passado e seus planos, então acho que foi um ponto positivo da história.

Este livro me deixou completamente confusa, pelo menos em relação aos meus sentimentos por ele. O ritmo já é bem diferente que o apresentado em “Destino“, diria ainda mais calmo e introspectivo. Nós vemos uma mudança muito grande nos personagens nesse volume, principalmente na Cassia, conforme eles avançam pela Escultura. É como se, ao superar os obstáculos físicos da Escultura, em busca de seus objetivos, eles aprendessem a superar suas próprias falhas e defeitos, medos e anseios, inseguranças e desconfianças. Apesar de ser retratada uma jornada física, eu interpretei Travessia como também sendo a jornada emocional e psicológica a que os personagens se submetem, para conseguirem alcançar os objetivos que estabelecem. Para mim, a Travessia realizada pela escultura poderia muito bem ser uma metáfora para a transição que acontece dentro do Ky, Cassia e até mesmo Xander (nos poucos momentos em que ele aparece), levando-os de quem eram no primeiro livro a quem passam a ser no terceiro. É justamente um livro de transição, de adaptação, de mudança. Não digo que isso é de fato o que a autora propôs, mas foi como eu interpretei, e pode ser que eu tenha viajado um pouco, hehe.

Mas veja bem, isso não quer dizer que o livro é sensacional. Como disse na resenha sobre Destino, acho o ritmo da história um pouco paradinho e sem grandes acontecimentos que te deixam naquela ansiedade para continuar. Apesar de toda essa jornada de “descobrimento”, os personagens continuam com algumas atitudes bem infantis e irritantes, e vez ou outra eu sentia vontade de estapear os personagens, principalmente o Ky. Ainda sinto falta de uma presença mais marcante do Xander para que a proposta de um “triângulo amoroso” pudesse ao menos fazer sentido, já que o coitado mal aparece e já é logo jogado de lado. E também acho que a autora deixou algumas pontas bem soltas. Passamos o livro inteiro sem saber as respostas para muitos problemas apresentados, como questões sobre o Inimigo ou a Insurreição. Também não consegui entender o desejo súbito da Cassia de encontrar a Insurreição, aquilo pareceu ter vindo do nada e se transformado em uma “convicção” rápido demais.

Apesar de ter uma mensagem mais “profunda” que o primeiro livro, e de ter a Indie (aah, Indie ), acho que o primeiro livro ainda foi um pouco melhor que esse segundo. No primeiro ainda havia a ideia de que alguma coisa estava acontecendo, e não que estávamos simplesmente aguardando ou andando sem rumo em meio a um cânion. A escrita da Ally ainda é agradável, mas a construção foi novamente monótona. É como dizer “gosto das palavras, não tanto da história”. O que é uma pena, já que eu estava com uma expectativa tão grande para essa trilogia…

Confesso que li: Destino [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788560280810
Páginas: 240
Título Original: Matched
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família. Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander – bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade. Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo.

Comentei no post “Novos na Família #3” que havia comprado o box da trilogia Destino, e que já estava apaixonada pelas capas há quase um ano. Lembro de ter encontrado o primeiro livro por um mero acaso no Submarino, naquelas “recomendações” que aparecem enquanto você está olhando outro produto, e a capa me chamou muito a atenção. Abri o link do produto, fui fuçar e depois resolvi procurar mais no Skoob. Aí me apaixonei, tanto pela sinopse quanto pela capa, mas nunca consegui comprar. Sempre ficava ali, no canto da mente, naquela de “preciso ler um dia”, mas nunca comprava de fato. O problema nisso foi que, quando finalmente comprei, acabou não sendo tudo o que estava esperando.

O livro conta a história da Cassia Reyes, uma garota de 17 anos que não poderia estar mais feliz com a vida na Sociedade. Toda sua vida, todo seu futuro é estabelecido pelo que a Sociedade julga melhor, e para ela não há nada de mal nisso. Ela confia na Sociedade, confia na sua organização e em seus dados, sabe que não tem como a Sociedade se enganar em algo. Na verdade, ela nunca sequer questionou isso, jamais. Nunca se tratou de uma decisão, mas simplesmente como as coisas eram. E as coisas não poderiam ser melhores: finalmente havia chegado o dia do seu Banquete do Par, algo com o qual vinha sonhando há anos, quando finalmente descobriria quem seria seu Par, quem seria a pessoa que passaria o resto da vida ao seu lado. E qual não foi sua surpresa ao descobrir que dentre todos os garotos de todas as Províncias, entre todos os dados e combinações, o seu Par perfeito seria justamente Xander, seu melhor amigo desde sempre? Parecia um sonho se tornando realidade, bom demais para ser verdade. Tudo seguia o rumo perfeito, como tudo mais na Sociedade, até que um erro de cálculo, um imprevisto, tirou a vida de Cassia dos trilhos. Ao abrir o microcartão de seu Par, aquele que lhe daria as informações que a Sociedade julgara necessário para ela saber (não como se ela já não soubesse, já que conhecia Xander como a palma de sua mão), outro rosto surgiu. Piscou na tela, coisa de poucos segundos, mas que foi o bastante para deixá-la confusa. Como aquela imagem poderia ter aparecido ali? A Sociedade não errava, simplesmente não cometia erros, então como haviam errado justamente na questão mais importante de sua estrutura, a seleção de Pares? E o pior: o rosto também era de um conhecido. Pela primeira vez em toda sua vida, Cassia se viu pensando fora do que a Sociedade planejara para ela, do que os dados e números lhe indicavam como o futuro certo, com o que era seguro. Seria possível, de fato, escolher seu próprio destino?

Toda a premissa parecia muito envolvente e instigante, mas, e me dói dizer isso, não gostei tanto do desenvolvimento. Dói dizer porque sonhei tanto, esperei tanto, gamei tanto na aparência, e me decepcionei ao ver que o conteúdo não era o que eu esperava. Não que seja ruim, mas não foi tudo o que eu estava esperando. Nesse primeiro livro conhecemos um pouco da rotina e funcionamento da Sociedade, mas não é explicado ao certo como ou porque ela surgiu. Sabemos como ela se estruturou, como ela curou os males que afligiam a humanidade (doenças foram praticamente erradicas, as pessoas nas Províncias centrais vivem bem e com saúde até os 80 anos, quando então tomam parte em seu Banquete Final e, bom, morrem) e um pouco sobre como ela opera e os artifícios que usa, mas a autora não se aprofundou muito nessa questão mais política. Quando comentei sobre o livro no grupo do Confissões no facebook, conforme lia, disse que era um romance distópico, mais puxado para o romance que para a distopia. O foco deste primeiro livro foi claramente o romance, a descoberta do primeiro amor, dos momentos preciosos e roubados de uma Sociedade que controla a tudo e a todos. É a descoberta de Cassia do seu desejo de livre-arbítrio, de poder decidir o que quer para a própria vida, mas sentindo-se ainda um pouco culpada por pensar assim, já que a Sociedade sempre fora boa para ela e sua família, e ela não deixava de pensar nisso como uma forma de rebeldia. Foi a luta entre o coração e a razão, entre o que ela queria e o que achava que devia, entre o calor e imprevisibilidade da poesia e a frieza e segurança dos números, das estatísticas.

Vemos a batalha interna da protagonista, entre aceitar o que a Sociedade escolheu para ela, ficando Xander, o confiante, familiar e seguro Xander, ou seguir o que seu coração parece pedir cada vez mais, trocando o certo pelo incerto, escolhendo a liberdade e vulnerabilidade que sente ao lado de Ky. Aqui temos mais um triângulo amoroso, mas que achei bem pouco explorado. Da forma que foi trabalhado o primeiro livro, acabamos conhecendo bem mais o Ky que o Xander, que acaba ficando mais em um segundo plano. É bom ver a história de Ky se desenvolvendo conforme ele vai revelando seu passado a Cassia, mas senti falta de um destaque maior para o segundo personagem, que às vezes parece nem existir. E, por mais que a autora tenha optado por revelar aos poucos a história de Ky, como se fosse um grande segredo, não me senti assim tão instigada a descobrir, não do tipo “AI MEU DEUS PRECISO DESCOBRIR O QUE ACONTECEU!“. Eu sou muito curiosa, mas muito curiosa mesmo, e, apesar de querer descobrir o que havia acontecido com ele e o que o levara a ser como era, não foi nada que realmente me parecesse um grande segredo.

Por mais que a história não tenha sido tudo o que eu esperava, não tenho o que reclamar da escrita nesse primeiro volume da trilogia. A Ally sabe como narrar bem os acontecimentos e sua linguagem é simples, mas sem ser pobre; bonita, sem ser desnecessária. Há certa “poesia” em suas palavras, além de sua história, já que muitos acontecimentos e decisões são baseados em dois poemas que o avô de Cassia lhe dá como presente. Alguns autores se perdem em meio a descrições, mas Ally soube muito bem como apresentar todo o cenário e acontecimentos, sendo sucinta quando era preciso e gastando mais tempo onde era necessário. E por isso fico tão confusa sobre minha impressão do livro. Eu gostei, mas esperava mais da história. A escrita vale a pena, mas os acontecimentos deixaram a desejar. Achei a história um pouco linear, sem altos e baixos, sem aquela emoção que faz seu coração pular uma batida ou sua mente acelerar com a ansiedade pela revelação. É um pouco parado, calmo e tranquilo, senti a falta de um grande clímax. Mesmo o fim, apesar de ser do tipo que te faz querer ler a continuação, não conseguiu me atingir como um grande acontecimento, algo marcante. Em síntese: foi bom, mas poderia ter sido ótimo.

Por ser o primeiro livro, resolvi dar uma folga e aceitá-lo como tal: o começo da história, quando ainda tem muita água para rolar. A esperança é de que os outros dois livros consigam me explicar o que ficou em aberto nesse (principalmente sobre a Sociedade, já que não sabemos praticamente nada sobre ela) e consigam aumentar o ritmo da história. Semana que vem posto aqui sobre “A Travessia”, o segundo livro da trilogia.