Confesso que li: Preciso Rodar o Mundo [Resenha]

Autora: Michelli Provensi
Editora: Da Boa Prosa
ISBN: 9788564684447
Páginas: 240
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Ser modelo de sucesso é um sonho de muitos jovens em todo o país. A moda atrai a atenção com os investimentos e todo o espaço que ocupa na mídia. O Brasil alcançou uma posição de destaque nesse universo; nossas modelos atingiram o topo dos rankings e da fama, ganhando milhões por ano e alimentando ainda mais esse sonho. Nem todas as 1 MILHÃO de jovens que se inscrevem nos principais concursos de beleza vão chegar lá, mas o livro de Michelli Provensi é um aliado daquelas que têm persistência e querem aprender sobre os bastidores e a realidade nem sempre glamourosa dos desfiles e ensaios. Modelos quase sempre estão no lugar certo, o problema é que, também, quase sempre com a roupa errada. Fotografam biquíni em pleno inverno, muitas vezes na neve. Fotografam aqueles casacos que quase nunca são usados, debaixo de 40 graus; isso sem contar as horas e horas para um click ou um desfile. A vida delas não é nada fácil, é bem mais complicada do que o belíssimo resultado impresso numa revista. Michelli Provensi demonstra que não é apenas um corpo a serviço de uma marca, ela interrompeu os estudos, mas é muito inteligente e conectada, tem atitude, canta, interpreta, dança e pode ser a guia ideal para esse mundo que desperta muita curiosidade. Um livro para modelos, pretendentes e curiosos sobre o universo da moda. Ah, um aliado indispensável para toda mãe de modelo.

All the models in the house, all the models in the house representing ♪” (~lecantando~). Já devo ter mencionado por aqui, mais de uma vez, que não sou muito fã de livros de não ficção. Leio livros de fantasia, drama, romance, mistério, suspense, ficção científica, enfim, praticamente tudo que seja ficção, mas nunca tive muita conexão com livros que não fossem de ficção. Mas, como nem só de ficção se faz a vida de um leitor, me deparei com a leitura de “Preciso Rodar o Mundo”, da modelo (e agora escritora) Michelli Provensi, livro publicado pelo selo Da Boa Prosa da editora Livros de Safra. O livro conta os bastidores do tão badalado mundo da moda, o lado da vida das modelos que ninguém conta (ou não contava). Nunca fui ligada em moda, para mim é um assunto de outro planeta, mas, conforme lia, me vi completamente fascinada pela história da Michelli. Não só pela história em si, mas pelo jeito leve, descontraído e verdadeiro que ela utilizou para contar sua jornada pelo mundo da moda.

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O livro é dividido em pequenos capítulos que apresentam os diversos aspectos da vida da modelo até então, desde sua infância como a “garota esquisita” até seu retorno para casa, passando pelos pontos altos – e baixos – de sua carreira. Apesar de não seguir uma ordem cronológica, o livro apresenta diversos momentos da carreira de Michelli, e aos poucos vamos montando uma colcha de retalhos com a história dela. O que mais me fascinou em toda a leitura foi a escrita de Provensi, que é completamente envolvente. A leitura da história te dá a impressão de que ela está te contando tudo aquilo, como se estivesse ali contigo e falando sobre suas aventuras e desaventuras, da mesma forma como contamos a um amigo o que aconteceu conosco em determinada situação. A linguagem, a construção, a descontração, tudo faz com que você se sinta conectado à história que ela te conta, como se fosse um conhecido te contando uma história que aconteceu com ele.

O humor é outro elemento muito presente no livro. Tanto na construção dos títulos dos capítulos (ri sozinha enquanto lia o índice, já me perguntando qual seria a história apresentada no capítulo que tinha um título como aquele) quanto na forma de contar a história, o humor e a personalidade da autora se faziam muito presentes, deixando a história ainda mais gostosa de se ler. Seja ao narrar a história do modelo que não sabia qual o lado certo para vestir o famigerado “tapa-sexo”, ou a história de como perdeu um casting de um estilista famoso por não reconhecer quem era e preferir assistir a um jogo do Brasil na Copa, que ocorria ao mesmo tempo, entre tantas outras histórias, Michelli consegue fazer o leitor mergulhar no lado desconhecido da profissão, mostrando que a vida de modelo não é tão fácil ou tão inatingível quanto alguns pensam. Como fã de futebol, ela chega inclusive a fazer comparações entre a vida dos modelos e jogadores de futebol, mostrando como alguns elementos se fazem presentes nas duas carreiras.

A autora nos dá uma lição de como devemos ir atrás de nossos sonhos, mesmo quando não sentimos que somos capazes para isso. Como não podemos abandonar aquilo que queremos e como temos que confiar em nosso potencial. Também ensina que a jornada não será fácil, mas que isso não é motivo para desistirmos. Ao apresentar suas próprias memórias, ela nos faz pensar em tudo aquilo que queremos para nós e se estamos fazendo o possível para chegar lá (pelo menos foi essa a relação que tive com o livro). De uma garota “franzina” e desengonçada a modelo internacional, de beleza “exótica”, Michelli provou que é possível conquistar o mundo, desde que se decida dar o primeiro passo.