Confesso que li: O Poderoso Chefão [Resenha]

Autor: Mario Puzo
Editora: Record
ISBN: 9788501025432
Páginas: 462
Título Original: The Godfather
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: O Poderoso Chefão é um romance de ficção escrito por Mario Puzo, originalmente publicado em 1969, sobre uma família de mafiosos de origem siciliana que imigra para os Estados Unidos da América.
Mario Puzzo tornou-se um escritor conhecido mundialmente com este livro, seu terceiro romance. Ele faz uma biografia imaginária de um cappo da máfia nova-iorquina, desvendando o submundo do crime organizado.

Esse é o tipo de livro que eu nem ao menos sei como começar uma resenha. Sinto que qualquer coisa que eu escrever aqui não fará mérito à obra de Puzo. E não é exagero, não é desfiar seda ou nada do tipo, é realmente como eu me sinto no momento. Conhecia a fama de “O Poderoso Chefão”, mas ainda não tivera a oportunidade de ler ou mesmo assistir os filmes, era uma completa novata. Era aquele tipo de coisa que eu sabia que precisaria fazer algum dia na minha vida, mas nunca surgia a oportunidade. Nisso, quando vi o box (edição econômica, mas como dizem as boas línguas, “quem vê folha branca não vê conteúdo”) em promoção, joguei meu controle de gastos para o alto e comprei, junto com todas as outras compras que já estava fazendo. Não comecei a leitura imediatamente, mas, quando comecei, não podia parar.

Dizer que Mario Puzo é genial seria redundante, mas eu preciso dizer: ele é genial. Na obra que o consagrou, Puzo apresenta da vida de Don Corleone, um imigrante italiano, vindo da Sicília, que se estabeleceu nos Estados Unidos e lá se tornou chefe de uma das mais influentes Famílias da máfia italiana no país. A história começa com o império do Don já consagrado e seu lugar no coração de seus amigos, ou “afilhados”, garantido. Ele é o Padrinho, aqueles que todos buscam em momentos de sufoco ou perigo, de desespero ou abandono, aquele que nunca nega um pedido daqueles que o chamam de amigo. Amado por muitos e respeitado por todos, mesmo por seus rivais. Mas como nem tudo são flores, o padrinho sofre um atentado que o afasta dos negócios da Família, e é aí que o futuro da Família Corleone muda drasticamente e uma guerra entre as Cinco Famílias de Nova York parece cada vez mais inevitável.

Toda a construção da obra de Puzo é feita de um jeito que te envolve cada vez mais e mais, e você não consegue largar o livro. Contado pelo ponto de vista de diversos personagens, o autor vai montando o quadro da vida dos mafiosos italianos na década de 40 e 50 de um jeito que me fez ter vontade de poder ver tudo aquilo em primeira mão. Parece estranho, sim, quem iria querer viver no meio da máfia?, mas é a verdade. Fiquei tão envolvida e fascinada pela história que só ler não foi o bastante. Algumas histórias estão diretamente relacionadas à trama principal, como a do caçula dos Corleone, Michael, e outras ficam em segundo plano, como a história de Johnny Fontane ou mesmo da Lucy Mancini. Uma das coisas que me fascinou foi a profundidade dos personagens, mesmo dos secundários, conforme Puzo ia nos revelando camada após camada após camada. Ninguém era o que era apenas por ser, ou apenas o que revelava ser, havia muito mais a descobrir (ok, talvez não para todos, mas para muitos deles). Eu gostava tanto das passagens do Johnny quanto do Michael ou do próprio Vito Corleone, não havia nenhum personagem que eu achasse entediante ou que não valesse a pena.

A escrita é outra a ser destacada. Me perdoe quem não gostou, mas eu adorei. É o tipo de narrativa que te prende e, mesmo nos momentos mais “paradinhos”, ainda te faz querer seguir em frente e descobrir mais. É uma leitura fácil e envolvente – não que seja simples ou mal trabalhada, mas é o tipo de leitura que flui, que você começa a ler e, quando se dá conta, lá se foram páginas infinitas. Devo confessar que alguns trechos eu achei “what?” ou um pouco desnecessários, como um certo procedimento cirúrgico a que um dos personagens se submete. Todo o procedimento é descrito em detalhes e eu tenho uma PÉSSIMA visão espacial, então ficava completamente perdida em tudo o que estava acontecendo e não sei, de fato, qual a importância de uma descrição tão detalhada para a história. E me recordo de outro momento como esse, em que me peguei pensando que talvez não fosse necessário tanto tempo descrevendo uma coisa que poderia ser retratada de um jeito mais simples e breve, mas não acho que isso tenha prejudicado minha experiência geral com a leitura, em absoluto. E o autor não se prende apenas ao presente, ele também te leva ao passado para revelar porque determinado personagem age como age, qual a história por trás da história, dando ainda mais profundidade e uma dinâmica maior ao seu relato.

Eu disse isso mais de uma vez em outras resenhas, mas preciso dizer: o fim me surpreendeu, mesmo. Não havia assistido ao filme ainda (aleluia, assim pude apreciar o livro em toda sua glória õ/), por isso estava completamente no escuro com relação aos acontecimentos. Toda a trama é construída por um longo tempo, até que nas últimas 50 páginas (mais ou menos, sou péssima com cálculos e minha memória não está ajudando agora) todo o planejamento do Don Corleone e de Michael se desenrolam. Fiquei com o coração na boca, ansiosa para saber qual era o grande trunfo da família Corleone e se daria certo ou não, e praticamente devorei as páginas que finalmente colocaram o plano em prática. A preparação final e o desenrolar dos fatos passaram voando diante dos meus olhos, pois não conseguia parar enquanto não chegasse ao fim. O resultado é que eu fiquei de queixo caído ao ver como tudo ocorreu, qual era o plano (que foi mantido em segredo todo tempo) e quais foram as consequências. Quando comecei a ler não esperava gostar tanto, e acabei simplesmente apaixonada pela história. Tanto, mas tanto, que agora devo admitir que estou com receio de começar os próximos livros e eles não se igualarem ao primeiro. Mas é a vida, só saberei quando ler. E podem ter certeza que compartilharei a experiência por aqui também 🙂