Numbers #1 – Tempo de Fuga [Resenha]

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Autora: Rachel Ward
Editora: Editora iD
ISBN: 9788516065294
Páginas: 350
Título Original: Numbers
Série: Trilogia Numbers #1 (Numbers #1)
Nota:
1 Estrela

Sinopse: Sempre que Jem conhece alguém novo, não importa quem, logo que ela olha em seus olhos, um número aparece em sua cabeça. Esse número é uma data: a data em que essa pessoa vai morrer. Sobrecarregada com tal consciência terrível, Jem evita relacionamentos. Até que ela conhece Spider, outro estranho, e ganha uma chance. Mas, enquanto eles estão esperando para embarcar no Eye Ferris Wheel, uma roda gigante, Jem percebe que todas as pessoas da fila possuem o mesmo número. A data de hoje. Terroristas vão atacar Londres. O mundo de Jem está prestes a explodir!

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Jem não é uma garota normal. Desde que era pequena, a garota possuía uma estranha habilidade, a de ver uma “sequência” de números toda vez que olhava nos olhos de alguém. O real significado dos números veio no dia em que a mãe da menina teve uma overdose e morreu, fazendo com que o seu número sumisse. Aqueles números, que até então eram apenas uma brincadeira para a menina, significavam a data da morte daquela pessoa. Não mais uma brincadeira, a habilidade passou a parecer uma maldição.

Anos se passam e Jem passa de lar adotivo a lar adotivo, nunca ficando tempo demais em um mesmo lugar. Convencida de que os números são uma maldição, a garota se fecha para o mundo, preferindo passar a vida sozinha a ter que se envolver com pessoas que ela sabe que a abandonarão. Mas isso muda quando ela conhece Spider, um garoto alto e magrelo, que tem muito o que melhorar em termos de higiene pessoal, mas que parece determinado a se tornar seu amigo. Um dia, quando os dois estão cabulando aula e visitando o centro de Londres, Jem se assusta ao ver que várias pessoas ao seu redor têm a mesma data – a data de hoje. Apavorada, ela convence Spider a sair correndo com ela dali, poucos minutos antes de uma explosão detonar uma parte da London Eye e matar todos os que estavam presentes. E é aí que a vida de Jem muda completamente, lançando-a em uma fuga frenética da polícia londrina, que parece acreditar que ela e Spider têm alguma coisa a ver com o atentado.

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Lembro a primeira vez em que vi esse livro, a ideia me fascinou e me deixou louca para saber mais sobre a história. A premissa parece fantástica e a sinopse prometia uma história de tirar o fôlego. Infelizmente, não foi nada disso que a autora entregou. Com uma narrativa cansativa e um pouco forçada em alguns aspectos, “Numbers” parece aquele livro que tenta decolar, mas que nunca consegue sair do chão. A autora abusa de palavrões, nojeiras e “rebeldia” (“nossa, eu fumo e não estou nem aí pra ninguém, como sou rebelde!”), talvez na tentativa de retratar uma “realidade”, mas só serviu para me deixar ainda mais desanimada com a leitura. Nada flui, tudo é truncado, desanimador.

A protagonista, que tinha tanto potencial para ser explorado, acabou sendo um clichê de adolescente marginalizada e excluída da sociedade. Não tinha profundidade, mesmo o drama de se saber a data da morte de todos ao seu redor é reduzido a um mimimi sem fim, e mesmo a habilidade é deixada de lado. Longe da proposta inicial, o livro retrata basicamente uma garota sem graça e sem sal, com seus “dramas” praticamente inexplorados, que sai em uma fuga impossível pelo país com seu amigo – também muito mal explorado.

Geralmente tento ver o lado positivo de todos os livros, achar alguma coisa que o salve, mas nesse caso ficou praticamente impossível. Tentei dar uma chance ao segundo livro, e também deixou a desejar, então duvido que vá ler o terceiro.

[Review] A Série Divergente: Insurgente

Olá, pessoas da Terra!

Apesar de nunca ter mencionado aqui no blog (pelo menos acho que não), eu sou uma mega fã da trilogia Divergente. Mesmo com o fim de Convergente, que não foi bem o que eu esperava, simplesmente não consigo não amar essa trilogia, fui conquistada por toda a história, personagens e escrita. Sendo assim, eu não poderia deixar de assistir aos filmes, mesmo sabendo que muito provavelmente iria me decepcionar com cada um deles. Não tive tempo para escrever a review de Divergente quando o filme saiu no cinema, mas aproveito agora para deixar minhas impressões de Insurgente.

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Sinopse: Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) agora são fugitivos e procurados por Jeanine Matthews (Kate Winslet), líder da Erudição. Em busca de respostas e assombrados por prévias escolhas, o casal enfrentará inimagináveis desafios enquanto tentam descobrir a verdade sobre o mundo em que vivem.

O filme retoma a história logo do fim de Divergente, quando Tris, Quatro, Caleb, Marcus e Peter buscam abrigo na sede da Amizade, depois de fugir do ataque à Abnegação. Apesar de não estarem tão satisfeitos com a situação, Tris e Quatro decidem continuar por lá até se reorganizarem e descobrirem onde estão os demais membros da Audácia, para então irem à procura deles. Mas tudo isso muda quando soldados da Audácia, aliados à Jeanine Matthews, chegam nas terras da Amizade em busca de Divergentes, e Tris, Tobias (Quatro) e Caleb precisam fugir para não serem capturados. A busca de Jeanine por Divergentes continua, pois, após encontrar uma caixa misteriosa em uma das casas da Abnegação, supostamente pertencente aos fundadores da cidade, ela sabe que apenas um Divergente poderá abri-la e revelar a sua mensagem.

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Já há algum tempo eu aprendi uma valiosa lição: não devo esperar que as adaptações cinematográficas sejam 100% fiéis aos livros, isso é impossível, e é mais fácil encarar os dois como coisas completamente diferentes e não relacionadas, assim não acabo me decepcionando. Tendo isso em mente, fui ao cinema preparada para deixar minhas impressões do livro de lado e tentar aproveitar o filme. Não digo que fui completamente eficaz nessa tarefa, pois durante a maior parte do filme eu ficava pensando “tá errado, tá tudo errado“, mas tentei focar o filme e avaliar como ele, por conta própria, se saiu. Apesar de não achar que foi um filme ótimo, perfeito, incrível, merecedor do Oscar, do troféu Joinha e de todas as estatuetas possíveis e imagináveis, arrisco dizer que foi um bom filme, que dá para se divertir assistindo.

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Com o desenrolar da história e dos acontecimentos, Insurgente já conta com uma trama mais elaborada e envolvente que seu antecessor, e o ritmo do filme já é mais frenético e agitado. O cenário de “guerra civil” que foi se armando em Divergente atingiu novas proporções com a lei marcial instaurada pelo Conselho, a pedido da Jeanine, e a “descoberta” do exército dos sem-facção, e o expectador só consegue antecipar o momento em que a bomba vai explodir – pelo menos foi assim que meu amigo, que ainda não leu o livro, ficou ao meu lado. Também é visível que o investimento financeiro nessa sequência foi bem maior, como podemos perceber pelo nível de elementos como efeitos especiais, figurino e locações, que já estão bem melhores que no filme anterior.

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Levando em consideração os acontecimentos descritos no livro, achei que o desenvolvimento dos personagens nesse filme deixou a desejar, e muito. No livro, vemos Tris lutando seriamente contra seus demônios internos, estando completamente traumatizada após os acontecimentos em Divergente, e vemos como tudo isso vai destruindo-a pouco a pouco, levando a tomar decisões com consequências perigosas para ela e aqueles que ama. No filme, apesar de tentarem retratar tudo isso, acho que ficou muito superficial e comedido, não chegando nem perto do estado em que a personagem deveria estar. Também não houve nenhum desenvolvimento do Tobias, foi muito pouco explorado o seu relacionamento com seu pai e sua mãe, e como isso o fez tomar decisões e mesmo se afastar de Tris em alguns momentos. Diversos outros personagens secundários também tiveram suas ações, motivações e dramas pessoais negligenciados, deixando a história superficial e unilateral. Nesse aspecto, acho que o filme ficou bem longe do que seria aceitável, o que é uma pena.

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Mas, mesmo com a minha promessa de não julgar só de acordo com o livro, não posso deixar a obra em que o filme se baseou completamente de lado. Apesar de ser um bom filme, Insurgente deixa a desejar em alguns aspectos de fidelidade do livro. Não vou ser do tipo de pessoa que reclama da cor do olho do personagem, ou do corte de cabelo, pois acho que isso é o de menos na história, mas fiquei incomodada com alguns elementos do livro que ficaram faltando no filme, ou algumas coisas que foram criadas para o filme que não faziam sentido algum de acordo com o cenário proposto no livro. Um exemplo é o aparelho criado pela Erudição, que faz uma leitura da pessoa (?) e consegue determinar a qual facção ela pertence, ou se ela é Divergente. Em um cenário pós-apocalíptico, onde os recursos devem ser poupados e priorizados para a reconstrução da cidade, que ainda está em andamento, como é que eles teriam recursos ou meios para a criação em massa de um aparelho como esses? Assim como toda a história da caixa, que contém uma mensagem dos fundadores e só pode ser aberta por um Divergente muito, muito especial. A resposta para esse problema, também, não fez sentido algum, levando em consideração a própria história criada para o filme anterior – é entrar em contradição com o que eles próprios disseram… E uma mudança em específico, bem no fim do filme, me deixou bem confusa sobre como conduzirão o filme seguinte, o que não achei uma boa ideia. Acho que ficou muito aberto, não mostraram um elemento muito importante na caracterização do cenário social para a última parte da história, e não sei como os roteiristas farão para corrigir isso no próximo filme – é esperar para ver.

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Uriah, finalmente *——*

No fim das contas, posso concluir que achei que Insurgente foi um bom filme, apesar de não ser uma adaptação tão boa. Para quem ainda não leu os livros e não tem uma expectativa alta, é mais do que possível se envolver e adorar a história, e talvez, até, se interessar o bastante para ir atrás dos livros – o que, de um jeito ou de outro, acaba sendo um ótimo resultado. Para quem leu e adorou os livros, é mais uma oportunidade para ir ao cinema e ficar reclamando a todo instante que está tudo errado, e acusar os roteiristas de não terem lido o livro e terem destruído a história… Mas, ainda assim, é parada obrigatória para todo fã, que sabe como, apesar de reclamarmos, amamos ir ao cinema para ver a adaptação dos nossos filmes preferidos ❤

Título Original: Divergent Series: Insurgent
Direção: Robert Schwentke
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Miles Teller, Ansel Elgort, Kate Winslet, Jai Courtney, Zoë Kravitz, Octavia Spencer
Duração: 119 minutos
Ano de lançamento: 2015

Confesso que li: O Poder dos Seis [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580571219
Páginas: 320
Título Original: The Power of Six (Lorien Legacies #2)
Série: Os Legados de Lorien (#2)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais. O Número Um foi morto na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Tentaram pegar o Número Quatro, John Smith, em Ohio, e falharam.
Em “O poder dos Seis”, John e a Número Seis se recuperam da grande batalha contra os mogadorianos, de quem ainda fogem para salvar a própria vida. Enquanto isso, a Número Sete está escondida em um convento na Espanha, acompanhando pela Internet notícias sobre John. Ela se pergunta onde estão Cinco e Seis, imaginando se um deles é a garota de cabelo preto e olhos cinzentos de seus sonhos, cujos poderes vão além de tudo o que ela já imaginou, aquela que tem a força necessária para reunir os seis sobreviventes. (Skoob)

Comentei na resenha de “Eu sou o Número Quatro” que havia estranhado um pouco a releitura do livro. Por pouco mais de um ano, eu tive a série “Os Legados de Lorien” entre as minhas favoritas, porém, ao reler o primeiro volume, não foi exatamente como eu me lembrava e isso acabou me deixando com dúvida sobre os outros livros. Mas, agora que acabei de reler “O Poder dos Seis”, posso reafirmar o quanto eu amo essa série e o quanto a recomendo.

O liro começa em um ritmo mais tranquilo que o fim do livro anterior, mas não tão parado quando o começo de “Eu sou o Número Quatro”. Logo no primeiro capítulo somos apresentados a uma nova personagem, Marina, a Número Sete, que possui seu próprio POV (ponto de vista). A narrativa passa a ser dividida entre ela e John, que está em fuga pelos EUA com Sam e Seis, depois de ter explodido sua escola em Paradise, Ohio, e ser considerado um terrorista. Essa mudança na narrativa já deixa “O Poder dos Seis” bem mais dinâmico que seu antecessor, já que, mesmo com a necessidade de alguns capítulos mais explicativos da Marina, para que pudêssemos conhecer seu passado e sua situação, temos os capítulos que desenvolvem a história de John, Sam e Seis, que já estava em andamento desde o livro anterior e por isso flui melhor.

Quanto aos personagens, a Seis e a Marina são um bom alívio para os personagens mais clichês do livro anterior. As duas são reais, cheias de dúvidas e incertezas, forças e fraquezas, e passam longe de qualquer lugar comum. Até mesmo o John, que eu acho um  porre quando está com a Sarah, se revela bem mais natural e menos insuportável quando está na companhia de Seis e Sam. Apesar de ainda estarem presos às descrições do livro anterior, John e Sam começam a se expandir um pouco mais, a fugir da mesmice do “super herói” e do “super nerd”. Após a morte de Henri, John precisa amadurecer, e mesmo isso ainda trazendo certos clichês, já oferece uma profundidade ligeiramente maior ao personagem. Mas a rainha do livro é, sem sombra de dúvidas, Seis, que rouba todas as cenas em que toma parte.

Em síntese, apesar de ter ficado um pouco desgostosa com a releitura de “Eu sou o Número Quatro”, a releitura de “O Poder dos Seis” veio para me confirmar porque amo tanto essa série. A escrita já fica mais fluida e envolvente, os personagens ficam mais interessantes e a trama começa a tomar um rumo mais sedutor, respondendo algumas perguntas do livro anterior e propondo novos questionamentos ao mesmo tempo. Depois de ler esse livro, é impossível não querer continuar a série.

Confesso que li: Eu sou o Número Quatro [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Páginas: 352
Título Original: I am Number Four (Lorien Legacies #1)
Série: Os Legados de Lorien (#1)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: “Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais. Nosso plano era crescer, treinar, nos tornar mais poderosos e nos unir, para então enfrentá-los. Porém, eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, estamos fugindo.
O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro.
Eu sou o próximo.”

Até onde vai a sede de morte e destruição? Os mogadorianos destruíram todos os recursos de seu planeta e se voltaram para o planeta habitado mais próximo: Lorien. Em um ataque que pegou a todos de surpresa, os assassinos frios de Mogadore destruíram Lorien e dizimaram sua população. Mas, enquanto a batalha ocorria, uma nave – a única que ainda estava inteira – conseguiu escapar de Lorien com 19 passageiros a bordo. Nove crianças, membros da Garde – a força de defesa de Lorien, com poderes e habilidades especiais – seus Cêpans – os mentores das crianças, responsáveis por ajudarem em seu treinamento e desenvolvimento – e o piloto. Depois de uma longa viagem os lorienos chegaram ao planeta Terra, onde se espalharam pelos quatro cantos do globo, aguardando o dia em que seus poderes estariam desenvolvidos, seu treinamento estaria completo e eles estariam prontos para trazer a justiça aos mogadorianos e repovoar Lorien.

Mas os mogadorianos seguiram os lorienos até o planeta Terra e começaram a caçá-los um a um. Um feitiço realizado por um Ancião de Lorien antes de as crianças embarcarem na nave provou-se a única forma de garantir que elas não seriam mortas imediatamente: a cada criança foi dado um número, e elas só poderiam ser mortas naquela ordem. Caso uma criança fosse atacada “fora da ordem”, o dano seria revertido para a pessoa que a atacou. E a única forma desse feitiço ser quebrado seria se os membros da Garde se uniram.

Dez anos se passaram desde que a nave loriena chegou em nosso planeta e os lorienos passaram a se esconder entre os humanos. Enquanto tentava aproveitar um dos raros momento de descontração em seu último endereço (já havia perdido as contas de quantas vezes se mudara nos últimos anos), o Número Quatro sente uma queimação em sua perna e uma cicatriz, sua terceira, surge em seguida. Ele sabe o que isso significa, sabe o que aconteceu e quais serão as consequências. O Número Três está morto. Os mogadorianos virão atrás dele agora. Estará ele pronto? Quando finalmente irá parar de fugir e se esconder?

Li quatro livros desta série no ano passado e fiquei tão fascinada e encantada que a coloquei na minha lista de séries preferidas de todos os tempos. Cada vez que alguém me pedia uma recomendação de série, automaticamente soltava Os Legados de Lorien. O quinto livro foi lançado este mês e, como tenho uma memória realmente muito fraca, resolvi reler a série desde o começo. E, enquanto lia “Eu sou o Número Quatro” só conseguia pensar: foi esse livro mesmo que eu li e me apaixonei?

Veja bem, tão logo comecei a leitura, fui ler algumas críticas e resenhas no Goodreads e acho que isso me fez perceber algumas coisas que não tinham me incomodado tanto em minha primeira leitura. Essa releitura realmente me fez perceber algumas coisas que eu não tinha percebido na primeira vez, ou simplesmente não tinham me chamado tanto a atenção. E, infelizmente, este primeiro volume de Os Legados de Lorien não é tão bom quanto eu me lembrava – pelo menos não completamente.

O início da história tem um ritmo bem lento e tranquilo, a sensação de que temos é que nada acontece. Depois de receber sua terceira cicatriz – parte do encantamento lórico, que indica que um dos lorienos morreu -, Quatro e seu Cêpan Henri preparam-se para mudar de casa mais uma vez. Abandonam o calor da Flórida para se mudarem para Paradise, Ohio, onde Quatro adota seu novo nome, John, que o acompanha por toda a duração da série. Neste início do livro temos toda a apresentação do universo de Os Legados de Lorien, quem são os lorienos, os mogadorianos e como seus caminhos se cruzaram. Descobrimos sobre a missão dos lorienos na Terra, de se fortalecerem e desenvolverem seus Legados – como são chamados os poderes e habilidades que cada um dos membros da Garde desenvolverá – até estarem prontos para derrotar os mogadorianos e trazer a vida de volta a Lorien. E também descobrimos que os mogadorianos não estão na Terra apenas para caçar os sobreviventes, mas também para dominar o planeta. Não destruindo tudo, como fizeram em Lorien, mas possivelmente dizimar a raça humana e estabelecer a Terra como sua nova morada (e não, isso não é spoiler).

Ao mesmo tempo em que é bom descobrir todos esses (e outros elementos), nessa releitura eu realmente senti um pouco mais forte essa sensação de “nada acontece” no começo do livro. John e Henri se mudaram para a pacata cidade de Paradise, e a impressão que me deu é que o início da história acabou assumindo o mesmo tom pacato. Não é do tipo que te faz largar o livro e nunca mais querer pegar na mão, mas ficar ansiando por alguma ação ou emoção, já que a premissa da história parece prometer isso a torto e a direito.

Lá pela metade do livro, por volta do capítulo 18, temos o primeiro boom de adrenalina real (não que nada ocorra antes disso, mas é o primeiro momento em que o livro realmente fica acelerado) e aí vemos onde a série se destaca, e muito: nas cenas de ação. Mesmo nessa segunda leitura, enquanto me encontrava ligeiramente desanimada por me deparar com algo diferente do que eu me recordava, e mesmo sabendo tudo o que aconteceria, não deixei de me contagiar pelos acontecimentos descritos na noite de Ação de Graças. E não se trata apenas do confronto em si, mas de toda a construção e expectativa.

Neste ponto os autores (James Frey e Jobie Hughes, sob o pseudônimo de Pittacus Lore) trabalham muito bem, desenvolvendo cenários que fazem os leitores, ou pelo menos eu, devorar as páginas. O mesmo se repete nas cem últimas páginas da história, quando você não consegue desgrudar os olhos das páginas por um minuto que seja. Por mais que o livro tenha um começo um pouco lento, do começo ao fim você simplesmente não consegue parar de ler. A narrativa é em primeira pessoa e no tempo presente, o que é até fácil de acostumar, principalmente para quem já leu Jogos Vorazes, que também apresenta este formato de narrativa.

Outro ponto que me incomodou foi o desenvolvimento dos personagens – pelo menos alguns deles. Os principais personagens (John, Sarah, Sam, Mark) ficaram um pouco clichês demais, aquela fórmula pronta do herói, garota perfeita, nerd e valentão (na respectiva ordem dos personagens citados acima). Apesar de eu ainda adorar o livro (estava decepcionada no começo, mas cheguei ao fim lembrando porque amo a série), acho que faltou trabalhar um pouco mais os personagens, e não cair no esteriótipo, na solução pronta. Apesar de pequenas mudanças em cada um deles ao longo da história, o que nós encontramos é a definição quase literal do papel que cada um deles assume, sem permitir que suas personalidades sejam mais exploradas.

E outra coisa que não gostei, e isso eu sei que não gostei na primeira vez em que li também, foi o romance entre John e Sarah. Ah, por Lorien, que casal mais chatinho! Sarah é o cúmulo da perfeição, a garota que desistiu de ser líder de torcida e resolveu ser boa e gentil com todo mundo. Ela tira fotos, assa cupcakes e constrói abrigos para animais em seu tempo livre. E tudo isso com uma aparência impecável, aposto que nem o cabelo saí do lugar. E todo o romance desenvolvido com John é daqueles “amor à primeira vista”, com longas trocas de olhares cheios de significado e perfeição a cada segundo. Desculpe, mas eu não compro isso. Gosto de romances, sou uma romântica incurável, mas o romance desenvolvido é tão doce que chega a me dar dor de dente. Acho que não casou com a história e, diferentemente da parte de ação, os autores erraram a mão – e feio – ao desenvolver essa história de amor. Sei que boa parte da trama se deve ao romance dos dois, mas simplesmente ficou superficial, artificial e “perfeitinho” demais. Nenhum relacionamento é perfeito, e o deles só me deixa irritada.

Também me deparei com algumas coisas na história que parecem não fazer muito sentido, mas acredito que durante o desenvolvimentos dos outros livros (bom, do quinto em diante, pelo menos) elas devem ser solucionadas. E, apesar da crítica ainda parecer completamente negativa, continuo gostando do livro. Queria que a personalidade de alguns personagens fossem mais trabalhadas? Sim. John e Sarah juntos me irritam? Demais! Mas ainda lembro da história dos outros livros, dos personagens e acontecimentos que estão por vir, e não posso deixar de gostar da série. Talvez possa me conformar com “um começo não tão bom para uma série envolvente”.

Confesso que li: A Cura Mortal [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576833888
Páginas: 368
Título Original: The Scorch Trials (Maze Runner #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Por trás de uma possibilidade de cura para o Fulgor, Thomas irá descobrir um plano maior, elaborado pelo CRUEL, que poderá trazer consequências desastrosas para a humanidade. Ele decide, então, entregar-se ao Experimento final. A organização garante que não há mais nada para esconder. Mas será possível acreditar no CRUEL? Talvez a verdade seja ainda mais terrível… uma solução mortal, sem retorno.

Pode conter spoilers dos livros anteriores. Confira as resenhas aqui e aqui

Ainda não consigo definir minha relação com o último livro da trilogia “Maze Runner”. Em alguns momentos, gosto. Em outros, acho que ficou abaixo da expectativa. Pensei muito essa semana, pesando os prós e contras na balança, e acho que cheguei a um meio termo.

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Depois de passarem por todos os tormentos do Deserto, os sobreviventes do Grupo A e do Grupo B são levados à sede do CRUEL, com a promessa de que todos os testes e Variáveis finalmente chegaram a um fim. Mas Thomas é separado desse grupo ainda no BERG que os resgata do Deserto, e levado a uma cela isolada, onde passa incontáveis dias, lutando para se manter são. A raiva borbulha dentro dele, onde tudo o que ele mais quer é destruir o CRUEL e todos que tiveram alguma coisa a ver com a instituição. Depois de muitos dias, Thomas é reunido aos demais sobreviventes dos Labirintos, que acreditavam que ele estava morto, e todos recebem uma visita do Homem Rato, com a grande revelação: os dois grupos realmente estão infectados pelo Fulgor, mas a maior parte deles é Imune ao vírus. Imune ao que está destruindo todo o mundo. E aí que está a esperança da Cura pela parte do CRUEL. A organização oferece a eles a oportunidade de recuperarem suas memórias, com a parte final dos esforços necessários para obter o Esboço da Cura. Mas nem todos estão satisfeitos com isso, e as suspeitas não param se surgir. Será o caminho certo a seguir?

Como nos dois volumes anteriores, a escrita do James Dashner continua muito envolvente e com um ritmo rápido, fazendo com que o leitor praticamente devore os capítulos. O autor tem um jeito fantástico de narrar os acontecimentos e elaborar a trama do livro, de um jeito que mergulhei completamente na história e não conseguia me desligar por tempo o bastante para deixar o livro de lado. Enquanto Minho, Newt, Thomas e os outros sobreviventes do Labirinto resolvem seus dilemas com o CRUEL e avançam na jornada do que acham ser o certo a fazer, o leitor se prende aos acontecimentos e perde o fôlego, esperando para descobrir qual será o desfecho de toda  trilogia. James sabe como criar um bom suspense, o momento certo para soltar revelações ou virar a trama de ponta cabeça, como trabalhar o drama ou dar um fôlego. É isso que torna a leitura tão fluída e gostosa.

Mas, apesar de tudo isso, o livro não foi tão bom quanto poderia ser – pelo menos na minha opinião. “Por quê?”, você pode estar se perguntando. Porque acho que algumas coisas ficaram mal explicadas ou sem explicação. As pontas soltas da história me impediram de apreciar totalmente a conclusão da trilogia, e em outros casos a conclusão apresentada simplesmente não parecia ser tão boa assim. Como no caso do bilhete do Newt, que eu passei boa parte do livro me perguntando o que diabos ele teria escrito ali, pensando que seria uma coisa de enorme importância, uma grande revelação, fiquei ansiando o momento da leitura por boa parte do livro e, quando chegou, achei completamente desnecessário. A impressão que me deixou, não só pelo bilhete, mas por vários outros encerramentos, é que o autor criou os mistérios para deixar a trilogia envolvente, mas depois não soube como resolver os próprios mistérios que criou. Alguns desfechos foram simplesmente fantásticos, outros, decepcionantes.

No geral, foi um livro bom, mas poderia ter sido ótimo. A conclusão foi satisfatória, foi para um rumo que eu achei convincente, apesar de não ser a melhor alternativa, e deu um fecho condizente com o restante da história. A escrita manteve o mesmo padrão desde o começo do primeiro livro, em um dos ritmos mais alucinantes e envolventes que li recentemente, e cumpriu com excelência a incumbência de me deixar presa do começo ao fim. Acho que faltou apenas explorar um pouco mais as possibilidades, não ficar com o mais seguro, para o livro passar de bom para fantástico.

Confesso que li: Prova de Fogo [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576832997
Páginas: 400
Título Original: The Scorch Trials (Maze Runner #2)
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: O Labirinto foi só o começo… o pior está por vir. Depois de superarem os perigos mortais do Labirinto, Thomas e seus amigos acreditam que estão a salvo em uma nova realidade. Mas a aparente tranquilidade é interrompida quando são acordados no meio da noite por gritos lancinantes de criaturas disformes – os Cranks – que ameaçam devorá-los vivos. Atordoados, os Clareanos descobrem que a salvação aparente na verdade pode ser outra armadilha, ainda pior que a Clareira e o Labirinto. E que as coisas não são o que aparentam. Para sobreviver nesse mundo hostil, eles terão de fazer uma travessia repleta de provas cruéis em um meio ambiente devastado, sem água, comida ou abrigo. Calor causticante durante o dia, rajadas de vento gélido à noite, desolação e um ar irrespirável – no Deserto do novo mundo até mesmo a chuva é a promessa de uma morte agonizante. Eles, porém, não estão sozinhos – cada passo é espreitado por criaturas famintas e violentas, que atacam sem avisar.Manipulação, mentiras e traições cercam o caminho dos Clareanos, mas para Thomas a pior prova será ter de escolher em quem acreditar.

Contém spoilers de “Correr ou Morrer”. Confira a resenha do primeiro livro aqui

Depois de praticamente devorar “Correr ou Morrer”, não tive outra alternativa que não fosse emendar “Prova de Fogo” logo na sequência. O epílogo do primeiro livro me deixou de queixo caído, coração na mão e extremamente curiosa. No último trecho do livro, descobrimos que os resgatadores dos Clareanos não são nada mais que parte do CRUEL, agindo daquela forma para lhes passarem uma sensação de falsa segurança, de esperança, antes de entregá-los a uma nova leva de testes e experimentos. É nesse sentimento de traição e pena do Clareanos que começamos a leitura do segundo volume, quando tudo já dá errado desde o princípio.

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Após serem levados a um abrigo por seus resgatadores, os Clareanos acreditam que finalmente estão livres das garras dos Criadores, os responsáveis pelo Labirinto, e anseiam por uma vida normal. A noite do resgate parecia prometer que tudo ficaria bem, mas os Clareanos acordam logo pela manhã jogados em um mundo caótico. As janelas do dormitório em que se encontram foram tomadas por Cranks, pessoas infectadas pelo vírus Fulgor e que já começaram a perder qualquer traço de humanidade. Mesmo com as grades da janela separando os Cranks deles, os Clareanos decidem sair do dormitório e encontrar seus libertadores, apenas para descobri-los mortos, pendurados nas vigas do telhado no refeitório, o que indica um perigo ainda maior que os Cranks. Mas Thomas tenta relevar tudo isso, pois está preocupado com outra coisa: Teresa. Desde aquela manhã, Thomas não conseguiu entrar em contato com ela. A ligação que sentia sumiu, a voz em sua mente se calou. Ao partir para o dormitório em que a garota ficou, depara-se com o problema: Teresa sumiu, sem deixar nenhum vestígio para trás, e um garoto, Aris, ocupa seu lugar. Mais perturbador ainda é a placa que estava na porta do dormitório de Teresa, intitulando-a como “A Traidora”. O que significaria tudo aquilo? Sem alternativas que não esperar, os Clareanos são confrontados dias depois pelo Homem Rato, que apresenta o novo teste: todos eles precisam atravessar o Deserto e chegar ao Refúgio Seguro, dentro do prazo estipulado. O preço por não cumprir? Suas vidas…

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Ao terminar “Correr ou Morrer”, fiquei com a mesma sensação que tive ao terminar “Jogos Vorazes” – “ok, o que vai acontecer agora?”. Assim como a Arena, o primeiro livro ficou todo centrado na Clareira e no Labirinto, e não sabia ao certo qual rumo a história tomaria agora que os Clareanos haviam escapado das dependências do CRUEL. O epílogo já serviu para direcionar um pouco meus pensamentos, já que deixou claro que as provações continuariam, mesmo que em um ambiente diferenciado. Não sabia ao certo o que esperar do livro ou qual seria o novo teste do CRUEL, mas, pelo que conheci do James Dashner no livro anterior, imaginava que fosse gostar. E gostei. O livro continua na mesma “pegada” forte e enérgica do volume anterior, em que você não consegue parar um minuto. As provações e infortúnios dos Clareanos parecem não ter fim, quando eles se veem passando por prova, depois de prova, depois de prova, lutando para continuarem vivos. Mas, ao mesmo tempo que acompanhamos sua jornada pelo Deserto e pela cidade infestada pelos Cranks, começamos a descobrir um pouco mais sobre o mundo em que eles vivem e o que aconteceu para que ele chegasse àquele ponto. As explosões solares são explicadas um pouco mais a fundo e começamos a descobrir a real intenção do CRUEL – e o que tudo isso tem a ver com o Fulgor, uma doença degenerativa que está destruindo pouco a pouco a humanidade. Apesar de não termos as respostas para todas as perguntas, começamos a receber algumas das respostas, e a fazer outras perguntas. É um ciclo vicioso, na verdade: quanto mais respostas recebemos, mais perguntas surgem. Isso ajuda a manter o ritmo frenético da história, já que não nos resta outra alternativa a não ser continuar lendo, na esperança de finalmente descobrirmos o que diabos está se passando. E o autor consegue trabalhar a história de um jeito que você passa a questionar tudo e a todos, vendo inimigos potenciais e traição a qualquer momento. A vida dos Clareanos está em risco e você só pode segurar o fôlego enquanto torce pelo melhor.

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Além de conhecer novos personagens, passamos a conhecer um pouco mais dos antigos. Brenda, Jorge e Aris são acrescentados ao grupo central da trama, e Newt e Minho ganham ainda mais destaque. Podemos conhecer um pouco mais a personalidade destes dois últimos, ver como se tornam ainda mais ligados ao Thomas, e como os três passam a assumir e revezar a liderança dos Clareanos. Também vemos a aproximação de Brenda e Thomas, e é nos diálogos dos dois que recebemos as maiores revelações sobre o mundo em que vivem. Apesar de soar forçada e artificial no começo (não pelo autor, mas pela própria Brenda), gostei da relação que se formou entre os dois, apesar de ainda parecer um pouco desnecessária. Em termos geral, vemos um amadurecimento forçados de alguns personagens, após serem levados à situações extremas que a Prova de Fogo impõe. E vemos também um Thomas aflito e preocupado, dividido entre a vontade de desistir e a necessidade de seguir em frente. Apesar de ele ter me parecido muito chato no começo, acabei gostando ainda mais dele nesse segundo livro, de ver como ele precisou se fortalecer para reagir a tudo que o Universo jogava em seu caminho. E como, vez ou outra, ele conseguiu sair um pouco da ladainha de sempre e se mostrar divertido, ou sarcástico, e principalmente determinado.

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Não sei dizer se gostei mais deste livro ou do primeiro, mas sei que “Prova de Fogo” foi uma ótima continuação para “Correr ou Morrer”. Fora do Labirinto, o autor conseguiu conduzir a história de um jeito que me deixou ainda mais curiosa para o desfecho, apresentando um mundo caótico e lançando a pergunta: o que o CRUEL planeja fazer para remendar este mundo, e qual o papel dos Clareanos (e principalmente de Thomas) em todo esse processo? Enquanto no primeiro livro eles tinham apenas as perguntas, sem saber o que ou por que faziam o que faziam, neste segundo volume os Clareanos já sabem um pouco melhor o que está se passando, ou pelo menos o que estão enfrentando, e é interessante ver como isso muda ligeiramente o padrão de ação. Mais do que reagir, agora é a hora de agir. E James Dashner trouxe isso de forma bem impactante e envolvente nesse segundo volume da trilogia. A única espera é para que “A Cura Mortal” traga  resposta a todos esses questionamentos que foram levantados. Afinal, existe uma cura para o Fulgor?

Confesso que li: O Jogo Infinito [Resenha]

Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
ISBN: 9788576836896
Páginas: 300
Título Original: The Eye of Minds (The Mortality Doctrine #1)
Nota: 5 Estrelas + ❤

Sinopse: Michael é um gamer. E como a maioria dos jogadores, ele passa quase mais tempo no VirtNet do que no mundo real. O VirtNet oferece total imersão do corpo e da mente, e é viciante. Graças à tecnologia, qualquer pessoa com dinheiro suficiente pode experimentar mundos de fantasia, arriscar sua vida sem a chance de morte, ou apenas ficar com os virt-amigos. E quanto mais habilidades de hacker você tem, mais divertido. Por que se preocupar seguindo as regras quando a maioria delas são idiotas, afinal? Mas algumas regras foram feitas por uma razão. É muito perigoso brincar com algumas tecnologias. E relatórios recentes afirmam que um jogador vai para além do que qualquer jogador fez antes: ele está segurando jogadores reféns dentro do VirtNet. Os efeitos são terríveis, os reféns foram todos declarados com morte cerebral. No entanto, os motivos do gamer são um mistério. O governo sabe que para pegar um hacker, você precisa de um hacker. E eles foram assistir Michael. Eles querem ele em sua equipe. Mas o risco é enorme. Se ele aceitar o seu desafio, Michael terá que ir fora da grade VirtNet. Há becos e esquinas no sistema que olhos humanos nunca viram e predadores que ele não pode nem mesmo imaginar – e há a possibilidade de que a linha entre jogo e realidade será borrada para sempre.

É incrível o quanto você pode adiar a leitura de um livro, pensando que não irá gostar tanto assim, só para depois se encontrar louca para que a continuação saia logo. Essa foi minha experiência com o livro “O Jogo Infinito“, do James Dashner, publicado no Brasil pela V&R Editoras. Ganhei o livro em um encontro para blogueiros parceiros da editora, com a presença do autor (comentei sobre o evento nesse post aqui), mas só mês passado tirei-o da estante para ler. O resultado foi uma agradável surpresa, amei a história e a escrita, e fiquei tão, mas tão curiosa para a continuação, que cheguei a enviar um e-mail para a editora, perguntando se havia previsão de lançamento da continuação aqui no Brasil (o segundo volume em inglês foi lançado no fim do mês passado). Sem mais delongas, vamos à história.

“O Jogo Infinito” conta a história de uma sociedade futurista, em que a realidade virtual é uma constante na vida da sociedade – ao menos daqueles que podem pagar por isso. Tudo corre bem na VirtNet, até que alguns jogadores começam a ser sequestrados e presos dentro do jogo, e seus corpos na Vigília (como é chamado o mundo “real”) ficam vulneráveis, entrando em coma ou estado vegetativo, e muitas vezes chegando a óbito. O SSV, o serviço de segurança da VirtNet, tentou abafar o caso por muito tempo, mas a coisa começou a sair do controle e eles passaram a recrutar jogadores com habilidades especiais de hackear o código da VirtNet para ajudá-los na caça a Kaine, a ameaça responsável por esse cyberterrorismo. Uma dessas pessoas abordadas é Michael, o protagonista da história, que, junto com Sarah e Bryson (seus dois melhores amigos dentro do jogo), parte na busca por Kaine, impulsionado pela promessa de uma recompensa pelo SSV.

Nota mental: da próxima vez, leve um post-it.

Antes de mais nada, preciso ressaltar aqui: este livro não é sobre uma distopia. A história se passa no futuro, mas não em um futuro distópico. Apenas uma sociedade com tecnologia avançada e provavelmente muito tempo livre (brincadeirinha). No bate-papo com o autor, ele disse ter sido influenciado por filmes como “Matrix” e “A Origem”, além do amor seu amor por videogames quando era mais novo. Tudo isso se misturou para criar um livro enérgico e envolvente, que te prende do começo ao fim e você simplesmente não consegue parar de ler. A escrita é muito boa e te prende nos menores detalhes, sem ser cansativa ou desnecessária. O ritmo do livro é uma coisa à parte – se eu comentei que achei a trilogia “Destino” parada, essa promete ser justamente o oposto, pois todo o livro tem um ritmo muito dinâmico, sem deixar cair a peteca nenhuma vez. Neste thriller psicológico, não tem nenhuma parte que você quer pular, ou que acha que o livro ficou cansativo ou chato, é a mesma vibração de ação e aventura do começo ao fim. Você se vê tão envolvido no universo que o autor criou que, quando se dá conta, lá se foram as 300 páginas e você ainda quer mais. E o fim, o que foi aquele fim?! Eu passei boa parte do livro me perguntando qual seria o desfecho, imaginando aqui e deduzindo ali, criando teorias de onde o autor queria me levar. Então, depois da metade do livro, o autor deu uma guinada na história que me fez pensar “aah, ok, agora eu sei o que ele quer”, e, conforme a história avançava, eu ia criando minhas teorias em cima disso. Me achei super ninja, pensando que havia desvendado a história, tudo parecia se encaixar e… ELE FOI LÁ E PUXOU MEU TAPETE! Sério, mesmo! Terminei o livro de queixo caído, pasma e com aquela sensação de “onde foi parar meu chão?“. Não era surpreendida assim há muito tempo, o que eu achei simplesmente fantástico. E o que também ajudou a me deixar mega ansiosa para o próximo livro, pois agora eu preciso saber a continuação da história do Michael.

Os personagens também merecem seu destaque. O trio principal tem uma dinâmica muito legal e gostosa de acompanhar, parecem realmente três melhores amigos, para o que der e vier. O Michael e o Bryson são divertidíssimos, sempre fazendo piadinhas e dando respostas ácidas, o que dá um toque de humor para a narrativa que torna a leitura ainda mais agradável. Eu comentei com alguns amigos, e mesmo aqui no blog, que eles me lembravam super-heróis como o Super Choque, que sempre fazem uma piadinha enquanto enfrentam seus inimigos (tenho problemas, eu sei).  E adorei toda a questão de “amizade virtual”, de eles nunca terem se conhecido e, mesmo assim, serem melhores amigos. Sei que muitas pessoas acham balela, mas conheci duas das minhas melhores amigas desse jeito, e outras tantas pessoas que adoro de paixão, e só conheço através de uma tela. Então ponto positivo para o James por criar uma amizade tão legal e diferente.

Falando em criar, também preciso comentar todo o universo criado por ele. Realidade virtual e tecnologia de imersão não são exatamente novas, mas o jeito que ele trabalhou deixou tudo MUITO perfeito. É o tipo de universo em que eu amaria viver e sei, como um fato, que eu passaria muito tempo conectada à VirtNet, explorando todos os seus jogos e ambientes. Claro, em um ambiente livre das ameaças e perigos que rondam “O Jogo Infinito”, porque a coisa não seria fácil não. Deixando os aspectos negativos de lado, seria um sonho fazer parte de tudo aquilo e seria difícil eu me desconectar. Mas valeria a pena, se fosse parar ler a continuação dessa trilogia. Só espero que saia logo aqui no Brasil, antes que minha curiosidade me consuma 😛