Numbers #1 – Tempo de Fuga [Resenha]

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Autora: Rachel Ward
Editora: Editora iD
ISBN: 9788516065294
Páginas: 350
Título Original: Numbers
Série: Trilogia Numbers #1 (Numbers #1)
Nota:
1 Estrela

Sinopse: Sempre que Jem conhece alguém novo, não importa quem, logo que ela olha em seus olhos, um número aparece em sua cabeça. Esse número é uma data: a data em que essa pessoa vai morrer. Sobrecarregada com tal consciência terrível, Jem evita relacionamentos. Até que ela conhece Spider, outro estranho, e ganha uma chance. Mas, enquanto eles estão esperando para embarcar no Eye Ferris Wheel, uma roda gigante, Jem percebe que todas as pessoas da fila possuem o mesmo número. A data de hoje. Terroristas vão atacar Londres. O mundo de Jem está prestes a explodir!

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Jem não é uma garota normal. Desde que era pequena, a garota possuía uma estranha habilidade, a de ver uma “sequência” de números toda vez que olhava nos olhos de alguém. O real significado dos números veio no dia em que a mãe da menina teve uma overdose e morreu, fazendo com que o seu número sumisse. Aqueles números, que até então eram apenas uma brincadeira para a menina, significavam a data da morte daquela pessoa. Não mais uma brincadeira, a habilidade passou a parecer uma maldição.

Anos se passam e Jem passa de lar adotivo a lar adotivo, nunca ficando tempo demais em um mesmo lugar. Convencida de que os números são uma maldição, a garota se fecha para o mundo, preferindo passar a vida sozinha a ter que se envolver com pessoas que ela sabe que a abandonarão. Mas isso muda quando ela conhece Spider, um garoto alto e magrelo, que tem muito o que melhorar em termos de higiene pessoal, mas que parece determinado a se tornar seu amigo. Um dia, quando os dois estão cabulando aula e visitando o centro de Londres, Jem se assusta ao ver que várias pessoas ao seu redor têm a mesma data – a data de hoje. Apavorada, ela convence Spider a sair correndo com ela dali, poucos minutos antes de uma explosão detonar uma parte da London Eye e matar todos os que estavam presentes. E é aí que a vida de Jem muda completamente, lançando-a em uma fuga frenética da polícia londrina, que parece acreditar que ela e Spider têm alguma coisa a ver com o atentado.

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Lembro a primeira vez em que vi esse livro, a ideia me fascinou e me deixou louca para saber mais sobre a história. A premissa parece fantástica e a sinopse prometia uma história de tirar o fôlego. Infelizmente, não foi nada disso que a autora entregou. Com uma narrativa cansativa e um pouco forçada em alguns aspectos, “Numbers” parece aquele livro que tenta decolar, mas que nunca consegue sair do chão. A autora abusa de palavrões, nojeiras e “rebeldia” (“nossa, eu fumo e não estou nem aí pra ninguém, como sou rebelde!”), talvez na tentativa de retratar uma “realidade”, mas só serviu para me deixar ainda mais desanimada com a leitura. Nada flui, tudo é truncado, desanimador.

A protagonista, que tinha tanto potencial para ser explorado, acabou sendo um clichê de adolescente marginalizada e excluída da sociedade. Não tinha profundidade, mesmo o drama de se saber a data da morte de todos ao seu redor é reduzido a um mimimi sem fim, e mesmo a habilidade é deixada de lado. Longe da proposta inicial, o livro retrata basicamente uma garota sem graça e sem sal, com seus “dramas” praticamente inexplorados, que sai em uma fuga impossível pelo país com seu amigo – também muito mal explorado.

Geralmente tento ver o lado positivo de todos os livros, achar alguma coisa que o salve, mas nesse caso ficou praticamente impossível. Tentei dar uma chance ao segundo livro, e também deixou a desejar, então duvido que vá ler o terceiro.

Confesso que li: O Poder dos Seis [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580571219
Páginas: 320
Título Original: The Power of Six (Lorien Legacies #2)
Série: Os Legados de Lorien (#2)
Nota: 5 Estrelas

Sinopse: O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais. O Número Um foi morto na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Tentaram pegar o Número Quatro, John Smith, em Ohio, e falharam.
Em “O poder dos Seis”, John e a Número Seis se recuperam da grande batalha contra os mogadorianos, de quem ainda fogem para salvar a própria vida. Enquanto isso, a Número Sete está escondida em um convento na Espanha, acompanhando pela Internet notícias sobre John. Ela se pergunta onde estão Cinco e Seis, imaginando se um deles é a garota de cabelo preto e olhos cinzentos de seus sonhos, cujos poderes vão além de tudo o que ela já imaginou, aquela que tem a força necessária para reunir os seis sobreviventes. (Skoob)

Comentei na resenha de “Eu sou o Número Quatro” que havia estranhado um pouco a releitura do livro. Por pouco mais de um ano, eu tive a série “Os Legados de Lorien” entre as minhas favoritas, porém, ao reler o primeiro volume, não foi exatamente como eu me lembrava e isso acabou me deixando com dúvida sobre os outros livros. Mas, agora que acabei de reler “O Poder dos Seis”, posso reafirmar o quanto eu amo essa série e o quanto a recomendo.

O liro começa em um ritmo mais tranquilo que o fim do livro anterior, mas não tão parado quando o começo de “Eu sou o Número Quatro”. Logo no primeiro capítulo somos apresentados a uma nova personagem, Marina, a Número Sete, que possui seu próprio POV (ponto de vista). A narrativa passa a ser dividida entre ela e John, que está em fuga pelos EUA com Sam e Seis, depois de ter explodido sua escola em Paradise, Ohio, e ser considerado um terrorista. Essa mudança na narrativa já deixa “O Poder dos Seis” bem mais dinâmico que seu antecessor, já que, mesmo com a necessidade de alguns capítulos mais explicativos da Marina, para que pudêssemos conhecer seu passado e sua situação, temos os capítulos que desenvolvem a história de John, Sam e Seis, que já estava em andamento desde o livro anterior e por isso flui melhor.

Quanto aos personagens, a Seis e a Marina são um bom alívio para os personagens mais clichês do livro anterior. As duas são reais, cheias de dúvidas e incertezas, forças e fraquezas, e passam longe de qualquer lugar comum. Até mesmo o John, que eu acho um  porre quando está com a Sarah, se revela bem mais natural e menos insuportável quando está na companhia de Seis e Sam. Apesar de ainda estarem presos às descrições do livro anterior, John e Sam começam a se expandir um pouco mais, a fugir da mesmice do “super herói” e do “super nerd”. Após a morte de Henri, John precisa amadurecer, e mesmo isso ainda trazendo certos clichês, já oferece uma profundidade ligeiramente maior ao personagem. Mas a rainha do livro é, sem sombra de dúvidas, Seis, que rouba todas as cenas em que toma parte.

Em síntese, apesar de ter ficado um pouco desgostosa com a releitura de “Eu sou o Número Quatro”, a releitura de “O Poder dos Seis” veio para me confirmar porque amo tanto essa série. A escrita já fica mais fluida e envolvente, os personagens ficam mais interessantes e a trama começa a tomar um rumo mais sedutor, respondendo algumas perguntas do livro anterior e propondo novos questionamentos ao mesmo tempo. Depois de ler esse livro, é impossível não querer continuar a série.

Confesso que li: Eu sou o Número Quatro [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Páginas: 352
Título Original: I am Number Four (Lorien Legacies #1)
Série: Os Legados de Lorien (#1)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: “Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais. Nosso plano era crescer, treinar, nos tornar mais poderosos e nos unir, para então enfrentá-los. Porém, eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, estamos fugindo.
O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro.
Eu sou o próximo.”

Até onde vai a sede de morte e destruição? Os mogadorianos destruíram todos os recursos de seu planeta e se voltaram para o planeta habitado mais próximo: Lorien. Em um ataque que pegou a todos de surpresa, os assassinos frios de Mogadore destruíram Lorien e dizimaram sua população. Mas, enquanto a batalha ocorria, uma nave – a única que ainda estava inteira – conseguiu escapar de Lorien com 19 passageiros a bordo. Nove crianças, membros da Garde – a força de defesa de Lorien, com poderes e habilidades especiais – seus Cêpans – os mentores das crianças, responsáveis por ajudarem em seu treinamento e desenvolvimento – e o piloto. Depois de uma longa viagem os lorienos chegaram ao planeta Terra, onde se espalharam pelos quatro cantos do globo, aguardando o dia em que seus poderes estariam desenvolvidos, seu treinamento estaria completo e eles estariam prontos para trazer a justiça aos mogadorianos e repovoar Lorien.

Mas os mogadorianos seguiram os lorienos até o planeta Terra e começaram a caçá-los um a um. Um feitiço realizado por um Ancião de Lorien antes de as crianças embarcarem na nave provou-se a única forma de garantir que elas não seriam mortas imediatamente: a cada criança foi dado um número, e elas só poderiam ser mortas naquela ordem. Caso uma criança fosse atacada “fora da ordem”, o dano seria revertido para a pessoa que a atacou. E a única forma desse feitiço ser quebrado seria se os membros da Garde se uniram.

Dez anos se passaram desde que a nave loriena chegou em nosso planeta e os lorienos passaram a se esconder entre os humanos. Enquanto tentava aproveitar um dos raros momento de descontração em seu último endereço (já havia perdido as contas de quantas vezes se mudara nos últimos anos), o Número Quatro sente uma queimação em sua perna e uma cicatriz, sua terceira, surge em seguida. Ele sabe o que isso significa, sabe o que aconteceu e quais serão as consequências. O Número Três está morto. Os mogadorianos virão atrás dele agora. Estará ele pronto? Quando finalmente irá parar de fugir e se esconder?

Li quatro livros desta série no ano passado e fiquei tão fascinada e encantada que a coloquei na minha lista de séries preferidas de todos os tempos. Cada vez que alguém me pedia uma recomendação de série, automaticamente soltava Os Legados de Lorien. O quinto livro foi lançado este mês e, como tenho uma memória realmente muito fraca, resolvi reler a série desde o começo. E, enquanto lia “Eu sou o Número Quatro” só conseguia pensar: foi esse livro mesmo que eu li e me apaixonei?

Veja bem, tão logo comecei a leitura, fui ler algumas críticas e resenhas no Goodreads e acho que isso me fez perceber algumas coisas que não tinham me incomodado tanto em minha primeira leitura. Essa releitura realmente me fez perceber algumas coisas que eu não tinha percebido na primeira vez, ou simplesmente não tinham me chamado tanto a atenção. E, infelizmente, este primeiro volume de Os Legados de Lorien não é tão bom quanto eu me lembrava – pelo menos não completamente.

O início da história tem um ritmo bem lento e tranquilo, a sensação de que temos é que nada acontece. Depois de receber sua terceira cicatriz – parte do encantamento lórico, que indica que um dos lorienos morreu -, Quatro e seu Cêpan Henri preparam-se para mudar de casa mais uma vez. Abandonam o calor da Flórida para se mudarem para Paradise, Ohio, onde Quatro adota seu novo nome, John, que o acompanha por toda a duração da série. Neste início do livro temos toda a apresentação do universo de Os Legados de Lorien, quem são os lorienos, os mogadorianos e como seus caminhos se cruzaram. Descobrimos sobre a missão dos lorienos na Terra, de se fortalecerem e desenvolverem seus Legados – como são chamados os poderes e habilidades que cada um dos membros da Garde desenvolverá – até estarem prontos para derrotar os mogadorianos e trazer a vida de volta a Lorien. E também descobrimos que os mogadorianos não estão na Terra apenas para caçar os sobreviventes, mas também para dominar o planeta. Não destruindo tudo, como fizeram em Lorien, mas possivelmente dizimar a raça humana e estabelecer a Terra como sua nova morada (e não, isso não é spoiler).

Ao mesmo tempo em que é bom descobrir todos esses (e outros elementos), nessa releitura eu realmente senti um pouco mais forte essa sensação de “nada acontece” no começo do livro. John e Henri se mudaram para a pacata cidade de Paradise, e a impressão que me deu é que o início da história acabou assumindo o mesmo tom pacato. Não é do tipo que te faz largar o livro e nunca mais querer pegar na mão, mas ficar ansiando por alguma ação ou emoção, já que a premissa da história parece prometer isso a torto e a direito.

Lá pela metade do livro, por volta do capítulo 18, temos o primeiro boom de adrenalina real (não que nada ocorra antes disso, mas é o primeiro momento em que o livro realmente fica acelerado) e aí vemos onde a série se destaca, e muito: nas cenas de ação. Mesmo nessa segunda leitura, enquanto me encontrava ligeiramente desanimada por me deparar com algo diferente do que eu me recordava, e mesmo sabendo tudo o que aconteceria, não deixei de me contagiar pelos acontecimentos descritos na noite de Ação de Graças. E não se trata apenas do confronto em si, mas de toda a construção e expectativa.

Neste ponto os autores (James Frey e Jobie Hughes, sob o pseudônimo de Pittacus Lore) trabalham muito bem, desenvolvendo cenários que fazem os leitores, ou pelo menos eu, devorar as páginas. O mesmo se repete nas cem últimas páginas da história, quando você não consegue desgrudar os olhos das páginas por um minuto que seja. Por mais que o livro tenha um começo um pouco lento, do começo ao fim você simplesmente não consegue parar de ler. A narrativa é em primeira pessoa e no tempo presente, o que é até fácil de acostumar, principalmente para quem já leu Jogos Vorazes, que também apresenta este formato de narrativa.

Outro ponto que me incomodou foi o desenvolvimento dos personagens – pelo menos alguns deles. Os principais personagens (John, Sarah, Sam, Mark) ficaram um pouco clichês demais, aquela fórmula pronta do herói, garota perfeita, nerd e valentão (na respectiva ordem dos personagens citados acima). Apesar de eu ainda adorar o livro (estava decepcionada no começo, mas cheguei ao fim lembrando porque amo a série), acho que faltou trabalhar um pouco mais os personagens, e não cair no esteriótipo, na solução pronta. Apesar de pequenas mudanças em cada um deles ao longo da história, o que nós encontramos é a definição quase literal do papel que cada um deles assume, sem permitir que suas personalidades sejam mais exploradas.

E outra coisa que não gostei, e isso eu sei que não gostei na primeira vez em que li também, foi o romance entre John e Sarah. Ah, por Lorien, que casal mais chatinho! Sarah é o cúmulo da perfeição, a garota que desistiu de ser líder de torcida e resolveu ser boa e gentil com todo mundo. Ela tira fotos, assa cupcakes e constrói abrigos para animais em seu tempo livre. E tudo isso com uma aparência impecável, aposto que nem o cabelo saí do lugar. E todo o romance desenvolvido com John é daqueles “amor à primeira vista”, com longas trocas de olhares cheios de significado e perfeição a cada segundo. Desculpe, mas eu não compro isso. Gosto de romances, sou uma romântica incurável, mas o romance desenvolvido é tão doce que chega a me dar dor de dente. Acho que não casou com a história e, diferentemente da parte de ação, os autores erraram a mão – e feio – ao desenvolver essa história de amor. Sei que boa parte da trama se deve ao romance dos dois, mas simplesmente ficou superficial, artificial e “perfeitinho” demais. Nenhum relacionamento é perfeito, e o deles só me deixa irritada.

Também me deparei com algumas coisas na história que parecem não fazer muito sentido, mas acredito que durante o desenvolvimentos dos outros livros (bom, do quinto em diante, pelo menos) elas devem ser solucionadas. E, apesar da crítica ainda parecer completamente negativa, continuo gostando do livro. Queria que a personalidade de alguns personagens fossem mais trabalhadas? Sim. John e Sarah juntos me irritam? Demais! Mas ainda lembro da história dos outros livros, dos personagens e acontecimentos que estão por vir, e não posso deixar de gostar da série. Talvez possa me conformar com “um começo não tão bom para uma série envolvente”.

Confesso que li: Vingança da Maré [Resenha]

Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574043
Páginas: 288
Título Original: Revenge of the Tide
Nota:
 4 Estrelas

Sinopse: Depois de trabalhar arduamente por muito tempo alternando um emprego como executiva de vendas durante o dia com o de dançarina de pole dance à noite, Genevieve finalmente conseguiu juntar dinheiro para realizar seu sonho: comprar e reformar um barco e mudar-se para Kent, bem longe da estressante vida em Londres que tanto a aborrece. Tudo parece enfim perfeito. Até que, na festa de inauguração do barco, enquanto amigos de sua velha vida parecem zombar do que agora lhe é tão caro, um corpo aparece boiando próximo ao ancoradouro, e Genevieve reconhece a vítima. Ao perceber seu santuário flutuante maculado, e convencida de que sua vida também está em risco, Genevieve se vê novamente envolvida com o perigoso submundo de corrupção, crimes e traição do qual pensava ter finalmente escapado. E está prestes a descobrir os problemas de misturar negócios e prazer.

Lembro que me deparei com a resenha do livro “No Escuro” em algum blog, e a sinopse e a capa foram o bastante para me deixar mais do que interessada na leitura. Procurei o nome da autora no Skoob e acabei me deparando com outros dois livros, “Restos Humanos” e “Vingança da Maré”. Muito tempo se passou, minha linda memória nunca me deixava lembrar de comprar um destes livros quando acessava o Submarino, e a coisa foi ficando. Ano passado, durante a Bienal, encontrei o livro por R$ 5,00 no estande da Intrínseca e não pensei duas vezes antes de comprar.

O livro conta a história de Genevieve, que, depois de conseguir guardar uma considerável quantia de dinheiro, comprou um barco e decidiu passar um ano morando nele, enquanto o reformava. Ela saiu do agito e da correria de Londres e se estabeleceu em Kent, onde passou a viver na pequena e familiar comunidade da marina. Depois de cinco meses trabalhando em seu barco, mesmo com algumas alterações ainda pendentes, ela decidiu que estava na hora de dar uma festa de inauguração do seu novo “lar”, convidando os novos amigos da marina e os antigos amigos de Londres. Apesar da zombaria de seus antigos amigos, Genevieve estava satisfeita com seu novo estilo de vida e com o que havia conquistado ali, orgulhosa de seu trabalho e decidida a esquecer o passado. Mas seus planos foram por água a baixo quando, na mesma noite da festa, ela se deparou com um corpo boiando na água, e percebeu que era alguém que fazia parte desse seu passado. Enquanto a polícia passa a investigar esse misterioso caso, Genevieve deve lidar com os fantasmas de seu passado, que parecem mais do que dispostos a invadir o seu presente.

“Vigança da Maré” foi um livro que, a seu modo, me surpreendeu. Não sabia muito bem o que esperar da autora, ou se iria ou não gostar do livro, então foi com uma grande satisfação que terminei a leitura com aquela sensação de “realmente valeu a pena”. Apesar de ter sentido durante boa parte da leitura que algo estava faltando, quase como se esperasse a todo momento uma grande revelação ou acontecimento que me deixasse de queixo caído, toda a narrativa do livro foi muito concisa e envolvente, resultando em um material que me agradou em todos os momentos.

A escrita da Elizabeth é bem construída e elaborada, mas fluida e sem exageros ao mesmo tempo. Fiquei um pouco confusa e perdida quando ela apresentava termos próprios da vida na marina, principalmente quando descrevia partes do barco, mas de maneira nenhuma senti que isso atrapalhou a compreensão da história. A narrativa é dividida entre o presente, enquanto acompanhamos a investigação que tem início quando o corpo é encontrado ao lado do barco de Genevieve e todos os seus desdobramentos, e o passado, quando descobrimos mais sobre a vida da protagonista, principalmente no último ano, e como isso está atrelado às descobertas e consequências do presente.

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Achei os personagens bem construídos e originais, sem cair em clichês ou em algum “lugar comum”. A protagonista, apesar de seus momentos de dúvida e incerteza, é forte e decidida, o que foi um bom atrativo. Quanto mais descobria sobre seu passado, mais eu conseguia me relacionar com ela – mais “verdadeira” ela se tornava. Os personagens secundários também conquistaram seu espaço, principalmente os moradores da marina, apesar de eu viver confundindo e esquecendo quem era quem.

Se não fosse aquela sensação de que algo estava faltando algo, a espera por uma revelação de cair o queixo que nunca veio – não que o mistério não foi bem construído, mas fiquei esperando algo a mais -, facilmente teria dado cinco estrelas. Para o primeiro livro da autora que li, fiquei satisfeita com o resultado e mais do que interessada em ler as outras obras.

Confesso que li: Gone [Resenha]

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Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576794073
Páginas: 205
Título Original: Gone
Série: Trilogia Wake #3 (Dream Catcher #3)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: No início Janie acreditava que já sabia o que o futuro lhe reservava e pensou que estava em paz com isto. Mas, o que Janie não suportou, foi ver Cabel afundando com ela. Janie só vê uma maneira de dar a Cabel a vida que ele merece – ela precisa desaparecer. Mas isto pode destruir os dois. Então, um estranho entra em sua vida – e tudo se desfaz. Seu futuro, antes previsto, sofre uma reviravolta trágica e suas escolhas se tornam mais terríveis do que Janie jamais imaginou. Ela só precisa escolher o menor dos dois males. E o tempo está se esgotando…

Ainda no estilo “não consigo desistir de uma leitura”, fui em frente e li o último livro da trilogia Wake, “Gone”. Depois de me animar um pouquinho mais com “Fade”, esperava que o terceiro livro seguisse a melhoria e trouxesse um desfecho que compensasse a história, mas até hoje não sei ao certo o que acho de “Gone”.

O livro começa pouco depois da conclusão de “Fade”, quando Janie está enfrentando as consequências do caso anterior. Sendo a principal testemunha (e quase vítima) do caso de abuso sexual por parte de três professores da Fieldridge High, Janie passa a enfrentar o inferno em sua cidade, onde todos sabem quem ela é e se acham no direito de comentar como se ela nem estivesse ali. Sufocada nesse mar de atenção, Janie tenta se manter à tona e manter sua sanidade, mas as descobertas sobre qual será o seu futuro não a deixa muito otimista quanto a isso. Cega e aleijada. É isso que o seu “dom” reserva para ela no futuro, quando as crises que seguem os mergulhos nos sonhos tirarem de vez sua visão e o controle sobre suas mãos. E o pior é sentir que não só o futuro dela está condenado, mas que ela acabará condenando todos aqueles que estão ao seu redor – principalmente Cabel. Cabe agora a ela decidir o que fazer. Viver em meio a sociedade, sabendo o que a aguarda, ou se isolar completamente do mundo, pensando ser a solução? O destino de um suposto estranho pode ser a chave para ajudá-la a se decidir…

Ok, preciso admitir: resumindo os acontecimentos da história para escrever a descrição ali em cima, até que parece uma história muito boa, não? Janie confirma aquilo que sempre suspeitou, que seu dom é, na verdade, uma maldição, e que seu destino está fadado ao fracasso enquanto permanecer nesse caminho. Com os diários da senhora Sturbin, assim como seus encontros com ela, Janie descobriu que o preço que o seu dom cobra é realmente alto demais: com o passar dos anos, e pouquíssimos anos, ela ficará cega e perderá todo o controle sobre suas mãos. Precisará de ajuda para as coisas mais simples, e prenderá as pessoas que a amam a uma vida de cuidadores. Janie, que sempre prezou tanto  por sua independência, não pode e não consegue aceitar um futuro que a tornará tão dependente, que fará com que ela transforme-se em um fardo para os outros. Mas também não sabe como escapar.

Conforme a história vai se desenvolvendo, uma alternativa se apresenta à Janie, e ela parece cada vez mais tentada a aceitá-lo. Mas esta alternativa vem com um mistério, que ela pensa ter resolvido, o que facilita a decisão que ela quer tomar. Apesar de não ter me envolvido muito com o primeiro livro, e um pouco mais com o segundo, acredito que este último livro traz uma trama interessante à história, complementando o que já havíamos descoberto em “Fade”. Não, isso não deixa o livro (ou a trilogia) fantástico, mas foi interessante ver como foi trabalhada essa questão da consequência ao dom, do passado de pessoas que sofreram o mesmo destino e como Janie tenta lidar com isso com as poucas informações que dispõe. A trama não é perfeita, não é daquelas que te faz virar página atrás de páginas, mas serve para mantê-lo entretido e envolvido em certo nível.

E então por que, apesar disso, não sei ao certo o que pensar do livro? Porque a Janie esteve mais insuportável do que nunca. Eu entendo a questão do medo de não saber o que vem pela frente, o peso da decisão que está na balança, a indecisão e confusão, mas achei particularmente difícil me importar com a Janie depois de todo o drama que ela fez dentro da cabeça dela. Como gostar de um livro quando você fica revirando os olhos a cada decisão da protagonista? Tudo bem que é mais fácil para o leitor pular para algumas conclusões e que é comum o personagem levar mais tempo, mas eu realmente peguei uma antipatia profunda pela Janie, o que me deixou dividida quanto ao livro. A ideia da trama central da trilogia, que é apresentada e finalizada nesse livro, é interessante, dá para compensar um pouco o fiasco do primeiro volume, mas acho que a execução, como nos outros volumes, deixou a desejar.

Confesso que li: Fade [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793816
Páginas: 240
Título Original: Fade
Série: Trilogia Wake #2 (Wake Trilogy #2)
Nota:
 2,5 Estrelas

Sinopse: Para Janie e Cabel a vida real está se tornando mais difícil do que os sonhos. Eles estão tentando (em segredo) passar um tempo juntos, mas ainda não tiveram esta sorte. Coisas perturbadoras estão acontecendo em Fieldridge High, mas ninguém quer falar a respeito. Quando Janie penetra os pesadelos violentos de um colega de classe, o caso finalmente se torna claro, mas nada sai como planejado.
A cabeça confusa de Janie e o comportamento chocante de Cabe têm graves consequências para ambos. Pior ainda. Janie Descobre a verdade sobre si mesma e sua habilidade. E é desolador. Realmente desolador. Não só o seu destino está selado, como o que está por vir é muito mais sombrio do que seu pior pesadelo…

Eu não sou o tipo de pessoa que costuma desistir de uma leitura, tipo, mesmo. Por essas e outras, mesmo não gostando muito de Wake, resolvi ler Fade para completar a trilogia. Bom, achei que pior que Wake não dava para ficar e, felizmente, estava ligeiramente certa. Nesse segundo volume, vemos Janie se juntando à equipe da Narcóticos chefiada pela Capitã, trabalhando lado a lado com Cabel, depois de sua ajuda no caso anterior. Janie e Cabel continuam seu relacionamento, mas, como o caso anterior ainda não foi encerrado, os dois não podem deixar ninguém saber que estão juntos, devendo se encontrar sempre em segredo. O primeiro caso que Janie pega é uma investigação sobre um suposto predador sexual que ronda as paredes de sua escola, provavelmente um dos professores, e a investigação a leva a muitas situações de perigo, o que deixa Cabel louco. A tensão do trabalho, do relacionamento secreto com Cabel e mesmo das descobertas que Janie faz sobre sua própria condição, sobre quem ela é e o que o futuro reserva para ela, podem ser mais do que ela pode aguentar, ameaçando levá-la ao seu limite…

Ok, acho que ficou bem evidente o quanto desgostei do primeiro livro e o quanto fiquei decepcionada com a leitura, já que era algo que eu estava esperando há mais de um ano, por isso já comecei a leitura do segundo livro sem expectativa alguma. Não vou dizer que foi uma surpresa, ou que a autora conseguiu reverter o quadro e criar um livro incrível, mas posso dizer que a “decepção” já foi bem menor do que com o primeiro. Eu comecei o livro já revirando os olhos, pensando “serão mais 200 páginas perdidas”, e até fiquei um pouco confusa com a questão do trabalho da Janie, já que não fazia tanto sentido e parecia uma coisa um pouco forçada. Não conseguia entender como um caso de um predador sexual poderia ser investigado pelo departamento de Narcóticos, já que são assuntos distintos e provavelmente haveria uma equipe específica para esse tipo de investigação, mas depois de um tempo eu tentei relevar essa questão que me parecia pouco plausível e “comprar” a história.

Sobre livros com dedicatória ♥

Mesmo não sendo possível resgatar ou recuperar a catástrofe que eu achei que foi “Wake” (e me perdoe quem gostou, mas realmente achei que foi uma catástrofe), a autora conseguiu criar uma trama um pouco mais envolvente e atraente nesse segundo volume. Sim, a história ainda conta com alguns furos, não vou negar, mas esse livro me prendeu um pouquinho mais que o volume anterior, mesmo porque a narrativa da Lisa já mudou um pouco. As frases curtas, de duas ou três palavras cada e divididas em alguns parágrafos, que me causaram tanto estranhamento no volume anterior, desaparecem um pouco, apesar de não sumirem por completo. O leitor consegue encontrar uma história um pouco mais amarrada e com uma fluidez maior, e confesso que realmente fiquei envolvida quando tudo começou a caminhar para o desfecho, fiquei imaginando possibilidades e tentando descobrir quem seria inocente ou culpado – e como seria o envolvimento de Janie e Cabel em toda aquela questão.

Por mais que a trama tenha me prendido um pouco mais, os personagens continuam com o mesmo aspecto unilateral do livro anterior, não dando aquela impressão de que eu estava lendo sobre pessoas reais, que eles realmente poderiam existir, e isso sempre faz um livro perder alguns pontos comigo, pois não consigo me importar muito com os personagens e me relacionar com eles. Apesar de ter encontrado um ou outro erro de revisão, o livro me pareceu mais bem estruturado que o volume anterior, com menos deslizes e absurdos, o que também me ajudou a ter uma impressão melhor desse volume.

Apesar de não estar nem perto da minha lista de preferidos, ou das melhores leituras do ano, ou de qualquer lista positiva que algum dia eu possa fazer sobre livros, “Fade” já mostrou uma melhora em relação ao livro anterior, sendo uma boa continuação quando se leva em conta o nível de “Wake”. Ainda não é o bastante para me fazer recomendar a leitura, ou dizer “uau, você precisa ler esse livro!”, mas, se você já começou a leitura de “Wake”, considero válido ler o segundo volume.

Confesso que li: Wake [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793403
Páginas: 205
Título Original: Wake
Série: Trilogia Wake (Wake Trilogy)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal.
Janie não pode contar a ninguém sobre o que acontece com ela – eles nunca acreditariam, ou pior, achariam que é uma aberração. Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar.
Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante…

“Wake” é aquele tipo de livro que tinha de tudo para ser um sucesso no seu gênero. Lembro de me deparar com o livro no Submarino, ficar interessada pela capa, ler a sinopse no Skoob e ficar PIRADA pelo livro. Já marquei a trilogia na minha lista de desejados e vez ou outra ficava relendo a sinopse do primeiro livro, pensando em quando finalmente poderia ler. No meu último aniversário, ganhei a trilogia de presente de uma amiga minha (oi, Via! ❤ ) e comecei a ler alguns dias depois. Foi quando todo o meu ânimo foi por água abaixo.

O livro conta a história de Janie, uma garota que, desde sua infância, é sugada para o sonho das pessoas e se torna uma observadora passiva até que algo faça com que a pessoa acorde. O livro é narrado em terceira (e algumas vezes primeira) pessoa e no tempo presente, o que fez com que eu demorasse um pouquinho até pegar o ritmo de leitura, já que não estou tão acostumada a este tipo de narrativa. Apesar de ter uma premissa fantástica, achei todo o desenvolvimento da história muito fraco – o que é uma pena. Eu esperava que a situação dos sonhos fosse mais explorada, ou talvez explorada de uma forma diferenciada, mas achei que tudo ficou um pouco confuso ou mal explicado. Tinha uma imagem na minha mente e ela passou longe do que a autora trabalhou em seu livro, mas bem, bem longe. Isso acontece muitas vezes e geralmente não ligo, mas, pelo menos neste caso, achei que a história que tinha imaginado na minha cabeça era bem mais legal do que a que eu encontrei nas páginas.

Uma das coisas que me fez desanimar muito durante a leitura foi a (falta de) construção dos personagens. Ok, não esperava nada tão complexo ou fantástico quanto o Mr. Darcy (ah, Darcy ❤ ), mas as crias de McMann deixaram a desejar, pelo menos para mim. Não que os personagens seguissem a linha dos clichês ou esteriótipos (pelo menos não os dois principais, pois outros personagens foram bem clichês sim), felizmente, mas achei tudo muito… superficial, por assim dizer. Não havia um desenvolvimento maior ou camadas, algo a ser descoberto com o tempo. A impressão que eu tinha era que estava lendo sobre criaturas unilaterais, mesmo com a tentativa da autora de criar um histórico sombrio e misterioso para um ou outro personagem. Também não conseguia entender as súbitas mudanças de humor da protagonista, que parecia ir da água para o vinho sem motivo algum. Em um segundo ela estava bem, em outro estava gritando com sua melhor amiga como se tivesse sido atacada primeiro, e eu só conseguia me perguntar se tinha faltado algum trecho da história no meu livro.

A interação de Janie e Cabel também é algo que nunca conseguirei entender direito. Lembro de uma situação específica em uma viagem escolar, em que algo “ai meu Deus” aconteceu (não vou dar spoiler, hehe), e a reação dele foi tão exagerada e tão extrema que eu realmente não consegui acreditar. Não faria sentido algum ele reagir daquele jeito ou chegar àquela conclusão com as pouquíssimas informações que possuía, e me parecia que a autora queria aquela situação, mesmo que não fizesse sentido algum na história ou no momento, e isso para mim não tem desculpa.

Mas infelizmente não foi apenas a pobreza dos personagens que me desanimou, já que a escrita também não me conquistou nem um pouco. Sei que nem todo mundo precisa ser um Tolkien da vida e passar uma página descrevendo o tom de verde da grama de uma campina por onde tal personagem iria passar (não, não li Tolkien, mas está na lista), mas a Lisa não nos dá quase nenhuma descrição e isso é um pouco frustrante. O livro é composto por frases curtas e diretas, muitas vezes diretas até demais. E há um trabalho de dividir alguns trechos em parágrafos, para querer dar um impacto maior àquelas poucas palavras envolvidas, que eu achei que na maioria dos casos simplesmente não funcionou muito bem.

Para acabar (juro que já estou acabando), o outro problema que tive com o livro foram os muitos erros de tradução e revisão – tipo, muitos mesmo. Não li muitos livros da editora, para saber se é um problema geral ou pontual, mas fiquei realmente desorientada com alguns erros que encontrei. Com os erros de tradução, em alguns casos eu conseguia imaginar qual tinha sido a expressão utilizada pela autora e qual seria a tradução correta, e ficava incomodada por saber que tinham colocado uma tradução completamente aleatória. Como quando colocaram “Ele põe a mão nas pequenas costas dela […]”, e em inglês a autora colocou “He slips his hand onto the small of her back” (sim, fui procurar como estava no original, para não acabar falando besteira), o que seria traduzido para algo como “na base das costas”, não “nas pequenas costas”. Em outros erros de tradução, eu simplesmente ficava boiando e só sabia que alguma coisa estava errada porque a frase não fazia muito sentido do jeito que estava. Também me deparei com muitos erros de digitação e revisão, como “algúem” e “denovo”, que foram os casos que lembrei de registrar com a câmera do celular. Pode-se somar a isso uma mudança constante no foco do narrador (apesar de ser narrado em terceira pessoa, não são poucos os casos em que você pode se deparar com uma mudança para primeira pessoa, sem justificativa alguma, no meio de um parágrafo que, até então, narrava na terceira pessoa) e uma confusão na indicação de falas, pensamentos e narrativa, o que te faz ter que reler um trecho ou outro, para descobrir qual era o intuito ali. A bagunça era tanta que eu já não sabia mais dizer o que era falha da autora ou da editora.

Em síntese, foi uma leitura muito infeliz e eu, honestamente, não recomendaria este livro a ninguém. Continuei lendo a trilogia, porque não consigo abandonar uma leitura, e posso dizer que o terceiro livro fica um pouquinho melhor, mas não o bastante para valer a leitura da trilogia completa.

Confesso que li: 3096 Dias [Resenha]

Autor: Natascha Kampusch
Editora: Verus
ISBN: 9788576861072
Páginas: 225
Título Original: 3096 Tage
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador – o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero. Natascha Kampusch fala abertamente sobre o sequestro, o período no cativeiro, seu relacionamento com o sequestrador e, sobretudo, como conseguiu escapar do inferno, permitindo ao leitor compreender os processos de transformação psicológica pelos quais passa uma pessoa mantida em cativeiro, sofrendo todo tipo de agressão física e mental imaginável.

Talvez essa tenha sido uma das resenhas mais difíceis que tentei escrever até hoje, simplesmente porque não é fácil escrever uma resenha sobre uma história tão sofrida e difícil quanto a da Natascha. Estou acostumada a ler ficção, histórias de “faz-de-conta”, em que você sabe que o vilão é de mentirinha e tudo fica para trás quando você fecha o livro, então foi extremamente difícil ser confrontada por essa realidade. O relato começa na primeira infância de Natascha, quando ela apresenta o mundo que conhecia como criança, sua relação com seus pais e sua família, e como isso foi mudando aos poucos conforme ela crescia. De princesa da família, a adorável caçula, ela passou a uma criança tímida e introvertida, acima do peso e com problemas de autoestima. Os problemas e desafetos em casa desenvolveram nela um desejo por independência e liberdade, idealizando seus 18 anos como a idade em que sua vida mudaria, pois já seria uma adulta. Mas um dia, na primeira vez em que estava indo sozinha de casa para a escola, todos os seus sonhos e planos foram interrompidos por Wolfgaang Priklopil, que a sequestrou e a levou para um cativeiro – seu lar pelos próximos oito anos.

O livro foi escrito alguns anos após a fuga de Natascha e morte de seu sequestrador – que se suicidou no mesmo dia, provavelmente para não ser capturado pelas autoridades locais -, e mostra não apenas suas memórias, mas a análise que ela própria faz de tudo aquilo que viveu e experimentou nos longos anos de cativeiro. O tipo de análise que ela apresenta sobre suas ações e reações (como sua mente acabou regredindo nos primeiros dias de cativeiro, voltando a ter a percepção de mundo de uma criança de 4, 5, anos, e como isso permitiu que ela sobrevivesse às primeiras semanas, etc), além de diversos comentários que ela apresenta durante o livro, evidencia a busca pelo conhecimento teórico daquilo que ela vivenciou na prática, talvez como uma tentativa de compreender tudo o que lhe ocorreu durante aqueles anos. Ela discorre sobre tortura psicológica e física, apresentando as causas e consequências do que vivenciou no cativeiro, como determinada ação do sequestrador tinha um efeito específico sobre seu corpo e sua mente. Podemos ver a transformação que ela sofreu ao longo dos anos, como foi privada de sua liberdade e autoconfiança, como foi “trabalhada” pelo sequestrador até que ela se aproximasse daquilo que ele considerava ideal e, como mesmo assim, não era o bastante para ele.

Apesar de ser uma leitura um pouco mais pesada, me vi envolvida pela história de Natascha desde o momento em que ela relata o sequestro, não conseguindo deixar o livro de lado até terminar a última página. Em alguns momentos, principalmente quando ela começa a relatar os abusos físicos que sofria, com repetidas surras e maus tratos, me dava uma vontade de deixar o livro de lado por alguns momentos, nem que fosse para ler algumas páginas de alguma coisa mais “leve” e conseguir respirar um pouco, mas estava ansiosa para chegar ao ponto em que as coisas mudariam, em que todo aquele sofrimento seria deixado para trás, e era basicamente isso que me impulsionava – a certeza de que o caos na vida de Natascha chegaria ao fim e o desejo de chegar logo a essa parte.

Não foi uma das melhores leituras do meu ano, nem uma das mais prazerosas, mas “3096 Dias” realmente traz uma análise diferenciada sobre o comportamento humano, não apenas sobre a transformação de Natascha, mas de sua própria análise de Wolfgaang. A escrita parece ser, ao mesmo tempo, o relato da pequena Kampusch, descrevendo todo seu tormento, e a análise clínica de um observador externo, o que em alguns momentos me deixava um pouco desconcertada. No geral, foi uma boa leitura, e agradeço à Manu por me proporcionar esta experiência.

Confesso que li: Preciso Rodar o Mundo [Resenha]

Autora: Michelli Provensi
Editora: Da Boa Prosa
ISBN: 9788564684447
Páginas: 240
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Ser modelo de sucesso é um sonho de muitos jovens em todo o país. A moda atrai a atenção com os investimentos e todo o espaço que ocupa na mídia. O Brasil alcançou uma posição de destaque nesse universo; nossas modelos atingiram o topo dos rankings e da fama, ganhando milhões por ano e alimentando ainda mais esse sonho. Nem todas as 1 MILHÃO de jovens que se inscrevem nos principais concursos de beleza vão chegar lá, mas o livro de Michelli Provensi é um aliado daquelas que têm persistência e querem aprender sobre os bastidores e a realidade nem sempre glamourosa dos desfiles e ensaios. Modelos quase sempre estão no lugar certo, o problema é que, também, quase sempre com a roupa errada. Fotografam biquíni em pleno inverno, muitas vezes na neve. Fotografam aqueles casacos que quase nunca são usados, debaixo de 40 graus; isso sem contar as horas e horas para um click ou um desfile. A vida delas não é nada fácil, é bem mais complicada do que o belíssimo resultado impresso numa revista. Michelli Provensi demonstra que não é apenas um corpo a serviço de uma marca, ela interrompeu os estudos, mas é muito inteligente e conectada, tem atitude, canta, interpreta, dança e pode ser a guia ideal para esse mundo que desperta muita curiosidade. Um livro para modelos, pretendentes e curiosos sobre o universo da moda. Ah, um aliado indispensável para toda mãe de modelo.

All the models in the house, all the models in the house representing ♪” (~lecantando~). Já devo ter mencionado por aqui, mais de uma vez, que não sou muito fã de livros de não ficção. Leio livros de fantasia, drama, romance, mistério, suspense, ficção científica, enfim, praticamente tudo que seja ficção, mas nunca tive muita conexão com livros que não fossem de ficção. Mas, como nem só de ficção se faz a vida de um leitor, me deparei com a leitura de “Preciso Rodar o Mundo”, da modelo (e agora escritora) Michelli Provensi, livro publicado pelo selo Da Boa Prosa da editora Livros de Safra. O livro conta os bastidores do tão badalado mundo da moda, o lado da vida das modelos que ninguém conta (ou não contava). Nunca fui ligada em moda, para mim é um assunto de outro planeta, mas, conforme lia, me vi completamente fascinada pela história da Michelli. Não só pela história em si, mas pelo jeito leve, descontraído e verdadeiro que ela utilizou para contar sua jornada pelo mundo da moda.

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O livro é dividido em pequenos capítulos que apresentam os diversos aspectos da vida da modelo até então, desde sua infância como a “garota esquisita” até seu retorno para casa, passando pelos pontos altos – e baixos – de sua carreira. Apesar de não seguir uma ordem cronológica, o livro apresenta diversos momentos da carreira de Michelli, e aos poucos vamos montando uma colcha de retalhos com a história dela. O que mais me fascinou em toda a leitura foi a escrita de Provensi, que é completamente envolvente. A leitura da história te dá a impressão de que ela está te contando tudo aquilo, como se estivesse ali contigo e falando sobre suas aventuras e desaventuras, da mesma forma como contamos a um amigo o que aconteceu conosco em determinada situação. A linguagem, a construção, a descontração, tudo faz com que você se sinta conectado à história que ela te conta, como se fosse um conhecido te contando uma história que aconteceu com ele.

O humor é outro elemento muito presente no livro. Tanto na construção dos títulos dos capítulos (ri sozinha enquanto lia o índice, já me perguntando qual seria a história apresentada no capítulo que tinha um título como aquele) quanto na forma de contar a história, o humor e a personalidade da autora se faziam muito presentes, deixando a história ainda mais gostosa de se ler. Seja ao narrar a história do modelo que não sabia qual o lado certo para vestir o famigerado “tapa-sexo”, ou a história de como perdeu um casting de um estilista famoso por não reconhecer quem era e preferir assistir a um jogo do Brasil na Copa, que ocorria ao mesmo tempo, entre tantas outras histórias, Michelli consegue fazer o leitor mergulhar no lado desconhecido da profissão, mostrando que a vida de modelo não é tão fácil ou tão inatingível quanto alguns pensam. Como fã de futebol, ela chega inclusive a fazer comparações entre a vida dos modelos e jogadores de futebol, mostrando como alguns elementos se fazem presentes nas duas carreiras.

A autora nos dá uma lição de como devemos ir atrás de nossos sonhos, mesmo quando não sentimos que somos capazes para isso. Como não podemos abandonar aquilo que queremos e como temos que confiar em nosso potencial. Também ensina que a jornada não será fácil, mas que isso não é motivo para desistirmos. Ao apresentar suas próprias memórias, ela nos faz pensar em tudo aquilo que queremos para nós e se estamos fazendo o possível para chegar lá (pelo menos foi essa a relação que tive com o livro). De uma garota “franzina” e desengonçada a modelo internacional, de beleza “exótica”, Michelli provou que é possível conquistar o mundo, desde que se decida dar o primeiro passo.

Confesso que li: Perdão, Leonard Peacock [Resenha]

Autora: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580573954
Páginas: 224
Título Original: Forgive me, Leonard Peacock
Nota: 4 Estrelas

Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

As pessoas costumam planejar muitas coisas para seus aniversários: festas, reuniões com amigos e familiares, jantares. Elas costumam esperar as felicitações dos amigos e os eventuais presentes – mesmo que a mera lembrança da data. Mas não Leonard. É seu aniversário de dezoito anos e ele tem um plano completamente diferente para o dia: vai matar seu ex-melhor amigo, com a arma alemã que pertencera ao avô, e então se matar. Mas, antes de levar a cabo seu plano, encontrará quatro pessoas, aquelas que considera as mais importantes de sua vida, e entregar um presente a cada uma delas. Uma última despedida, um último adeus, para que elas saibam que não foi culpa delas. Enquanto o relógio avança e o fim do dia vai chegando, vemos o desenrolar do plano de Leonard em ação.

Preciso confessar que não sabia ao certo o que esperar do livro quando li sua sinopse pela primeira vez, em uma livraria perto de casa. Não sabia o que esperar quando comprei o livro alguns meses depois, e continuava sem saber quando comecei a lê-lo. Apesar da premissa prometer um homicídio/suicídio, acho que estava esperando algo mais leve, superficial, “água com açúcar”. Ok, não sei como poderia esperar algo leve de um livro que aborda assassinato, mas, por ser Young Adult, acho que estava esperando o famoso mais do mesmo, a fórmula simplista que muitos autores estão tentando empurrar garganta abaixo nos jovens leitores. Eu não poderia estar mais enganada.

O livro conta a história de Leonard pela perspectiva do próprio personagem, com foco no dia do seu aniversário. Logo de cara ficamos sabendo de seu plano e sabemos que algo não está certo – apesar de não sabermos exatamente o quê. Descobrimos que alguma ação de Asher, o ex-melhor amigo de Leonard, desencadeou aquele seu comportamento destrutivo, e todo o desenvolvimento da leitura se baseia nisso: a vontade de descobrir o que ocorreu no passado dos dois personagens que os lançaram em destinos tão distintos.

O que mais me conquistou durante a leitura foi a personalidade do Leonard. Não são raros os livros que eu vejo com personagens superficiais, pouco aprofundados ou mal explorados – e, nesse sentido, o Matthew Quick deu um show com a construção do Leonard. A melhor maneira que tenho para defini-lo é que ele é real. Não é o bom moço, o exemplo da perfeição, o jovem dentro de uma redoma de virtude e justiça, mas também não é o vilão, inconsequente e culpado de todos os problemas ao seu redor, o diabo em forma de gente. Ele apresenta perfeitamente a dualidade da condição humana, que não é totalmente boa nem totalmente má, apenas é.

Conforme vamos conhecendo o personagem, vamos descobrindo como ele realmente é: um jovem genial, que não se conforma com as coisas como elas se apresentam, que questiona o mundo e a si mesmo. Ele gosta de pensar, analisar, e não de ter as respostas jogadas em seu colo. Tem um humor ácido é uma visão extremamente pessimista do mundo, é complexo. E é, acima de tudo, um jovem sem esperanças, que sente que não se encaixa em seu presente e não anseia pelo futuro, que parece reservar apenas mais descontentamento. É impossível não se conectar a ele, não desejar compartilhar de seu sofrimento, aliviar seu fardo, deixá-lo saber que ele não está sozinho.

Apesar de não ter um ritmo tão acelerado (pelo menos não do jeito em que estou acostumada, como nos livros de ação/aventura), a leitura é envolvente e te impulsiona à frente. A narrativa alterna entre o presente, os acontecimentos centrados no aniversário de Leonard, o passado, com flashbacks mostrando como ele conheceu alguns dos outros personagens ou como era sua amizade com Asher, e o “futuro”, através de séries de cartas que ele recebe dessas supostas pessoas de seu futuro. Admito que fiquei um pouco confusa e perdida quando me deparei com a primeira carta do futuro, mas logo me vi ansiando por elas, pois as passagens eram sempre incríveis.

Em um momento em que vemos cada vez mais jovens deprimidos, pessoas lutando para se adequar ou para enterrar seus traumas e anseios, Matthew Quick traz uma análise intrigante sobre como os jovens são afetados por inúmeros fatores ao seu redor, e como às vezes o menor dos gestos poderia ser o bastante para salvar uma vida que se julga perdida – ou pelo menos iniciar o processo para colocá-la de volta aos trilhos, e isso sem partir para o lado mais “didático” da questão. Ele levanta os questionamentos ao apresentar a história de um jovem que se encontra em situação tão extrema, mas deixa as conclusões por parte do leitor – o que você tira da leitura é seu e só seu.

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Ao final da leitura, eu só podia ficar de queixo caído e absorver tudo aquilo que havia lido. Talvez por não esperar tanto – ou nada – quando comecei a leitura, foi completamente surpreendida, arrebatada pela narrativa de “Perdão, Leonard Peacock”. E agora tenho certeza de que posso recomendar a todos, pois é aquele tipo de livro que você acha que todos deveriam ler.