Confesso que li: Eu sou o Número Quatro [Resenha]

Autora: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Páginas: 352
Título Original: I am Number Four (Lorien Legacies #1)
Série: Os Legados de Lorien (#1)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: “Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais. Nosso plano era crescer, treinar, nos tornar mais poderosos e nos unir, para então enfrentá-los. Porém, eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, estamos fugindo.
O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro.
Eu sou o próximo.”

Até onde vai a sede de morte e destruição? Os mogadorianos destruíram todos os recursos de seu planeta e se voltaram para o planeta habitado mais próximo: Lorien. Em um ataque que pegou a todos de surpresa, os assassinos frios de Mogadore destruíram Lorien e dizimaram sua população. Mas, enquanto a batalha ocorria, uma nave – a única que ainda estava inteira – conseguiu escapar de Lorien com 19 passageiros a bordo. Nove crianças, membros da Garde – a força de defesa de Lorien, com poderes e habilidades especiais – seus Cêpans – os mentores das crianças, responsáveis por ajudarem em seu treinamento e desenvolvimento – e o piloto. Depois de uma longa viagem os lorienos chegaram ao planeta Terra, onde se espalharam pelos quatro cantos do globo, aguardando o dia em que seus poderes estariam desenvolvidos, seu treinamento estaria completo e eles estariam prontos para trazer a justiça aos mogadorianos e repovoar Lorien.

Mas os mogadorianos seguiram os lorienos até o planeta Terra e começaram a caçá-los um a um. Um feitiço realizado por um Ancião de Lorien antes de as crianças embarcarem na nave provou-se a única forma de garantir que elas não seriam mortas imediatamente: a cada criança foi dado um número, e elas só poderiam ser mortas naquela ordem. Caso uma criança fosse atacada “fora da ordem”, o dano seria revertido para a pessoa que a atacou. E a única forma desse feitiço ser quebrado seria se os membros da Garde se uniram.

Dez anos se passaram desde que a nave loriena chegou em nosso planeta e os lorienos passaram a se esconder entre os humanos. Enquanto tentava aproveitar um dos raros momento de descontração em seu último endereço (já havia perdido as contas de quantas vezes se mudara nos últimos anos), o Número Quatro sente uma queimação em sua perna e uma cicatriz, sua terceira, surge em seguida. Ele sabe o que isso significa, sabe o que aconteceu e quais serão as consequências. O Número Três está morto. Os mogadorianos virão atrás dele agora. Estará ele pronto? Quando finalmente irá parar de fugir e se esconder?

Li quatro livros desta série no ano passado e fiquei tão fascinada e encantada que a coloquei na minha lista de séries preferidas de todos os tempos. Cada vez que alguém me pedia uma recomendação de série, automaticamente soltava Os Legados de Lorien. O quinto livro foi lançado este mês e, como tenho uma memória realmente muito fraca, resolvi reler a série desde o começo. E, enquanto lia “Eu sou o Número Quatro” só conseguia pensar: foi esse livro mesmo que eu li e me apaixonei?

Veja bem, tão logo comecei a leitura, fui ler algumas críticas e resenhas no Goodreads e acho que isso me fez perceber algumas coisas que não tinham me incomodado tanto em minha primeira leitura. Essa releitura realmente me fez perceber algumas coisas que eu não tinha percebido na primeira vez, ou simplesmente não tinham me chamado tanto a atenção. E, infelizmente, este primeiro volume de Os Legados de Lorien não é tão bom quanto eu me lembrava – pelo menos não completamente.

O início da história tem um ritmo bem lento e tranquilo, a sensação de que temos é que nada acontece. Depois de receber sua terceira cicatriz – parte do encantamento lórico, que indica que um dos lorienos morreu -, Quatro e seu Cêpan Henri preparam-se para mudar de casa mais uma vez. Abandonam o calor da Flórida para se mudarem para Paradise, Ohio, onde Quatro adota seu novo nome, John, que o acompanha por toda a duração da série. Neste início do livro temos toda a apresentação do universo de Os Legados de Lorien, quem são os lorienos, os mogadorianos e como seus caminhos se cruzaram. Descobrimos sobre a missão dos lorienos na Terra, de se fortalecerem e desenvolverem seus Legados – como são chamados os poderes e habilidades que cada um dos membros da Garde desenvolverá – até estarem prontos para derrotar os mogadorianos e trazer a vida de volta a Lorien. E também descobrimos que os mogadorianos não estão na Terra apenas para caçar os sobreviventes, mas também para dominar o planeta. Não destruindo tudo, como fizeram em Lorien, mas possivelmente dizimar a raça humana e estabelecer a Terra como sua nova morada (e não, isso não é spoiler).

Ao mesmo tempo em que é bom descobrir todos esses (e outros elementos), nessa releitura eu realmente senti um pouco mais forte essa sensação de “nada acontece” no começo do livro. John e Henri se mudaram para a pacata cidade de Paradise, e a impressão que me deu é que o início da história acabou assumindo o mesmo tom pacato. Não é do tipo que te faz largar o livro e nunca mais querer pegar na mão, mas ficar ansiando por alguma ação ou emoção, já que a premissa da história parece prometer isso a torto e a direito.

Lá pela metade do livro, por volta do capítulo 18, temos o primeiro boom de adrenalina real (não que nada ocorra antes disso, mas é o primeiro momento em que o livro realmente fica acelerado) e aí vemos onde a série se destaca, e muito: nas cenas de ação. Mesmo nessa segunda leitura, enquanto me encontrava ligeiramente desanimada por me deparar com algo diferente do que eu me recordava, e mesmo sabendo tudo o que aconteceria, não deixei de me contagiar pelos acontecimentos descritos na noite de Ação de Graças. E não se trata apenas do confronto em si, mas de toda a construção e expectativa.

Neste ponto os autores (James Frey e Jobie Hughes, sob o pseudônimo de Pittacus Lore) trabalham muito bem, desenvolvendo cenários que fazem os leitores, ou pelo menos eu, devorar as páginas. O mesmo se repete nas cem últimas páginas da história, quando você não consegue desgrudar os olhos das páginas por um minuto que seja. Por mais que o livro tenha um começo um pouco lento, do começo ao fim você simplesmente não consegue parar de ler. A narrativa é em primeira pessoa e no tempo presente, o que é até fácil de acostumar, principalmente para quem já leu Jogos Vorazes, que também apresenta este formato de narrativa.

Outro ponto que me incomodou foi o desenvolvimento dos personagens – pelo menos alguns deles. Os principais personagens (John, Sarah, Sam, Mark) ficaram um pouco clichês demais, aquela fórmula pronta do herói, garota perfeita, nerd e valentão (na respectiva ordem dos personagens citados acima). Apesar de eu ainda adorar o livro (estava decepcionada no começo, mas cheguei ao fim lembrando porque amo a série), acho que faltou trabalhar um pouco mais os personagens, e não cair no esteriótipo, na solução pronta. Apesar de pequenas mudanças em cada um deles ao longo da história, o que nós encontramos é a definição quase literal do papel que cada um deles assume, sem permitir que suas personalidades sejam mais exploradas.

E outra coisa que não gostei, e isso eu sei que não gostei na primeira vez em que li também, foi o romance entre John e Sarah. Ah, por Lorien, que casal mais chatinho! Sarah é o cúmulo da perfeição, a garota que desistiu de ser líder de torcida e resolveu ser boa e gentil com todo mundo. Ela tira fotos, assa cupcakes e constrói abrigos para animais em seu tempo livre. E tudo isso com uma aparência impecável, aposto que nem o cabelo saí do lugar. E todo o romance desenvolvido com John é daqueles “amor à primeira vista”, com longas trocas de olhares cheios de significado e perfeição a cada segundo. Desculpe, mas eu não compro isso. Gosto de romances, sou uma romântica incurável, mas o romance desenvolvido é tão doce que chega a me dar dor de dente. Acho que não casou com a história e, diferentemente da parte de ação, os autores erraram a mão – e feio – ao desenvolver essa história de amor. Sei que boa parte da trama se deve ao romance dos dois, mas simplesmente ficou superficial, artificial e “perfeitinho” demais. Nenhum relacionamento é perfeito, e o deles só me deixa irritada.

Também me deparei com algumas coisas na história que parecem não fazer muito sentido, mas acredito que durante o desenvolvimentos dos outros livros (bom, do quinto em diante, pelo menos) elas devem ser solucionadas. E, apesar da crítica ainda parecer completamente negativa, continuo gostando do livro. Queria que a personalidade de alguns personagens fossem mais trabalhadas? Sim. John e Sarah juntos me irritam? Demais! Mas ainda lembro da história dos outros livros, dos personagens e acontecimentos que estão por vir, e não posso deixar de gostar da série. Talvez possa me conformar com “um começo não tão bom para uma série envolvente”.

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