Confesso que li: Wake [Resenha]

Autora: Lisa McMann
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576793403
Páginas: 205
Título Original: Wake
Série: Trilogia Wake (Wake Trilogy)
Nota:
 2 Estrelas

Sinopse: Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal.
Janie não pode contar a ninguém sobre o que acontece com ela – eles nunca acreditariam, ou pior, achariam que é uma aberração. Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar.
Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante…

“Wake” é aquele tipo de livro que tinha de tudo para ser um sucesso no seu gênero. Lembro de me deparar com o livro no Submarino, ficar interessada pela capa, ler a sinopse no Skoob e ficar PIRADA pelo livro. Já marquei a trilogia na minha lista de desejados e vez ou outra ficava relendo a sinopse do primeiro livro, pensando em quando finalmente poderia ler. No meu último aniversário, ganhei a trilogia de presente de uma amiga minha (oi, Via! ❤ ) e comecei a ler alguns dias depois. Foi quando todo o meu ânimo foi por água abaixo.

O livro conta a história de Janie, uma garota que, desde sua infância, é sugada para o sonho das pessoas e se torna uma observadora passiva até que algo faça com que a pessoa acorde. O livro é narrado em terceira (e algumas vezes primeira) pessoa e no tempo presente, o que fez com que eu demorasse um pouquinho até pegar o ritmo de leitura, já que não estou tão acostumada a este tipo de narrativa. Apesar de ter uma premissa fantástica, achei todo o desenvolvimento da história muito fraco – o que é uma pena. Eu esperava que a situação dos sonhos fosse mais explorada, ou talvez explorada de uma forma diferenciada, mas achei que tudo ficou um pouco confuso ou mal explicado. Tinha uma imagem na minha mente e ela passou longe do que a autora trabalhou em seu livro, mas bem, bem longe. Isso acontece muitas vezes e geralmente não ligo, mas, pelo menos neste caso, achei que a história que tinha imaginado na minha cabeça era bem mais legal do que a que eu encontrei nas páginas.

Uma das coisas que me fez desanimar muito durante a leitura foi a (falta de) construção dos personagens. Ok, não esperava nada tão complexo ou fantástico quanto o Mr. Darcy (ah, Darcy ❤ ), mas as crias de McMann deixaram a desejar, pelo menos para mim. Não que os personagens seguissem a linha dos clichês ou esteriótipos (pelo menos não os dois principais, pois outros personagens foram bem clichês sim), felizmente, mas achei tudo muito… superficial, por assim dizer. Não havia um desenvolvimento maior ou camadas, algo a ser descoberto com o tempo. A impressão que eu tinha era que estava lendo sobre criaturas unilaterais, mesmo com a tentativa da autora de criar um histórico sombrio e misterioso para um ou outro personagem. Também não conseguia entender as súbitas mudanças de humor da protagonista, que parecia ir da água para o vinho sem motivo algum. Em um segundo ela estava bem, em outro estava gritando com sua melhor amiga como se tivesse sido atacada primeiro, e eu só conseguia me perguntar se tinha faltado algum trecho da história no meu livro.

A interação de Janie e Cabel também é algo que nunca conseguirei entender direito. Lembro de uma situação específica em uma viagem escolar, em que algo “ai meu Deus” aconteceu (não vou dar spoiler, hehe), e a reação dele foi tão exagerada e tão extrema que eu realmente não consegui acreditar. Não faria sentido algum ele reagir daquele jeito ou chegar àquela conclusão com as pouquíssimas informações que possuía, e me parecia que a autora queria aquela situação, mesmo que não fizesse sentido algum na história ou no momento, e isso para mim não tem desculpa.

Mas infelizmente não foi apenas a pobreza dos personagens que me desanimou, já que a escrita também não me conquistou nem um pouco. Sei que nem todo mundo precisa ser um Tolkien da vida e passar uma página descrevendo o tom de verde da grama de uma campina por onde tal personagem iria passar (não, não li Tolkien, mas está na lista), mas a Lisa não nos dá quase nenhuma descrição e isso é um pouco frustrante. O livro é composto por frases curtas e diretas, muitas vezes diretas até demais. E há um trabalho de dividir alguns trechos em parágrafos, para querer dar um impacto maior àquelas poucas palavras envolvidas, que eu achei que na maioria dos casos simplesmente não funcionou muito bem.

Para acabar (juro que já estou acabando), o outro problema que tive com o livro foram os muitos erros de tradução e revisão – tipo, muitos mesmo. Não li muitos livros da editora, para saber se é um problema geral ou pontual, mas fiquei realmente desorientada com alguns erros que encontrei. Com os erros de tradução, em alguns casos eu conseguia imaginar qual tinha sido a expressão utilizada pela autora e qual seria a tradução correta, e ficava incomodada por saber que tinham colocado uma tradução completamente aleatória. Como quando colocaram “Ele põe a mão nas pequenas costas dela […]”, e em inglês a autora colocou “He slips his hand onto the small of her back” (sim, fui procurar como estava no original, para não acabar falando besteira), o que seria traduzido para algo como “na base das costas”, não “nas pequenas costas”. Em outros erros de tradução, eu simplesmente ficava boiando e só sabia que alguma coisa estava errada porque a frase não fazia muito sentido do jeito que estava. Também me deparei com muitos erros de digitação e revisão, como “algúem” e “denovo”, que foram os casos que lembrei de registrar com a câmera do celular. Pode-se somar a isso uma mudança constante no foco do narrador (apesar de ser narrado em terceira pessoa, não são poucos os casos em que você pode se deparar com uma mudança para primeira pessoa, sem justificativa alguma, no meio de um parágrafo que, até então, narrava na terceira pessoa) e uma confusão na indicação de falas, pensamentos e narrativa, o que te faz ter que reler um trecho ou outro, para descobrir qual era o intuito ali. A bagunça era tanta que eu já não sabia mais dizer o que era falha da autora ou da editora.

Em síntese, foi uma leitura muito infeliz e eu, honestamente, não recomendaria este livro a ninguém. Continuei lendo a trilogia, porque não consigo abandonar uma leitura, e posso dizer que o terceiro livro fica um pouquinho melhor, mas não o bastante para valer a leitura da trilogia completa.

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7 comentários sobre “Confesso que li: Wake [Resenha]

  1. Ana Lima disse:

    Oláaa Liah! Tudo bem?
    Realmente, esse livro deixa a desejar. É uma pena que você tenha se decepcionado com a leitura. Eu estava bem curiosa no começo, mas depois da resenha eu mudei a minha opinião, ainda bem que eu a li. Não sei se conseguiria ler um livro com tantos erros e com frases curtas sem descrição. Pelo que eu vi na foto que você tirou, não ia aguentar.
    Mas pelo menos está avisado que eu não devo ler esse livro!
    Beijos,

    http://our-constellations.blogspot.com/

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    • Liah Nogueira disse:

      Oi, Ana! Tudo sim, e contigo?
      Sim, é realmente uma pena, pois a sinopse parecia super promissória. Eu estava imaginando que essa seria uma das minhas trilogias preferidas, e acabou sendo uma das maiores decepções de 2014. E sim, tirei a foto daquele trecho justamente por ser um dos que melhor retratava essa narrativa “quebrada” da autora, e porque fiquei completamente desgostosa quando a vi. Cadê o desenvolvimento, minha gente? Sou mega fã de descrições bem feitas, não me importo com um grande parágrafo descritivo, desde que tenha coerência com a história, então sofri muito com essa leitura. E fico feliz por ter te salvado dessa furada, hehe.
      Beijos e ótima semana ❤

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  2. Monalisa Marques disse:

    “(…) e eu só conseguia me perguntar se tinha faltado algum trecho da história no meu livro” – Nossa, Liah, mas que péssimo! Isso, aliado a todos os erros de tradução e revisão, só mostra que o livro foi feito com um descaso imenso. Que os envolvidos nele tiveram a única preocupação de fazer algo que fosse vendido. Assim é muito fácil, inventa-se uma sinopse marcante dessa (ela me chamou a atenção e eu realmente cheguei a anotar o nome do livro, mas risquei depois de ler sua resenha), e preenche-se as páginas do miolo de qualquer forma.

    Nossa, mas como eu tenho raiva disso! E sabe o que é pior??? O descomprometimento da editora com a formação dos leitores. Esse livro me parece ser um infanto-juvenil, esse é um público ainda em formação, que precisa ser alimentado com coisas de qualidade, bem escritas e tal. E arrisco a dizer que a maior parte do português que aprendemos nos é passado através da leitura, gravamos as palavras e as regras na medida em que vamos lendo e lendo… Por isso acho muita sacanagem um profissional colocar no mercado um trabalho mal feito, principalmente quando destinado a crianças e jovens.

    Mas enfim… Pelo menos serve para testar o senso crítico, né. Hahahaha

    Um beijinho,
    Mona
    http://www.literasutra.com

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    • Liah Nogueira disse:

      Sim, o que é uma pena, Mona, pois a sinopse realmente é fantástica. Lembro que me apaixonei pela sinopse assim que li, e passei quase dois anos “desejando” o livro. Por isso me decepcionei tanto ao ler, não só pelas muitas falhas apresentadas, mas porque mesmo o desenvolvimento da história deixou a desejar. Ou talvez minha imaginação que tivesse criado algo mais “fantástico” e acabou se decepcionando, não sei. E eu fui olhar a data de publicação, tentando ver se era um livro mais antigo, o que me faria relevar um pouco essa “pobreza”, e descobri que a edição brasileira é de 2009, então não tem nenhuma desculpa ou justificativa para entregar algo tão descuidado.
      Beijos ♥

      Curtido por 1 pessoa

  3. Vulgo Emilie disse:

    Eita, tantos erros assim? Eu, quando me deparo com esse tipo de leitura, já arrumo o livro pra vender..porque não vejo sentido em ficar com algo do qual não gosto. Mas, entendo essa coisa de querer continuar apenas para não deixar algo incompleto.

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    • Liah Nogueira disse:

      Infelizmente sim 😦 Realmente desanimei enquanto lia, alguns eram erros bobos, que não poderiam ter passado, e isso diminuiu a credibilidade da história para mim. E vender não vou, porque foi presente de aniversário, mas foi bem decepcionante mesmo…

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