Projeto BLC #1: Estagiários do John Green

Bom dia, boa tarde, boa noite, pessoas da Terra!

Já ouviram falar em postagem coletiva? Sim? Não? Bom, eu já sabia um pouco sobre o assunto, mas nunca havia participado de nenhuma – mesmo porque o blog é super recente e normalmente opto por ficar na minha. Mas acompanho o blog da Juh, o Chá & Livros, e por isso fiquei curiosa quando ela anunciou por lá o “Projeto Blogagem Literária Coletiva“. A ideia surgiu em conjunto com a Monika, do blog Os Literatos, e a Ana Carolina, do Diários de uma Livromaníaca, e tem como objetivo unir a comunidade blogueira, oferecer um espaço de interação e compartilhamento de ideias, além de dar um escape para o famoso “bloqueio criativo”. Todo mês é proposto um tema, e cada blogueiro participante cria o conteúdo da maneira que achar melhor, de acordo com o seu perfil. Há um grupo no Facebook, onde todos podem interagir e dividir os posts do projeto, assim podemos ver o que cada participante criou. As idealizadoras acabaram criando um ambiente bem legal e descontraído, onde realmente podemos nos aproximar de outros blogs literários, saindo do isolamento da nossa pequena ilha virtual.

Amei a ideia desde o princípio e já me inscrevi na primeira semana, mas o e-mail com o tema do mês passado (que seria válido até o fim deste mês, porque as meninas são umas lindas <3) chegou pouco antes de eu viajar, então fiquei adiando até agora. Então, sem mais delongas, vamos ao primeiro tema do “Projeto Blogagem Literária Coletiva”.

*****

okay_by_drnightflower-d57xo5a

Para o primeiro post, os blogueiros participantes conseguiram uma vaga de estágio com John Green – yaay, estágio! Mas a vida de estagiário não é nada fácil, quem já foi estagiário sabe do que estou falando, então, enquanto o autor resolvia tirar uma folga para pescar, deixou este bilhete abaixo:

Querido estagiário:

Terminei de escrever A Culpa é das Estrelas, mas ainda não estou contente. Sinto que falta algo e não consigo identificar o que é. Peço que você reescreva algum trecho de ACEDE, mude algo no começo, meio ou fim. Reinvente algum diálogo ou cena, acrescente personagens, mude o destino de outros. Mas quero apenas UMA mudança e deixo-a a seu critério.

Confio em você, na volta verei o resultado e comemoraremos com um belo peixe assado.

John Green”

Ok. A minha demora para responder não estava relacionada exclusivamente à viagem, no fim das contas. Li “A Culpa é das Estrelas” no começo do ano passado, mas tenho uma memória de peixinho dourado e já não lembrava o bastante para decidir mudar alguma parte assim, de cabeça. Pensando em reler o livro, tirei da minha estante essa semana e comecei a ler os primeiros capítulos. Mas sei lá, não senti vontade de mudar nada que já estivesse escrito, nem de acrescentar alguma coisa ao fim. Não quero escrever sobre o que acontece depois que a história acaba, porque aceitei o fim como ele veio. Então vou voltar láááá no começo da história e escrever um trechinho pelo ponto de vista da mãe da Hazel – porque sim, queria um POV diferente :3

Frannie parou na entrada de carros circular atrás da igreja às 4h56. Enquanto Hazel ajeitava o cilindro de oxigênio, Frannie fingiu ajeitar o retrovisor do carro, mantendo uma fachada de calma e normalidade.

– Quer que eu carregue até lá dentro? – perguntou.

– Não, está tudo bem.

Como queria acreditar naquelas palavras. Sua filha, sua única filhinha, padecia com o câncer. Estava mais forte e estável desde que começara a se medicar com o Falanxifor, era verdade, mas aquilo apenas mascarava a doença que aos poucos ia devorando e destruindo sua menininha. Quem sabe por quanto tempo mais ele faria efeito? Frannie ia dormir todo noite e acordava toda manhã temendo o dia em que seu pior pesadelo se tornaria realidade, temendo o dia em que perderia sua filha.

– Eu te amo – disse à filha, enquanto ela descia do carro e rumava em direção à porta.

– Eu também, mãe. Vejo você às seis.

– Faça amigos! – Gritou pela janela abaixada do carro, vendo Hazel sumir entre as portas.

Suspirou, o rosto relaxando da máscara de positividade e otimismo que tentava demonstrar 24 horas por dia. Respirando profundamente, recostou-se no banco do carro, repousou a cabeça no encosto e fechou os olhos. Desde que descobriram sobre a doença de Hazel, Frannie vinha tentando ser forte, tentando ser a mãe perfeita, aquela que carregava todo o fardo sozinha, mas isso estava começando a cobrar seu preço. Já não sentia mais tanta facilidade em manter a atitude positiva, estava lhe custando cada vez mais e mais manter o sorriso fixo no rosto, para que Hazel não soubesse o quanto ela sofria com tudo aquilo. Queria que a filha tivesse uma vida normal, que fosse à faculdade, curtisse com suas amigas, se apaixonasse, cassasse, tivesse filhos… Mas este já era um sonho muito distante da realidade, e que parecia se afastar cada vez mais.

Esta não era a ordem natural das coisas – os filhos deveriam viver mais e ter vidas melhores que seus pais, e, ao que tudo indicava, não era assim que as coisas seriam com a família Lancaster. Desde a primeira vez que segurara Hazel em seus braços, sua mãe pudera imaginar a vida que a filha teria, passara anos sonhando e idealizando, apenas para ter tudo aquilo arrancado de si. E não sofria apenas pelo sonho que fora roubado de si, mas por todos os sonhos que a filha não teria a chance de sonhar. Como poderia ficar tudo bem quando ela estava basicamente sobrevivendo, deixando a vida passar diante de seus olhos e sem fazer nada para participar dela? Sabia que o Grupo de Apoio era, na melhor das hipóteses, uma válvula de escape, mas só queria que a filha se abrisse um pouco mais e não deixasse a vida passar passivamente.

Deu a partida no carro e começou a dirigir pela cidade, sem ter exatamente para onde ir, mas também não querendo voltar para casa, não ainda. Seus movimentos eram mecânicos e automáticos, sendo basicamente guiada pelo instinto, já que a mente não estava bem ali. Quando deu por si, havia dirigido até o parque onde costumava levar Hazel quando ela era criança, apenas a algumas quadras de sua casa. Parou o carro junto ao meio-fio e ficou observando as crianças correndo e brincando, suas mães logo ao lado, tomando conta dos pequenos. Como sentia falta daquele tempo! Como sentia falta da época em que o câncer não fazia parte da vida de sua família, quando tudo era mais simples. Como queria poder voltar no tempo, pegar a pequena e saudável Hazel em seus braços e não soltar mais. Sentiu seus olhos marejando e resolveu que não lutaria contra, deixou as lágrimas virem aos montes, o choro molhando seu rosto e sacudindo seu corpo. Ali, escondida de tudo e todos, se permitiu fraquejar e sentir toda a dor que parecia querer esmagá-la nas últimas semanas.

Não saberia dizer quanto tempo passou, mas o sol já ia baixo quando conseguiu secar o choro e controlar as emoções. Olhou no relógio e percebeu que estava quase na hora de buscar Hazel, então fez o melhor possível para disfarçar os olhos vermelhos e inchados, para que a filha não percebesse que ela havia chorado. Dirigiu de volta à igreja e chegou exatamente na hora em que a reunião estava acabando e os primeiros jovens estavam saindo, mas deixou o carro um pouco mais abaixo na rua, não indo ainda para a porta. Torcia que, se Hazel tivesse que ficar alguns minutinhos na entrada, poderia acabar conversando com alguém. Ok, sabia que não era a melhor atitude de mãe, ainda mais sabendo que a filha poderia se cansar por causa do oxigênio, mas algumas vezes uma mãe faz o que precisa fazer.

E qual não foi sua surpresa ao ver Hazel saindo da igreja com um rapaz ao seu lado e, realmente, conversando com ele! Deixou que conversassem por alguns minutos e só deu a partida quando viu Hazel se aproximando e indo em direção ao meio-fio, dirigindo então na direção da igreja. Ia parando ao lado dos dois quando viu o rapaz – e não é que era bonito?! – segurando a mão de Hazel, fazendo com que ela olhasse novamente para ele, e dizendo algo. Não queria fazer nada que pudesse alterar a primeira interação espontânea que via em Hazel por semanas, por isso continuou apenas olhando, avaliando a situação. Um pequeno sorriso se espalhou pelo rosto de Hazel, que se inclinou e deu uma leve batida no vidro do carro, fazendo com que Frannie o abaixasse.

– Vou ver um filme com o Augustus Waters – falou. – Grave, por favor, os próximos episódios da maratona do ANTM para mim.

– Tudo bem – respondeu Frannie para uma Hazel que já se virava e caminhava com Augustus em direção a uma caminhonete. – Vai ficar tudo bem… – Sussurrou para si mesma, dando um pequeno sorriso, o primeiro em semanas que era verdadeiro, e dirigindo de volta para casa.

Bom, é isso aí. Deu um pouco mais de trabalho do que eu esperava, apaguei e reescrevi umas inúmeras vezes, e ainda não estou totalmente satisfeita com o resultado, mas vou deixar assim mesmo, ou acabo não publicando nunca, hehe. Espero que tenham gostado deste trecho que adicionei à história. E vocês, o que mudariam? :3

XOXO.

Anúncios

7 comentários sobre “Projeto BLC #1: Estagiários do John Green

  1. Caverna Literária disse:

    Uoow, que genial esse projeto! É realmente uma forma maravilhosa de os blogueiros interagirem *além de só acompanhar o blog um do outro e comentar nos posts*, se conhecerem melhor, e até mesmo se ajudarem a criar um post bem legal, porque não é sempre que a gente tem criatividade né *ou quase nunca* hahaha. Nunca tinha parado pra pensar em como seria se tivesse um POV dos pais da Hazel, mas você conseguiu fazer um excelente trabalho! Passou as emoções que a mãe dela costumava transmitir ás vezes, mas com palavras mais claras e sucintas. Adorei!! 😀

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Vem conferir o Especial de Halloween que tá rolando na Caverna!

    Curtir

    • Liah Nogueira disse:

      Oi, Carol, bom dia!
      Sim, realmente é um projeto muito legal, fiquei super feliz ao me juntar a ele. Além da interação, tem toda a questão de diversificar o conteúdo do blog mesmo, bloquei criativo agradece, HASDUIHASUIDHAUISDHI. Ah, obrigada *-* Fico feliz por saber que gostou :3
      Beijos e ótima semana!

      Curtir

  2. Juliane Fogaça disse:

    Oi Liah!

    Nossa, adoreeei a sua ideia de fazer um POV com a Frannie! Foi uma ideia bem original e ela realmente merecia um destaque maior na história, não só ela como o pai da Hazel também porque deve ter sido tudo muito difícil para eles… Impecável a sua escrita, fiquei realmente impressionada! Você escreve mais coisas?
    Parabéns, ficou fantástico, com certeza valeu a espera!! ❤

    Bjão!
    Juh – Chá & Livros

    Curtir

    • Liah Nogueira disse:

      Oi, Juh!
      Eba, fico feliz por saber que gostou! E sim, quis fazer alguma coisa um pouco diferente, mas não queria alterar nada do que já estava escrito, então pensei nisso de colocar algum trecho de outro personagem. Tinha pensado em escrever a cena do rompimento entre o Isaac e a Monica, mas acabei ficando com a mãe da Hazel mesmo, não sei ao certo o motivo, hehe.
      E não, pelo menos não ainda, HASIUDHASIUDHASIUDHUI. Eu participava de alguns RPGs online, em plataforma playby forum, onde o foco era mais a interpretação do que um sistema de RPG em si – era mais escrever do que outra coisa. Usava como uma válvula de escape, mas acabei ficando sem tempo. E não sei, algumas vezes penso em escrever contos ou histórias, mas nunca fico satisfeita com o que escrevo, sou um pouco chata e crítica demais comigo mesma e_e
      E obrigada, de verdade ❤
      Beijos e ótima semana!

      Curtir

Confessionário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s