Li até a página 100 e… #7 – 3096 dias [Natascha Kampusch]

Aloha, pessoas!

Sei que disse que vou ficar um pouco sumida, mas ainda assim farei o possível para não deixar o blog às moscas. Sendo assim, volto com a tag “Li até a página 100 e…”, que foi criada pela Cibelle, do blog “Eu leio, eu conto“. Para mais informações de como participar da tag, é só acessar o blog dela 😀

Atendendo ao pedido/recomendação da amiga que estou visitando, comecei a ler o livro “3096 dias”, da Natascha Kampusch, e aproveito para fazer o post com ele.

Primeira frase da página 100:

“Eu sonhava com a sensação que sempre experimentei depois do banho quente.”

Do que se trata o livro:

Este livro trata da história real de Natascha Kampusch, uma garota austríaca que foi sequestrada aos 10 anos e viveu em cativeiro até os dezoito anos. Com uma narrativa que envolve relatos de sua história, conforme ela se desenrolava, e comentários da autora sobre como foi vivenciar aquilo e sobre o que ela descobriu e estudou depois de sair do cativeiro, o livro traz um relato angustiante de uma garotinha que, de uma hora para a outra, se viu privada de toda a sua liberdade e da vida que conhecia, pelo que aparentava ser o mero capricho de um homem com um grave desequilíbrio mental.

O que está achando até agora?

É uma relato agoniante, para dizer o mínimo. Por saber que é uma história verídica, já não consigo ler como um dos livros “normais”, de faz de conta, por saber que ela realmente passou por isso. Não é uma história que ela tirou da cabeça, mas um sofrimento que perdurou por anos. Quando ela fala do seu desespero, da tortura psicológica e da submissão e dependência do sequestrador, me aperta o coração por saber que é algo que realmente aconteceu – e acontece. É difícil ser confrontada por esta realidade, imaginar a situação, saber que tantas pessoas passaram e passarão por isso, e que muitas não sobreviverão. Apesar de ter uma leitura rápida, acaba sendo um pouco pesado, pelo conteúdo.

O que está achando da personagem principal?

Bom, por ser uma história real, não trato bem como “personagem principal”. Mas terminologias à parte, fiquei admirada com a fibra da Natascha. Era de se esperar que alguém chorasse, se descontrolasse ou enlouquecesse em uma situação como essa, mas, desde o começo, ela pareceu fazer o possível para se manter sã, para manter algum contato com a realidade e fazer o possível para sobreviver. Em um cativeiro de 5 m², com um sequestrador paranoico como única companhia (em pequenos encontros, e que ele controlava os horários) e uma situação completamente precária, aquela menininha de dez anos conseguiu se manter afastada da loucura e manter a esperança – se não de resgate, pelo menos de vida. Se isso não é ter fibra, não sei o que é…

Melhor quote até agora:

Queria deixar nelas uma parte de mim, como os prisioneiros que rabiscam as paredes das celas. Com imagens, frases e incisões para cada dia. Agora eu percebia que eles não fazem isso por tédio – desenhar é um meio de evitar a sensação de impotência e estar à mercê dos outros. Eles fazem isso para provar a si mesmos e a quem quer que entre na cela que eles existem, ou ao menos alguma vez existiram.” (pg 79-80)

Vai continuar lendo:

Vou. Saber que ela conseguiu fugir do cativeiro é a única coisa que me incentiva a continuar. Quero chegar a este ponto, não conseguirei terminar a leitura com a impressão de que o cativeiro dela foi para sempre.

Última frase da página:

“Hermeticamente vedada.”

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6 comentários sobre “Li até a página 100 e… #7 – 3096 dias [Natascha Kampusch]

  1. Paula Mirella disse:

    Oi, Liah!
    Eu já tinha visto tantos relatos sobre esse livro, que… É impossível não conhecê-lo! Tive meu primeiro contato com ele por meio da minha mãe que ( POR GRANDE E MARAVILHOSA SORTE MINHA ) também é leitora. Leitora assídua de livros que mexem com psicologia e mentes humanas. Tanto é que, é nisso que trabalha e é muito boa. É inegável o poder de psicologia que esse livro traz, por te manter tão focado e ao mesmo tempo aderir tanto às custas da Natascha. O sofrimento, a dilacerante dor que ela passa a cada segundo dos incontáveis anos que passou confinada. Me dá um aperto e um nó na barriga tão grande que só cheguei a ler algumas páginas. Mesmo que muitas. Não consegui terminá-lo. Imagino que ele traga realmente lições e aprendizados de uma garota que sofreu tanto na mão de um louco. E como ela trouxe isso de uma forma no mínimo heroica.
    Amo os teu “Li até a página 100 e…” ❤ haha. Aliás, amo todo o seu blog e ponto.
    Um beijo!
    Paula, Poetisa & Literária

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    • Liah Nogueira disse:

      Oi, Paula!
      Só conheci o livro por intermédio da minha amiga, que foi quem se interessou, comprou, leu e me pediu para ler também. É uma história realmente muito forte e pesada, longe de ser uma leitura “leve” ou divertida. O peso do sofrimento dela cai sobre os ombros do leitor também, e é difícil não se deixar levar pela dor que ela sentiu. Mas, ao mesmo tempo, é difícil se relacionar a tudo o que ela passou, pois é uma coisa MUITO fora do nosso dia a dia para que possamos nos colocar no lugar dela. Sei que não teria aguentado metade do que ela aguentou, ela precisou ser realmente muito forte.
      Aaaah, que bom que gosta! Mesmo, de verdade, fiquei feliz em saber *——-*
      Beijos e ótima semana! ❤

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    • Liah Nogueira disse:

      Hey, Kel, boa noite!
      Sim, também não é muito meu tipo de leitura. Prefiro ficção, não consigo lidar bem com histórias reais – principalmente de sofrimento – por saber que alguém realmente passou por tudo aquilo. Mas era o tipo de história que minha amiga PRECISAVA compartilhar com alguém, para poder conversar depois, e nisso me entreguei à leitura. E sim, realmente foi preciso reunir muita coragem. Ela publicou o livro anos após sua fuga e disse que, ao fazê-lo, finalmente sentia-se livre.

      Beijos e ótima semana!

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  2. monalisamarques disse:

    Uau, ótimo quote! Fez eu me arrepiar. Fiquei um tempo pensando sobre isso, e agora voltei aqui pra comentar. “Eles fazem isso para provar a si mesmos e a quem quer que entre na cela que eles existem, ou ao menos alguma vez existiram” – eis o que faz as pessoas deixarem suas marcas. Guardando as devidas diferenças, é o mesmo que querem os pixadores. Deixar sua marca, provar que existem. Não estou defendendo os pixadores, mas acho que é isso.
    Ótimas considerações, Liah! Seu blog como sempre descontraído mas com ótimo conteúdo. Sou fã. 🙂
    Um beijinho,
    Mona
    http://www.literasutra.com

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    • Liah Nogueira disse:

      Hey, Mona, boa noite!
      Sim, não é?! No que li essa passagem, SABIA que era a quote que queria usar. Na verdade, foi essa passagem que me fez querer postar o livro na tag. Eu sempre digo que não sou uma pessoa de quotes, mas essa foi forte demais para não perceber. E sim, realmente. É impossível não pensar em tudo que fazemos como uma forma de deixar uma marca, provando que algum dia estivemos aqui. Salvas as devidas proporções, todos passamos por isso. E entendo perfeitamente o exemplo que usou 😀
      Aaah, obrigada, Mona! Fico feliz por saber que gosta, de verdade ❤
      Beijos e ótima semana!

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