Confesso que li: Travessia [Resenha]

Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581050744
Páginas: 280
Título Original: Crossed (Matched #2)
Nota: 3 Estrelas

Sinopse: Em busca de um futuro que pode não existir e tendo que decidir com quem compartilhá-lo, a jornada de Cassia às Províncias Exteriores em busca de Ky – levado pela Sociedade para uma morte certa –, mas descobre que ele escapou, deixando uma série de pistas pelo caminho. A busca de Cassia a leva a questionar o que é mais importante para ela, mesmo quando vislumbra um diferente tipo de vida além das fronteiras. Mas, à medida que Cassia tem certeza sobre o seu futuro com Ky, um convite para uma rebelião, uma inesperada traição e uma visita surpresa de Xander – que pode ter a chave para revolta e, ainda, para o coração de Cassia – mudam o jogo mais uma vez. Nada é como o esperado em relação à Sociedade, onde ilusão e traição fazem um caminho ainda mais confuso.

Este é o segundo livro da trilogia “Destino”, e a resenha pode conter spoilers do primeiro livro.  Para conferir a resenha do primeiro, clique aqui

Como disse na primeira resenha, a história acabou não sendo bem o que eu estava esperando ou desejando. Não que tenha sido ruim, veja bem, eu gostei. O problema é que eu estava esperando amar a história, e não aconteceu exatamente assim. Não foi uma leitura desperdiçada, mas não acho que leria novamente tão cedo.

Cassia tem apenas uma certeza na vida: Ky foi levado, e ela vai encontrá-lo. Depois dos acontecimentos em “Destino“, quando Ky é levado pelos Oficiais para um destino que ninguém sabe o que o aguarda, Cassia decide não se conformar e ir atrás dele, custe o que custar. Ela consegue, com a ajuda de seus pais, ser enviada para uma missão de trabalho, onde passaria três meses trocando de trabalho e função, indo para onde fosse necessária. Sua ideia com isso era chegar mais perto de Ky, perto das Províncias Exteriores, e então ir ao encontro dele. Quando seu prazo estava quase se esgotando, Cassia consegue se infiltrar em uma aeronave que ela acredita estar levando garotas para as Províncias Exteriores, sem ter ideia do que lhe aguarda, mas sabendo que daria um jeito de se reunir com Ky. Neste meio tempo, Ky está nas aldeias perto do limite do território com o Inimigo, acompanhado de Vick e Eli, que compartilham do mesmo destino que ele. Mas ele sabe que precisa sair dali para encontrar Cassia, então parte para a Escultura, onde pretende sumir do radar do Inimigo, até conseguir bolar um plano para ir ao encontro de sua amada. E nessa busca de um pelo outro, será que acabarão encontrando a eles mesmos?

Nesse segundo volume já vemos uma pequena mudança em relação ao primeiro: a história, que antes era contada em primeira pessoa pelo ponto de vista da Cassia, agora também começa a apresentar alguns capítulos na perspectiva do Ky, também em primeira pessoa. Isso acabou dando certo movimento e diferencial para a história, quando você consegue acompanhar a jornada de cada um em primeira mão, e se dividir entre os encontros e desencontros. Somos apresentadas a novos personagens, que também dão um novo ar ao relato, como Indie, Vick, Eli e Hunter. Entre esses personagens, preciso destacar a Indie. Ela é uma garota forte e decidida, que sabe o que quer e fará o que for preciso para alcançar o objetivo, e que esconde alguma coisa de tudo e de todos. Seu passado é obscuro, assim como o de Ky, e acho que esse livro teria sido bem mais monótono sem a presença dela. Ok que a história não fica tão centralizada nela, ela apenas acompanha Cassia em sua Travessia pela Escultura, mas ela sempre me deixou curiosa sobre seu passado e seus planos, então acho que foi um ponto positivo da história.

Este livro me deixou completamente confusa, pelo menos em relação aos meus sentimentos por ele. O ritmo já é bem diferente que o apresentado em “Destino“, diria ainda mais calmo e introspectivo. Nós vemos uma mudança muito grande nos personagens nesse volume, principalmente na Cassia, conforme eles avançam pela Escultura. É como se, ao superar os obstáculos físicos da Escultura, em busca de seus objetivos, eles aprendessem a superar suas próprias falhas e defeitos, medos e anseios, inseguranças e desconfianças. Apesar de ser retratada uma jornada física, eu interpretei Travessia como também sendo a jornada emocional e psicológica a que os personagens se submetem, para conseguirem alcançar os objetivos que estabelecem. Para mim, a Travessia realizada pela escultura poderia muito bem ser uma metáfora para a transição que acontece dentro do Ky, Cassia e até mesmo Xander (nos poucos momentos em que ele aparece), levando-os de quem eram no primeiro livro a quem passam a ser no terceiro. É justamente um livro de transição, de adaptação, de mudança. Não digo que isso é de fato o que a autora propôs, mas foi como eu interpretei, e pode ser que eu tenha viajado um pouco, hehe.

Mas veja bem, isso não quer dizer que o livro é sensacional. Como disse na resenha sobre Destino, acho o ritmo da história um pouco paradinho e sem grandes acontecimentos que te deixam naquela ansiedade para continuar. Apesar de toda essa jornada de “descobrimento”, os personagens continuam com algumas atitudes bem infantis e irritantes, e vez ou outra eu sentia vontade de estapear os personagens, principalmente o Ky. Ainda sinto falta de uma presença mais marcante do Xander para que a proposta de um “triângulo amoroso” pudesse ao menos fazer sentido, já que o coitado mal aparece e já é logo jogado de lado. E também acho que a autora deixou algumas pontas bem soltas. Passamos o livro inteiro sem saber as respostas para muitos problemas apresentados, como questões sobre o Inimigo ou a Insurreição. Também não consegui entender o desejo súbito da Cassia de encontrar a Insurreição, aquilo pareceu ter vindo do nada e se transformado em uma “convicção” rápido demais.

Apesar de ter uma mensagem mais “profunda” que o primeiro livro, e de ter a Indie (aah, Indie ), acho que o primeiro livro ainda foi um pouco melhor que esse segundo. No primeiro ainda havia a ideia de que alguma coisa estava acontecendo, e não que estávamos simplesmente aguardando ou andando sem rumo em meio a um cânion. A escrita da Ally ainda é agradável, mas a construção foi novamente monótona. É como dizer “gosto das palavras, não tanto da história”. O que é uma pena, já que eu estava com uma expectativa tão grande para essa trilogia…

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12 comentários sobre “Confesso que li: Travessia [Resenha]

    • Liah Nogueira disse:

      Hey, Amanda, boa noite!
      Sim, infelizmente. No primeiro você ainda tinha a sensação de que algo estava acontecendo, nesse eles simplesmente parecem estar vagando pelo mundo. Existem descobertas e reviravoltas, mas ainda no clima neutro e “parado” que dita todo o livro. Não sei, achei bem lentinho para o meu gosto :/
      Beijos e ótima semana! ♥

      Curtido por 1 pessoa

  1. Aliscia disse:

    Oii!! Adorei sua resenha, acho que você abordou todos os assuntos, lados relativos ao livro e explicou bem; um dia irei ler (vou ler todos os livros do mundo) haha, bjs

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    • Liah Nogueira disse:

      Olá Karen, seja bem vinda!
      Sim, exatamente o que eu acho, hehe. A história tinha tanto potencial, os elementos apresentados poderiam ser trabalhados de um jeito tão legal, mas infelizmente fica um pouco paradinho. Não sei, pode ser que agrade outras pessoas, mas eu esperava um pouco mais. E obrigada! 😀
      Beijos e ótimo fim de semana :3

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    • Liah Nogueira disse:

      Olá Mirosmar, bom dia! Seja bem vindo ao CDL 😀
      Opa, que bom que gostou, fico feliz em saber! Infelizmente eu realmente não recomendo muito essa trilogia, mas leia a série Os Legados de Lorien, é muito legal. Acho que vou reler só para poder colocar a resenha aqui no blog :3
      Abraços e ótima sexta!

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