Confesso que li: Princesa Adormecida [Resenha]

Autor: Paula Pimenta
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501034205
Páginas: 192
Nota: 2.5 Estrelas

Sinopse: Era uma vez uma princesa… Você já deve ter ouvido essa introdução algumas vezes, nas histórias que amava quando criança. Mas essa princesa sou eu. Quer dizer, é assim que eu fiquei conhecida. Só que minha vida não é nada romântica como são os contos de fada. Muito pelo contrário. Reinos distantes? Linhagem real? Sequestro? Uma bruxa vingativa? Para mim isso tudo só existia nos livros. Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida. Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. Eu não conheço a sua história, mas a minha é mais ou menos assim…

Semana retrasada eu fui trollada lindamente pelo Cinemark e, ao ir ao shopping assistir Malévola com alguns amigos, descobri que todas as sessões estavam esgotadas – isso porque eu havia chegado três horas mais cedo, justamente para conseguir comprar os ingressos. Nenhum dos meus amigos tinha chegado ainda, já que, por morar perto, essa responsabilidade sobrou para mim, e nisso me encontrei sozinha no shopping tendo horas de espera até alguém chegar e nada para fazer. O que eu fiz? Fui para a Saraiva, claro! O shopping em que estava conta como uma maravilhosa Saraiva MegaStore e não há lugar melhor no mundo para matar o tempo do que lá. Entrei, achei um pufe perto da área juvenil para sentar e, depois de avaliar os livros, me deparei com um que achei que poderia terminar em algumas horas. O livro escolhido foi “Princesa Adormecida”, da Paula Pimenta, que estava bem próximo de onde eu estava sentada (realmente estava com preguiça de levantar) e me chamou atenção pela capa “fofinha”. Sempre ouvi falar muito bem de Paula Pimenta e confesso que fiquei super curiosa para ler algo da autora, nisso resolvi arriscar. A verdade? Acabei me decepcionando um pouco…

O livro conta a história de Áurea, princesa de Liechtenstein, parte de uma ramificação da família real, mas longe da linha de sucessão. Filha de uma brasileira com o príncipe de Liechtenstein, Áurea tinha tudo para ter uma fabulosa vida na Europa, não fosse pela vilã da história. Marie Malleville, que era apaixonada pelo pai de Áurea, tentou sequestrar a menina quando ela era pequena e, depois de uma tentativa mal sucedida, jurou que a família não teria paz até Áurea completar a maioridade, e que acabaria com a felicidade da família nesse meio tempo. A solução encontrada pela família da pequena Áurea? Forjar sua morte e enviá-la para o Brasil, onde seria criada pelos seus tios Fausto, Florindo e Petrônio. Foi então que a menina assumiu a identidade de Anna Rosa, órfã criada pelos tios amorosos, mas superprotetores. A história do sequestro em sua infância tornou-se uma historinha para dormir na cabeça da menina, algo que ela acreditava que seus tios haviam inventado, como as histórias das princesas em seus livros. Para que a menina não ficasse muito sozinha, foi enviada para um colégio interno só para garotas, com a instrução expressa de que jamais, em hipótese alguma, revelasse informações sobre seu passado. Os anos passaram e Anna cresceu, e as brincadeiras de meninas já não eram mais o bastante para suas colegas de classe, que achavam que ela não estava vivendo de verdade. No aniversário de 16 anos de Anna, convenceram-na a ir a uma baladinha, onde pode escolher uma música e dançar ao lado da famosa DJ Cinderela. No dia seguinte a menina recebe uma mensagem de um desconhecido em seu celular, um garoto misterioso que ela simplesmente não consegue ignorar, e é aí que toda sua história muda.

Achei a premissa bem interessante e, como era uma leitura apenas para matar o tempo mesmo, decidi arriscar. Novamente, estava mega curiosa para saber mais sobre os livros de Paula Pimenta, que tanto ouvia falar. A Bela Adormecida nunca foi minha princesa preferida (olá, Cinderela ), mas achei interessante a ideia de ler a história clássica nos tempos modernos. Então juntou literatura infanto-juvenil com história de princesa e livro fininho, e eu estava esperando um livro leve e divertido de ler, daqueles que você devora entre leituras mais pesadas, quase como uma “folga”. E foi assim, mas não exatamente como eu estava esperando. Fãs de Paula Pimenta me perdoem, mas eu esperava um pouco mais. Achei a escrita um pouco simples demais, um pouco direta e “crua”. A proposta foi interessante, mas não gostei tanto do desenvolvimento. Ao longo do livro eu tentei levar em consideração que é um livro infanto-juvenil e que a “eu” de 14 anos provavelmente teria amado, usando isso para diminuir meu desconforto com a escrita, mas não consegui. Senti que falou um pouco de cuidado e esmero em desenvolver a história, me passou uma ideia muito superficial e, bom, simples. Houve momentos em que realmente me diverti com o livro e um momento em que quase chorei (sou chorona, admito), mas acho que a experiência teria sido completamente diferente e teria gostado muito mais com uma narrativa mais cuidadosa. Não digo elaborada, com descrições desnecessárias ou cheia de firulas, mas com algum aprofundamento. Não sei se esse é o estilo da escritora ou se foi um acaso infeliz com esse livro específico, mas pelo que ouvia e lia sobre a Pimenta, minhas expectativas eram um pouco mais altas.

Mas focando um pouco na história, não apenas na forma com que foi contada, achei interessante. Um pouco clichê – ok, muito clichê -, mas realmente é o tipo de livro que a eu de 14 anos teria amado. Fofo na medida certa, e com um pé no chão e outro nas nuvens. Que adolescente nunca sonhou com um romance como esse, que realmente parece saído da página dos livros ou telas dos cinemas? O misterioso Phil é um doce, tanto que eu suspeitei dele a maior parte do livro. Pensava “um cara fofo desses, que aparece do nada na vida dela, alguma coisa aí tem”. Bolei teorias mirabolantes, cada uma mais maluca que a outra, e fiquei feliz ao ver que uma delas estava (parcialmente) certa. Mas mesmo assim, simplesmente não consegui comprar algumas partes da história e da construção de personagens. Existem algumas falhas gritantes na trama, que simplesmente não fazem sentido quando se olha o quadro todo. São contradições ou furos que me fizeram ficar com o pé ainda mais atrás, me perguntando novamente se foi um caso pontual, dessa obra em específico, ou se os demais trabalhos da autora também seriam assim. Quanto aos personagens, senti a mesma superficialidade e simplicidade na construção. A Anna me pareceu uma fórmula pronta da menina perfeita, que é ótima nos estudos, sabe cantar, dançar, é um doce de menina, todo mundo ama e é simplesmente perfeita. Desculpa, mas não consigo. Ela parece não ter falha alguma, tirando uma insegurança também pouco explorada. Que garota com 16 anos é tão “perfeita” assim? Não esperava uma delinquente juvenil, mas acho arriscado passar para o público – principalmente para as meninas no começo da adolescência, que me parece ser o público alvo da obra – essa imagem da perfeição, que fará algumas garotas questionarem suas próprias habilidades e conquistas.

E, apesar de tudo isso, eu gostei. E não gostei. Gostei, mas não gostei ao mesmo tempo. Não sei, não consigo decidir. Quando vejo como uma obra de literatura infanto-juvenil e tento pensar na eu de 14 anos, acho que é um livro mais que satisfatório e SEI que eu teria adorado. Mas não tenho mais 14 anos e tenho um senso um pouco mais crítico agora, e nisso deixo de gostar ao mesmo tempo. A ideia foi legal, gostei do romance desenvolvido por mensagens de celular, mas acho que a construção pecou um pouco. É o tipo de livro que te deixa de coração leve quando a história acaba, mas que minha cabeça insiste em puxar o coração para o chão novamente e debater com ele as pedrinhas encontradas no caminho. Estou completamente dividida. Ainda não sei se foi uma boa leitura ou não, mas consigo afirmar que não esteve entre as minhas melhores comprar ou leituras dos últimos tempos…

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