Confesso que li: Wild Cards – O Começo de Tudo [Resenha]

Autor: Vários autores. Editado por George R. R. Martin
Editora: LeYa
ISBN: 9788580445107
Páginas: 480
Título Original: Wild Cards (Wild Cards #1)
Nota: 4 estrelas

Sinopse: Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Terra é salva por pouco de um meteoro alienígena. Porém, o vírus que a bomba espacial carrega cai em Nova York e, gradativamente, espalha-se pelo mundo, contaminando parte da população e dotando parte dos sobreviventes com poderes especiais. Alguns foram chamados de ases, pois receberam habilidades mentais e físicas, alguns foram amaldiçoados com alguma deficiência bizarra e, por isso, batizados de coringas. Parte desses seres, agora especiais, usava seus poderes a serviço da humanidade, enquanto outros despertaram o pior que havia dentro de si. Série criada pelo genial George R. R. Martin a partir do jogo de RPG GURPS Supers, que desenvolveu para se distrair com seus amigos. O primeiro volume conta a história dos principais personagens que povoarão as páginas desta série de 22 títulos (editada e também escrita pelo autor de As crônicas de Gelo e Fogo).

Se você foi atraído para esse livro pelo nome “GEORGE R R MARTIN” escrito em letras garrafais na capa – inclusive maior que o título do livro – não se deixe enganar. O renomado autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” faz sim parte da obra, mas não é o único autor presente. Mas, nem por isso, o livro deve ser descartado.

Preciso confessar que o nome gigantesco do tio Martin na capa foi o que me atraiu inicialmente ao livro, mas não foi o único motivo que me fez comprar. Li por cima a sinopse e fiquei bem instigada. A ideia de um vírus extraterrestre caindo na Terra (a NOSSA Terra, em um período mais próximo da nossa realidade do que as distopias que dominam minha estante) e alterando a história foi o bastante para me deixar curiosa. Tenho poucos livros que abordam essa temática “alienígena” e gostei do enfoque que deram para essa obra. Então aproveitei e comprei logo os dois primeiros livros de uma só vez. E, até então, não me arrependi.

A história é trabalhada em “contos”, no estilo de romance mosaico, e cada conto é de um autor diferente, abordando um ou outro personagem. No começo achei isso estranho, senti falta daquela “linearidade” da história, de acompanhar um mesmo personagem (ou um grupo de personagens, como no caso dos diversos “POVs” presentes em As Crônicas de Gelo e Fogo) por todo o livro, saber o que acontecia com eles ao longo do tempo, etc. Assim que eu começava a me empolgar com uma história e me importar com um personagem, o conto chegava ao fim e eu era apresentada a outro conto, onde todo o processo recomeçava. Estranho no começo, mas instigante quando peguei o ritmo. Pode ser diferente, sim, mas também acabou sendo interessante ver como cada personagem lidava com as mudanças e consequências causadas pela disseminação do vírus carta selvagem, ao longo dos anos.

O primeiro livro, “O começo de tudo”, trata dos primeiros quarenta anos desde o dia da “Carta Selvagem” e quais suas consequências e desdobramentos na história da humanidade. Algumas pessoas criticaram a falta de um ponto comum na história, como uma trama maior que envolve todos os contos, mas na minha visão, foi o melhor jeito de apresentar todo o mundo e nos situar no cenário. Todo um novo mundo é construído e preparado, e simplesmente lançar a ideia do vírus que deformou alguns e dotou outros de habilidades especiais, e então partir para “E mais uma vez o dia foi salvo graças às Meninas Superpoderosas” não faria sentido. Para que pudêssemos entender todo o contexto histórico e social que se desenrolou naquele universo, acredito que se fez necessário a construção da história da forma que ocorreu.

Infelizmente, por ser uma “colcha de retalhos” de diversos autores, achei que o livro não manteve o mesmo “padrão” de qualidade do começo ao fim. Alguns contos foram fenomenais e fizeram com que eu me apaixonasse pelos personagens e realmente me importasse com seus destinos. Já outros foram um pouco confusos ou desconexos, como se não casassem bem com o resto da história. Lembro um conto que tive que reler uma página inteira, pois o autor não deixou muito bem demarcada a troca de personagens (e a diagramação, que fez com que a única “separação” entre os dois fosse o fim da página mesmo, também não ajudou muito) e comecei a ler pensando que fosse o personagem da página anterior, só para depois de muita confusão descobrir que era outro. Alguns contos também eram muito emocionante e envolventes, apenas para te jogar em um conto mais lento e apático logo em seguida, o que lança o leitor em uma montanha-russa de emoções – e não do tipo que gostamos. São casos pontuais, mas que acabaram decaindo um pouco a experiência geral do livro. Só que, mesmo assim, alguns capítulos foram TÃO BONS e o jeito que a história foi construída me conquistou tanto, que se não fossem por esses pequenos deslizes, eu teria dado cinco estrelas fácil.

Demorei um pouco para conseguir avançar na história, mais por uma dificuldade em achar tempo do que por falta de interesse, e quando acabou eu só conseguia pensar que queria mais, queria saber o que mais estava programado para aquele universo que conseguiu me seduzir. Também fiquei feliz ao perceber que o fim do conto não necessariamente significava o fim do personagem, e que algumas figurinhas carimbadas continuariam a aparecer em contos futuros, mesmo que de outros autores (Croooooooooyd <3). No geral foi uma experiência muito boa, “danificada” apenas por alguns pequenos contratempos, mas que, por ser o primeiro livro do que promete ser uma loooonga série, teve seus descontos. Com certeza esperarei bem mais do segundo volume 😀

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